A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 155
26 E aquelle que ouve estas minhas palavras, e as não executa, comparal-o-hei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
27 E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
28 E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, [19] a multidão se admirou da sua doutrina,
29 Porque os ensinava como tendo auctoridade; [20] e não como os escribas.
[1] Luc. 6.37. Rom. 2.1 e 14.3. I Cor. 4.3, 5. Thi. 4.11, 12.
[2] Mar. 4.24. Luc. 6.38.
[3] Luc. 6.41.
[4] Pro. 9.7, 8 e 23.9. Act. 13.45, 46.
[5] cap. 21.22. Mar. 11.24. Luc. 11.9, 10 e 18.1. João 14.13. Thi. 1.5, 6. I João 3.22.
[6] Pro. 8.17. Jer. 29.12.
[7] Luc. 11.11, 13.
[8] Gen. 6.5.
[9] Luc. 6.31. Lev. 19.18. cap. 22.40. Rom. 13.8, 10. Gal. 5.14. I Tim. 1.5.
[10] Luc. 13.24.
[11] Deu. 13.3. Jer. 23.16. Mar. 13.22. Rom. 16.17, 18. Eph. 5.6. Col. 2.8. II Ped. 2.1. I João 4.1. Miq. 3.5. Act. 20.29.
[12] ver. 20. cap. 12.33. Luc. 6.43.
[13] Jer. 11.19. cap. 12.33.
[14] cap. 3.10. Luc. 3.9. João 15.26.
[15] Ose. 8.2. cap. 25.11. Luc. 6.46 e 13.25. Act. 19.13. Rom. 2.13. Thi. 1.22.
[16] Num. 2.44. João 11.51. I Cor. 13.2.
[17] cap. 25.12. Luc. 13.25, 27. II Tim. 2.19. Psa. 5.5, 6, 9. cap. 25.41.
[18] Luc. 6.47.
[19] cap. 13.54. Mar. 1.22 e 6.2. Luc. 4.32.
[20] João 7.46.
_O leproso purificado._
Mar. 1.40-45. Luc. 5.12-14.
8 E descendo elle do monte, seguiu-o uma grande multidão.
2 E, eis-que veiu um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se tu queres, podes purificar-me.
3 E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero: sê puro. E logo ficou purificado da lepra.
4 Disse-lhe então Jesus: [1] Olha não o digas a alguem, mas vae, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a offerta que Moysés determinou, [2] para lhes servir de testemunho.
_O centurião de Capernaum._
Luc. 7.1-10.
5 E, entrando Jesus em Capernaum, chegou _junto d’elle_ um centurião, rogando-lhe,
6 E dizendo: Senhor, o meu creado jaz em casa paralytico, e violentamente atormentado.
7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saude.
8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, [3] não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, [4] mas dize sómente uma palavra, e o meu creado sarará;
9 Pois tambem eu sou homem sujeito ao poder, e tenho soldados ás minhas ordens; e digo a este: Vae, e elle vae; e a outro: Vem, e elle vem; e ao meu creado: Faze isto, e elle o faz.
10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo _isto_, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé.
11 Mas eu vos digo que muitos virão do oriente [5] e do occidente, e assentar-se-hão á mesa com Abrahão, e Isaac, e Jacob, no reino dos céus;
12 E os filhos do reino [6] serão lançados nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes.
13 Então disse Jesus ao centurião: Vae, e como creste te seja feito. E n’aquella mesma hora o seu creado sarou.
_A sogra de Pedro._
Mar. 1.29-31. Luc. 4.38-41.
14 E Jesus, entrando em casa de Pedro, [7] viu a sogra d’este jazendo com febre.
15 E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os.
16 E, chegada a tarde, [8] trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e com a palavra expulsou _d’elles_ os espiritos _malignos_, e curou todos os que estavam enfermos;
17 Para que se cumprisse o que fôra dito pelo propheta Isaias, que diz: [9] Elle tomou _sobre si_ as nossas enfermidades, e levou as _nossas_ doenças.
_Como devemos seguir a Jesus._
Luc. 9.57, &c.
18 E Jesus, vendo em torno de si _uma_ grande multidão, ordenou que passassem para a banda d’alem;
19 E, approximando-se _d’elle_ um escriba, disse-lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu te seguirei.
20 E disse Jesus: As raposas teem _seus_ covis, e as aves do céu _teem seus_ ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
21 E [10] outro de seus discipulos lhe disse: Senhor, [11] permitte-me que primeiro vá sepultar meu pae.
22 Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos.
_Jesus apazigua a tempestade._
Mar. 4.35-41. Luc. 8.22-25.
23 E, entrando elle no barco, seus discipulos o seguiram;
24 E eis que no mar se levantou _uma_ tempestade tão grande que o barco era coberto pelas ondas; elle, porém, estava dormindo.
25 E os seus discipulos, approximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos.
26 E elle disse-lhes: Porque temeis, _homens_ de pouca fé? [12] Então, levantando-se, reprehendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.
27 E aquelles homens se maravilharam, dizendo: Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
_Os endemoninhados gergesenos._
Mar. 5.1. Luc. 8.26, etc.
28 E, tendo chegado á outra banda, á provincia dos gergesenos, sairam-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulchros, tão ferozes que ninguem podia passar por aquelle caminho.
29 E eis que clamaram, dizendo: Que temos nós comtigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui a atormentar-nos antes de tempo?
30 E andava pastando distante d’elles uma manada de muitos porcos.
31 E os demonios rogaram-lhe, dizendo: Se nos expulsas, permitte-nos que entremos n’aquella manada de porcos.
32 E elle lhes disse: Ide. E, saindo elles, se introduziram na manada dos porcos; e eis que toda aquella manada de porcos se precipitou no mar por um despenhadeiro, e morreram nas aguas.
33 E os porqueiros fugiram, e, chegando á cidade, divulgaram todas _aquellas coisas_, e o que _acontecera_ aos endemoninhados.
34 E eis que toda aquella cidade saiu ao encontro de Jesus, e, vendo-o, [13] rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.
[1] cap. 9.30. Mar. 5.43.
[2] Lev. 14.3, 10. Luc. 5.14.
[3] Luc. 15.19, 21.
[4] Psa. 107.20.
[5] Gen. 12.3. Isa. 2.2. Mal. 1.11. Luc. 13.29. Act. 10.45. Rom. 15.9.
[6] cap. 21.43 e 13.42. Luc. 13.28. II Ped. 2.17. Jud. 13.
[7] I Cor. 9.5.
[8] Mar. 1.32. Luc. 4.40, 41.
[9] Isa. 53.4. I Ped. 2.24.
[10] Luc. 9.59.
[11] I Reis 19.20.
[12] Psa. 65.8 e 89.9, 10 e 107.29.
[13] Deu. 5.25. I Reis 17.18. Luc. 5.8. Act. 16.39.
_O paralytico de Capernaum._
Mar. 2.3-12. Luc. 5.18-36.
9 E, entrando no barco, passou para a outra banda, e chegou á sua cidade. E eis que [1] lhe trouxeram um paralytico deitado n’_uma_ cama.
2 E [2] Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralytico: Filho, tem bom animo, perdoados te são os teus peccados.
3 E eis que alguns dos escribas diziam entre si: Elle blasphema.
4 Mas Jesus, [3] conhecendo os seus pensamentos, disse: Porque ajuizaes mal em vossos corações?
5 Pois qual é mais facil? dizer: Perdoados te são os _teus_ peccados; ou dizer: Levanta-te e anda?
6 Ora, para que saibaes que o Filho do homem tem na terra auctoridade para perdoar peccados (disse então ao paralytico): Levanta-te; toma a tua cama, e vae para tua casa.
7 E, levantando-se, foi para sua casa.
8 E a multidão, vendo _isto_, maravilhou-se, e glorificou a Deus, que dera tal auctoridade aos homens.
_A vocação de Mattheus._
Mar. 2.14-17. Luc. 5.27-32.
9 E Jesus, passando _adiante_ d’ali, viu assentado na alfandega um homem, chamado Mattheus, e disse-lhe: Segue-me. E elle, levantando-se, o seguiu.
10 E aconteceu que, [4] estando elle em casa assentado _á mesa_, chegaram muitos publicanos e peccadores, e assentaram-se juntamente _á mesa_ com Jesus e seus discipulos.
11 E os phariseos, vendo _isto_, disseram aos seus discipulos: [5] Porque come o vosso Mestre com os publicanos e peccadores?
12 Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de medico os sãos, senão os doentes.
13 Ide, porém, e aprendei o que significa: [6] Misericordia quero, e não sacrificio. Porque eu não vim para chamar os justos, mas os peccadores, ao arrependimento.
_O jejum._
Mar. 2.18-22. Luc. 5.33, etc.
14 Então chegaram ao pé d’elle os discipulos de João, dizendo: Porque jejuamos nós e os phariseos muitas vezes, e os teus discipulos não jejuam?
15 E disse-lhes Jesus: Podem _porventura_ [7] andar tristes [AFI] os filhos das bodas, emquanto o esposo está com elles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, [8] e então jejuarão.
16 E ninguem deita remendo de panno novo em vestido velho, porque similhante remendo rompe o vestido, e faz-se maior o rasgão;
17 Nem deitam vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deitam vinho novo em odres novos, e ambos se conservam.
_A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue._
Mar. 5.22-43 e refs.
18 Dizendo-lhes elle estas _coisas_, eis que chegou um [AFJ] principal, e o adorou, dizendo: Minha filha falleceu agora mesmo; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ella viverá.
19 E Jesus, levantando-se, seguiu-o, _elle_ e os seus discipulos.
20 E eis que uma mulher [9] que havia já doze annos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detraz _d’elle_, tocou a orla do seu vestido;
21 Porque dizia comsigo: Se eu tão sómente tocar o seu vestido, ficarei sã.
22 E Jesus, voltando-se, e vendo-a, disse: [10] Tem animo, filha, a tua fé te salvou. E immediatamente a mulher ficou sã.
23 E [11] Jesus, chegando a casa d’aquelle principal, e vendo os instrumentistas, e o povo em alvoroço,
24 Disse-lhes: [12] Retirae-vos, que a menina não está morta, mas dorme. E riam-se d’elle.
25 E, logo que o povo foi posto fóra, entrou, e pegou-lhe na mão, e a menina levantou-se.
26 E espalhou-se aquella noticia por todo aquelle paiz.
_A cura de dois cegos e um mudo._
27 E, partindo Jesus d’ali, seguiram-o dois cegos, clamando, e dizendo: [13] Tem compaixão de nós, filho de David.
28 E, quando chegou a casa, os cegos se approximaram d’elle; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe elles: Sim, Senhor.
29 Tocou então os olhos d’elles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.
30 E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: [14] Olhae não o saiba _alguem_.
31 Mas, [15] tendo elle saido, divulgaram a sua fama por toda aquella terra.
32 E, [16] havendo-se elles retirado, trouxeram-lhe um homem mudo e endemoninhado.
33 E, expulso o demonio, fallou o mudo; e a multidão se maravilhou, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.
34 Mas os phariseos diziam: [17] Elle expulsa os demonios pelo principe dos demonios.
_A seara, e os ceifeiros._
35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, [18] ensinando nas synagogas d’elles, e prégando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e molestias entre o povo.
36 E, vendo a multidão, teve grande compaixão d’elles, [19] porque andavam desgarrados e errantes, como ovelhas que não teem pastor.
37 Então disse aos seus discipulos: A [20] _seara é_ realmente grande, mas poucos os ceifeiros.
38 Rogae pois [21] ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua _seara_.
[1] Mar. 2.3. Luc. 5.18.
[2] cap. 8.10.
[3] Psa. 139.3. cap. 12.25. Mar. 12.15. Luc. 5.22.
[4] Mar. 2.15, etc. Luc. 5.29, etc.
[5] cap. 11.19. Luc. 5.30. Gal. 2.15.
[6] Ose. 6.6. Miq. 6.6, 7, 8. cap. 12.7. I Tim. 1.15.
[7] João 3.29.
[8] Act. 13.2, 3 e 14.23. I Cor. 7.5.
[9] Mar. 5.25. Luc. 8.43.
[10] Luc. 7.50 e 8.48 e 17.19 e 18.42.
[11] Mar. 5.38. Luc. 8.51. II Chr. 35.25.
[12] Act. 20.10.
[13] cap. 15.22. Mar. 10.47. Luc. 18.38.
[14] cap. 8.4 e 12.16. Luc. 5.14.
[15] Mar. 7.36.
[16] cap. 12.22. Luc. 11.14.
[17] cap. 12.24. Mar. 3.22. Luc. 11.15.
[18] Mar. 6.6. Luc. 13.22. cap. 4.23.
[19] Mar. 6.34. Num. 27.17. Eze. 34.5. Zac. 10.2.
[20] Luc. 10.2. João 4.35.
[21] II The. 3.1.
_Os doze e a sua missão._
10 E, chamando os seus doze discipulos, [1] deu-lhes poder sobre os espiritos immundos, para os expulsarem, e curarem toda a enfermidade e todo o mal.
2 Ora os nomes dos doze apostolos são estes: O primeiro, Simão, [2] chamado Pedro, e André, seu irmão; Thiago, _filho_ de Zebedeo, e João, seu irmão;
3 Philippe e Bartholomeo; Thomé e Mattheus, o publicano; Thiago, _filho_ de Alpheo, e Lebbeo, appellidado Thaddeo;
4 Simão Cananita, [3] e Judas Iscariotes, o mesmo que o trahiu.
5 Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: [4] Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidade de samaritanos;
6 Mas ide antes [5] ás ovelhas perdidas da casa d’Israel;
7 E, indo, prégae, [6] dizendo: É chegado o reino dos céus.
8 Curae os enfermos, purificae os leprosos, resuscitae os mortos, expulsae os demonios: [7] de graça recebestes, de graça dae.
9 Não possuaes oiro, nem prata, [8] nem cobre, em vossos cintos,
10 Nem alforges para o caminho, nem duas tunicas, nem alparcas, nem bordão; [9] porque digno é o operario do seu alimento.
11 E, em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, [10] procurae saber quem n’ella seja digno, e hospedae-vos ahi até que vos retireis.
12 E, quando entrardes n’alguma casa, saudae-a;
13 E, se a casa fôr digna, [11] desça sobre ella a vossa paz; porém, se não fôr digna, torne para vós a vossa paz.
14 E, se ninguem vos receber, [12] nem escutar vossas palavras, saindo d’aquella casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.
15 Em verdade vos digo que, no dia do juizo, haverá menos rigor [13] para o paiz de Sodoma e Gomorrah do que para aquella cidade.
16 Eis que vos envio [14] como ovelhas ao meio de lobos; portanto sêde prudentes como as serpentes [15] e simplices como as pombas.
17 Acautelae-vos, porém, dos homens; [16] porque elles vos entregarão aos synhedrios, e vos açoitarão nas suas synagogas;
18 E sereis até conduzidos [17] á presença dos governadores e dos reis por causa de mim, para _lhes servir de_ testemunho a elles e aos gentios.
19 Mas, quando [18] vos entregaram, não estejaes cuidadosos de como, ou o que haveis de fallar, porque n’aquella _mesma_ hora vos será ministrado o que haveis de dizer.
20 Porque [19] não sois vós que fallaes, mas o Espirito de vosso Pae, que falla em vós.
21 E o irmão entregará á morte o irmão, [20] e o pae o filho; e os filhos se levantarão contra os paes, e os matarão.
22 E odiados de todos sereis por causa do meu nome: [21] mas aquelle que perseverar até ao fim será salvo.
23 Quando pois [22] vos perseguirem n’esta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de _percorrer_ as cidades d’Israel, [23] sem que venha o Filho do homem.
24 Não é o discipulo [24] mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.
25 Baste ao discipulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram [25] Beelzebú ao pae de familia, quanto mais aos seus domesticos?
26 Portanto, não os temaes; [26] porque nada ha encoberto que não haja de revelar-se, nem occulto que não haja de saber-se.
27 O que vos digo em trevas dizei-_o_ em luz; e o que escutaes ao ouvido prégae-_o_ sobre os telhados.
28 E não temaes os que matam o corpo, [27] e não podem matar a alma: temei antes aquelle que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.
29 Não se vendem dois passarinhos por um [AFK] ceitil? e nenhum d’elles cairá em terra sem _a vontade de_ vosso Pae.
30 E até mesmo [28] os cabellos da vossa cabeça estão todos contados.
31 Não temaes pois: mais valeis vós do que muitos passarinhos.
32 Portanto, [29] qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pae, que _está_ nos céus.
33 Mas qualquer [30] que me negar diante dos homens, eu o negarei tambem diante de meu Pae, que _está_ nos céus.
34 Não cuideis que vim trazer a paz á terra; [31] não vim trazer a paz, mas a espada;
35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pae, [32] e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
36 E _serão_ [33] os inimigos do homem os que _são_ seus familiares.
37 Quem ama o pae [34] ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
38 E quem não toma a sua cruz, [35] e não segue após mim, não é digno de mim.
39 Quem achar a sua [AFL] vida [36] perdel-a-ha; e quem perder a sua vida por amor de mim achal-a-ha.
40 Quem vos recebe, [37] me recebe a mim; e quem me recebe a mim, recebe aquelle que me enviou.
41 Quem recebe [38] _um_ propheta em qualidade de propheta, receberá galardão de propheta; e quem recebe _um_ justo em qualidade de justo, receberá galardão de justo.
42 E qualquer [39] que tiver dado só que seja um copo d’_agua_ fria a um d’estes pequenos, em qualidade de discipulo, em verdade vos digo que de modo nenhum perderá o seu galardão.
[1] Mar. 3.13 e 6.7. Luc. 6.13 e 9.1.
[2] João 1.42.
[3] Luc. 6.15. Act. 1.13. João 13.26.
[4] cap. 4.15. II Reis 17.24. João 4.9.
[5] cap. 15.24. Act. 13.48. Isa. 53.6. Jer. 50.6. Eze. 34.5. I Ped. 2.25.
[6] Luc. 9.2. cap. 3.2 e 4.17. Luc. 10.9.
[7] Act. 8.18.
[8] I Sam. 9.7. Mar. 6.8. Luc. 9.3.
[9] Luc. 10.7. I Cor. 9.7. I Tim. 5.18.
[10] Luc. 10.8.
[11] Luc. 10.5. Psa. 35.13.
[12] Mar. 6.11. Luc. 9.5 e 10.10, 11. Neh. 5.13. Act. 13.51 e 18.6.
[13] cap. 11.22, 24.
[14] Luc. 10.3. Rom. 16.19. Eph. 5.11.
[15] I Cor. 14.20. Phi. 2.15.
[16] cap. 24.9. Mar. 13.9. Luc. 12.11 e 21.12. Act. 5.40.
[17] Act. 12.1 e 24.10 e 25.7, 23. II Tim. 4.16.
[18] Mar. 13.11. Luc. 12.11 e 21.14, 15. Exo. 4.12. Jer. 1.7.
[19] II Sam. 23.2. Act. 4.8. II Tim. 4.17.
[20] Miq. 7.6. ver. 35, 36. Luc. 21.16.
[21] Luc. 21.17. Dan. 12.12. cap. 24.13. Mar. 13.13.
[22] cap. 2.13. Act. 8.1 e 9.5 e 14.6.
[23] cap. 16.28.
[24] Luc. 6.40. João 13.16 e 15.20.
[25] cap. 12.24. Mar. 3.22. Luc. 11.15. João 8.48, 52.
[26] Mar. 4.22. Luc. 8.17.
[27] Isa. 8.12, 13. Luc. 12.4. I Ped. 3.14.
[28] I Sam. 14.45. II Sam. 14.11. Luc. 21.18. Act. 27.34.
[29] Luc. 12.8. Rom. 10.9. Apo. 3.5.
[30] Mar. 8.38. Luc. 9.26. II Tim. 2.12.
[31] Luc. 12.49, 51, 52, 53.
[32] Miq. 7.6.
[33] Psa. 41.9 e 55.14. Miq. 7.6. João 13.18.
[34] Luc. 14.6.
[35] cap. 16.24. Mar. 8.34. Luc. 9.23.
[36] Luc. 17.33. João 12.25.
[37] cap. 18.5. Luc. 9.48. João 12.44. Gal. 4.14.
[38] I Reis 17.10 e 18.4. II Reis 4.8.
[39] cap. 18.5, 6 e 25.40. Mar. 9.40. Heb. 6.10.
_João Baptista envia dois discipulos seus a Jesus._
Luc. 7.18-35.
11 E, aconteceu que, acabando Jesus de dar _seus_ preceitos aos seus doze discipulos, partiu d’ali a ensinar e a prégar nas cidades d’elles.
2 E João, ouvindo, [1] no carcere, _fallar_ dos feitos de Christo, enviou dois dos seus discipulos,
3 Dizendo-lhe: [2] És tu aquelle que havia de vir, ou esperamos outro?
4 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e annunciae a João _as coisas_ que ouvis e vêdes:
5 Os cegos vêem, [3] e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são resuscitados, e o evangelho é annunciado aos pobres.
6 E bemaventurado é _aquelle_ [4] que se não escandalizar em mim.
7 E, partindo elles, [5] começou Jesus a dizer ás turbas, a respeito de João: Que fostes vêr no deserto? _uma_ canna agitada pelo vento?
8 Ou que fostes vêr? _um_ homem ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis.
9 Ou então que fostes vêr? _um_ propheta? sim, vos digo eu, [6] e muito mais do que propheta:
10 Porque é este de quem está escripto: [7] Eis que adiante da tua face envio o meu anjo, que preparará adiante de ti o teu caminho.
11 Em verdade vos digo _que_, entre os que de mulheres teem nascido, não appareceu _alguem_ maior do que João Baptista; mas aquelle _que_ é o menor no reino dos céus é maior do que elle.
12 E, desde os dias de João Baptista até agora, [8] se faz violencia ao reino dos céus, e os violentos se apoderam d’elle.
13 Porque [9] todos os prophetas e a lei prophetizaram até João.
14 E, se quereis dar credito, [10] é este o Elias que havia de vir.
15 Quem [11] tem ouvidos para ouvir oiça.
16 Mas, [12] a quem assimilharei esta geração? É similhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros,
17 E dizem: Tocámos-vos flauta, e não dançastes: cantámos-vos lamentações, e não chorastes.
18 Pois veiu João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demonio.
19 Veiu o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis ahi _um_ homem comilão e beberrão, [13] amigo de publicanos e peccadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos.
_As tres cidades impenitentes._
Luc. 10.13-15, etc.
20 Então começou elle a lançar em rosto ás cidades onde se operou a maior parte dos seus prodigios o não se haverem arrependido, _dizendo_:
21 Ai de ti, Corazin! ai de ti, Bethsaida! porque, se em Tyro e em Sidon fossem feitos os prodigios que em vós se fizeram, ha muito que se teriam arrependido, [14] com sacco e com cinza.
22 Porém eu vos digo [15] que haverá menos rigor para Tyro e Sidon, no dia do juizo, do que para vós.
23 E tu, Capernaum, [16] que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se entre os de Sodoma fossem feitos os prodigios que em ti se fizeram, teriam permanecido até hoje.
24 Porém eu vos digo [17] _que_ haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juizo, do que para ti.
_O jugo de Jesus._
Luc. 10.21, etc.
25 N’aquelle tempo, [18] respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pae, Senhor do céu e da terra, que occultaste estas _coisas_ aos sabios e intelligentes, e as revelaste aos meninos.
26 Sim, ó Pae, porque assim te aprouve.
27 Todas _as coisas_ [19] me foram entregues por meu Pae: e ninguem conhece o Filho, senão o Pae; e ninguem conhece o Pae, senão o Filho, e aquelle a quem o Filho o quizer revelar.
28 Vinde a mim, todos os que estaes cançados e opprimidos, e eu vos alliviarei.
29 Tomae sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, [20] que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanço para as vossas almas.
30 Porque o meu jugo [21] é suave e o meu fardo é leve.
[1] cap. 14.3.
[2] Gen. 49.10. Num. 24.17. Dan. 9.24. João 6.14.
[3] Isa. 29.18 e 35.4. João 2.23 e 3.2 e 5.36. Psa. 22.27. Isa. 61.1. Luc. 4.18. Thi. 2.5.
[4] Isa. 8.14, 15. cap. 13.57. Rom. 9.32. I Cor. 1.23. Gal. 5.11. I Ped. 2.8.
[5] Luc. 7.24. Eph. 4.14.
[6] cap. 14.5. Luc. 1.76.
[7] Mal. 3.1. Mar. 1.2. Luc. 1.76 e 7.27.
[8] Luc. 16.16.
[9] Mal. 4.6.
[10] Mal. 4.5. cap. 17.12. Luc. 1.17.
[11] cap. 13.9. Luc. 8.8. Apo. 2.7, 11, 17, 29 e 3.6, 13, 22.
[12] Luc. 7.31.
[13] cap. 9.10. Luc. 7.35.
[14] Jon. 3.6, 8.
[15] cap. 10.15. ver. 24.
[16] Isa. 14.13. Lam. 2.1.
[17] cap. 10.15.
[18] Psa. 8.3. I Cor. 1.19, 27 e 2.8. II Cor. 3.14. cap. 16.17.
[19] Luc. 10.22. João 3.35 e 1.18 e 6.46. I Cor. 15.27 e 10.15.
[20] João 13.16. Phi. 2.5 e 2.7, 8. I Ped. 2.21. I João 2.6. Zac. 9.9. Jer. 6.16.
[21] I João 5.3.
_Jesus é Senhor do Sabbado._
Mar. 2.2-18. Luc. 6.1.
12 N’aquelle tempo passou Jesus pelas searas, em um sabbado; e os seus discipulos tinham fome, e começaram a colher espigas, e a comer.
2 E os phariseos, vendo _isto_, disseram-lhe: Eis que os teus discipulos fazem o que não é licito fazer n’um sabbado.
3 Elle, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez David, [1] quando teve fome, elle e os que com elle _estavam_?
4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, [2] que não lhe era licito comer, nem aos que com elle _estavam_, mas só aos sacerdotes?
5 Ou não tendes lido na lei [3] que, aos sabbados, os sacerdotes violam o sabbado no templo, e ficam sem culpa?
6 Pois eu vos digo que está aqui [4] _um_ maior do que o templo.
7 Mas, se vós soubesseis o que significa: [5] Misericordia quero, e não sacrificio, não condemnarieis os innocentes.
8 Porque o Filho do homem até do sabbado é Senhor.
_A cura do homem que tinha uma das mãos mirrada._
Mar. 3.1-6. Luc. 6.6-11.
9 E, partindo d’ali, chegou á synagoga d’elles.
10 E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e elles, [6] para o accusarem, o interrogaram, dizendo: É licito curar nos sabbados?
11 E elle lhes disse: Qual d’entre vós será o homem que tenha uma ovelha, [7] e, se n’um sabbado a tal _ovelha_ cair n’uma cova, não lance mão d’ella, e a levante?
12 Pois quanto mais vale um homem do que uma ovelha? É, por consequencia, licito fazer bem nos sabbados.
13 Então disse áquelle homem: Estende a tua mão. E elle a estendeu, e ficou sã como a outra.
14 E os phariseos, [8] tendo saido, formaram conselho contra elle, para o matarem,