A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 150
8 Ó inimiga minha, [9] não te alegres de mim; ainda bem que eu tenho caido, levantar-me-hei: se morar nas trevas, o Senhor _será_ a minha luz.
9 Soffrerei [10] a ira do Senhor, porque pequei contra elle, até que julgue a minha causa, e execute o meu direito: elle tirar-me-ha á luz, verei _satisfeito_ a sua justiça.
10 E a minha inimiga _o_ verá, e cobril-a-ha a confusão; e aquella que me diz: [11] Onde está o teu Deus? os meus olhos a verão _satisfeitos_; [12] agora será ella pisada como a lama das ruas.
11 No dia _em que_ reedificar os teus muros, [13] n’esse dia longe estará ainda o estatuto.
12 N’aquelle dia [14] virá até ti, desde a Assyria _até_ ás cidades fortes, e das fortalezas até ao rio, e do mar _até_ ao mar, e _da_ montanha até á montanha.
13 Porém esta terra será posta em desolação, por causa dos seus moradores, [15] por causa do fructo das suas obras.
14 Apascenta o teu povo com a tua vara, o rebanho da tua herança, [16] que móra só no bosque, no meio da terra fertil; apascentem-se _em_ Basan e Gilead, como nos dias da antiguidade.
15 Eu lhes mostrarei maravilhas, como nos dias da tua subida da terra do Egypto.
16 As nações o verão, [17] e envergonhar-se-hão, por causa de todo o seu poder: porão a mão sobre a bocca, _e_ os seus ouvidos ficarão surdos.
17 Lamberão [18] o pó como serpentes, como _uns_ reptis da terra, tremendo, sairão dos seus encerramentos; [19] com pavor virão ao Senhor nosso Deus, e terão medo de ti.
18 Quem [20] _é_ Deus similhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa pela rebellião do restante da sua herança? não retem a sua ira para sempre, [21] porque tem prazer na benignidade.
19 Tornará a apiedar-se de nós: sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus peccados nas profundezas do mar.
20 Darás [22] a Jacob a fidelidade, e a Abrahão a benignidade, que juraste a nossos paes desde os dias antigos.
[1] Isa. 17.6 e 24.13.
[2] Isa. 28.4. Ose. 9.10.
[3] Hab. 1.15.
[4] Ose. 4.18. Isa. 1.23. cap. 3.11.
[5] II Sam. 23.6, 7. Eze. 2.6. Isa. 55.13.
[6] Jer. 9.4.
[7] Eze. 22.7. Mat. 10.21, 35, 36. Luc. 12.53 e 21.16. II Tim. 3.2, 5.
[8] Isa. 8.17.
[9] Pro. 24.17. Lam. 4.21.
[10] Lam. 3.39.
[11] cap. 4.11.
[12] II Sam. 22.43. Zac. 10.5.
[13] Amós 9.11, etc.
[14] Isa. 11.16 e 19.23, etc. e 27.13. Ose. 11.11.
[15] Jer. 21.14. cap. 3.12.
[16] Isa. 37.24.
[17] Isa. 26.11. Job 21.5 e 29.9.
[18] Isa. 49.23.
[19] Jer. 33.9.
[20] Exo. 15.11 e 34.6. Jer. 50.20. cap. 4.7 e 5.3, 7, 8.
[21] Jer. 3.5.
[22] Luc. 1.72, 73.
NAHUM.
_A justiça e misericordia de Deus: a destruição de seus inimigos e o livramento do seu povo._
[Antes de Christo 713]
1 Carga de [1] Ninive. Livro da visão de Nahum, o elcoshita.
2 O Senhor [2] _é_ Deus zeloso e que toma vingança, o Senhor toma vingança e tem furor: o Senhor toma vingança contra os seus adversarios, e guarda a ira contra os seus inimigos.
3 O Senhor _é_ tardio [3] em irar-se, porém grande em força, e _ao culpado_ não tem por innocente: [4] o Senhor, cujo caminho _é_ na tormenta, e na tempestade, e as nuvens _são_ o pó dos seus pés.
4 Elle reprehende [5] ao mar, e o faz seccar, e esgota todos os rios: desfallecem Basan e Carmelo, [6] e a flor do Libano se murchou.
5 Os montes tremem perante [7] elle, e os outeiros se derretem; e a terra se levanta na sua presença; e o mundo, e todos os que n’elle habitam.
6 Quem parará diante do seu furor? [8] e quem persistirá diante do ardor da sua ira? a sua colera se derramou como um fogo, e as rochas foram por elle derribadas.
7 O Senhor é bom, [9] _elle serve_ de fortaleza no dia da angustia, e conhece aos que confiam n’elle.
8 E com uma inundação trasbordante acabará d’uma vez com o seu logar; e as trevas perseguirão os seus inimigos.
9 Que pensaes vós contra o Senhor? [10] elle mesmo vos consumirá de todo: não se levantará por duas vezes a angustia.
10 Porque elles se entrelaçam como os espinhos, [11] e se embebedam como bebados; serão inteiramente consumidos como palha secca.
11 De ti saiu um que pensou mal contra o Senhor, [12] um conselheiro de Belial.
12 Assim diz o Senhor: Por mais seguros que _estejam_, [13] e por mais numerosos que _sejam_, ainda assim serão tosquiados, e elle passará: eu te affligi, _porém_ não te affligirei mais.
13 Mas agora quebrarei [14] o seu jugo de sobre ti, e romperei os teus laços.
14 Porém contra ti o Senhor deu ordem, que mais ninguem do teu nome seja semeado: da casa do teu deus exterminarei as imagens de esculptura e de fundição: ali te [15] farei o teu sepulchro, porque és vil.
15 Eis que [16] sobre os montes os pés do que traz as boas novas, do que annuncia a paz! celebra as tuas festas, ó Judah, cumpre os teus votos, [17] porque o impio não tornará mais a passar por ti: elle é inteiramente exterminado.
[1] Sof. 2.13.
[2] Exo. 20.5 e 34.14. Deu. 4.24. Jos. 24.19. Deu. 32.35. Isa. 59.18.
[3] Exo. 34.6, 7. Neh. 9.17. Jon. 4.2.
[4] Hab. 3.5, 11, 12.
[5] Isa. 50.2. Mat. 8.26.
[6] Isa. 33.9.
[7] Jui. 5.5. Miq. 1.4. II Ped. 3.10.
[8] Mal. 3.2. Apo. 16.1.
[9] I Chr. 16.34. Jer. 33.11. Lam. 3.25.
[10] I Sam. 3.12.
[11] II Sam. 23.6, 7. cap. 3.11. Mal. 4.1.
[12] II Reis 19.22, 23.
[13] II Reis 19.35, 37. Dan. 11.10.
[14] Jer. 2.20 e 30.8.
[15] II Reis 19.37.
[16] Isa. 52.7. Rom. 10.15.
[17] ver. 11, 12. ver. 14.
_O cerco e tomada de Ninive._
2 O destruidor [1] subiu diante de ti, guarda tu a fortaleza, observa o caminho, esforça os lombos, fortalece muito a força.
2 Porque [2] o Senhor tornará a excellencia de Jacob como a excellencia de Israel; porque os que despejam os vazaram, e corromperam os seus sarmentos.
3 Os escudos dos seus valentes serão _tintos [3] de_ vermelho, os homens valorosos andam vestidos de escarlate, os carros _correrão_ como fogo de tochas no dia do seu apercebimento, e os pinheiros se abalarão.
4 Os carros se enfurecerão nas praças, discorrerão pelas ruas: o seu parecer _é_ como o de tochas, correrão como relampagos.
5 Este se lembrará dos seus valentes, elles _porém_ tropeçarão na sua marcha: apresentar-se-hão ao seu muro, quando o amparo fôr apparelhado.
6 As portas do rio se abrirão, e o palacio se derreterá.
7 Pois determinado está; será levada captiva, será feita subir, e as suas servas a acompanharão, [4] gemendo como pombas, batendo em seus peitos.
8 Ninive desde que existiu tem sido como um tanque de aguas, porém ellas _agora_ fogem. Parae, parae, _clamar-se-ha_; mas ninguem olhará para traz.
9 Saqueae a prata, saqueae o oiro, porque não tem termo o provimento, abastança ha de todo o genero de moveis appeteciveis.
10 Vazia, e vazada e esgotada ficará, e derreteu-se o seu coração, [5] e tremem os joelhos, e em todos os lombos ha dôr, e os rostos de todos elles ennegrecem.
11 Onde _está agora_ o covil dos leões, [6] e as pastagens dos leõesinhos? onde passeava o leão velho, _e_ o cachorro do leão, sem haver ninguem que _os_ espantasse?
12 O leão arrebatava o que bastava para os seus cachorros, e afogava a preza para as suas leôas, e enchia de prezas as suas cavernas, e os seus covis de rapina.
13 Eis que [7] eu _estou_ contra ti, diz o Senhor dos exercitos, e queimarei no fumo os seus carros, e a espada devorará os teus leõesinhos, e arrancarei da terra a tua preza, [8] e não se ouvirá mais a voz dos teus embaixadores.
[1] Jer. 50.23 e 51.11, 12.
[2] Isa. 10.12. Jer. 25.29.
[3] Isa. 63.2, 3.
[4] Isa. 38.14 e 59.11.
[5] Isa. 13.7, 8. Dan. 5.6. Jer. 30.6. Joel 2.6.
[6] Job 4.10, 11. Eze. 19.2, 7.
[7] Eze. 33.3 e 39.1. cap. 3.5.
[8] II Reis 18.17, 19 e 19.9, 23.
_Os delictos de Ninive: a sua ruina inevitavel._
3 Ai [1] da cidade ensanguentada, _que está_ toda cheia de mentiras _e_ de rapina! não se aparta d’ella o roubo.
2 Estrepito [2] de açoite _ha_, e o estrondo do ruido das rodas; e os cavallos atropellam, e carros vão saltando.
3 O cavalleiro levanta assim a espada flammejante, como a lança relampagueante, e _ali haverá_ uma multidão de mortos, e abundancia de cadaveres, e não terão fim os defuntos; tropeçarão nos seus corpos;
4 Por causa da multidão das fornicações da meretriz mui [3] graciosa, da mestra das feitiçarias, que vendeu os povos com as suas fornicações, e as gerações com as suas feitiçarias.
5 Eis que [4] eu _estou_ contra ti, diz o Senhor dos Exercitos, e descobrirei as tuas fraldas sobre a tua face, [5] e ás nações mostrarei a tua nudez, e aos reinos a tua vergonha.
6 E lançarei sobre ti coisas abominaveis, e te envergonharei, [6] e pôr-te-hei como espectaculo.
7 E ha de ser que, todos os que te virem, fugirão de ti, [7] e dirão: Ninive está destruida, quem terá compaixão d’ella? d’onde te buscarei consoladores?
8 És [8] tu melhor do que Nóammon, que está assentada nos rios, cercada de aguas, que _tinha por_ esplanada o mar, cuja muralha _é_ do mar?
9 Ethiopia e Egypto _eram_ a sua força, e não _havia_ fim: Put e Lybia te foram de soccorro.
10 Todavia foi levada captiva para o desterro: [9] tambem os seus filhos são despedaçados no topo de todas [10] as ruas, e sobre os seus honrados lançaram sortes, e todos os seus grandes foram presos com grilhões.
11 Tu tambem [11] serás embriagada, e te esconderás; tambem buscarás força por causa do inimigo.
12 Todas as tuas fortalezas serão _como_ figueiras [12] com _figos_ temporãos; se se sacodem, caem na bocca do que os ha de comer.
13 Eis que [13] o teu povo no meio de ti _será como de_ mulheres: as portas da tua terra estarão de todo abertas aos teus inimigos: o fogo consumirá os teus ferrolhos.
14 Tira aguas para o cerco, fortifica as tuas fortalezas, [14] entra no lodo, e pisa o barro, repara o forno dos ladrilhos.
15 O fogo ali te consumirá, a espada te exterminará, te consumirá, como a locusta; [15] multiplica-te como a locusta, multiplica-te como os gafanhotos.
16 Multiplicaste os teus negociantes mais do que as estrellas do céu, a locusta se espalhará e voará.
17 Os [16] teus coroados _são_ como os gafanhotos, e os teus chefes como os gafanhotos grandes, que se acampam nas sebes nos dias de frio; em subindo o sol voam, de sorte que não se conhece mais o logar onde _estiveram_.
18 Os teus pastores [17] dormitarão, ó rei da Assyria, os teus illustres deitar-se-hão, o teu povo se derramará pelos montes; sem que haja quem _o_ ajunte.
19 Não _ha_ cura para a tua quebradura, [18] a tua ferida é dolorosa: todos os que ouvirem a tua fama baterão as palmas sobre ti; porque, sobre quem não passou continuamente a tua malicia?
[1] Eze. 22.2, 3 e 24.6, 9. Hab. 2.12.
[2] Jer. 47.3.
[3] Apo. 18.2, 3.
[4] cap. 2.13. Isa. 47.2, 3. Jer. 13.22, 26. Eze. 16.37. Miq. 1.11.
[5] Hab. 2.16.
[6] Mal. 2.9.
[7] Apo. 18.10. Jer. 15.5.
[8] Jer. 46.25, 26. Eze. 30.14-16.
[9] Isa. 13.16. Ose. 13.16. Lam. 2.19.
[10] Joel 3.3. Oba. 11.
[11] Jer. 25.17, 27. cap. 1.10.
[12] Apo. 6.13.
[13] Jer. 50.37 e 51.30.
[14] cap. 2.1.
[15] Joel 1.4.
[16] Apo. 9.7.
[17] Exo. 15.16. Eze. 31.3, etc.
[18] Miq. 1.9. Sof. 2.15. Isa. 14.8.
HABACUC.
_A iniquidade de Judah: este será castigado pelos chaldeos: a intercessão do propheta._
[Antes de Christo 626]
1 A carga que viu o propheta Habacuc.
2 Até quando, Senhor, clamarei eu, [1] e tu não me escutarás? _até quando_ gritarei a ti: Violencia! e não salvarás?
3 Por que razão me fazes vêr a iniquidade, e vês a vexação? porque a destruição e a violencia _estão_ diante de mim, havendo tambem quem suscite a contenda e o litigio.
4 Por esta causa a lei se afrouxa, e a sentença nunca sae; [2] porque o impio cérca o justo, e sae a sentença torcida.
5 Vêde entre as nações, e olhae, e maravilhae-vos, [3] e estae maravilhados; porque obro uma obra em vossos dias _que_ não crereis, quando se vos contar.
6 Porque [4] eis que suscito os chaldeos, nação amarga e apressada, que marcha sobre a largura da terra, para possuir moradas _que_ não _são_ suas.
7 Horrivel e terrivel _é_; d’ella mesma sairá o seu juizo e a sua grandeza.
8 E os seus cavallos são mais ligeiros do que os leopardos, [5] e mais [ADV] perspicazes do que os lobos á tarde, e os seus cavalleiros se espalham; os seus cavalleiros virão de longe; [6] voarão como aguias que se apressam á comida.
9 Elles todos virão a fim de obrar violencia: os seus rostos buscarão o oriente, e congregará os captivos como areia.
10 E escarnecerão dos reis, e dos principes farão zombaria: elles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão.
11 Então passará _como_ vento, e traspassará, e se fará culpada, _attribuindo_ este seu poder ao seu deus.
12 _Porventura_ não _és_ tu desde sempre, ó Senhor meu Deus, meu Sancto? nós não morreremos: [7] ó Senhor, para juizo o pozeste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar.
13 Tu _és_ tão puro de olhos, que não podes vêr o mal, e a vexação não podes contemplar: [8] porque olhas para os que obram aleivosamente? _porque_ te calas quando o impio devora aquelle que _é_ mais justo do que elle?
14 E _porque_ farias os homens como os peixes do mar, como os reptis, que não teem quem os governe?
15 Elle [9] a todos tira com o anzol, apanhal-os-ha com a sua rede, e os ajunta na sua varredoura: por isso elle se alegra e se regozija.
16 Por isso sacrifica á sua rede, e queima incenso á sua varredoura; porque com ellas se engordou a sua porção, e se engrossou a sua comida.
17 Porventura por isso vazará a sua rede, e não poupará de matar os povos continuamente?
[1] Lam. 3.8.
[2] Job 21.7. Jer. 12.1.
[3] Isa. 29.14. Act. 13.41.
[4] Deu. 28.49, 50.
[5] Jer. 5.6. Sof. 3.3.
[6] Jer. 4.13.
[7] II Reis 19.25. Isa. 10.5, 6, 7. Eze. 30.25.
[8] Jer. 12.1.
[9] Jer. 16.16. Amós 4.2.
_Os chaldeos serão castigados a seu turno._
2 Sobre a minha guarda estarei, [1] e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para vêr o que fallaria em mim, e o que eu responderei, quando eu fôr arguido.
2 Então o Senhor me respondeu, e disse: [2] Escreve a visão, e declara-a em taboas, para que n’ellas leia o que correndo passa.
3 Porque [3] a visão ainda _está_ para o tempo determinado, pois até ao fim fallará, e não mentirá: se tardar, espera-o, [4] porque certamente virá, nem tardará.
4 Eis que _de preguiça_ se retira, não é recta n’elle; [5] mas o justo pela sua fé viverá.
5 Quanto mais se é dado ao vinho _mais_ desleal _se é_; _aquelle_ homem soberbo, [6] que alarga como o sepulchro a sua alma, não permanecerá e _é_ como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos.
6 Não levantariam _pois_ [7] todos estes contra elle uma parabola e dito agudo _com_ enigmas para elle? e se dirá: Ai d’aquelle que multiplica _o que_ não _é_ seu! (até quando!) e d’aquelle que carrega sobre si divida!
7 _Porventura_ não se levantarão de repente os que te morderão? e não despertarão os que te abalarão? e não lhes servirás tu de despojo?
8 Porquanto [8] despojaste a muitas nações, todos os mais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens, e da violencia ácerca da terra da cidade, e de todos os que habitam n’ella.
9 Ai [9] d’aquelle que ajunta bens para a sua casa, por uma avareza criminosa, [10] para que ponha o seu ninho no alto, a fim de se livrar da mão do mal!
10 Vergonha maquinaste para a tua casa; destruindo tu a muitos povos, peccaste _contra_ a tua alma.
11 Porque a pedra clamará da parede, e a trave lhe responderá do madeiramento.
12 Ai [11] d’aquelle que edifica a cidade com sangue, e que funda a cidade com iniquidade!
13 Eis que _porventura_ não _vem_ do Senhor dos Exercitos [12] que os povos trabalham pelo fogo e os homens se cançam em vão?
14 Porque [13] a terra _sera_ cheia do conhecimento da gloria do Senhor, como as aguas cobrem o mar.
15 Ai d’aquelle que dá de beber ao seu companheiro! [14] tu, que _lhe_ chegas o teu odre, e o embebedas, [15] para vêr a sua nudez!
16 _Tambem_ tu serás farto de ignominia em logar de honra: [16] bebe tu tambem, e [ADW] descobre o prepucio: o calix da mão direita do Senhor voltará a ti, e vomito ignominioso _cairá_ sobre a tua gloria.
17 Porque a violencia commettida contra o Libano te cobrirá, e a destruição das bestas os assombrará, [17] por causa do sangue dos homens, e da violencia _feita_ á terra, á cidade, e a todos os moradores.
18 Que [18] aproveitará a imagem de esculptura, _depois_ de que a esculpiu o seu artifice? [19] _ou_ a imagem de fundição, que ensina a mentira, para que o artifice confie na obra, fazendo idolos mudos?
19 Ai d’aquelle que diz ao pau: Acorda; _e_ á pedra muda: Desperta; _porventura_ ensinará? eis que _está_ coberto _de_ oiro e _de_ prata, mas no meio d’elle não _ha_ espirito algum.
20 Porém o Senhor _está_ no seu sancto templo: [20] cale-se diante d’elle toda a terra.
[1] Isa. 21.8, 11.
[2] Isa. 8.1 e 30.8.
[3] Dan. 10.14 e 11.27, 35.
[4] Heb. 10.37.
[5] João 8.36. Rom. 1.17. Gal. 3.11. Heb. 10.58.
[6] Pro. 27.20 e 30.16.
[7] Miq. 2.4.
[8] Isa. 33.1.
[9] Jer. 22.13.
[10] Jer. 49.16. Oba. 4.
[11] Jer. 22.13. Eze. 24.9. Miq. 3.10. Nah. 3.1.
[12] Jer. 51.58.
[13] Isa. 11.9.
[14] Ose. 7.5.
[15] Gen. 9.22.
[16] Jer. 25.26, 27 e 51.57.
[17] ver. 8.
[18] Isa. 44.9, 10 e 46.2.
[19] Jer. 10.8, 14. Zac. 10.2.
[20] Sof. 1.7. Zac. 2.13.
_A oração de Habacuc._
3 Oração do propheta Habacuc sobre Shigionoth.
2 Ouvi, Senhor, a tua palavra, _e_ temi: aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos annos, no meio dos annos a notifica: na _tua_ ira lembra-te de misericordia.
3 Deus veiu de Teman, [1] e o Sancto do monte de Paran (Selah). A sua gloria cobriu os céus, e a terra foi cheia do seu louvor.
4 E o resplandor se fez como a luz, raios brilhantes _lhe sahiam_ da sua mão, [2] e ali _estava_ o esconderijo da sua força.
5 Diante d’elle ia a peste, e queimaduras passavam diante dos seus pés.
6 Parou, e mediu a terra: olhou, e fez sair as nações: [3] e os montes perpetuos foram esmiuçados; os outeiros eternos se encurvaram, _porque_ o andar eterno _é_ seu.
7 Vi as tendas de Cusan [ADX] debaixo da vaidade: as cortinas da terra de Midian tremiam.
8 Acaso é contra os rios, Senhor, que _tu_ estás irado? contra os ribeiros foi a tua ira? contra o mar _foi_ o teu furor, quando andaste montado sobre os teus cavallos? [4] os teus carros _foram_ a salvação?
9 Descoberto se despertou o teu arco, _pelos_ juramentos feitos ás tribus, _pela tua_ palavra (Selah). Tu fendeste a terra com rios.
10 Os montes te viram, [5] e tremeram: a inundação das aguas passou; deu o abysmo a sua voz, levantou as suas mãos _ao_ alto.
11 O sol e a lua pararam nas suas moradas: [6] andaram á luz das tuas frechas, ao resplandor do relampago da tua lança.
12 Com indignação marchaste _pela_ terra, [7] com ira trilhaste as nações.
13 Tu saiste para salvamento do teu povo, para salvamento do teu ungido: [8] tu feriste a cabeça da casa do impio, descobrindo o alicerce até ao pescoço (Selah).
14 Tu furaste com os teus cajados a cabeça [ADY] das suas aldeias; elles me accommetteram tempestuosos para me espalharem: alegravam-se, como se _estivessem_ para devorar o pobre em segredo.
15 Tu [9] _com_ os teus cavallos marchaste pelo mar, _pelo_ montão de grandes aguas.
16 Ouvindo-o eu, o meu ventre se commoveu, á sua voz tremeram os meus labios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim; no dia da angustia descançarei, quando subir contra o povo _que_ nos destruirá.
17 Porque ainda que a figueira não floresça, nem _haja_ fructo na vide; o producto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos curraes não _haja_ vaccas:
18 Todavia [10] eu me alegrarei no Senhor: gozar-me-hei no Deus da minha salvação.
19 JEHOVAH, o Senhor, _é_ minha força, [11] e fará os meus pés como _os_ das cervas, [12] e me fará andar sobre as minhas alturas. Para o cantor-mór sobre os meus instrumentos de musica.
[1] Deu. 33.2. Jui. 5.4.
[2] Nah. 1.3.
[3] Nah. 1.5. Gen. 49.26.
[4] Deu. 33.26, 27.
[5] Exo. 19.16, 18. Jui. 5.4, 5. Exo. 14.22. Jos. 3.16.
[6] Jos. 10.12, 13. Jos. 10.11.
[7] Jer. 51.33. Amós 1.3. Miq. 4.13.
[8] Jos. 10.24 e 11.8, 12.
[9] ver. 8.
[10] Isa. 41.16 e 61.10.
[11] II Sam. 22.34.
[12] Deu. 32.13 e 33.29.
SOFONIAS.
_Ameaças contra Judah e Jerusalem._
[Antes de Christo 630]
1 Palavra do Senhor, feita a Sofonias, filho de Cushi, filho de Gedalia, filho de Amaria, filho de Hizekia, nos dias de Josia, filho de Amon, rei de Judah.
2 Eu indubitavelmente hei de arrebatar tudo de sobre a face da terra, diz o Senhor.
3 Arrebatarei os homens e os animaes, [1] arrebatarei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços com os impios; e exterminarei os homens de cima da terra, disse o Senhor.
4 E estenderei a minha mão contra Judah, e contra todos os habitantes de Jerusalem, [2] e exterminarei d’este logar o resto de Baal, _e_ o nome dos chemarins com os sacerdotes;
5 E [3] os que sobre os telhados se encurvam ao exercito do céu; _e_ os que se inclinam jurando pelo Senhor, [4] e juram por Malcam;
6 E [5] os que se desviam de andar em seguimento do Senhor, [6] e os que não buscam ao Senhor, nem perguntam por elle.
7 Cala-te [7] diante do Senhor JEHOVAH, porque o dia do Senhor _está_ perto, porque o Senhor apparelhou o sacrificio, _e_ sanctificou os seus convidados.
8 E ha de ser que, no dia do sacrificio do Senhor, hei de fazer visitação sobre os principes, e sobre os filhos do rei, e sobre todos os que se vestem de vestidura estranha.
9 Farei tambem visitação n’aquelle dia sobre todo aquelle que salta sobre o umbral, que enche de violencia e engano a casa dos senhores d’elles.
10 E n’aquelle dia, diz o Senhor, _haverá_ uma voz de clamor desde a porta do pescado, [8] e um uivo desde a segunda parte, e grande quebranto desde os outeiros.
11 Uivae [9] vós, moradores [ADZ] do valle, porque todo o povo que mercava está arruinado, todos os carregados de dinheiro são destruidos.
12 E ha de ser que, n’aquelle tempo, esquadrinharei a Jerusalem com lanternas, [10] e farei visitação sobre os homens que estão assentados sobre as suas fezes, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem faz mal.
13 Por isso será saqueada a sua fazenda, e assoladas as suas casas: [11] e edificarão casas, mas não habitarão n’ellas, e plantarão vinhas, mas não lhes beberão o seu vinho.
14 O [12] grande dia do Senhor _está_ perto, perto _está_, e se apressa muito, a voz do dia do Senhor: amargosamente clamará ali o valente.
15 Aquelle dia [13] _será_ um dia de indignação, dia de angustia e de ancia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas,
16 Dia de buzina [14] e de alarido contra as cidades fortes e contra as torres altas.
17 E angustiarei os homens, [15] que andarão como cegos, porque peccaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, [16] e a sua carne _será_ como esterco.
18 Nem [17] a sua prata nem o seu oiro os poderá livrar no dia do furor do Senhor, [18] mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores d’esta terra uma destruição total e apressada.
[1] Ose. 4.3. Eze. 7.19 e 14.3, 4, 7. Mat. 13.41.
[2] II Reis 23.4, 5. Ose. 10.5.
[3] II Reis 23.12. Jer. 19.13. I Reis 18.21. II Reis 17.33, 41.
[4] Isa. 48.1. Ose. 4.15. Jos. 23.7.
[5] Isa. 1.4.
[6] Ose. 7.7.
[7] Hab. 2.20. Zac. 2.13. Isa. 13.6 e 34.6. Jer. 46.10. Eze. 39.17. Apo. 19.17.
[8] II Chr. 33.14.
[9] Thi. 5.1.
[10] Jer. 48.11.
[11] Deu. 28.30, 39. Amós 5.11. Miq. 6.15.
[12] Joel 2.1, 11.
[13] Isa. 22.5. Jer. 30.7. Joel 2.2, 11. Amós 5.18. ver. 18.
[14] Jer. 4.19.
[15] Deu. 28.29. Isa. 50.10.
[16] Jer. 9.22 e 16.4.
[17] Pro. 11.4. Eze. 7.19.
[18] cap. 3.8.
_Ameaças contra diversas nações._
2 Congregae-vos, [1] sim, congregae-vos, ó nação que não tem [AEA] desejo,
2 Antes que o decreto produza _o seu effeito_, [2] _antes que_ o dia passe como a pragana, antes que venha sobre vós a ira do Senhor, antes que venha sobre vós o dia da ira do Senhor.