A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 144
21 E _foi_ lançado d’entre os filhos dos homens, e o seu coração foi feito similhante ao das bestas, e a sua morada foi com os jumentos montezes; fizeram-n’o comer a herva como os bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que Deus, o Altissimo, domina sobre os reinos dos homens, e a quem quer constitue sobre elles.
22 E tu, seu filho Belshazzar, [14] não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste tudo isto.
23 E [15] te levantaste contra o Senhor do céu, pois trouxeram os vasos da casa d’elle perante ti, e tu, os teus grandes, as tuas mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho por elles; de mais d’isto, déste louvores aos deuses de prata, de oiro, de cobre, de ferro, de madeira e de pedra, que nem vêem, nem ouvem, nem sabem; mas a Deus, [16] em cuja mão _está_ a tua vida, e todos os teus caminhos, a elle não glorificaste.
24 Então d’elle foi enviada aquella parte da mão, e escreveu-se esta escriptura.
25 Esta pois _é_ a escriptura que se escreveu: MENE, MENE, TEKEL, UPHARSIN.
26 Esta _é_ a interpretação d’aquillo: MENE: Contou Deus o teu reino, e o acabou.
27 TEKEL: [17] Pesado foste na balança, e foste achado em falta.
28 PERES: Dividido foi o teu reino, [18] e deu-se aos medos e aos persas.
29 Então mandou Belshazzar que vestissem a Daniel de purpura, e que lhe pozessem _uma_ cadeia de oiro ao pescoço, [19] e proclamassem a respeito d’elle que havia de ser o terceiro dominador do reino.
30 _Mas_ na mesma noite [20] foi morto Belshazzar, rei dos chaldeos.
31 E Dario, o medo, occupou o reino, _sendo_ da edade de sessenta e dois annos.
[1] Est. 1.3.
[2] cap. 1.2. Jer. 52.19.
[3] Apo. 9.20.
[4] cap. 2.2 e 4.6. Isa. 47.13.
[5] cap. 2.27 e 4.7.
[6] cap. 2.4 e 3.9.
[7] cap. 6.3.
[8] cap. 1.7.
[9] ver. 11, 12.
[10] ver. 7, 8.
[11] ver. 7.
[12] cap. 2.37, 38 e 4.17, 22, 25.
[13] Jer. 27.7. cap. 3.4.
[14] II Chr. 33.23 e 36.12.
[15] ver. 3, 4.
[16] Jer. 10.23.
[17] Job 31.6. Jer. 6.30.
[18] Isa. 21.2. ver. 31. cap. 9.1. cap. 6.28.
[19] ver. 7.
[20] Jer. 51.31, 39, 57. cap. 9.1.
_Daniel na cova dos leões._
[Antes de Christo 537]
6 E pareceu bem a Dario [1] constituir sobre o reino a cento e vinte presidentes, que estivessem sobre todo o reino;
2 E sobre elles tres principes, dos quaes Daniel era um, aos quaes estes presidentes déssem conta, para que o rei não soffresse damno.
3 Então o mesmo Daniel sobrepujou a estes principes e presidentes; [2] porque n’elle _havia_ um espirito excellente; porquanto o rei pensava constituil-o sobre todo o reino.
4 Então os principes e os presidentes procuravam achar occasião contra Daniel a respeito do reino; mas não podiam achar occasião ou culpa alguma; porque elle _era_ fiel, e não se achava n’elle nenhum vicio nem culpa.
5 Então estes homens disseram: Nunca acharemos occasião alguma contra este Daniel, se não _a_ acharmos contra elle na lei do seu Deus.
6 Então estes principes e presidentes foram juntos ao rei, e disseram-lhe assim: Ó rei Dario, [3] vive para sempre!
7 Todos os principes do reino, os prefeitos e presidentes, capitães e governadores, tomaram conselho afim de estabelecerem um edicto real e fazerem um mandamento firme: que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizer uma petição a qualquer deus, ou a _qualquer_ homem, e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões.
8 Agora _pois_, ó rei, confirma o edicto, e assigna a escriptura, para que não se mude, [4] conforme a lei dos medos e dos persas, que se não pode revogar.
9 Por esta causa o rei Dario assignou esta escriptura e edicto.
10 Daniel, pois, quando soube que a escriptura estava assignada, entrou na sua casa (ora havia no seu quarto [5] janellas abertas da banda de Jerusalem), e tres vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e confessava diante do seu Deus, [6] como tambem antes costumava fazer.
11 Então aquelles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e supplicando diante do seu Deus.
12 Então se chegaram, [7] e disseram diante do rei: No tocante ao edicto real, _porventura_ não assignaste o edicto, que todo o homem que fizesse uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, por espaço de trinta dias, e não a ti, ó rei, fosse lançado na cova dos leões? Respondeu o rei, e disse: [8] Esta palavra _é_ certa, conforme a lei dos medos e dos persas, que se não pode revogar.
13 Então responderam, e disseram diante do rei: [9] Daniel, que _é_ dos transportados de Judah, [10] não tem feito caso de ti, ó rei, nem do edicto que assignaste, antes tres vezes por dia faz a sua oração.
14 Ouvindo então o rei o negocio, [11] ficou muito penalisado, e a favor de Daniel propoz dentro do seu coração tiral-o; e até ao pôr do sol trabalhou por o salvar.
15 Então aquelles homens se foram juntos ao rei, e disseram ao rei: [12] Sabe, ó rei, que é uma lei dos medos e dos persas que nenhum edicto ou ordenança, que o rei determine, se pode mudar.
16 Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e o lançaram na cova dos leões. E, fallando o rei, disse a Daniel: O teu Deus, a quem tu continuamente serves, elle te livrará.
17 E [13] foi trazida _uma_ pedra, e foi posta sobre a bocca da cova; [14] e o rei a sellou com o seu annel e com o annel dos seus grandes, para que se não mudasse a sentença ácerca de Daniel.
18 Então o rei se foi para o seu palacio, e passou a noite _em_ jejum, e não deixou trazer á sua presença instrumentos de musica; [15] e fugiu d’elle o somno.
19 Então o rei se levantou pela manhã cedo, e foi com pressa á cova dos leões.
20 E, chegando-se á cova, chamou por Daniel com voz triste; e, fallando o rei, disse a Daniel: Daniel, servo do Deus vivo! [16] dar-se-hia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, te podesse livrar dos leões?
21 Então Daniel fallou ao rei: [17] Ó rei, vive para sempre!
22 O meu Deus [18] enviou o seu anjo, e fechou a bocca dos leões, para que não me fizessem damno, porque foi achada em mim innocencia diante d’elle; e tambem contra ti, ó rei, não tenho commettido delicto algum.
23 Então o rei muito se alegrou em si mesmo, e mandou tirar a Daniel da cova: assim foi tirado Daniel da cova, e nenhum damno se achou n’elle, [19] porque crêra no seu Deus.
24 Então ordenou o rei, [20] e foram trazidos aquelles homens que tinham accusado a Daniel, e foram lançados na cova dos leões, elles, [21] seus filhos e suas mulheres; e _ainda_ não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram d’elles, e lhes esmigalharam todos os ossos.
25 Então [22] o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e linguas que moram em toda a terra: A paz vos seja multiplicada.
26 Da minha parte [23] é feito _um_ decreto, que em todo o dominio do meu reino tremam _todos_ e temam perante o Deus de Daniel; porque elle é o Deus vivo e permanecente para sempre, [24] e o seu reino não se pode destruir, e o seu dominio _dura_ até ao fim.
27 Elle faz escapar e livra, e faz signaes e maravilhas no céu e na terra, o qual fez escapar a Daniel do poder dos leões.
28 Este Daniel, pois, prosperava no reinado de Dario, [25] e no reinado de Cyro, o persa.
[1] Est. 1.1.
[2] cap. 5.12.
[3] ver. 21. cap. 2.4.
[4] Est. 1.19 e 8.8. ver. 12, 15.
[5] I Reis 8.44, 48. Jon. 2.4.
[6] Act. 10.9.
[7] cap. 3.8.
[8] ver. 8.
[9] cap. 1.6 e 5.13.
[10] cap. 3.12.
[11] Mar. 6.26.
[12] ver. 8.
[13] Lam. 3.53.
[14] Mat. 27.66.
[15] cap. 2.1.
[16] cap. 3.15.
[17] cap. 2.4.
[18] cap. 3.28. Heb. 11.33.
[19] Heb. 11.33.
[20] Deu. 19.19.
[21] Est. 9.10. Deu. 24.16. II Reis 14.6.
[22] cap. 4.1.
[23] cap. 3.29.
[24] cap. 2.44 e 7.14, 27. Luc. 1.33.
[25] cap. 1.21. Eze. 1.1, 2.
_A visão dos quatro animaes symbolicos._
[Antes de Christo 555]
7 No primeiro anno de Belshazzar, rei de Babylonia, [1] teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça _estando_ na sua cama: escreveu logo o sonho, e relatou a summa das coisas.
2 Fallou Daniel, e disse: Eu estava vendo na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu combatiam no mar grande.
3 E quatro animaes grandes, differentes uns dos outros, subiam do mar.
4 O primeiro [2] _era_ como leão, e tinha azas de aguia: eu estava olhando, até que lhe foram arrancadas as azas; e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem.
5 E [3] eis aqui outro segundo animal, similhante a um urso, o qual se levantou de um lado, e tinha na bocca tres costellas entre os seus dentes, e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne.
6 Depois d’isto, eu estava olhando, e eis aqui outro, _que era_ como leopardo, e tinha quatro azas de ave nas suas costas: [4] tinha tambem este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado dominio.
7 Depois d’isto, eu estava olhando nas visões da noite, [5] e eis aqui o quarto animal, terrivel e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro, devorava e fazia em pedaços, e pizava aos seus pés o que sobejava; e _era_ differente de todos os animaes que _foram_ antes d’elle, [6] e tinha [ACX] dez pontas.
8 Estando eu considerando as pontas, [7] eis que outra ponta pequena subia entre ellas, e tres das pontas primeiras foram arrancadas de diante d’elle; e eis que n’esta ponta _havia_ olhos, como olhos de homem, [8] e uma bocca que fallava grandiosamente.
9 Eu estive olhando, [9] até que foram postos uns thronos, e o ancião de dias se assentou: o seu vestido _era_ branco como a neve, e o cabello da sua cabeça como a limpa lã; o seu throno chammas de fogo, [10] e as rodas d’elle fogo ardente.
10 Um rio de fogo [11] manava e sahia de diante d’elle: milhares de milhares o serviam, [12] e milhões de milhões estavam _em pé_ diante d’elle: assentou-se o juizo, e abriram-se os livros.
11 Então estive olhando, por causa da voz das grandes palavras que fallava a ponta: [13] estive olhando até que mataram o animal, e o seu corpo foi desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo.
12 E, quanto aos outros animaes, foi-lhes tirado o dominio; todavia foi-lhes dado prolongação de vida até certo espaço de tempo.
13 Eu estava vendo nas minhas visões da noite, [14] e eis que era vindo nas nuvens do céu _um_ como o filho do homem: e chegou até ao ancião dos dias, [15] e o fizeram chegar perante elle.
14 E [16] foi-lhe dado o dominio e a honra, e o reino, e que todos os povos, nações e linguas o servissem: o seu dominio _é_ um dominio eterno, [17] que não passará, e o seu reino se não destruirá.
15 Quanto a mim, Daniel, o meu espirito foi abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me espantavam.
16 Cheguei-me a um dos que estavam _em pé_, e pedi-lhe a certeza ácerca de tudo isto. E elle me disse, e fez-me saber a interpretação das coisas.
17 Estes [18] grandes animaes, que são quatro, _são_ quatro reis, _que_ se levantarão da terra.
18 Mas [19] os sanctos do Altissimo receberão o reino, e possuirão o reino para todo o sempre, e de eternidade em eternidade.
19 Então tive desejo de _ter_ certeza do [20] quarto animal, que era differente de todos os outros, muito terrivel, cujos dentes _eram_ de ferro, e as suas unhas de metal; que devorava, fazia em pedaços e pizava a pés o que sobrava.
20 Tambem das dez pontas que tinha na cabeça, e da outra que subia, de diante da qual cairam tres, d’aquella ponta, digo, que tinha olhos, e bocca que fallava grandiosamente, e cujo parecer _era_ maior do que o das suas companheiras.
21 Eu olhava, [21] e eis que esta ponta fazia guerra contra os sanctos, e os vencia.
22 Até que [22] veiu o ancião de dias, e se deu o juizo aos sanctos do Altissimo, e chegou o tempo em que os sanctos possuiram o reino.
23 Disse assim: [23] O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será differente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pizará aos pés, e a fará em pedaços.
24 E, [24] quanto ás dez pontas, d’aquelle mesmo reino se levantarão dez reis; e depois d’elles se levantará outro, o qual será differente dos primeiros, e abaterá a tres reis.
25 E [25] fallará palavras contra o Altissimo, [26] e destruirá os sanctos do Altissimo, e cuidará em mudar os tempos [27] e a lei; e serão entregues na sua mão por um tempo, e tempos, e a metade d’um tempo.
26 E o juizo estará assentado, e tirarão o seu dominio, para o destruir e para o desfazer até ao fim.
27 E o reino, e o dominio, e a magestade dos reinos debaixo de todo o céu [28] se dará ao povo dos sanctos do Altissimo: o seu reino _será_ um reino eterno, [29] e todos os dominios o servirão, e lhe obedecerão:
28 Até aqui _foi_ o fim do negocio. Quanto a mim, Daniel, [30] os meus pensamentos muito me espantavam, e mudou-se em mim o meu semblante; [31] mas guardei o negocio no meu coração.
[1] Num. 12.6. Amós 3.7. cap. 2.28.
[2] Deu. 28.49. Jer. 4.7, 13 e 48.40. Eze. 17.3. Hab. 1.8.
[3] cap. 2.39.
[4] cap. 8.8, 22.
[5] cap. 2.40. ver. 19, 23.
[6] cap. 2.41. Apo. 13.1.
[7] ver. 20, 21, 24. cap. 8.9.
[8] Apo. 9.7. ver. 25. Apo. 13.5.
[9] Apo. 20.4. ver. 13, 22. Apo. 1.14.
[10] Eze. 1.15, 16.
[11] Isa. 30.33 e 66.15. I Reis 22.19. Heb. 12.22. Apo. 5.11.
[12] Apo. 20.4, 12.
[13] Apo. 19.20.
[14] Eze. 1.26. Mat. 24.30 e 26.64. Apo. 1.7, 13 e 14.14.
[15] ver. 9.
[16] Mat. 11.27 e 28.18. João 3.35. I Cor. 15.27. Eph. 1.22. cap. 3.4. cap. 2.44. ver. 27.
[17] Miq. 4.7. Luc. 1.33. João 12.34. Heb. 12.28.
[18] ver. 3.
[19] Isa. 60.12. ver. 22, 27. Apo. 2.26, 27 e 3.21 e 20.4.
[20] ver. 7.
[21] cap. 8.12, 24. Apo. 11.7 e 13.7 e 17.14 e 19.19.
[22] ver. 9. ver. 18. I Cor. 6.2. Apo. 1.6 e 5.10 e 20.4.
[23] cap. 2.40.
[24] ver. 7, 8, 20. Apo. 17.12.
[25] Isa. 37.23. cap. 8.24, 25 e 11.28, 30, 31, 36. Apo. 13.5, 6.
[26] Apo. 17.6 e 18.24.
[27] cap. 2.21 e 12.7. Apo. 12.14.
[28] ver. 14, 18, 22.
[29] cap. 2.44. Luc. 1.33. Isa. 60.12.
[30] ver. 15. cap. 10.8, 16.
[31] Luc. 2.19, 51.
_A visão d’um carneiro e d’um bode._
[Antes de Christo 553]
8 No anno terceiro do reinado do rei Belshazzar appareceu-me uma visão, a mim, Daniel, [1] depois d’aquella que me appareceu no principio.
2 E vi n’uma visão [2] (e aconteceu, quando vi, que eu _estava_ na cidadella de Susan, que _está_ na provincia de Elam), vi pois, n’uma visão, que eu estava junto ao rio Ulai.
3 E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha duas pontas; e as duas pontas _eram_ altas, porém uma _era_ mais alta do que a outra; e a _que era_ mais alta subiu por ultimo.
4 Vi que o carneiro dava marradas para o occidente, e para o norte e para o meio-dia; e nenhuns animaes podiam parar diante d’elle, nem _havia_ quem livrasse da sua mão; e fazia conforme a sua vontade, [3] e se engrandecia.
5 E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do occidente sobre toda a terra, e não tocava a terra; [4] e aquelle bode tinha uma ponta insigne entre os olhos;
6 E vinha ao carneiro que tinha as duas pontas, ao qual eu tinha visto _em pé_ diante do rio; e correu contra elle com _todo_ o impeto da sua força.
7 E o vi chegar perto do carneiro, e se irritou contra elle, e feriu o carneiro, e lhe quebrou as duas pontas, pois não havia força no carneiro para parar diante d’elle, e o lançou por terra, e o pizou a pés; nem houve quem livrasse o carneiro da sua mão.
8 E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas, estando na sua _maior_ força, aquella grande ponta foi quebrada: e subiram no seu logar _outras_ quatro insignes, [5] para os quatro ventos do céu.
9 E [6] de uma d’ellas saiu uma ponta mui pequena, a qual cresceu muito para o meio-dia, e para o oriente, e para a _terra_ formosa.
10 E [7] se engrandeceu até ao exercito do céu: e a _alguns_ do exercito, e das estrellas, deitou por terra, e as pizou.
11 E [8] se engrandeceu até ao principe do exercito: e por elle foi tirado o continuo _sacrificio_, [9] e o logar do seu sanctuario foi lançado por terra.
12 E [10] o exercito foi entregue por causa das transgressões contra o continuo _sacrificio_; e lançou a verdade por terra, [11] e o fez, e prosperou.
13 Depois [12] ouvi um sancto que fallava; e disse o sancto áquelle que fallava: Até quando _durará_ a visão do continuo _sacrificio_, e da transgressão assoladora, para que seja entregue o sanctuario, e o exercito, para ser pizado?
14 E elle me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o sanctuario será justificado.
15 E aconteceu que, havendo eu, Daniel, visto a visão, [13] busquei o entendimento, [14] e eis que se me apresentou diante um com o parecer de homem.
16 E ouvi uma voz de homem entre _as margens_ do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão.
17 E veiu perto d’onde eu estava; e, vindo elle, me assombrei, [15] e cahi sobre o meu rosto; porém elle me disse: Entende, filho do homem, porque _acontecerá_ esta visão no fim do tempo.
18 E, [16] estando elle fallando comigo, cahi adormecido sobre o meu rosto por terra: [17] elle, pois, me tocou, e me fez estar em pé.
19 E disse: Eis que te farei saber o que ha de acontecer no ultimo tempo da ira; [18] porque no tempo determinado _será_ o fim.
20 Aquelle carneiro [19] que viste com duas pontas _são_ os reis da Media e da Persia,
21 Porém [20] o bode pelludo é o rei da Grecia; e a ponta grande que _tinha_ entre os olhos _é_ o rei primeiro;
22 E que, [21] sendo quebrada ella, se levantassem quatro em logar d’ella, _significa que_ quatro reinos se levantarão da _mesma_ nação, mas não com a força d’ella.
23 Mas, no fim do seu reinado, quando os prevaricadores acabarem _de prevaricar_, [22] se levantará um rei, feroz de cara, e _será_ entendido em adivinhações.
24 E [23] se fortalecerá a sua força, mas não pela força d’elle _mesmo_; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e o _seu prazer_ fará: e destruirá os fortes [24] e o povo sancto.
25 E pelo seu entendimento tambem fará prosperar o engano na sua mão; e [25] no seu coração se engrandecerá, e pela tranquillidade destruirá muitos; e se levantará contra o principe dos principes, [26] mas sem mão será quebrado.
26 E [27] a visão da tarde e da manhã, que foi dita, _é_ verdade: tu, porém, cerra a visão, porque _é_ para muitos dias.
27 E eu, [28] Daniel, enfraqueci, e estive enfermo _alguns_ dias; então levantei-me e fiz o negocio do rei: e espantei-me ácerca da visão, [29] e não havia quem a entendesse.
[1] cap. 7.1.
[2] Est. 1.2.
[3] cap. 5.19.
[4] ver. 21.
[5] ver. 22.
[6] cap. 7.8 e 11.25.
[7] cap. 11.28. Isa. 14.13. Apo. 12.4.
[8] Jer. 48.26, 42. cap. 11.36. ver. 25.
[9] Exo. 29.38. Num. 28.3. Eze. 46.13.
[10] cap. 11.31. Isa. 59.14.
[11] ver. 4.
[12] I Ped. 1.12.
[13] cap. 12.8. I Ped. 1.10, 11.
[14] Eze. 1.26.
[15] Eze. 2.1. Apo. 1.17.
[16] cap. 10.9, 10. Luc. 9.32.
[17] Eze. 2.2.
[18] cap. 9.27 e 11.27, 35, 36 e 12.7. Hab. 2.3.
[19] ver. 3.
[20] ver. 5. cap. 11.5.
[21] ver. 8. cap. 11.4.
[22] Deu. 28.50. ver. 6.
[23] Apo. 17.13, 17. ver. 12. cap. 11.36.
[24] ver. 10. cap. 7.25.
[25] cap. 11.36.
[26] Job 34.20. Lam. 4.6. cap. 2.34, 45.
[27] cap. 10.1. Eze. 12.27. cap. 10.14 e 12.4, 9. Apo. 22.10.
[28] cap. 7.28 e 10.8, 16. cap. 6.2, 3.
[29] ver. 16.
_A oração de Daniel: as setenta semanas: o Messias._
[Antes de Christo 538]
9 No anno primeiro [1] de Dario, filho de Assuero, da nação dos medos, o qual foi constituido rei sobre o reino dos chaldeos,
2 No anno primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o numero dos annos, [2] dos quaes fallou o Senhor ao propheta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalem, era de setenta annos.
3 E [3] eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar _com_ oração e rogos, com jejum, e sacco e cinza.
4 E orei ao Senhor meu Deus, e confessei, e disse: [4] Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas o concerto e a misericordia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos.
5 Peccámos, [5] e commettemos iniquidade, e fizemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juizos;
6 E não démos [6] ouvidos aos teus servos, os prophetas, que em teu nome fallaram aos nossos reis, _aos_ nossos principes, e _a_ nossos paes, como tambem a todo o povo da terra.
7 Tua, [7] ó Senhor, _é_ a justiça, mas a nós _pertence_ confusão de rosto, como _se vê_ n’este dia, aos homens de Judah, e aos moradores de Jerusalem, e a todo o Israel; aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa da sua prevaricação, com que prevaricaram contra ti.
8 Ó Senhor, [8] a nós _pertence_ a confusão de rosto, aos nossos reis, aos nossos principes, e a nossos paes, porque peccámos contra ti.
9 [9] Ao Senhor, nosso Deus, _pertencem_ as misericordias e os perdões; ainda que nos rebellámos contra elle,
10 E não obedecemos [10] á voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu pela mão de seus servos, os prophetas.
11 E [11] todo o Israel traspassou a tua lei, apartando-se para não obedecer á tua voz; por isso a maldição e o juramento, [12] que _está_ escripto na lei de Moysés, servo de Deus, se derramou sobre nós; porque peccámos contra elle.
12 E elle confirmou [13] a sua palavra, que fallou contra nós, e contra os nossos juizes que nos julgavam, trazendo sobre nós _um_ grande mal; que nunca [14] foi feito debaixo de todo o céu como foi feito em Jerusalem.
13 Como [15] está escripto na lei de Moysés, todo aquelle mal nos sobreveiu: [16] comtudo não supplicámos á face do Senhor nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos applicarmos á tua verdade.
14 E apressurou-se o Senhor [17] sobre o mal, e o trouxe sobre nós; porque justo _é_ o Senhor, nosso Deus, em todas as suas obras, que fez, [18] pois não obedecemos á sua voz.
15 Ora pois, ó Senhor, nosso Deus, que tiraste [19] o teu povo da terra do Egypto com mão poderosa, e [20] ganhaste para ti nome, como _se vê_ n’este dia, peccámos; obrámos impiamente.
16 Ó Senhor, [21] segundo todas as tuas justiças pois, aparte-se a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalem, do teu sancto monte; [22] porque por causa dos nossos peccados, e por causa das iniquidades de nossos paes, _vieram_ Jerusalem e o teu povo _a servir de_ opprobrio a todos os que nos estão em redor.
17 Agora pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas supplicas, [23] e sobre o teu sanctuario assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor.
18 Inclina, [24] ó Deus meu, os teus ouvidos; e ouve: abre os teus olhos, e olha para a nossa desolação, [25] e para a cidade a qual é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas supplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericordias.
19 Ó Senhor, ouve; ó Senhor, perdoa; ó Senhor, attende-nos e obra sem tardar; por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo se chamam pelo teu nome.
20 Estando [26] eu ainda fallando e orando, e confessando o meu peccado, e o peccado do meu povo Israel, e lançando a minha supplica perante a face do Senhor, meu Deus, pelo monte sancto do meu Deus,
21 Estando eu, digo, ainda fallando na oração, [27] o varão Gabriel, que eu tinha visto ao principio, veiu, voando rapidamente, [28] tocando-me, como á hora do sacrificio da tarde.
22 E _me_ instruiu, e fallou comigo, e disse: Daniel, agora sahi para fazer-te entender o sentido.
23 No principio das tuas supplicas, saiu a palavra, [29] e eu vim, para _t’o_ declarar, porque és mui amado: toma pois bem sentido da palavra, e entende a visão.
24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua sancta cidade, para consumir a transgressão, e para acabar os peccados, [30] e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça eterna, e para sellar a visão e o propheta, e para ungir o Sancto dos sanctos.
25 Sabe [31] e entende: desde a saida da palavra para fazer tornar, e para edificar a Jerusalem, [32] até ao Messias, o Principe, sete semanas, e sessenta e duas semanas: as ruas e as tranqueiras se reedificarão, [33] porém em tempos angustiados.