A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 143
18 Para [7] que pedissem misericordia ao Deus do céu, sobre este segredo, afim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, _juntamente_ com o resto dos sabios de Babylonia.
19 Então foi revelado o segredo a Daniel n’_uma_ [8] visão de noite: então Daniel louvou o Deus do céu.
20 Fallou Daniel, e disse: Seja bemdito o nome de Deus desde o seculo até ao seculo, porque d’elle é a sabedoria e a força;
21 E elle muda [9] os tempos e as horas; elle remove os reis e estabelece os reis: [10] elle dá sabedoria aos sabios e sciencia aos entendidos.
22 Elle revela o profundo e o escondido: [11] conhece o que _está_ em trevas, e com elle a luz mora.
23 Ó Deus de meus paes, te louvo e celebro eu, que me déste sabedoria e força; [12] e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber [ACS] a coisa do rei.
24 Por isso Daniel entrou a Arioch, ao qual o rei tinha constituido para matar os sabios de Babylonia: entrou, e disse-lhe assim: Não mates os sabios de Babylonia; introduze-me na presença do rei, e declararei ao rei a interpretação.
25 Então Arioch depressa introduziu a Daniel na presença do rei, e disse-lhe assim: Achei um d’entre os filhos dos captivos de Judah, o qual fará saber ao rei a interpretação.
26 Respondeu o rei, e disse a Daniel (cujo nome _era_ Belteshazzar): Podes tu fazer-me saber o sonho que vi e a sua interpretação?
27 Respondeu Daniel na presença do rei, e disse: O segredo que o rei requer, nem sabios, _nem_ astrologos, _nem_ magos, _nem_ adivinhos _o_ podem declarar ao rei;
28 Mas [13] ha um Deus nos céus, o qual revela os segredos; elle pois fez saber ao rei Nabucodonozor o que ha de ser [14] no fim dos dias; o teu sonho e as visões da tua cabeça na tua cama são estas:
29 Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos, ácerca do que ha de ser depois d’isto. Aquelle pois [15] que revela os segredos te fez saber o que ha de ser.
30 E a mim, [16] não pela sabedoria que em mim haja, mais do que _em_ todos os viventes, me foi revelado este segredo, [17] mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesse os pensamentos do teu coração.
31 Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estatua: esta estatua _era_ grande, e o seu esplendor _era_ excellente, _e_ estava em pé diante de ti; e a sua vista _era_ terrivel.
32 A cabeça [18] d’aquella estatua _era_ de oiro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre;
33 As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro.
34 Estavas vendo, até que uma pedra foi cortada, [19] sem mão, a qual feriu a estatua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou.
35 Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o cobre, a prata e o oiro, [20] e se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou logar algum para elles; mas a pedra, que feriu a estatua, se fez _um_ [21] grande monte, e encheu toda a terra.
36 Este é o sonho; tambem a interpretação d’elle diremos na presença do rei.
37 Tu, [22] ó rei, _és_ rei de reis: pois o Deus do céu te tem dado o reino, a potencia, e a força, e a magestade.
38 E onde [23] quer que habitem filhos de homens, bestas do campo, e aves do céu, t’os entregou na tua mão, e fez que dominasses sobre todos elles; [24] tu és a cabeça de oiro.
39 E depois de ti se levantará outro reino, [25] inferior ao teu; e outro terceiro reino, de metal, o qual dominará sobre toda a terra.
40 E [26] o quarto reino será forte como ferro; da maneira que o ferro esmiuça e enfraquece tudo, como o ferro, que quebranta todas estas coisas, _assim_ esmiuçará e quebrantará.
41 E, quanto [27] ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será _um_ reino dividido; comtudo haverá n’elle _alguma coisa_ da firmeza do ferro, porquanto viste o ferro misturado com barro de lodo.
42 E os dedos dos pés, em parte de ferro e em parte de barro, _querem dizer_: por uma parte o reino será forte, e por outra será fragil.
43 Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-hão com semente humana, mas não se apegarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro.
44 Mas, nos dias d’estes reis, [28] o Deus do céu levantará um reino que não será jámais destruido; e este reino não será deixado a outro povo: [29] esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas elle mesmo estará estabelecido para sempre.
45 Da maneira [30] que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ella esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o oiro, o Deus grande fez saber ao rei o que ha de ser depois d’isto; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
46 Então [31] o rei Nabucodonozor caiu sobre o seu rosto, e adorou a Daniel, [32] e ordenou que lhe sacrificassem offerta de manjares e perfumes suaves.
47 Respondeu o rei a Daniel, e disse: Certo _é_ que o vosso Deus _é_ Deus de deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador dos segredos, [33] pois podeste revelar este segredo.
48 Então o rei engrandeceu a Daniel, [34] e lhe deu muitos _e_ grandes dons, e o poz por governador de toda a provincia de Babylonia, [35] como tambem por principe dos prefeitos sobre todos os sabios de Babylonia.
49 E pediu Daniel ao rei, [36] e constituiu elle sobre os negocios da provincia de Babylonia a Sadrach, Mesach e Abed-nego; [37] porém Daniel _estava_ á porta do rei.
[1] Gen. 41.8. cap. 4.5. Est. 6.1. cap. 6.18.
[2] Gen. 41.8. cap. 5.7.
[3] I Reis 1.31. cap. 3.9 e 5.10.
[4] Esd. 6.11. cap. 3.29.
[5] cap. 5.16.
[6] ver. 28. cap. 5.11.
[7] Mat. 18.19.
[8] Num. 12.6. Job 33.15, 16.
[9] I Chr. 29.30. Est. 1.13. cap. 7.25 e 11.6. Jer. 27.5.
[10] Thi. 1.5.
[11] Heb. 4.13. Thi. 1.17.
[12] ver. 18.
[13] Gen. 40.8. ver. 18, 47. Amós 4.13.
[14] Gen. 49.1.
[15] ver. 22, 28.
[16] Gen. 41.16. Act. 3.12.
[17] ver. 47.
[18] ver. 38, etc.
[19] cap. 8.25. II Cor. 5.1.
[20] Ose. 13.3.
[21] Isa. 2.2, 3.
[22] Esd. 7.12. Isa. 47.5. Jer. 27.6, 7. Eze. 26.7, 8, 10.
[23] cap. 4.21, 22. Jer. 27.6.
[24] ver. 32.
[25] cap. 5.28, 31. ver. 32.
[26] cap. 7.7, 23.
[27] ver. 33.
[28] ver. 28. cap. 4.34. Miq. 4.7. Luc. 1.32, 33.
[29] Isa. 60.12.
[30] ver. 35. Isa. 28.16.
[31] Act. 10.25 e 14.13.
[32] Esd. 6.10.
[33] ver. 28.
[34] ver. 6.
[35] cap. 5.11 e 9.4.
[36] cap. 3.12.
[37] Est. 2.19, 21 e 3.2.
_A estatua de oiro: os companheiros de Daniel no forno de fogo ardente._
[Antes de Christo 580]
3 O rei Nabucodonozor fez uma estatua de oiro, a altura da qual _era_ de sessenta covados, e a sua largura de seis covados: levantou-a no campo de Dura, na provincia de Babylonia.
2 E o rei Nabucodonozor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juizes, os thesoureiros, os conselheiros, os officiaes, e todos os governadores das provincias, para que viessem á consagração da estatua que o rei Nabucodonozor tinha levantado.
3 Então se ajuntaram os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juizes, os thesoureiros, os conselheiros, os officiaes, e todos os governadores das provincias, á consagração da estatua que o rei Nabucodonozor tinha levantado, e estavam em pé diante da estatua que Nabucodonozor tinha levantado.
4 E o pregoeiro apregoava em alta _voz_: Ordena-se a vós, [1] ó povos, nações e linguagens:
5 Quando ouvirdes o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, da [ACT] symphonia, e de toda a sorte de musica, vos prostrareis, e adorareis a estatua de oiro que o rei Nabucodonozor tem levantado.
6 E qualquer que se não prostrar e _a_ não adorar, [2] será na mesma hora lançado dentro do forno de fogo ardente.
7 Portanto, no mesmo instante em que todos os povos ouviram o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, e de toda a sorte de musica, se prostraram todos os povos, nações e linguas, e adoraram a estatua de oiro que o rei Nabucodonozor tinha levantado.
8 Por isso, no mesmo instante se chegaram [3] _alguns_ homens chaldeos, e accusaram os judeos.
9 E fallaram, e disseram ao rei Nabucodonozor: [4] Ó rei, vive eternamente!
10 Tu, ó rei, fizeste _um_ decreto, que todo o homem que ouvisse o som da buzina, do pifaro, da harpa, da sambuca, do psalterio, e da symphonia, e de toda a sorte de musica, se prostrasse e adorasse a estatua de oiro;
11 E, qualquer que se não prostrasse e adorasse, fosse lançado dentro do forno de fogo ardente.
12 [5] Ha uns homens judeos, os quaes constituiste sobre os negocios da provincia de Babylonia: Sadrach, Mesach e Abed-nego: estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem a estatua de oiro, que levantaste, adoraram.
13 Então Nabucodonozor, com ira e furor, mandou trazer a Sadrach, Mesach e Abed-nego. E trouxeram a estes homens perante o rei.
14 Fallou Nabucodonozor, e lhes disse: _Porventura_ de proposito, ó Sadrach, Mesach e Abed-nego, vós não servis a meus deuses nem adoraes a estatua de oiro que levantei?
15 Agora pois, se estaes promptos, quando ouvirdes o som da buzina, do pifaro, da guitarra, da harpa, do psalterio, da symphonia, e de toda a sorte de musica, para vos prostrardes e adorardes a estatua que fiz, _bom é_; mas, se a não adorardes, sereis lançados, na mesma hora, dentro do forno de fogo ardente: [6] e quem _é_ o Deus que vos poderá livrar das minhas mãos?
16 Responderam Sadrach, Mesach e Abed-nego, e disseram ao rei Nabucodonozor: Não necessitamos de te responder sobre este negocio.
17 Eis que é nosso Deus, a quem nós servimos, que nos pode livrar; elle _nos_ livrará do forno de fogo ardente, _e_ da tua mão, ó rei.
18 E, se não, sabe tu, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estatua de oiro que levantaste.
19 Então Nabucodonozor se encheu de furor, e se mudou o aspecto do seu semblante contra Sadrach, Mesach e Abed-nego: respondeu, e ordenou que o forno se accendesse sete vezes mais do que se costumava accender.
20 E ordenou aos homens mais valentes de força, que estavam no seu exercito, que atassem a Sadrach, Mesach e Abed-nego, para os lançar no forno de fogo ardente.
21 Então estes homens foram atados com as suas capas, seus calções, e seus chapeus, e seus vestidos, e foram lançados dentro do forno de fogo ardente.
22 E, porque a palavra do rei apertava, e o forno estava sobre-maneira acceso, a chamma do fogo matou aquelles homens que levantaram a Sadrach, Mesach e Abed-nego.
23 E estes tres homens, Sadrach, Mesach e Abed-nego, cairam atados dentro do forno de fogo ardente.
24 Então o rei Nabucodonozor se espantou, e se levantou depressa: fallou, e disse aos seus capitães: _Porventura_ não lançámos tres homens atados dentro do fogo? Responderam e disseram ao rei: Verdade é, ó rei.
25 Respondeu, e disse: Eis aqui vejo quatro homens soltos, [7] que andam passeando dentro do fogo, e nada ha de lesão n’elles; [8] e o aspecto do quarto é similhante ao filho dos deuses.
26 Então se chegou Nabucodonozor á porta do forno de fogo ardente; fallou, e disse: Sadrach, Mesach e Abed-nego, servos do Deus Altissimo, sahi e vinde! Então Sadrach, Mesach e Abed-nego sairam do meio do fogo.
27 E ajuntaram-se os sátrapas, os prefeitos, e os presidentes, e os capitães do rei, contemplando estes homens, [9] como o fogo não tinha tido poder algum sobre os seus corpos: nem _um só_ cabello da sua cabeça se tinha queimado, nem as suas capas se mudaram, nem cheiro de fogo tinha passado sobre elles.
28 Fallou Nabucodonozor, e disse: Bemdito _seja_ o Deus de Sadrach, Mesach e Abed-nego, que enviou o seu anjo, e livrou os seus servos, que confiaram n’elle, [10] pois [ACU] violaram a palavra do rei, e entregaram os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum _outro_ deus, senão o seu Deus.
29 Por mim pois [11] se faz _um_ decreto, que todo o povo, nação e lingua que disser blasphemia contra o Deus de Sadrach, Mesach e Abed-nego, seja despedaçado, e a sua casa seja feita _um_ monturo; [12] porquanto não ha outro Deus que possa livrar como este.
30 Então o rei fez prosperar a Sadrach, Mesach e Abed-nego, na provincia de Babylonia.
[1] cap. 6.25.
[2] Apo. 13.15.
[3] cap. 6.12.
[4] cap. 2.4 e 5.10.
[5] cap. 2.49.
[6] Exo. 5.2. II Reis 18.35.
[7] Isa. 43.2.
[8] Job 1.6 e 38.7. ver. 28.
[9] Heb. 11.34.
[10] Jer. 17.7. cap. 6.22, 23.
[11] cap. 6.26.
[12] cap. 6.27.
_O edito do rei. O seu sonho d’uma arvore grande: a sua loucura._
[Antes de Christo 570]
4 Nabucodonozor rei: a todos os povos, [1] nações, e linguas, que moram em toda a terra: Paz vos seja multiplicada.
2 Pareceu-me bem fazer notorios os signaes e maravilhas que Deus, o Altissimo, [2] tem feito para comigo.
3 Quão [3] grandes _são_ os seus signaes, e quão poderosas as suas maravilhas! [4] o seu reino _é_ um reino sempiterno, e o seu dominio de geração em geração.
4 Eu, Nabucodonozor, estava socegado em minha casa, e florescente no meu palacio.
5 Tive _um_ sonho, que me espantou; [5] e as imaginações na minha cama e as visões da minha cabeça [6] me turbaram.
6 Por mim pois se fez um decreto, para introduzir á minha presença todos os sabios de Babylonia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho.
7 Então [7] entraram os magos, os astrologos, os chaldeos, e os adivinhadores, e eu contei o sonho diante d’elles; mas não me fizeram saber a sua interpretação.
8 Porém por fim entrou na minha presença Daniel, cujo nome _é_ Belteshazzar, [8] segundo o nome do meu deus, e no qual _ha_ o espirito dos deuses sanctos; e eu contei o sonho diante d’elle:
9 Belteshazzar, [9] principe dos magos, pois eu sei que _ha_ em ti o espirito dos deuses sanctos, e nenhum segredo te é difficil; dize-me as visões do meu sonho que tive e a sua interpretação.
10 _Eram_ pois as visões da minha cabeça, na minha cama: eu estava vendo, [10] e eis uma arvore no meio da terra, cuja altura era grande;
11 Crescia esta arvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e foi vista até á extremidade de toda a terra.
12 A sua folhagem _era_ formosa, e o seu fructo muito, e _havia_ n’ella sustento para todos: [11] debaixo d’ella as bestas do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda a carne se mantinha d’ella.
13 Estava vendo nas visões da minha cabeça, na minha cama; e eis que [12] _um_ vigia, um sancto, descia do céu,
14 Clamando fortemente, e dizendo assim: [13] Cortae a arvore, e decotae-lhe os ramos, sacudi as suas folhas, espalhae o seu fructo; afugentem-se as bestas de debaixo d’ella, e as aves dos seus ramos.
15 Porém o tronco com as suas raizes deixae na terra, e com atadura de ferro e de bronze, na herva do campo: e _seja_ molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com as bestas na [ACV] gramma da terra:
16 Seja mudado o seu coração, que não seja mais _coração_ de homem, e lhe seja dado coração de besta; [14] e passem sobre elle sete tempos.
17 Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e este [ACW] mando _por_ dito dos sanctos; a fim de que conheçam os viventes [15] que o Altissimo domina sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer, e _até_ ao mais baixo dos homens constitue sobre elles.
18 Isto _em_ sonho vi eu, rei Nabucodonozor: tu, pois, Belteshazzar, dize a interpretação: [16] porque todos os sabios do meu reino não poderam fazer-me saber a sua interpretação; mas tu podes; pois _ha_ em ti o espirito dos deuses sanctos.
19 Então Daniel, cujo nome _era_ Belteshazzar, esteve attonito quasi uma hora, e os seus pensamentos o turbavam; fallou _pois_ o rei, e disse: Belteshazzar, não te espante o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Belteshazzar, e disse; Senhor meu: [17] o sonho _seja_ contra os que te teem odio, e a sua interpretação aos teus inimigos.
20 A arvore [18] que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até ao céu, e que foi vista por toda a terra,
21 E cujas folhas _eram_ formosas, e o seu fructo muito, e em que para todos _havia_ mantimento, debaixo da qual moravam as bestas do campo, e em cujos ramos habitavam as aves do céu;
22 Esta _arvore [19] és_ tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; e a tua grandeza cresceu, e chegou [20] até ao céu, e o teu dominio até á extremidade da terra.
23 E quanto [21] ao que viu o rei, um vigia, um sancto, _que_ descia do céu, e disse: Cortae a arvore, e a destrui, porém o tronco _com_ as suas raizes deixae na terra, e com atadura de ferro e de bronze, na herva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e [22] a sua porção seja com as bestas do campo, até que passem sobre elle sete tempos;
24 Esta _é_ a interpretação, ó rei: e este _é_ o decreto do Altissimo, que virá sobre o rei, meu senhor,
25 _A saber_: [23] Lançar-te-hão de entre os homens, e a tua morada será com as bestas do campo, e te farão comer herva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-hão sete tempos por cima de ti: até que conheças que o Altissimo domina sobre o reino dos homens, e os dá a quem quer.
26 E quanto ao que foi dito, que deixassem o tronco _com_ as raizes da arvore, o teu reino te _ficará_ firme, [24] depois que tiveres conhecido que o céu reina.
27 Portanto, ó rei, acceita o meu conselho, [25] e desfaze os teus peccados pela justiça, e as tuas iniquidades usando de misericordia com os pobres, [26] se _porventura_ houver prolongação da tua paz.
28 Todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodonozor.
29 _Porque_ ao cabo de doze mezes, _quando_ andava passeando sobre o palacio real de Babylonia,
30 Fallou [27] o rei, e disse: _Porventura_ não é esta a grande Babylonia que eu edifiquei para a casa real, com a força da minha potencia, e para gloria da minha magnificencia?
31 Ainda estava a [28] palavra na bocca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonozor: Passou de ti o reino.
32 E te lançarão d’entre os homens, e a tua morada _será_ com as bestas do campo: far-te-hão comer herva como os bois, e passar-se-hão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altissimo domina sobre os reinos dos homens, e os dá a quem quer.
[Antes de Christo 563]
33 Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonozor, e foi lançado d’entre os homens, e comia herva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pello, como as pennas da aguia, e as suas unhas como _as_ das aves.
34 Mas ao fim d’aquelles dias [29] eu, Nabucodonozor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bemdisse o Altissimo, [30] e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo dominio _é_ um dominio sempiterno, e cujo reino _é_ de geração em geração.
35 E todos [31] os moradores da terra _são_ reputados em nada, e segundo a sua vontade faz com o exercito do céu e os moradores da terra: não ha quem possa estorvar a sua mão, [32] e lhe diga, Que fazes?
36 No mesmo tempo me tornou a vir o meu entendimento, e para a dignidade do meu reino [33] tornou-me a vir a minha magestade e o meu resplandor; e me buscaram os meus capitães e os meus grandes; e fui restabelecido no meu reino, [34] e se me accrescentou uma gloria maior _do que nunca_.
37 Agora _pois_ eu, Nabucodonozor, louvo, e exalço, e glorifico ao rei do céu; porque todas as suas obras _são_ verdade, [35] e os seus caminhos juizo, e pode humilhar aos que andam na soberba.
[1] cap. 3.4 e 6.25.
[2] cap. 3.26.
[3] cap. 6.27.
[4] cap. 2.44 e 6.26.
[5] cap. 2.28, 29.
[6] cap. 2.1.
[7] cap. 2.2.
[8] cap. 1.7. Isa. 63.11. ver. 18. cap. 2.11.
[9] cap. 2.48 e 5.11.
[10] Eze. 31.3, etc. ver. 20.
[11] Eze. 17.23 e 31.6. Lam. 4.20.
[12] ver. 17, 23.
[13] Mat. 3.10. Eze. 31.12.
[14] cap. 11.13 e 12.7.
[15] cap. 2.21 e 5.21. ver. 25, 32.
[16] Gen. 41.8, 15. cap. 5.8, 15.
[17] II Sam. 18.32.
[18] ver. 11, 12.
[19] cap. 2.38.
[20] Jer. 27.6, 7, 8.
[21] ver. 13.
[22] cap. 5.21.
[23] ver. 32. cap. 5.21, etc.
[24] Mat. 21.25.
[25] I Ped. 4.8.
[26] I Reis 21.29.
[27] cap. 5.20.
[28] Luc. 12.20.
[29] ver. 26.
[30] Apo. 4.10. Miq. 4.7. Luc. 1.33.
[31] Isa. 40.15, 17.
[32] Job 34.29. Job 9.12. Isa. 45.9. Rom. 9.20.
[33] ver. 26.
[34] Mat. 6.33.
[35] Apo. 15.3 e 16.7.
_O banquete do rei Belshazzar. A mão mysteriosa._
[Antes de Christo 538]
5 O rei Belshazzar deu [1] um grande banquete aos seus mil grandes, e bebeu vinho na presença dos mil.
2 Havendo Belshazzar provado o vinho, mandou trazer os vasos de oiro e de prata, [2] que Nabucodonozor, seu pae, tinha tirado do templo que _estava_ em Jerusalem, para que bebessem por elles o rei, e os seus grandes, as suas mulheres e concubinas.
3 Então trouxeram os vasos de oiro, que foram tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalem, e beberam por elles o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas.
4 Beberam o vinho, [3] e deram louvores aos deuses de oiro, e de prata, de cobre, de ferro, de madeira, e de pedra.
5 Na mesma hora sahiam uns dedos de mão de homem, e escreviam, defronte do castiçal, na caiadura da parede do palacio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo.
6 Então se mudou o semblante do rei, e os seus pensamentos o turbaram: as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro.
7 E clamou o rei [4] com força, que se introduzissem os astrologos, os chaldeos e os adivinhadores: e fallou o rei, e disse aos sabios de Babylonia: Qualquer que ler esta escriptura, e me declarar a sua interpretação, será vestido da purpura, e trará uma cadeia de oiro ao pescoço, e será, no reino, o terceiro dominador.
8 Então entraram todos os sabios do rei; [5] mas não poderam ler a escriptura, nem fazer saber ao rei a sua interpretação.
9 Então o rei Belshazzar perturbou-se muito, e mudou-se n’elle o seu semblante; e os seus grandes estavam sobresaltados.
10 A rainha, _pois_, por causa das palavras do rei e dos seus grandes, entrou na casa do banquete: e fallou a rainha, e disse: [6] Ó rei, vive para sempre! não te turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante.
11 Ha um homem no teu reino, no qual _ha_ o espirito dos deuses sanctos; e nos dias de teu pae se achou n’elle luz, e intelligencia, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pae, o rei Nabucodonozor, teu pae, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrologos, dos chaldeos, _e_ dos adivinhadores;
12 Porquanto se achou n’este Daniel [7] um espirito excellente, e sciencia e entendimento, interpretando sonhos, e declarando enigmas, e solvendo duvidas, [8] ao qual rei poz o nome de Belteshazzar: chame-se _pois_ agora Daniel, e elle declarará a interpretação.
13 Então Daniel foi introduzido á presença do rei. Fallou o rei, e disse a Daniel: _És_ tu aquelle Daniel, dos captivos de Judah, que o rei, meu pae, trouxe de Judah?
14 Porque tenho ouvido _dizer_ [9] a teu respeito que o espirito dos deuses _está_ em ti, e que a luz, e o entendimento e a excellente sabedoria se acham em ti.
15 E agora [10] foram introduzidos á minha presença os sabios _e_ os astrologos, [11] para lerem esta escriptura, e me fazerem saber a sua interpretação; mas não poderam declarar a interpretação d’estas palavras.
16 Eu porém tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretações e solver duvidas: agora, se poderes ler esta escriptura, e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de purpura, e _terás_ cadeia de oiro ao pescoço, e no reino serás o terceiro dominador.
17 Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: Os teus dons fiquem comtigo, e dá os teus presentes a outro; comtudo lerei ao rei a escriptura, e lhe farei saber a interpretação.
18 Quanto a ti, [12] ó rei! Deus, o Altissimo, deu a Nabucodonozor, teu pae, o reino, e a grandeza, e a gloria, e a magnificencia.
19 E por causa da grandeza, que lhe deu, [13] todos os povos, nações e linguas tremiam e temiam diante d’elle: a quem queria matava, e a quem queria dava a vida; e a quem queria engrandecia, e a quem queria abatia.
20 Mas quando o seu coração se exalçou, e o seu espirito se endureceu em soberba, foi derribado do seu throno real, e passou d’elle a _sua_ gloria.