A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 125

Chapter 1254,542 wordsPublic domain

7 Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; [4] mais forte foste do que eu, e prevaleceste; sirvo de escarneo todo o dia, cada um d’elles zomba de mim.

8 Porque desde [5] que fallo, grito; clamo violencia e destruição; porque se tornou a palavra do Senhor em opprobrio e em ludibrio todo o dia.

9 Então disse eu: Não me lembrarei d’elle, e não fallarei mais no seu nome; [6] mas foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e fiquei fatigado de soffrer, e não pude.

10 Porque ouvi a murmuração de muitos _ácerca_ de Magor-missabib, _que diziam_: Denunciae-_nol-o_, e o denunciaremos; [7] todos os que teem paz comigo aguardam o meu manquejar, _dizendo_: Bem pode ser que se deixará persuadir; então prevaleceremos contra elle e nos vingaremos d’elle.

11 Porém [8] o Senhor _está_ comigo como um valente terrivel; por isso tropeçarão os meus perseguidores, e não prevalecerão: ficarão mui confundidos; porque não se houveram [ZP] prudentemente, [9] _terão_ uma confusão perpetua _que_ nunca se esquecerá.

12 Tu pois, ó Senhor dos Exercitos, que esquadrinhas [10] ao justo, e vês os rins e o coração, veja eu a tua vingança d’elles; pois _já_ te descobri a minha causa.

13 Cantae ao Senhor, louvae ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado da mão dos malfeitores.

14 Maldito [11] o dia em que nasci; o dia em que minha mãe me pariu não seja bemdito.

15 Maldito o homem que deu as novas a meu pae, dizendo: Nasceu-te um filho macho; alegrando-o grandemente.

16 E seja esse homem como as cidades [12] que o Senhor destruiu e não se arrependeu: e ouça clamor pela manhã, e ao tempo do meio-dia um alarido.

17 Porque [13] não me matou desde a madre? ou minha mãe não foi minha sepultura? ou _porque não_ ficou a sua madre gravida perpetuamente?

18 Porque [14] sahi da madre, para ver trabalho e tristeza? para que se consumam os meus dias na confusão.

[1] I Chr. 24.14.

[2] II Reis 20.17 e 24.12, 16 e 25.13, etc.

[3] cap. 14.13, 14 e 28.16 e 29.21.

[4] Lam. 3.14.

[5] cap. 6.7.

[6] Job 32.18, 19.

[7] Luc. 11.53, 54.

[8] cap. 1.8, 19 e 15.20 e 17.18.

[9] cap. 23.40.

[10] cap. 11.20 e 17.10.

[11] Job 3.3. cap. 15.10.

[12] Gen. 19.25.

[13] Job 3.10, 11.

[14] Job 3.20.

_O annuncio da destruição de Jerusalem por Nabucodonozor._

21 A palavra que veiu a Jeremias _da parte_ do Senhor, quando o rei Zedekias lhe enviou [1] a Pashur, filho de Malchias, [2] e a Zephanias filho de Maaseia, o sacerdote, dizendo:

2 Pergunta agora por nós ao Senhor; porque Nabucodonozor, rei de Babylonia, guerreia contra nós: bem pode ser que o Senhor obre comnosco segundo todas as suas maravilhas, e o faça subir de nós.

3 Então Jeremias lhes disse: Assim direis a Zedekias:

4 Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Eis que virarei _contra vós_ as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejaes contra o rei de Babylonia, e contra os chaldeos, [3] que vos teem cercado de fóra do muro, e ajuntal-os-hei no meio d’esta cidade.

5 E eu pelejarei contra vós com mão estendida, [4] e com braço forte, e com ira, e com indignação e com grande furor.

6 E ferirei os habitantes d’esta cidade, assim os homens como as bestas: de grande pestilencia morrerão.

7 E depois d’isto, diz o Senhor, entregarei Zedekias, [5] rei de Judah, e seus servos, e o povo, e os que d’esta cidade restarem da pestilencia, e da espada, e da fome, na mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia, e na mão de seus inimigos, e na mão dos que buscam a sua vida; e feril-os-ha ao fio da espada: [6] não os poupará, nem se compadecerá, nem terá misericordia.

8 E a este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante [7] de vós o caminho da vida e o caminho da morte.

9 O que ficar [8] n’esta cidade ha de morrer á espada, ou á fome, ou da pestilencia; porém o que sair, e se render aos chaldeos, que vos teem cercado, viverá, e terá a sua vida [9] por despojo.

10 Porque puz o meu rosto [10] contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o Senhor: na mão do rei de Babylonia se entregará, [11] e queimal-a-ha a fogo.

11 E á casa do rei de Judah _dirás_: Ouvi a palavra do Senhor:

12 Ó casa de David, assim diz o Senhor: [12] Julgae pela manhã justamente, e livrae o roubado da mão do oppressor; para que não saia o meu furor como fogo, e se accenda, sem que _haja_ quem o apague, por causa da maldade de vossas acções.

13 Eis que [13] eu _sou_ contra ti, ó moradora do valle, ó rocha da campina, diz o Senhor: os que dizeis: Quem descerá contra nós? ou, Quem entrará nas nossas moradas?

14 Porém farei visitação sobre vós segundo [14] o fructo das vossas acções, diz o Senhor; e accenderei o fogo no seu bosque, [15] que consumirá a tudo o que está em redor d’ella.

[1] cap. 38.1.

[2] II Reis 25.18. cap. 29.25 e 37.3.

[3] Isa. 13.4.

[4] Exo. 6.6.

[5] cap. 37.17 e 39.5.

[6] Deu. 28.50. II Chr. 36.17.

[7] Deu. 30.19.

[8] cap. 38.2, 17, 18.

[9] cap. 45.5.

[10] cap. 44.11. Amós 9.4.

[11] cap. 34.2, 22 e 38.18, 23 e 52.13.

[12] cap. 22.3. Zac. 7.9.

[13] Eze. 13.8. cap. 49.4.

[14] Pro. 1.31. Isa. 3.10, 11.

[15] II Chr. 36.19. cap. 52.13.

_Prophecia contra a casa real de Judah._

[Antes de Christo 609]

22 Assim diz o Senhor: Desce á casa do rei de Judah, e falla ali esta palavra.

2 E dize: [1] Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judah, que te assentas no throno de David: tu, e os teus servos, e o teu povo, que entraes por estas portas.

3 Assim diz o Senhor: [2] Fazei juizo e justiça, e livrae o roubado da mão do oppressor; e não opprimaes ao estrangeiro, _nem_ ao orphão, nem á viuva; não façaes violencia, nem derrameis sangue innocente n’este logar.

4 Porque, se devéras fizerdes esta palavra, [3] entrarão pelas portas d’esta casa os reis que se assentam no logar de David sobre o seu throno, em carros e montados em cavallos, elles, e os seus servos, e o seu povo.

5 Porém, se não derdes ouvidos a estas palavras, [4] por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que esta casa se tornará em assolação.

6 Porque assim diz o Senhor ácerca da casa do rei de Judah: Tu _és_ para mim Gilead, _e_ a altura do Libano: por certo que farei de ti um deserto e cidades deshabitadas.

7 Porque prepararei contra ti destruidores, cada um com as suas armas: [5] e cortarão os teus cedros escolhidos, e lançal-os-hão no fogo.

8 E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu companheiro: [6] Porque obrou o Senhor assim com esta grande cidade?

9 E dirão: [7] Porque deixaram o concerto do Senhor seu Deus, e se inclinaram diante de deuses alheios, e os serviram.

10 Não choreis o morto, [8] nem o lastimeis: chorae abundantemente aquelle que sae, porque nunca mais tornará, nem verá a terra onde nasceu.

11 Porque assim diz o Senhor [9] ácerca de Shallum, filho de Josias, rei de Judah, que reinava em logar de Josias seu pae, que saiu d’este logar: Nunca ali tornará mais.

12 Mas no logar para onde o levaram captivo ali morrerá, e nunca mais verá esta terra.

13 Ai d’aquelle [10] que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem razão, que se serve do serviço do seu proximo sem paga, e não lhe dá o salario do seu trabalho.

14 Que diz: Edificar-me-hei _uma_ casa espaçosa, e aposentos largos: e lhe abre janellas, e _está_ forrada de cedro, e pintada de vermelhão.

15 _Porventura_ reinarás, porque te encerras em cedro? acaso teu pae não comeu e bebeu, e não usou de juizo e justiça? _e_ então lhe succedeu bem.

16 Julgou a causa do afflicto e necessitado; então _lhe_ succedeu bem; _porventura_ não _é_ isto conhecer-me? diz o Senhor.

17 Porém [11] os teus olhos e o teu coração não _attentam_ senão para a tua avareza, e para o sangue innocente, para derramal-o, e para a oppressão, e para a violencia, para _os_ levar a effeito.

18 Portanto assim diz o Senhor ácerca de Joaquim, filho de Josias, rei de Judah: [12] Não lamentarão por elle, _dizendo_: Ai, irmão meu, ou, Ai, irmã minha! nem lamentarão por elle, _dizendo_: Ai, Senhor, ou, Ai, sua magestade!

19 Em sepultura de jumento será [13] sepultado, arrastando-o e lançando-o para bem longe, fóra das portas de Jerusalem.

20 Sobe ao Libano, e clama, e levanta a tua voz em Basan, e clama pelas passagens, que _já_ estão quebrantados os teus namorados.

21 Fallei comtigo na tua posteridade, porém tu disseste: Não ouvirei. [14] Este é o teu caminho, desde a tua mocidade, que nunca déste ouvidos á minha voz.

22 O vento apascentará a todos [15] os teus pastores, e os teus namorados irão para o captiveiro: certamente então te confundirás, e te envergonharás, por causa de toda a tua maldade.

23 Ó tu, que habitas no Libano _e_ fazes o teu ninho nos cedros, [16] quão lastimada serás quando te vierem as dôres _e_ os ais como da que está de parto!

24 Vivo eu, [17] diz o Senhor, que ainda que Conias, filho de Joaquim, rei de Judah, fosse o annel do sello na minha mão direita, que d’ali te arrancaria.

25 E te entregarei [18] na mão dos que buscam a tua vida, e na mão d’aquelles diante de quem tu temes, a saber, na mão de Nabucodonozor, rei de Babylonia, e na mão dos chaldeos.

26 E lançar-te-hei, [19] a ti e á tua mãe que te pariu, a uma terra estranha, em que não nasceste, e ali morrereis.

27 E á terra, para a qual elles levantam a sua alma, para tornarem a ella, a ella não tornarão.

28 _É_ pois _porventura_ este homem Conias um vil idolo quebrantado? [20] ou um vaso de que ninguem se agrada? por que razão foram arremessados fóra, elle e a sua geração, e arrojados para _uma_ terra que não conhecem?

29 Ó terra, [21] terra, terra! ouve a palavra do Senhor.

30 Assim diz o Senhor: Escrevei _que_ este homem está [ZQ] roubado de filhos, homem _que_ não prosperará nos seus dias; porque não prosperará algum da sua geração, [22] que se assentar no throno de David, e que reinar mais em Judah.

[1] cap. 17.20.

[2] cap. 21.12.

[3] cap. 17.25.

[4] Heb. 6.13, 17.

[5] Isa. 37.24. cap. 21.14.

[6] Deu. 29.24, 25. I Reis 9.8, 9.

[7] II Reis 22.17. II Chr. 34.25.

[8] II Reis 22.20. ver. 11.

[9] I Chr. 3.15. II Reis 23.30. II Reis 23.34.

[10] Miq. 3.10. Hab. 2.9. Thi. 5.4.

[11] Eze. 19.6.

[12] I Reis 13.30.

[13] cap. 36.30.

[14] cap. 3.25 e 7.23, etc.

[15] cap. 23.1. ver. 20.

[16] cap. 6.24.

[17] II Reis 24.6, 8. I Chr. 3.16. cap. 37.1.

[18] cap. 34.20.

[19] II Reis 24.15. II Chr. 36.10.

[20] cap. 48.38. Ose. 8.8.

[21] Deu. 32.1. Isa. 1.2 e 34.1. Miq. 1.2.

[22] cap. 36.30.

23 Ai [1] dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor.

2 Portanto assim diz o Senhor, o Deus d’Israel, ácerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes: [2] eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas acções, diz o Senhor.

3 E eu mesmo recolherei [3] o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus curraes; e fructificarão, e se multiplicarão.

4 E levantarei sobre ellas [4] pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, nem faltarão, diz o Senhor.

_O Renovo de David._

5 Eis que [5] veem dias, diz o Senhor, em que levantarei a David um Renovo justo; e, _sendo_ rei, reinará, e prosperará, e praticará o juizo e a justiça na terra.

6 Nos seus dias Judah será salvo, e Israel habitará seguro: e este será o seu nome, com que o nomearão: [6] O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.

7 Portanto, eis que veem dias, diz o Senhor, e nunca mais dirão: Vive o Senhor, que fez subir os filhos d’Israel da terra do Egypto;

8 Mas: Vive o Senhor, que fez subir, e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do norte, [7] e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua terra.

_Contra os falsos prophetas._

9 Quanto aos prophetas, _já_ o meu coração _está_ quebrantado dentro de mim mesmo, [8] todos os meus ossos tremem; sou como um homem bebado, e como um homem vencido de vinho, por causa do Senhor, e por causa das palavras da sua sanctidade.

10 Porque a terra [9] está cheia de adulteros, e a terra chora por causa da maldição: os pastos do deserto se seccam; porque a sua carreira _é_ má, e a sua força não _é_ recta.

11 Porque [10] o propheta, assim como o sacerdote, _estão_ contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz o Senhor.

12 Portanto [11] o seu caminho lhes será como _uns_ escorregadouros na escuridão: serão repuxados, e cairão n’elle; [12] porque trarei sobre elles mal _no_ anno da sua visitação, diz o Senhor.

13 Nos prophetas de Samaria bem vi eu loucura: [13] prophetizavam da parte de Baal, e faziam errar o meu povo Israel.

14 Mas nos prophetas de Jerusalem vejo uma coisa horrenda: [14] commettem adulterios, e andam com falsidade, e esforçam as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; [15] teem-se tornado para mim como Sodoma, e os seus moradores como Gomorrah.

15 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos ácerca dos prophetas: Eis que lhes darei a comer alosna, [16] e os farei beber aguas de fel; porque dos prophetas de Jerusalem saiu a contaminação sobre toda a terra.

16 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Não deis ouvidos ás palavras dos prophetas, que vos prophetizam; fazem-vos esvaecer: [17] fallam a visão do seu coração, não da bocca do Senhor.

17 Dizem continuamente aos que me desprezam: O Senhor disse: [18] Paz tereis; e a qualquer que anda segundo o proposito do seu coração, dizem: [19] Não virá mal sobre vós.

18 Porque, [20] quem esteve no conselho do Senhor, e viu, e ouviu a sua palavra? quem esteve attento á sua palavra, e ouviu?

19 Eis que saiu com [21] indignação a tempestade do Senhor; e _uma_ tempestade penosa cairá cruelmente sobre a cabeça dos impios.

20 Não se desviará a [22] ira do Senhor, até que execute e cumpra os pensamentos do seu coração: [23] no fim dos dias entendereis isso claramente.

21 Não mandei [24] os prophetas, comtudo elles foram correndo: não lhes fallei a elles, comtudo elles prophetizaram.

22 Porém, [25] se estivessem no meu conselho, então fariam ouvir as minhas palavras ao meu povo, [26] e os fariam voltar do seu mau caminho, e da maldade das suas acções.

23 _Porventura sou_ eu Deus de perto, diz o Senhor, e não _tambem_ Deus de longe?

24 Esconder-se-hia [27] alguem em esconderijos, que eu não o veja? diz o Senhor; _porventura_ não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor.

25 Tenho ouvido o que dizem aquelles prophetas, prophetizando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.

26 Até quando _será isto_? ha pois _ainda sonho_ no coração dos prophetas que prophetizam mentiras? _são_, porém, prophetas do engano do seu coração;

27 Que cuidam que farão que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu companheiro, [28] assim como seus paes se esqueceram do meu nome por causa de Baal.

28 O propheta que tem _um_ sonho conte o sonho; e aquelle em quem _está_ a minha palavra, falle a minha palavra _com_ verdade. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor.

29 _Porventura_ a minha palavra não _é_ como o fogo, diz o Senhor, e como um martello _que_ esmiuça a penha?

30 Portanto, [29] eis que eu _sou_ contra os prophetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro.

31 Eis que eu _sou_ contra os prophetas, diz o Senhor, que usam de sua lingua, e dizem: _Assim_ o disse.

32 Eis que eu _sou_ contra os que prophetizam sonhos falsos, diz o Senhor, e os contam, [30] e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com as suas leviandades; e eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e não fizeram proveito nenhum a este povo, diz o Senhor.

33 Quando pois te perguntar este povo, ou qualquer propheta, ou sacerdote, [31] dizendo: Qual _é_ a carga do Senhor? Então lhe dirás: Que carga? Que vos deixarei, diz o Senhor.

34 E, quanto ao propheta, e ao sacerdote, e ao povo, que disser, Carga do Senhor, eu castigarei o tal homem e a sua casa.

35 Assim direis, cada um ao seu companheiro, e cada um ao seu irmão: Que respondeu o Senhor? e que fallou o Senhor?

36 Mas nunca mais vos lembrareis da carga do Senhor; porque a cada um lhe servirá de carga a sua _propria_ palavra; pois torceis as palavras do Deus vivo, do Senhor dos Exercitos, o nosso Deus.

37 Assim dirás ao propheta: Que te respondeu o Senhor, e que fallou o Senhor?

38 Mas, porquanto dizeis: Carga do Senhor; portanto assim o diz o Senhor: Porquanto dizeis esta palavra: Carga do Senhor, havendo-vos ordenado, dizendo: Não direis: Carga do Senhor;

39 Por isso, [32] eis que tambem eu me esquecerei totalmente de vós, e a vós, e á cidade que vos dei a vós e a vossos paes, arrancarei da minha face.

40 E porei sobre vós [33] perpetuo opprobrio, e eterna vergonha, que não será esquecida.

[1] cap. 10 e 22.22. Eze. 34.

[2] Exo. 32.34.

[3] cap. 32.37. Eze. 34.13, etc.

[4] cap. 3.15. Eze. 34.23, etc.

[5] Isa. 4.2 e 40.10, 11. cap. 33.14, 15, 16.

[6] cap. 32.37. cap. 33.16.

[7] Isa. 43.5, 9. ver. 3.

[8] Hab. 3.16.

[9] cap. 9.2. Ose. 4.2, 3. cap. 9.10 e 12.4.

[10] cap. 6.13 e 8.10. Sof. 3.4. cap. 7.30 e 11.15 e 32.34. Eze. 23.39.

[11] Pro. 4.19. cap. 13.16.

[12] cap. 11.23.

[13] cap. 2.8.

[14] cap. 29.23. ver. 26.

[15] Deu. 32.32. Isa. 1.9, 10.

[16] cap. 8.14 e 9.15.

[17] cap. 14.14. ver. 21.

[18] cap. 6.14 e 8.11. Eze. 13.10.

[19] Miq. 3.11.

[20] Job 15.8. I Cor. 2.16.

[21] cap. 25.32 e 30.23.

[22] cap. 30.24.

[23] Gen. 49.1.

[24] cap. 14.14 e 27.15 e 29.9.

[25] ver. 18.

[26] cap. 25.5.

[27] Amós 9.2, 3.

[28] Jui. 3.7 e 8.33, 34.

[29] Deu. 18.20. cap. 14.14, 15.

[30] Sof. 3.4.

[31] Mal. 1.1.

[32] Ose. 4.6.

[33] cap. 20.11.

_Mediante dois cestos de figos, o futuro do povo é revelado._

[Antes de Christo 606]

24 Fez-me o Senhor [1] ver, e eis aqui dois cestos de figos, postos diante do templo do Senhor, [2] depois que Nabucodonosor, rei de Babylonia, levou em captiveiro a Jechonias, filho de Joaquim, rei de Judah, e os principes de Judah, e os carpinteiros, e os ferreiros de Jerusalem, e os trouxe a Babylonia.

2 Um cesto _tinha_ figos muito bons, como os figos temporãos; porém o outro cesto _tinha_ figos muito maus, que não se podiam comer, de maus _que eram_.

3 E disse-me o Senhor: Que vês tu, Jeremias? _E_ eu disse: Figos: os figos bons, muito bons, e os maus, muito maus, que não se podem comer, de maus _que são_.

4 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:

5 Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Como a estes bons figos, assim _tambem_ conhecerei aos de Judah, levados em captiveiro; os quaes enviei d’este logar para a terra dos chaldeos, para _o seu_ bem.

6 Porei os meus olhos [3] sobre elles, para _o seu_ bem, e os voltarei a esta terra, e edifical-os-hei, e não os destruirei; e plantal-os-hei, e não os arrancarei.

7 E dar-lhes-hei coração [4] para que me conheçam, porque eu _sou_ o Senhor; e ser-me-hão por povo, e eu lhes serei por Deus; porque se converterão a mim de todo o seu coração.

8 E como [5] os figos maus, que se não podem comer, de maus _que são_ (porque assim diz o Senhor), assim usarei com Zedekias, rei de Judah, e com os seus principes, e com o resto de Jerusalem, que ficou de resto n’esta terra, [6] e com os que habitam na terra do Egypto.

9 E entregal-os-hei para que sejam um terror, [7] para mal a todos os reinos da terra, para o opprobrio e por proverbio, _e_ para escarneo, [8] e por maldição em todos os logares para onde os arrojei.

10 E enviarei entre elles a espada, a fome, e a peste, até que se consumam de sobre a terra que lhes dei a elles e a seus paes.

[1] Amós 7.1, 4 e 8.1.

[2] II Reis 24.12, etc. II Chr. 36.10. cap. 22.24, etc. e 29.2.

[3] cap. 12.15 e 32.41 e 33.7 e 42.10.

[4] Deu. 30.6. cap. 32.39. Eze. 11.19 e 36.26, 27. cap. 30.22 e 31.33 e 32.38. cap. 29.13.

[5] cap. 29.17.

[6] cap. 43 e 44.

[7] Deu. 28.25, 37. I Reis 9.7. I Chr. 7.20.

[8] cap. 29.18, 22.

_Os setenta annos do captiveiro, e depois a ruina de Babylonia e das outras nações._

25 A palavra que veiu a Jeremias ácerca de todo o povo de Judah no anno quarto [1] de Joaquim, filho de Josias, rei de Judah (que é o primeiro anno de Nabucodonozor, rei de Babylonia),

2 A qual fallou o propheta Jeremias a todo o povo de Judah, e a todos os habitantes de Jerusalem, dizendo:

3 Desde o [2] anno treze de Josias, filho de Ammon, rei de Judah, até este dia (que é o anno vinte e tres), veiu a mim a palavra do Senhor, [3] e vol-a fallei a vós, madrugando e fallando; porém não escutastes.

4 Tambem vos enviou o Senhor todos os seus servos, os prophetas, [4] madrugando e enviando-_os_ (porém não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir),

5 Dizendo: [5] Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da maldade das suas acções, e habitae na terra que vos deu o Senhor, e a vossos paes, de seculo em seculo;

6 E não andeis após deuses alheios para os servirdes, e para vos inclinardes diante d’elles, nem me provoqueis á ira com a obra de vossas mãos, para que vos não faça mal.

7 Porém não me déstes ouvidos, diz o Senhor, [6] para me provocardes á ira com a obra de vossas mãos, para vosso mal.

8 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: Porquanto não escutastes as minhas palavras,

9 Eis que eu enviarei, [7] e tomarei a todas as gerações do norte, diz o Senhor, [8] como tambem a Nabucodonozor, rei de Babylonia, meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e pôl-os-hei em espanto, [9] e em assobio, e em perpetuos desertos.

10 E farei perecer d’entre elles a voz de folguedo, [10] e a voz de alegria, a voz do esposo, e a voz da esposa, _como tambem_ o som das mós, e a luz do candieiro.

11 E toda esta terra virá a ser _um_ deserto e _um_ espanto: e estas nações servirão ao rei de Babylonia setenta annos.

12 Será, porém, que, [11] quando se cumprirem os setenta annos, _então_ visitarei sobre o rei de Babylonia, e sobre esta nação, diz o Senhor, a sua iniquidade, e sobre a terra dos chaldeos; [12] farei d’elles _uns_ desertos perpetuos.

13 E trarei sobre esta terra todas as minhas palavras, que fallei contra ella, _a saber_, tudo quanto _está_ escripto n’este livro, que prophetizou Jeremias contra todas estas nações.

14 Porque [13] tambem d’elles se servirão muitas nações e grandes reis: assim lhes pagarei segundo os seus feitos, e segundo as obras das suas mãos.

15 Porque assim me disse o Senhor, o Deus d’Israel: [14] Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber d’elle a todas as nações, ás quaes eu te enviarei.

16 Para que bebam [15] e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre elles.

17 E tomei o copo da mão do Senhor, e dei a beber a todas as nações, ás quaes o Senhor me tinha enviado:

18 A Jerusalem, e ás cidades de Judah, e aos seus reis, e aos seus principes, para fazer d’elles um deserto, [16] um espanto, um assobio, e uma maldição, como hoje _se vê_:

19 _Como tambem_ a Pharaó, [17] rei do Egypto, e a seus servos, e a seus principes, e a todo o seu povo;

20 E a [18] toda a mistura de gente, e a todos os reis da terra de Uz, e a todos os reis da terra dos philisteos, e a Asquelon, e a Gaza, e a Ecron, e ao resto de Asdod,

21 _E_ [19] a Edom, e a Moab, e aos filhos d’Ammon;

22 E a todos os reis de [20] Tyro, e a todos os reis de Sidon; e aos reis das ilhas que _estão_ d’alem do mar;

23 A Dedan, [21] e a Tema, e a Buz e a todos os que habitam nos ultimos [ZR] cantos _da terra_;

24 E a todos [22] os reis da Arabia, e todos os reis da mistura de gentes que habita no deserto;

25 E a todos os reis de Zimri, e a todos os reis d’Elam, [23] e a todos os reis da Media:

26 E a todos os reis do norte, os de perto, e os de longe, um com outro, e a todos os reinos da terra, [24] que estão sobre a face da terra, e o rei de Sheshach beberá depois d’elles.

27 Pois lhes dirás: Assim diz o Senhor dos Exercitos, o Deus d’Israel: Bebei, [25] e embebedae-vos, e vomitae, e cahi, e não torneis a levantar-vos, por causa da espada que eu enviarei entre vós.