A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 123

Chapter 1234,486 wordsPublic domain

[13] Isa. 5.1, etc. Joel 1.7. Mat. 21.19. Luc. 13.6, etc.

[14] cap. 4.5.

[15] cap. 9.15 e 23.15.

[16] cap. 14.19.

[17] cap. 4.15. Jui. 5.22. cap. 47.3.

[18] Isa. 39.3. Isa. 1.4.

[19] cap. 9.1 e 14.17. Joel 2.6.

[20] Gen. 37.25 e 43.11 e 51.8.

9 Oxalá a minha [1] cabeça se tornasse _em_ aguas, e os meus olhos n’uma fonte de lagrimas! então choraria de dia e de noite os mortos da filha do meu povo.

2 Oxalá tivesse no deserto _uma_ estalagem de caminhantes! então deixaria o meu povo, e me apartaria d’elle, [2] porque todos elles _são_ adulteros, _e_ um bando d’aleivosos.

3 E estendem [3] a sua lingua _como_ o seu arco, _para_ mentira; fortalecem-se na terra, porém não para verdade; porque se avançam de malicia em malicia, [4] e a mim me não conhecem, diz o Senhor.

4 Guardae-vos cada um [5] do seu amigo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, [6] e todo o amigo anda calumniando.

5 E zombará cada um do seu amigo, e não fallam a verdade: ensinam a sua lingua a fallar a mentira, andam-se cançando em obrar perversamente.

6 A tua habitação _está_ no meio do engano: com engano recusam conhecer-me, diz o Senhor.

7 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: [7] Eis que eu os fundirei e os provarei; porque, como _d’outra maneira_ faria com a filha do meu povo?

8 Uma frecha mortifera [8] _é_ a sua lingua, falla engano: com a sua bocca falla _de_ paz com o seu companheiro, mas no seu interior arma-lhe ciladas.

9 _Porventura_ [9] por estas coisas não os visitaria? diz o Senhor; ou não se vingaria a minha alma de gente tal como esta?

10 Sobre os montes levantarei choro e pranto, [10] e sobre as cabanas do deserto lamentação; porque _já_ estão queimadas, _e_ ninguem ha que passe _por ali_, nem ouçam berro de gado: [11] _já_ desde as aves dos céus, até ás bestas, andaram vagueando, _e_ fugiram.

11 E farei de Jerusalem [12] montões _de pedras_, morada de [ZE] dragões, e das cidades de Judah farei uma assolação, de sorte que não _haja_ habitante.

12 Quem _é_ o homem sabio, que entenda isto? e a quem fallou a bocca do Senhor, que o possa annunciar? porque razão pereceu a terra, e se queimou como deserto, sem que ninguem passe _por ella_.

13 E disse o Senhor: Porquanto deixaram a minha lei, que dei perante a sua face, e não deram ouvidos á minha voz, nem andaram conforme ella,

14 Antes andaram após [13] o proposito do seu coração, e após os baalins, [14] o que lhes ensinaram os seus paes,

15 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel: [15] Eis que darei de comer alosna a este povo, e lhe darei a beber agua de fel.

16 E os espalharei [16] entre nações, que não conheceram, nem elles nem seus paes, e mandarei a espada após elles, até que venha a consumil-os.

17 Assim diz o Senhor dos Exercitos: Considerae, [17] e chamae carpideiras que venham; e enviae por sabias, para que venham.

18 E se apressem, e levantem o _seu_ lamento sobre nós; [18] e desfaçam-se os nossos olhos em lagrimas, e as nossas palpebras se distillem em aguas.

19 Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: Como somos destruidos! estamos mui envergonhados, porque deixámos a terra, [19] porquanto transtornaram as nossas moradas.

20 Ouvi pois, vós, mulheres, a palavra do Senhor, e os vossos ouvidos recebam a palavra da sua bocca: e ensinae o pranto a vossas filhas, e cada uma á sua companheira a lamentação.

21 Porque _já_ a morte subiu pelas nossas janellas, e entrou em nossos palacios, [20] para exterminar os meninos das ruas e os mancebos das praças.

22 Falla: [21] Assim diz o Senhor: Até os cadaveres dos homens jazerão como esterco sobre a face do campo, e como gavela detraz do segador, e não ha quem a recolha.

23 Assim diz o Senhor: [22] Não se glorie o sabio na sua sabedoria, nem se glorie o valente na sua valentia; não se glorie o rico nas suas riquezas.

24 Mas [23] o que se gloriar glorie-se n’isto, em que _me_ entende e me conhece, que eu _sou_ o Senhor, que faço beneficencia, juizo e justiça na terra; [24] porque d’estas coisas me agrado, diz o Senhor.

25 Eis que veem dias, diz o Senhor, [25] e visitarei a todo o circumcidado [ZF] com o incircumciso.

26 Ao Egypto, e a Judah, e a Edom, e aos filhos d’Ammon, e a Moab, [26] e a todos os [ZG] que moram nos ultimos cantos _da terra_, que habitam no deserto; porque todas as nações _são_ incircumcisas, e toda a casa d’Israel _é_ incircumcisa de coração.

[1] Isa. 22.4. cap. 13.17 e 14.17. Lam. 2.11 e 3.48.

[2] cap. 5.7, 8.

[3] Isa. 59.4, 13, 15.

[4] Ose. 4.1.

[5] cap. 12.6.

[6] cap. 6.28.

[7] Mal. 3.3.

[8] ver. 3.

[9] cap. 5.9, 29.

[10] cap. 12.4. Ose. 4.3.

[11] cap. 4.25.

[12] Isa. 25.2. Isa. 13.22 e 34.13. cap. 10.22.

[13] cap. 3.17 e 7.24.

[14] Gal. 1.14.

[15] cap. 8.14 e 23.15. Lam. 3.15, 19.

[16] cap. 44.27. Eze. 5.2, 12.

[17] II Chr. 35.25. Ecc. 12.5. Amós 5.16.

[18] cap. 14.17.

[19] Lev. 18.28 e 20.22.

[20] cap. 6.11.

[21] cap. 8.2 e 16.4.

[22] Ecc. 9.11.

[23] I Cor. 1.31. II Cor. 10.17.

[24] Miq. 6.8 e 7.18.

[25] Rom. 2.8, 9.

[26] cap. 25.23 e 49.32. Eze. 44.7. Rom. 2.28, 29.

_Os idolos e o Senhor._

[Antes de Christo 608]

10 Ouvi a palavra que o Senhor vos falla a vós, ó casa d’Israel.

2 Assim diz o Senhor: [1] Não aprendaes o caminho das nações, nem vos espanteis dos signaes dos céus: porque com elles se atemorisam as nações.

3 Porque os estatutos dos povos _são_ vaidade: [2] pois corta-se do bosque um madeiro, obra das mãos do artifice, com machado;

4 Com prata e com oiro o enfeitam, [3] com pregos e com martelos o firmam, para que não se abale.

5 _São_ como a palma da obra magica, [4] porém não podem fallar; necessitam de ser levados _aos hombros_, porquanto não podem andar; não tenhaes temor d’elles, pois não podem fazer mal, nem tão pouco teem poder de fazer bem.

6 Pois ninguem [5] _ha_ similhante a ti, ó Senhor: tu _és_ grande, e grande o teu nome em força.

7 Quem [6] te não temeria a ti, ó Rei das nações? pois isto te compete a ti; porquanto entre todos os sabios das nações, e em todo o seu reino, não _ha_ similhante a ti.

8 Pois juntamente _todos_ se embruteceram [7] e vieram a enlouquecer: ensino de vaidades _é_ o madeiro.

9 Trazem prata estendida de Tarsis [8] e oiro d’Uphaz, _para_ obra do artifice, e das mãos do fundidor: _fazem_ seus vestidos d’azul celeste e purpura; obra de sabios _são_ todos elles.

10 Porém o Senhor Deus _é_ a verdade; elle mesmo _é_ o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem supportar a sua indignação.

11 Assim lhes direis: [9] Os deuses que não fizeram os céus e a terra perecerão da terra e de debaixo d’este céu.

12 _Elle é aquelle_ que [10] fez a terra com o seu poder, que estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua intelligencia estendeu os céus.

13 Dando elle a [11] _sua_ voz, _logo_ ha arroido de aguas no céu, e faz subir os vapores da extremidade da terra: faz os relampagos _juntamente_ com a chuva, e faz sair o vento dos seus thesouros.

14 Todo [12] o homem se embruteceu, e não tem sciencia; envergonha-se todo o fundidor da imagem d’esculptura; [13] porque sua imagem fundida mentira _é_, e não _ha_ espirito n’ellas.

15 Vaidade são, [14] obra d’enganos: no tempo da sua visitação virão a perecer.

16 Não _é_ similhante a estes a porção [15] de Jacob; porque elle _é_ o que o formou, e Israel _é_ a vara da sua herança: Senhor dos Exercitos é o seu nome.

17 Ajunta da terra a tua mercadoria, ó moradora na fortaleza.

18 Porque assim diz o Senhor: Eis que d’esta vez lançarei [16] _como_ com funda aos moradores da terra, e os angustiarei, para que venham a achal-_o_, _dizendo_:

19 Ai [17] de mim por causa do meu quebrantamento! a minha chaga _me_ causa grande dôr; e eu havia dito: Certamente enfermidade _é_ esta que poderei supportar.

20 _Já_ a minha tenda _está_ destruida, e todas as minhas cordas se romperam; _já_ os meus filhos sairam de mim, e não são; ninguem ha mais que estenda a minha tenda, nem que levante as minhas cortinas.

21 Porque os pastores se embruteceram, e não buscaram ao Senhor: por isso não prosperaram, e todos os seus gados se espalharam.

22 Eis que vem uma voz de fama, [18] grande tremor da terra do norte, para fazer das cidades de Judah uma assolação, uma morada de [ZH] dragões.

23 _Bem_ sei eu, ó Senhor, [19] que _não é_ do homem o seu caminho nem do homem que caminha o dirigir os seus passos.

24 Castiga-me, [20] ó Senhor, porém com medida, não na tua ira, para que me não reduzas a nada.

25 Derrama [21] a tua indignação sobre as nações que te não conhecem, e sobre as gerações que não invocam o teu nome; porque comeram a Jacob, [22] e o devoraram, e o consumiram, e assolaram a sua [ZI] morada.

[1] Lev. 18.3 e 20.23.

[2] Isa. 40.19, 20 e 44.9, 10, etc.

[3] Isa. 41.7.

[4] Hab. 2.19.

[5] Exo. 15.11.

[6] Apo. 15.4.

[7] Hab. 2.18. Zac. 10.2.

[8] Dan. 10.5.

[9] ver. 15. Isa. 2.16. Zac. 13.2.

[10] Gen. 1.1, 6, 9. cap. 51.15, etc. Job 9.8. Isa. 40.22.

[11] Job 38.34.

[12] cap. 51.17, 18. Pro. 30.2. Isa. 42.17 e 44.11 e 47.16.

[13] Hab. 2.18.

[14] ver. 11.

[15] cap. 51.19. Deu. 32.9.

[16] I Sam. 25.29. cap. 16.13.

[17] cap. 4.19 e 8.21.

[18] cap. 1.15 e 6.22.

[19] Pro. 20.24.

[20] cap. 30.11.

[21] Job 18.21. I The. 4.5. II The. 1.8.

[22] cap. 8.16.

_O pacto é violado._

11 A palavra que veiu a Jeremias, da parte do Senhor, dizendo:

2 Ouvi as palavras d’este concerto, e fallae aos homens de Judah, e aos habitantes de Jerusalem.

3 Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: [1] Maldito o homem que não escutar as palavras d’este concerto,

4 Que ordenei a vossos paes no dia em que os tirei da terra do Egypto, [2] da fornalha de ferro, dizendo: Dae ouvidos á minha voz, e fazei conforme tudo quanto vos mando; e vós me sereis a mim por povo, e eu vos serei a vós por Deus.

5 Para que confirme [3] o juramento que jurei a vossos paes de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como _é n_’este dia. Então eu respondi, e disse: Amen, ó Senhor.

6 E disse-me o Senhor: Apregoa todas estas palavras nas cidades de Judah, e nas ruas de Jerusalem, dizendo: [4] Ouvi as palavras d’este concerto, e fazei-as.

7 Porque devéras protestei a vossos paes, no dia em que os tirei da terra do Egypto, até ao dia de hoje, madrugando, [5] e protestando, e dizendo: Dae ouvidos á minha voz.

8 Porém não [6] ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, antes andaram cada um conforme o proposito do seu coração malvado: pelo que trouxe sobre elles todas as palavras d’este concerto que _lhes_ mandei que fizessem porém as não fizeram.

9 Disse-me mais o Senhor: [7] Uma conjuração se achou entre os homens de Judah, entre os habitantes de Jerusalem.

10 Tornaram [8] ás maldades de seus primeiros paes, que não quizeram ouvir as minhas palavras; e elles andaram após deuses alheios para os servir: a casa de Israel e a casa de Judah quebrantaram o meu concerto, que tinha feito com seus paes.

11 Portanto assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre elles, de que não poderão escapar, [9] e clamarão a mim e eu não os ouvirei.

12 Então irão as cidades de Judah e os habitantes de Jerusalem [10] e clamarão aos deuses a quem elles queimaram incenso, porém de nenhuma sorte os livrarão no tempo do seu mal.

13 Porque, [11] _segundo_ o numero das tuas cidades, foram os teus deuses, ó Judah! e, _segundo_ o numero das ruas de Jerusalem, pozestes altares á impudencia, altares para queimares incenso a Baal.

14 Tu, pois, não [12] ores por este povo, nem levantes por elles clamor nem oração; porque não _os_ ouvirei no tempo em que elles clamarem a mim, por causa do seu mal.

15 Que tem o meu amado na minha casa _que fazer_? pois muitos fazem _n’ella_ grande abominação [13] e _já_ as carnes sanctas se desviaram de ti: quando tu _fazes_ mal, então andas saltando de prazer.

16 Chamou o Senhor o teu nome oliveira verde, [14] formosa por especiosos fructos, _porém agora_ á voz d’um grande tumulto accendeu fogo ao redor d’ella, e se quebraram os seus ramos.

17 Porque o Senhor dos Exercitos, [15] que te plantou, pronunciou contra ti o mal, pela maldade da casa d’Israel e da casa de Judah, que fizeram entre si mesmos, para me provocarem á ira, queimando incenso a Baal.

_Conspiração contra Jeremias._

18 E o Senhor m’o fez saber, e _assim o_ soube: então me fizeste ver as suas acções.

19 E eu _era_ como um cordeiro, _como_ um boi que levam á matança; [16] porque não sabia que pensavam contra mim pensamentos, _dizendo_: Destruamos a arvore com o seu fructo, e cortemol-o da terra dos viventes, e não haja mais memoria do seu nome.

20 Mas, ó Senhor dos Exercitos, justo Juiz, que provas [17] os rins e o coração, veja eu a vingança _que tomarás_ d’elles; pois a ti descobri a minha causa.

21 Portanto assim diz o Senhor ácerca dos homens [18] d’Anathoth, que procuram a tua morte, dizendo: Não prophetizes no nome do Senhor, para que não morras ás nossas mãos.

22 Portanto assim diz o Senhor dos Exercitos: Eis que fareis visitação sobre elles: os mancebos morrerão á espada, os seus filhos e as suas filhas morrerão de fome.

23 E elles não terão um resto, porque farei vir o mal sobre os homens de Anathoth, _no_ anno da sua visitação.

[1] Deu. 27.26. Gal. 3.10.

[2] Deu. 4.20. I Reis 8.51. Lev. 26.3, 12. cap. 7.23.

[3] Deu. 7.12, 13.

[4] Rom. 2.13. Thi. 1.22.

[5] cap. 7.13, 25 e 35.15.

[6] cap. 7.26. cap. 3.17 e 7.24 e 9.14.

[7] Eze. 22.25.

[8] Eze. 20.18.

[9] Pro. 1.28. Isa. 1.15. cap. 14.12. Eze. 8.18. Miq. 3.4. Zac. 7.13.

[10] Deu. 32.37, 38.

[11] cap. 2.28.

[12] cap. 7.16 e 14.11. I João 5.16.

[13] Agg. 2.12, 13, 14. Tito 1.15.

[14] Rom. 11.17.

[15] Isa. 5.2. cap. 2.21.

[16] cap. 18.18.

[17] I Sam. 16.7. I Chr. 28.9. Apo. 2.23.

[18] cap. 12.5, 6. Isa. 30.10. Amós 2.12 e 7.13, 16.

12 Justo serias, ó Senhor, ainda que _eu_ contendesse contra ti: [1] comtudo fallarei comtigo _dos teus_ juizos. Porque prospera o caminho dos impios, _e_ vivem em paz todos os que commettem aleivosia aleivosamente?

2 Plantaste-os, arraigaram-se tambem, avançam, dão tambem fructo: [2] chegado _estás_ á sua bocca, porém longe dos seus rins.

3 Mas tu, ó Senhor, me conheces, _tu_ me vês, [3] e provas o meu coração para comtigo; arranca-os como a ovelhas para o matadouro, e dedica-os ao dia da matança.

4 Até [4] quando lamentará a terra, e se seccará a herva de todo o campo? pela maldade dos que habitam n’ella, perecem os animaes e as aves; porquanto dizem: Não verá o nosso ultimo fim.

5 Se corres com os homens de pé, fazem-te cançar; como pois competirás com os cavallos? se _tão sómente_ na terra de paz te confias, [5] como farás na enchente do Jordão?

6 Porque [6] até os teus irmãos, e a casa de teu pae, elles tambem se hão deslealmente contra ti; até os mesmos clamam após ti em altas _vozes_: [7] Não te fies n’elles, quando te fallarem coisas boas.

_O paiz é devastado. Prophecia contra os seus devastadores._

7 _Já_ desamparei a minha casa, abandonei a minha herança: entreguei a amada da minha alma na mão de seus inimigos.

8 Tornou-se-me a minha herança como leão em brenha: levantou a sua voz contra mim, por isso eu a aborreci.

9 A minha herança me é ave de varias côres; _andam_ as aves contra ella em redor: vinde, _pois_, ajuntae-vos todos os animaes do campo, [8] vinde a devoral-a.

10 Muitos pastores destruiram [9] a minha vinha, pisaram o meu campo: tornaram em deserto de assolação o meu campo desejado.

11 Em assolação [10] o tornaram, _e_ assolado clama a mim: toda a terra _está_ assolada, porquanto não ha nenhum que tome _isso_ a peito.

12 Sobre todos os logares altos do deserto vieram destruidores; porque a espada do Senhor devora desde um extremo da terra até _outro_ extremo da terra: não ha paz para nenhuma carne.

13 Semearam [11] trigo, e segaram espinhos; cançaram-se, _mas_ de nada se aproveitaram: envergonhae-vos pois em razão de vossas colheitas, _e_ por causa do ardor da ira do Senhor.

14 Assim diz o Senhor, ácerca de todos os meus maus visinhos, [12] que tocam a minha herança, a qual dei por herança ao meu povo Israel: Eis que os arrancarei da sua terra, e a casa de Judah arrancarei do meio d’elles.

15 E será que, depois [13] de os haver arrancado, tornarei, e me compadecerei d’elles, e os farei tornar cada um á sua herança, e cada um á sua terra.

16 E será que, se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, [14] jurando pelo meu nome, _dizendo_: Vive o Senhor, como ensinaram a meu povo a jurar por Baal, [15] edificar-se-hão no meio do meu povo.

17 Porém, se não quizerem [16] ouvir, totalmente arrancarei a tal nação, e a farei perecer, diz o Senhor.

[1] Job 21.7. Hab. 1.4. Mal. 3.15.

[2] Isa. 29.13. Mat. 15.8. Mar. 7.6.

[3] cap. 11.20. Thi. 5.5.

[4] cap. 23.10. Ose. 4.3. cap. 4.25 e 7.20 e 9.10. Ose. 4.3.

[5] Jos. 3.15. I Chr. 12.15. cap. 49.19 e 50.44.

[6] cap. 9.4.

[7] Pro. 26.25.

[8] Isa. 56.9. cap. 7.33.

[9] cap. 6.3. Isa. 5.1, 5 e 63.18.

[10] ver. 4. Isa. 42.25.

[11] Lev. 26.16. Deu. 28.38. Miq. 6.15. Agg. 1.6.

[12] Zac. 2.8. Deu. 30.3. cap. 32.37.

[13] Eze. 28.25.

[14] cap. 4.2.

[15] Eph. 2.20, 21. I Ped. 2.5.

[16] Isa. 60.12.

_O captiveiro é representado pelo symbolo d’um cinto de linho._

[Antes de Christo 602]

13 Assim me disse o Senhor: Vae, e compra um cinto de linho, e põe-n’o sobre os teus lombos, porém não o mettas na agua.

2 E comprei o cinto, conforme a palavra do Senhor, e o puz sobre os meus lombos.

3 Então veiu a palavra do Senhor a mim segunda vez, dizendo:

4 Toma o cinto que compraste, e trazes sobre os teus lombos, e levanta-te; vae ao Euphrates, e esconde-o ali na fenda d’uma rocha.

5 E fui, e escondi-o junto ao Euphrates, como o Senhor m’_o_ havia ordenado.

6 Succedeu pois, ao cabo de muitos dias, que me disse o Senhor: Levanta-te, vae ao Euphrates, e toma d’ali o cinto que te ordenei que o escondesses ali.

7 E fui ao Euphrates, e cavei, e tomei o cinto do logar onde o havia escondido: e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava.

8 Então veiu a mim a palavra do Senhor, dizendo:

9 Assim diz o Senhor: [1] Assim farei apodrecer a soberba de Judah, como tambem a muita soberba de Jerusalem.

10 Este _mesmo_ povo maligno, que recusa ouvir as minhas palavras, [2] que caminha segundo o proposito do seu coração, e anda após deuses alheios, para servil-os, e inclinar-se diante d’elles, será tal como este cinto, que para nada presta.

11 Porque, como o cinto _está_ pegado aos lombos do homem, assim eu fiz pegar a mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judah, diz o Senhor, para me serem por povo, e por [3] nome, e por louvor, e por gloria: porém não deram ouvidos.

12 Pelo que dize-lhes esta palavra: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Todo o odre se encherá de vinho: e dir-te-hão: _Porventura_ não sabemos mui bem que todo o odre se encherá de vinho?

13 Porém tu dize-lhes: Assim diz o Senhor: Eis que eu encherei de embriaguez [4] a todos os habitantes d’esta terra, e aos reis _da estirpe_ de David, que estão assentados sobre o seu throno, e aos sacerdotes, e aos prophetas, e a todos os habitantes de Jerusalem.

14 E fal-os-hei em pedaços um contra outro, e juntamente os paes com os filhos, diz o Senhor: não perdoarei nem pouparei, nem me apiedarei, para que os não destrua.

15 Escutae, e inclinae os ouvidos: não vos ensoberbeçaes; porque o Senhor disse.

16 Dae gloria [5] ao Senhor vosso Deus, antes que se faça vir a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; [6] e espereis a luz _e_ elle a mude em sombra de morte, e a reduza a escuridão.

17 E, se isto não ouvirdes, a minha alma chorará em logares occultos, por causa da _vossa_ soberba; [7] e amargosamente lagrimejará o meu olho, e se desfará em lagrimas, porquanto o rebanho do Senhor foi levado captivo.

18 Dize [8] ao rei e á rainha: Humilhae-vos, e assentae-vos no chão; porque _já_ caiu todo o ornato de vossas cabeças, a corôa de vossa gloria.

19 As cidades do sul estão fechadas, e ninguem _ha_ que _as_ abra: todo o Judah foi levado captivo, todo inteiramente foi levado captivo.

20 Levantae [9] os vossos olhos, e vêde os que veem do norte: onde _está_ o rebanho que se te deu, e as ovelhas da tua gloria?

21 Que dirás, quando [ZJ] vier a fazer visitação sobre ti, pois tu _já_ os ensinaste _a serem_ principes, e cabeça sobre ti? [10] _porventura_ não te tomarão as dôres, como á mulher que _está_ de parto?

22 Quando pois disseres no teu coração: [11] Porque me sobrevieram estas coisas? Pela multidão das tuas maldades se descobriram as tuas fraldas, e tem-se feito violencia aos teus calcanhares.

23 _Porventura_ mudará o ethiope a sua pelle, ou o leopardo as suas manchas? [ZK] assim podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal.

24 Pelo que os espalharei como o rastolho, [12] rastolho que passa com o vento do deserto.

25 Esta _será_ a tua sorte, a porção das tuas medidas _que terás_ de mim, diz o Senhor; pois te esqueceste de mim, e confiaste em mentiras.

26 Assim tambem [13] eu descobrirei as tuas fraldas _até_ sobre o teu rosto: e apparecerá a tua ignominia.

27 _Já_ vi as tuas abominações, e os teus adulterios, e os teus rinchos, [14] e a enormidade da tua fornicação sobre os outeiros [15] no campo; ai de ti, Jerusalem! não te purificarás? quanto ainda depois _d’isto esperarás_?

[1] Lev. 26.19.

[2] cap. 9.14 e 11.8 e 16.12.

[3] cap. 33.9.

[4] Isa. 51.17, 21 e 63.6. cap. 25.27 e 51.7.

[5] Jos. 7.19. Isa. 5.30. Amós 8.6.

[6] Isa. 59.9.

[7] cap. 9.1 e 14.17. Lam. 1.2, 16 e 2.18.

[8] II Reis 24.12.

[9] cap. 6.22.

[10] cap. 6.24.

[11] cap. 5.19 e 16.10. Isa. 47.2, 3. Eze. 16.37, 38, 39. Nah. 3.5.

[12] Ose. 13.3.

[13] Lam. 1.8. Eze. 16.37 e 23.29. Ose. 2.10.

[14] cap. 5.8.

[15] Isa. 65.7. cap. 2.20 e 3.2, 6. Eze. 6.13.

_Jeremias em vão intercede pelo povo._

[Antes de Christo 601]

14 A palavra do Senhor, que veiu a Jeremias, ácerca dos negocios da grande secca.

2 Anda chorando Judah, [1] e as suas portas _estão_ enfraquecidas: andam de luto até ao chão, e o clamor de Jerusalem vae subindo.

3 E os seus mais illustres enviam os seus pequenos por agua; veem ás cavas, _e_ não acham agua; voltam _com_ os seus vasos vazios; [2] envergonham-se e confundem-se, e cobrem as suas cabeças.

4 Por causa da terra que se fendeu, porque não ha chuva sobre a terra, os lavradores se envergonham _e_ cobrem as suas cabeças.

5 Porque até as cervas no campo parem, e deixam _seus filhos_, porquanto não ha herva.

6 E os jumentos montezes [3] se põem nos logares altos, sorvem o vento como os [ZL] dragões, desfallecem os seus olhos, porquanto não _ha_ herva.

7 Ainda que as nossas maldades testificam contra nós, ó Senhor, obra por amor do teu nome; porque as nossas rebeldias se multiplicaram; contra ti peccámos.

8 Ah! esperança [4] de Israel, e Redemptor seu no tempo da angustia! porque serias como _um_ estrangeiro na terra? e como _o_ viandante _que_ se retira a passar a noite?

9 Porque serias [5] como homem cançado, como valoroso _que_ não pode livrar? _já_ tu _estás_ no meio de nós, ó Senhor, e nós somos chamados pelo teu nome: não nos desampares.

10 Assim diz o Senhor, ácerca d’este povo: [6] _Pois que_ tanto amaram mover-se, _e_ não retiveram os seus pés, por isso o Senhor se não agrada d’elles, _mas_ agora se lembrará da sua maldade d’elles, e visitará os seus peccados.

11 Disse-me mais o Senhor: [7] Não rogues por este povo para bem.

12 Quando [8] jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando offerecerem holocaustos e offertas de manjares, não me agradarei d’elles; antes eu [9] os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste.

13 Então disse eu: [10] Ah! Senhor, Senhor, eis que os prophetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira n’este logar.

14 E disse-me o Senhor: [11] Os prophetas prophetizam falso no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes fallei: visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração elles vos prophetizam.