A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 116
[20] cap. 60.19, 20.
[21] cap. 11.4. II The. 2.8. cap. 8.8.
[22] cap. 2.3.
[23] cap. 29.6.
[24] cap. 28.2 e 32.19.
[25] cap. 37.36. cap. 10.5, 24.
[26] Jer. 7.31 e 19.6, etc.
31 Ai dos que [1] descem ao Egypto a _buscar_ soccorro, e se estribam em cavallos; e teem confiança em carros, porque _são_ muitos, e nos cavalleiros, porque são poderosissimos: [2] e não attentam para o Sancto d’Israel, e não buscam ao Senhor.
2 Todavia tambem elle _é_ sabio, e faz vir o mal, [3] e não retirou as suas palavras; e se levantará contra a casa dos malfeitores, e contra a ajuda dos que obram a iniquidade.
3 Porque os egypcios _são_ homens, e não Deus; e os seus cavallos carne, e não espirito; e o Senhor estenderá a sua mão, e dará comsigo em terra o auxiliador, e cairá o ajudado, e todos juntamente serão consumidos.
4 Porque assim me disse o Senhor: [4] Como o leão, e o cachorro do leão, ruge sobre a sua preza, ainda que se convoquem contra elle _uma_ multidão de pastores; não se espanta das suas vozes, nem se abate pela sua multidão: [5] assim o Senhor dos Exercitos descerá, para pelejar pelo monte de Sião, e pelo seu outeiro.
5 Como as aves [6] andam voando, assim o Senhor dos Exercitos amparará a Jerusalem: _e_, amparando, a livrará, e, passando, a salvará.
6 Convertei-vos _pois_ áquelle _contra quem_ os filhos d’Israel se rebellaram tão profundamente.
7 Porque n’aquelle dia cada um lançará [7] fóra os seus idolos de prata, e os seus idolos d’oiro, que vos fabricaram as vossas mãos para peccardes.
8 E a Assyria cairá pela espada, não de varão; e a espada, não de homem, a consumirá; e fugirá perante a espada, e os seus mancebos serão derrotados.
9 E de medo se passará [8] á sua rocha, e os seus principes se assombrarão da bandeira, diz o Senhor, cujo fogo _está_ em Sião e a sua fornalha em Jerusalem.
[1] cap. 30.2 e 36.6. Eze. 17.15. cap. 36.9.
[2] Dan. 9.13.
[3] Num. 23.19.
[4] Ose. 11.10. Amós 3.8.
[5] cap. 42.13.
[6] Deu. 32.11.
[7] cap. 2.20 e 30.22. I Reis 12.30.
[8] cap. 37.37.
32 Eis ahi está que reinará [1] um Rei em justiça, e dominarão os principes segundo o juizo.
2 E será _aquelle_ Varão como um esconderijo contra o vento, [2] e _um_ refugio contra a tempestade, como ribeiros d’aguas em logares seccos, _e_ como a sombra d’uma grande rocha em terra sedenta.
3 E os olhos dos que veem não olharão para [3] traz: e os ouvidos dos que ouvem estarão attentos.
4 E o coração dos imprudentes entenderá a sabedoria; e a lingua dos gagos estará prompta para fallar distinctamente.
5 Ao louco nunca mais se chamará liberal; e do avarento nunca _mais_ se dirá que é generoso.
6 Porque o louco falla louquices, e o seu coração obra a iniquidade, para usar d’hypocrisia, e para fallar erros contra o Senhor, para deixar vazia a alma do faminto, e fazer com que o sedento venha a ter falta de beber.
7 Tambem todos os instrumentos do avarento _são_ maus: elle maquina invenções malignas, para destruir os afflictos com palavras falsas, como tambem ao juizo, quando o pobre chega a fallar.
8 Mas o liberal projecta liberalidade, e pela liberalidade está em pé.
9 Levantae-vos, mulheres que estaes em repouso, _e_ ouvi a minha voz: _e_ vós, filhas, que estaes tão seguras, inclinae os ouvidos ás minhas palavras.
10 _Muitos_ dias de mais do anno vireis a ser turbadas, _ó filhas_ que estaes tão seguras; porque a vindima se acabará, e a colheita não virá.
11 Tremei vós que estaes em repouso, _e_ turbae-vos _vós_, _filhas_, que estaes tão seguras: despi-vos, e ponde-vos nuas, e cingi _com sacco_ os _vossos_ lombos.
12 Lamentar-se-ha sobre os peitos, sobre os campos desejaveis, _e_ sobre as vides fructuosas.
13 Sobre a terra [4] do meu povo virão espinheiros e sarças; como tambem sobre todas as casas de alegria, [5] _na_ cidade que anda pulando de prazer.
14 Porque [6] o palacio será desamparado, o arroido da cidade cessará: _e_ Ophel e as torres da guarda servirão de cavernas eternamente, para alegria dos jumentos montezes, _e_ para pasto dos gados;
15 Até que se derrame sobre nós o espirito [7] do alto: então o deserto se tornará em campo fertil, e o campo fertil será reputado por _um_ bosque.
16 E o juizo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fertil.
17 E o effeito [8] da justiça será paz, e a operação da justiça repouso e segurança, para sempre.
18 E o meu povo habitará em morada de paz, e em moradas bem seguras, e em logares quietos de descanço.
19 Mas, descendo ao bosque, [9] saraivará e a cidade se abaixará inteiramente.
20 Bemaventurados vós os que semeaes sobre todas as aguas: [10] _e_ para _lá_ enviaes o pé do boi e do jumento.
[1] Jer. 23.5. Zac. 9.9.
[2] cap. 4.6 e 25.4.
[3] cap. 29.18 e 35.5, 6.
[4] cap. 34.13. Ose. 9.6.
[5] cap. 22.2.
[6] cap. 27.10.
[7] Joel 2.28. cap. 29.17 e 35.2.
[8] Thi. 3.18.
[9] cap. 30.30. Zac. 11.2.
[10] cap. 30.24.
_Os inimigos do povo de Deus serão destruidos: Jerusalem será restaurada á sua gloria e felicidade._
33 Ai de ti [1] desolador, que não foste desolado, e que obras perfidamente _contra os_ que não obraram perfidamente contra ti! acabando tu de desolar, serás desolado: e, acabando tu de tratar perfidamente, se tratará perfidamente contra ti.
2 Senhor, tem misericordia de nós, [2] por ti temos esperado: sê tu o seu braço nas madrugadas, como tambem a nossa salvação no tempo da tribulação.
3 Á voz do arroido fugirão os povos: á tua exaltação as gentes serão dispersas.
4 Então ajuntar-se-ha o vosso despojo como se apanha o pulgão: como os gafanhotos saltam, ali saltará.
5 O Senhor está exalçado, pois habita _nas_ alturas: encheu a Sião de juizo e justiça.
6 E _será que_ a firmeza dos teus tempos, _e_ a força das _tuas_ salvações, será a sabedoria e a sciencia: _e_ o temor do Senhor _será_ o seu thesouro.
7 Eis-que os seus embaixadores estão clamando de fóra; _e_ os mensageiros de paz estão chorando amargamente.
8 As estradas estão desoladas, [3] cessam os que passam pelas veredas: desfaz a alliança, despreza as cidades, _e_ a homem nenhum estima.
9 A terra geme _e_ pranteia, o Libano se envergonha _e_ se murcha; Saron se tornou como _um_ deserto; e Basan e Carmelo foram sacudidos.
10 Agora _pois_ me levantarei, diz o Senhor: agora serei exaltado, agora serei posto em alto.
11 Concebestes [4] palha, parireis pragana: e o vosso espirito vos devorará _como_ fogo.
12 E os povos serão _como_ os incendios de cal: [5] _como_ espinhos cortados arderão no fogo.
13 Ouvi, [6] vós os que estaes longe, o que tenho feito: e vós, que estaes visinhos, conhecei o meu poder.
14 Os peccadores de Sião se assombraram, o tremor surprehendeu os hypocritas. Quem d’entre nós habitará com o fogo consumidor? quem d’entre nós habitará com as labaredas eternas?
15 O que [7] anda em justiça, e o que falla equidades; o que arremessa para longe de si o ganho de oppressões; o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir _ácerca de_ sangue [8] e fecha os seus olhos para não ver o mal,
16 Este habitará nas alturas, as fortalezas das rochas _serão_ o seu alto refugio, o seu pão se lhe dá, as suas aguas são certas.
17 Os teus olhos verão o Rei na sua formosura, _e_ verão a terra que está longe.
18 O teu coração considerará o assombro, _dizendo_: [9] Onde o escrivão, onde o [WE] pagador? onde o que conta as torres?
19 Não verás [10] _mais_ aquelle povo espantavel, povo de falla tão profunda, que não se pode perceber _e_ de lingua tão estranha que não se pode entender.
20 Olha [11] para Sião, a cidade das nossas solemnidades: os teus olhos verão a Jerusalem, habitação quieta, tenda que não será derribada, [12] cujas estacas nunca serão arrancadas, e de cujas cordas nenhuma se quebrará.
21 Mas o Senhor ali nos será grandioso, logar de rios _e_ correntes largas _será_: barco nenhum de remo passará por elles, nem navio grande navegará por elles.
22 Porque o Senhor _é_ o nosso Juiz: O Senhor _é_ o nosso Legislador: [13] O Senhor _é_ o nosso Rei, elle nos salvará.
23 As tuas cordas se affrouxaram: não poderam ter firme o seu mastro, _e_ vela não estenderam: então a preza d’abundantes despojos se repartirá; _e até_ os côxos roubarão a preza.
24 E morador nenhum dirá: Enfermo estou; _porque_ o povo que habitar n’ella _será_ absolto d’iniquidade.
[1] Hab. 2.8. Apo. 13.10.
[2] cap. 25.9.
[3] Jui. 5.6. II Reis 18.14, 15, 16, 17.
[4] cap. 59.4.
[5] cap. 9.18.
[6] cap. 49.1.
[7] Psa. 15.2.
[8] Psa. 119.37.
[9] I Cor. 1.20.
[10] Deu. 28.49, 50. Jer. 5.13.
[11] Psa. 48.13.
[12] cap. 54.2.
[13] Thi. 4.12.
34 Chegae-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, escutae: [1] ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz.
2 Porque a indignação do Senhor _está_ sobre todas as nações, e o _seu_ furor sobre todo o seu exercito: elle as destruiu totalmente, entregou-as á matança.
3 E os seus mortos serão arremeçados [2] e dos seus corpos subirá o seu fedor; e os montes se derreterão com o seu sangue.
4 E todo o exercito [3] dos céus se [WF] gastará, e os céus se enrolarão como um livro: [4] e todo o seu exercito cairá, como cae a folha da vide, e como cae _o figo_ da figueira.
5 Porque [5] a minha espada se embriagou nos céus: eis que sobre Edom descerá, e sobre o povo do meu anathema para juizo.
6 A espada do Senhor está cheia de sangue, está engordurada da gordura de sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; [6] porque o Senhor tem sacrificio em Bozra, e grande matança na terra de Edom.
7 E os unicornios descerão com elles, e os bezerros com os toiros: e a sua terra beberá sangue até se fartar, e o seu pó de gordura engordará.
8 Porque _será_ o dia da vingança [7] do Senhor, anno de retribuições pela porfia de Sião.
9 E os seus ribeiros [8] se tornarão em pez, e o seu pó em enxofre, e a sua terra em pez ardente.
10 Nem de noite nem de dia se apagará; [9] para sempre o seu fumo subirá: de geração em geração será assolada; de seculo em seculo ninguem passará por ella.
11 Mas o pelicano e a coruja a [10] possuirão, e o bufo e o corvo habitarão n’ella: porque estenderá sobre ella cordel de confusão e nivel de vaidade.
12 Os seus nobres (que já não ha n’ella) _ao_ reino chamarão; porém todos os seus principes não serão coisa nenhuma.
13 E nos seus palacios [11] crescerão espinhos, ortigas e cardos nas suas fortalezas; e será _uma_ habitação de dragões, _e_ sala para os filhos do avestruz.
14 E [WG] os cães bravos se encontrarão com [WH] os gatos bravos; e o [WI] demonio clamará ao seu companheiro: e os animaes nocturnos ali pousarão, e acharão logar de repouso para si.
15 Ali se aninhará a melroa e porá _os seus ovos_, e tirará os seus pintãos, e os recolherá debaixo da sua sombra: tambem ali os abutres se ajuntarão uns com os outros.
16 Buscae no livro [12] do Senhor, e lêde; nenhuma d’estas _coisas_ falhará, nem uma nem outra faltará; porque a minha propria bocca o ordenou, e o seu espirito mesmo as ajuntará.
17 Porque elle mesmo lançou as sortes por elles, e a sua mão lh’a repartiu com o cordel: para sempre a possuirão, de geração em geração habitarão n’ella.
[1] Deu. 32.1.
[2] Joel 2.20.
[3] Eze. 32.7, 8. Joel 2.31 e 3.15. Mat. 24.29. II Ped. 3.10. Apo. 6.14.
[4] cap. 14.12. Apo. 6.13.
[5] Jer. 46.10 e 49.7, etc. Mal. 1.4.
[6] cap. 63.1. Jer. 49.13. Sof. 1.7.
[7] cap. 63.4.
[8] Deu. 29.23.
[9] Apo. 14.11 e 18.18 e 19.3. Mal. 1.4.
[10] cap. 14.23. Sof. 2.14. Apo. 18.2.
[11] cap. 32.13. Ose. 9.6. cap. 13.21, etc.
[12] Mat. 3.16.
_A grandeza e gloria do reino do Messias._
35 O deserto [1] e os logares seccos se alegrarão d’isto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa.
2 Abundantemente florescerá, [2] e tambem se alegrará d’alegria e exultará; a gloria do Libano se lhe deu, o ornato do Carmelo e Saron: elles verão a gloria do Senhor, o ornato do nosso Deus.
3 Confortae [3] as mãos fracas, e esforçae os joelhos trementes.
4 Dizei aos turbados de coração: Confortae-vos, não temaes: eis-que o vosso Deus virá _a tomar_ vingança, _com_ pagos de Deus; elle virá, e vos salvará.
5 Então os olhos [4] dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão.
6 Então os coxos [5] saltarão como cervos, e a lingua dos mudos cantará; porque aguas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.
7 E a terra secca se tornará em tanques, e a terra sedenta em mananciaes d’aguas; [6] _e_ nas habitações em que jaziam os [WJ] dragões _haverá_ herva com cannas e juncos.
8 E ali haverá estrada e caminho, que se chamará o caminho sancto; [7] o immundo não passará por elle, mas _será_ para estes: os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão.
9 Ali não haverá leão, nem besta fera subirá a elle, nem se achará n’elle: porém _só_ os remidos andarão _por elle_.
10 E os resgatados do Senhor tornarão, [8] e virão a Sião com jubilo: e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças: gozo e alegria alcançarão, e _d’elles_ fugirá a tristeza e o gemido.
[1] cap. 55.12.
[2] cap. 32.15.
[3] Job 4.3, 4. Heb. 12.12.
[4] cap. 29.18 e 32.3, 4 e 42.7. João 9.6, 7. Mat. 11.5. Mar. 7.32, etc.
[5] Mat. 11.5 e 15.30 e 21.14. João 5.8, 9. Act. 3.2, etc. e 8.7 e 14.8, etc. cap. 32.4. Mat. 9.32, 33 e 12.22 e 15.30. João 7.38, 39.
[6] cap. 34.13.
[7] cap. 52.1. Joel 3.17. Apo. 21.27.
[8] cap. 51.11 e 65.19. Apo. 7.17 e 21.4.
_Senacherib cerca Jerusalem. A oração de Ezequias. O exercito dos assyrios é destruido._
[Antes de Christo 710]
36 E aconteceu [1] no anno decimo quarto do rei Ezequias que Senacherib, rei da Assyria subiu contra todas as cidades fortes de Judah, e as tomou.
2 Então o rei da Assyria enviou a Rabsaké, desde Lachis a Jerusalem, ao rei Ezequias com _um_ grande exercito, e parou junto ao cano _de agua_ do viveiro mais alto, junto ao caminho do campo do lavandeiro.
3 Então saiu a elle Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joah, filho d’Asaph, o chanceller.
4 E Rabsaké [2] lhes disse: Ora dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assyria: Que confiança _é_ esta, em que confias?
5 Bem podera eu dizer (porém palavra de labios é): Ha conselho e poder para a guerra: em quem _pois_ agora confias, que contra mim te rebellas?
6 Eis que confias n’aquelle [3] bordão de canna quebrada, _a saber_, no Egypto, o qual, se alguem se encostar n’elle lhe entrará pela mão, e lh’a furará: assim _é_ Pharaó, rei do Egypto, para com todos os que n’elle confiam.
7 Porém se me disseres: No Senhor, nosso Deus, confiamos; _porventura_ não _é_ este aquelle cujos altos e cujos altares Ezequias tirou, e disse a Judah e a Jerusalem: Perante este altar vos inclinareis?
8 Ora, pois, dá agora refens ao meu senhor, o rei da Assyria, e dar-te-hei dois mil cavallos, se tu poderes dar cavalleiros para elles.
9 Como pois farias que se torne o rosto a um só principe dos minimos servos do meu senhor? porém tu confias no Egypto, por causa dos carros e cavalleiros.
10 Agora, pois, subi eu _porventura_ sem o Senhor contra esta terra, para destruil-a? O Senhor _mesmo_ me disse: Sobe contra esta terra, e destroe-a.
11 Então disse Eliakim, e Sebna, e Joah, a Rabsaké: Pedimos-_te que_ falles aos teus servos em syriaco, porque _bem_ o entendemos, e não nos falles em judaico, aos ouvidos do povo que _está_ em cima do muro.
12 Porém Rabsaké disse: _Porventura_ mandou-me o meu senhor _só_ ao teu senhor e a ti, para fallar estas palavras? _e_ não antes aos homens que estão assentados em cima do muro, para que comam comvosco o seu esterco, e bebam a sua urina?
13 Rabsaké pois se poz em pé, e clamou em alta voz em judaico, e disse: Ouvi as palavras do grande rei, do rei da Assyria.
14 Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar.
15 Nem tão pouco Ezequias vos faça confiar no Senhor, dizendo: Infallivelmente nos livrará o Senhor, _e_ esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assyria.
16 Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assyria: Contratae comigo por presentes, e sahi a mim, [4] e comei vós cada um _da_ sua vide, _e_ da sua figueira, e bebei cada um da agua da sua cisterna;
17 Até que eu venha, e vos leve para _uma_ terra como a vossa: terra de trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas.
18 Não vos engane Ezequias, dizendo: O Senhor nos livrará. _Porventura_ os deuses das nações livraram cada um a sua terra das mãos do rei da Assyria?
19 Onde _estão_ os deuses d’Hamath e d’Arpad? onde _estão_ os deuses de Sepharvaim? _porventura_ livraram a Samaria da minha mão?
20 Quaes _são_ elles, d’entre todos os deuses d’estas terras, os que livraram a sua terra das minhas mãos, para que o Senhor livrasse a Jerusalem das minhas mãos?
21 Porém elles se calaram, e palavra nenhuma lhe responderam; porque havia mandado do rei, dizendo: Não lhe respondereis.
22 Então Eliakim, filho d’Hilkias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joah, filho d’Asaph, o chanceller, vieram a Ezequias, com os vestidos rasgados, e lhe fizeram saber as palavras de Rabsaké.
[1] II Reis 18.13, 17. II Chr. 32.1.
[2] II Reis 18.19, etc.
[3] Eze. 29.6, 7.
[4] Zac. 3.10.
37 E aconteceu [1] que, tendo-o ouvido o rei Ezequias, rasgou os seus vestidos, e se cobriu de sacco, e entrou na casa do Senhor.
2 Então enviou a Eliakim, o mordomo, e a Sebna, o escrivão, e aos anciãos dos sacerdotes, cobertos de saccos, a Isaias, filho d’Amós, o propheta.
3 E disseram-lhe: Assim diz Ezequias: Este dia _é_ dia d’angustia e de vituperação, e de blasphemias; porque chegados são os filhos ao parto, e força não _ha_ para parir.
4 _Porventura_ o Senhor teu Deus ouvirá as palavras de Rabsaké, a quem enviou o seu senhor, o rei da Assyria, para affrontar o Deus vivo, e para vituperal-o com as palavras que o Senhor teu Deus tem ouvido: faze oração pelo resto que _ainda_ se acha.
5 E os servos do rei Ezequias vieram a Isaias.
6 E Isaias lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o Senhor: Não temas á vista das palavras que ouviste, com as quaes os servos do rei da Assyria me blasphemaram.
7 Eis que metterei n’elle _um_ espirito, e elle ouvirá _um_ arroido, e voltará para a sua terra; e fal-o-hei cair morto á espada na sua terra.
8 Voltou pois Rabsaké, e achou ao rei da Assyria pelejando contra Libna; porque ouvira que _já_ se havia retirado de Lachis.
9 E, ouvindo elle dizer que Tirhaká, rei da Ethiopia, tinha saido para lhe fazer guerra, assim como o ouviu, _tornou_ a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo:
10 Assim fallareis a Ezequias, rei de Judah, dizendo: Não te engane o teu Deus, em quem confias, dizendo: Jerusalem não será entregue na mão do rei da Assyria.
11 Eis que _já_ tens ouvido o que fizeram os reis da Assyria a todas as terras, destruindo-as totalmente: e escaparias tu?
12 _Porventura_ as livraram os deuses das nações ás quaes meus paes destruiram, _como_ a Gozan, e a Haran, e a Reseph, e aos filhos d’Eden, que _estavam_ em Telassar?
13 Onde _está_ o rei [2] d’Hamath, e o rei d’Arpad, e o rei da cidade de Sepharvaim, Hena e Iva?
14 Recebendo pois Ezequias as cartas das mãos dos mensageiros, e lendo-as, subiu á casa do Senhor e Ezequias as estendeu perante o Senhor.
15 E orou Ezequias ao Senhor, dizendo:
16 Ó Senhor dos Exercitos, Deus d’Israel, que habitas entre os cherubins; tu mesmo, só tu _és_ Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra.
17 Inclina, [3] ó Senhor, o teu ouvido, e ouve: abre, Senhor, os teus olhos, e olha; e ouve todas as palavras de Senacherib, o qual enviou para affrontar o Deus vivo.
18 Verdade é, Senhor, que os reis da Assyria assolaram todas as terras, com as suas comarcas,
19 E lançaram no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, senão obra de mãos d’homens, madeira e pedra; por isso os destruiram.
20 Agora pois, ó Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão; e _assim_ saberão todos os reinos da terra, que só tu _és_ o Senhor.
21 Então Isaias, filho d’Amós, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus d’Israel: Quanto ao que me pediste ácerca de Senacherib, rei da Assyria,
22 Esta _é_ a palavra que o Senhor fallou d’elle: A virgem, a filha de Sião, te despreza, de ti zomba; a filha de Jerusalem menea a cabeça por detraz de ti.
23 A quem affrontaste e blasphemaste? e contra quem alçaste a voz, e ergueste os teus olhos ao alto? Contra o Sancto d’Israel.
24 Por meio de teus servos affrontaste o Senhor, e disseste: Com a multidão dos meus carros subi eu aos cumes dos montes, aos lados do Libano; e cortarei os seus altos cedros e as suas faias escolhidas, e entrarei na altura do seu cume, ao bosque do seu campo fertil.
25 Eu cavei, e bebi as aguas; e com as plantas de meus pés sequei todos os rios do Egypto.
26 _Porventura_ não ouviste que _já_ muito d’antes eu fiz isto, e _já_ desde os dias antigos o formei? agora _porém_ o fiz vir, para que tu fosses o que destruisses as cidades fortes, e as reduzisses a montões assolados.
27 Por isso os seus moradores, com as mãos caidas, andaram atemorisados e envergonhados: eram _como_ a herva do campo, e a hortaliça verde, _e_ o feno dos telhados, e o trigo queimado antes da seara.
28 Porém eu sei o teu assentar, e o teu sair, e o teu entrar, e o teu furor contra mim.
29 Por causa do teu furor contra mim, e porque o teu tumulto subiu até aos meus ouvidos, [4] portanto porei o meu anzol no seu nariz e o meu freio nos teus beiços, e te farei voltar pelo caminho por onde vieste.
30 E isto te _seja_ por signal, _que_ este anno se comerá o que de si mesmo nascer, e no segundo anno o que d’ahi proceder: porém no terceiro anno semeae e segae, e plantae vinhas, e comei os fructos d’ellas.
31 Porque o que escapou da casa de Judah, e ficou de resto, tornará a lançar raizes para baixo, e dará fructo para cima.
32 Porque de Jerusalem sairá o restante, e do monte de Sião o que escapou: [5] o zelo do Senhor dos Exercitos fará isto.
33 Pelo que assim diz o Senhor ácerca do rei da Assyria: Não entrará n’esta cidade, nem lançará n’ella frecha _alguma_: tão pouco virá perante ella _com_ escudo, nem levantará contra ella tranqueira _alguma_.
34 Pelo caminho por onde vier, por esse voltará; porém n’esta cidade não entrará, diz o Senhor.
35 Porque eu ampararei [6] a esta cidade, para a livrar, por amor de mim e por amor do meu servo David.
36 Então saiu [7] o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assyrios a cento e oitenta e cinco mil _d’elles_; e, levantando-se pela manhã cedo, eis que tudo eram corpos mortos.
37 Assim Senacherib, rei da Assyria, se retirou, e se foi, e voltou, e se ficou em Ninive.
38 E succedeu que, estando elle prostrado na casa de Nisroch, seu deus, Adramelech e Sarezer, seus filhos, o feriram á espada; porém elles se escaparam para a terra d’Ararat, e Esarhaddon, seu filho, reinou em seu logar.
[1] II Reis 19.1, etc.
[2] Jer. 49.23.
[3] Dan. 9.18.
[4] cap. 30.28. Eze. 38.4.
[5] II Reis 19.31. cap. 9.7.
[6] II Reis 20.6. cap. 38.6.
[7] II Reis 19.35.
_A doença de Ezequias e a sua cura maravilhosa._
38 N’aquelles dias [1] Ezequias adoeceu d’_uma_ enfermidade mortal: e veiu a elle Isaias, filho d’Amós, o propheta, e lhe disse: Assim diz o Senhor: [2] Ordena a tua casa, porque morrerás, e não viverás.
2 Então virou Ezequias o seu rosto para a parede; e orou ao Senhor.
3 E disse: Ah Senhor, [3] lembra-te, te peço, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o _que era_ recto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitissimo.
4 Então veiu a palavra do Senhor a Isaias, dizendo:
5 Vae, e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de David teu pae: Ouvi a tua oração, _e_ vi as tuas lagrimas; eis que accrescento sobre os teus dias quinze annos.
6 E livrar-te-hei das mãos do rei da Assyria, a ti, e a esta cidade, [4] e ampararei a esta cidade.
7 E isto te _será_ por [5] signal da parte do Senhor de que o Senhor cumprirá esta palavra que fallou.
8 Eis que farei tornar a sombra dos graus, que declinou com o sol pelos graus _do relogio_ d’Achaz dez graus atraz. Assim tornou o sol dez graus _atraz_, pelos graus que já tinha descido.