A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 114

Chapter 1144,314 wordsPublic domain

3 Toma conselho, faze juizo, põe a tua sombra no pino do meio-dia como a noite; esconde os desterrados, _e_ não descubras os vagueantes.

4 Habitem entre ti os meus desterrados, ó Moab: serve-lhes de refugio perante a face do destruidor; porque o oppressor tem fim; a destruição é desfeita, _e_ os atropelladores _já_ são consumidos sobre a terra.

5 Porque [3] o throno se confirmará em benignidade, e sobre elle no tabernaculo de David em verdade se assentará um que julgue, e busque o juizo, e se apresse á justiça.

6 _Já_ ouvimos a [4] soberba de Moab, que é soberbissimo: a sua altivez, e a sua soberba, e o seu furor; [5] [VG] os seus ferrolhos não são tão _seguros_.

7 Portanto Moab [6] uivará por Moab; todos uivarão: gemereis pelos fundamentos de Kir-hareseth, pois já _estão_ quebrados.

8 Porque [7] _já_ os campos d’Hesbon enfraqueceram, _como tambem_ a vide de Sibma; _já_ os senhores das nações atropellaram as suas melhores plantas; vão chegando a Jazer; andam vagueando pelo deserto: os seus renovos se estenderam _e já_ passaram além do mar.

9 Pelo que prantearei, [8] com o pranto de Jazer, a vide de Sibma; regar-te-hei com as minhas lagrimas, [9] ó Hesbon e Eleale; porque _já_ o jubilo dos teus fructos de verão e da tua sega caiu.

10 Assim que _já_ se tirou o folguedo e a alegria [10] do fertil campo, e _já_ nas vinhas se não canta, nem jubilo algum se faz: _já_ o pisador não pisará as uvas nos lagares; _já_ fiz cessar o jubilo.

11 Pelo que minhas entranhas fazem ruido [11] por Moab como harpa, e o meu interior por Kirheres.

12 E será _que_, quando virem que _já_ Moab está cançado [12] nos altos, então entrará no seu sanctuario a orar, porém nada alcançará.

13 Esta _é_ a palavra que fallou o Senhor desde então contra Moab.

14 Porém agora fallou o Senhor, dizendo: Dentro em tres annos (taes quaes os annos [13] de jornaleiros), então se virá a envilecer a gloria de Moab, com toda a _sua_ grande multidão; e o residuo _será_ pouco, pequeno _e_ impotente.

[1] II Reis 3.4.

[2] Num. 21.13.

[3] Dan. 7.14, 27. Miq. 4.7. Luc. 1.33.

[4] Jer. 48.29. Sof. 2.10.

[5] cap. 28.15.

[6] Jer. 48.20. II Reis 3.25.

[7] cap. 24.7. ver. 9.

[8] Jer. 48.32.

[9] cap. 15.4.

[10] cap. 24.8. Jer. 48.33.

[11] cap. 15.5. Jer. 48.36.

[12] cap. 15.2.

[13] cap. 21.16.

_Prophecia contra Damasco e Ephraim._

[Antes de Christo 714]

17 Pezo [1] de Damasco. Eis que Damasco será tirada, e mais não será cidade, antes será _um_ montão de ruinas.

2 As cidades d’Aroer _serão_ desamparadas: hão de ser para os rebanhos que se deitarão [2] sem que alguem os espante.

3 E a fortaleza [3] d’Ephraim cessará, como tambem o reino de Damasco e o residuo da Syria; serão como a gloria dos filhos de Israel, diz o Senhor dos Exercitos.

4 E será n’aquelle dia que ficará attenuada a gloria de Jacob, e a gordura da sua carne se emmagrecerá.

5 Porque será [4] como o segador que colhe a ceara e com o seu braço sega as espigas: _e_ será tambem como o que colhe espigas no valle de Rephaim.

6 Porém ainda ficarão [5] n’elle _alguns_ rabiscos, como no sacudir da oliveira, _em que só_ duas _ou_ tres azeitonas _ficam_ na mais alta ponta dos ramos, _e_ quatro _ou_ cinco em seus ramos fructiferos, diz o Senhor Deus d’Israel.

7 N’aquelle dia attentará [6] o homem para o seu Creador, e os seus olhos olharão para o Sancto d’Israel.

8 E não attentará para os altares, obra das suas mãos, nem _tão pouco_ olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as imagens do sol.

9 N’aquelle dia serão as suas cidades fortes como [VH] plantas desamparadas, e _como_ os mais altos ramos, os quaes vieram a deixar por causa dos filhos d’Israel, e haverá assolação.

10 Porquanto te esqueceste do Deus da tua salvação, e não te lembraste da rocha da tua fortaleza: pelo que _bem_ plantarás plantas formosas, e as cercarás de sarmentos estranhos.

11 _E_ no dia em que as plantares _as_ farás crescer, e pela manhã farás que a tua semente brote: _porém_ sómente será um montão do segado no dia da enfermidade e das dôres insoffriveis.

_Prediz-se a ruina do exercito dos assyrios._

12 Ai da multidão dos grandes povos que bramam como bramem os mares, [7] e do rugido das nações que rugem como rugem as impetuosas aguas.

13 _Bem_ rugirão as nações, como rugem as muitas aguas, porém reprehendel-o-ha e fugirá para longe; [8] e será afugentado como a pragana dos montes diante do vento, e como a bola diante do tufão.

14 No tempo da tarde eis que _ha_ pavor, _mas_ antes que amanheça _já_ não apparece: esta _é_ a parte d’aquelles que nos despojam, e a sorte d’aquelles que nos saqueiam.

[1] Jer. 49.23. Amós 1.3. Zac. 9.1. II Reis 16.9.

[2] Jer. 7.33.

[3] cap. 7.16 e 8.4.

[4] Jer. 51.33.

[5] cap. 24.13.

[6] Miq. 7.7.

[7] Jer. 6.23.

[8] Ose. 13.3.

_A destruição dos assyrios é annunciada á Ethiopia._

18 Ai da terra [1] [VI] que ensombreia com as suas azas, que _está_ alem dos rios [VJ] da Ethiopia,

2 Que envia embaixadores por mar, e em navios de junco sobre as aguas, dizendo: Ide, mensageiros ligeiros, [2] á nação arrastada e pellada, a _um_ povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; a _uma_ nação [VK] de regra em regra e de atropellar, cuja terra [VL] despojam os rios.

3 Vós, todos os habitadores do mundo, e vós os moradores da terra, [3] quando se arvorar a bandeira _nos_ montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, _o_ ouvireis.

4 Porque assim me disse o Senhor: Estarei quieto, olhando desde a minha morada, como o ardor resplandecente depois da chuva, como a nuvem do orvalho no ardor da sega.

5 Porque antes da sega, quando _já_ o gomo está perfeito, e as uvas verdes amadurecem _depois_ de brotarem, então podará os sarmentos com a podoa, e, cortando os ramos, _os_ tirará d’_ali_.

6 Juntamente serão deixados ás aves dos montes e aos animaes da terra: e sobre elles passarão o verão as aves de _rapina_, e todos os animaes da terra invernarão sobre elles.

7 N’aquelle tempo trará _um_ presente [4] ao Senhor dos exercitos o povo arrastado e pellado, e o povo terrivel desde o seu principio e d’ahi em diante; uma nação de regra em regra e d’atropellar, cuja terra despojam os rios, ao logar do nome do Senhor dos exercitos, ao monte de Sião.

[1] cap. 20.4, 5. Eze. 30.4, 5, 9. Sof. 2.12 e 3.10.

[2] ver. 7.

[3] cap. 5.26.

[4] cap. 16.1. Sof. 3.10. Mal. 1.11.

_Prophecia contra o Egypto._

19 Pezo [1] do Egypto. Eis que o Senhor vem cavalgando n’uma nuvem ligeira, e virá ao Egypto: [2] e os idolos do Egypto serão movidos perante a sua face, e o coração dos egypcios se derreterá no meio d’elles.

2 Porque farei [3] com que os egypcios se levantem contra os egypcios, e cada um pelejará contra o seu irmão, e cada um contra o seu proximo, cidade contra cidade, reino contra reino.

3 E o espirito dos egypcios se esvaecerá no seu interior, e [VM] destruirei o seu conselho: [4] então consultarão aos _seus_ idolos, e encantadores, e adivinhos e magicos.

4 E entregarei [5] os egypcios nas mãos de um senhor duro, e um rei rigoroso dominará sobre elles, diz o Senhor, o Senhor dos Exercitos.

5 E farão perecer [6] as aguas do mar, e o rio se esgotará e seccará.

6 Tambem aos rios farão apodrecer _e_ os esgotarão [7] e farão seccar [VN] as correntes das cavas: as canas e os juncos se murcharão.

7 [VO] A relva junto ao rio, junto ás ribanceiras dos rios, e tudo o semeado junto ao rio, se seccará, ao longe se lançará, e _mais_ não subsistirá.

8 E os pescadores gemerão, e suspirarão todos os que lançam anzol ao rio, e os que estendem rede sobre as aguas desfallecerão.

9 E envergonhar-se-hão os que trabalham em linho fino, e os que tecem panno branco.

10 E _juntamente com_ os seus fundamentos [VP] serão quebrantados todos os que fazem _por_ pago viveiros de prazer.

11 Na verdade loucos _são_ os principes de Zoan, [8] o conselho dos sabios conselheiros de Pharaó se embruteceu: como pois a Pharaó direis: _Sou_ filho dos sabios, filho dos antigos reis?

12 Onde [9] _estão_ agora os teus sabios? notifiquem-te agora, ou informem-se sobre o que o Senhor dos Exercitos determinou contra o Egypto.

13 Loucos se tornaram os principes de Zoan, [10] enganados estão os principes de Noph: elles farão errar o Egypto, aquelles que são a pedra de esquina das suas tribus.

14 _Já_ o Senhor derramou no meio d’elle _um_ perverso [11] espirito, e fizeram errar o Egypto em toda a sua obra, como o bebado _quando_ se revolve no seu vomito.

15 E não aproveitará ao Egypto obra _nenhuma_ que possa fazer a [12] cabeça, a cauda, o ramo, ou o junco.

16 N’aquelle tempo os egypcios serão como mulheres, [13] e tremerão e temerão por causa do movimento da mão do Senhor dos Exercitos, que ha de mover contra elles.

17 E a terra de Judah será _um_ espanto para os egypcios, _e_ quem d’isso fizer menção se assombrará de si mesmo, por causa do conselho do Senhor dos Exercitos, que determinou contra elles.

18 N’aquelle tempo haverá cinco cidades na terra do Egypto que fallem a lingua de Canaan e façam juramento ao Senhor dos Exercitos: e uma se chamará: Cidade de destruição.

19 N’aquelle tempo o Senhor [14] terá _um_ altar no meio da terra do Egypto, e _um_ titulo ao Senhor, arvorado junto do seu termo.

20 E servirá de signal [15] e de testemunho ao Senhor dos Exercitos na terra do Egypto, porque ao Senhor clamarão por causa dos oppressores, e elle lhes enviará _um_ Redemptor e _um_ Protector, que os livre.

21 E o Senhor se fará conhecer aos egypcios, e os egypcios conhecerão ao Senhor n’aquelle dia, [16] e servirão _com_ sacrificios e offertas, e votarão votos ao Senhor, e _os_ pagarão.

22 E ferirá o Senhor aos egypcios, e os curará: e converter-se-hão ao Senhor, e mover-se-ha ás suas orações, e os curará;

23 N’aquelle [17] dia haverá estrada do Egypto até á Assyria, e os assyrios virão ao Egypto, e os egypcios á Assyria: e os egypcios servirão com os assyrios ao Senhor.

24 N’aquelle dia Israel será o terceiro com os egypcios e os assyrios, _uma_ benção no meio da terra.

25 Porque o Senhor dos Exercitos os abençoará, dizendo: Bemdito _seja_ o meu povo do Egypto e Assyria, [18] a obra de minhas mãos, e Israel a minha herança.

[1] Jer. 46.13. Eze. 29 e 30.

[2] Exo. 12.12. Jer. 43.12.

[3] Jui. 7.22. I Sam. 14.16, 20. II Chr. 20.23.

[4] cap. 8.19.

[5] cap. 20.4. Jer. 46.26. Eze. 29.19.

[6] Jer. 51.36. Eze. 30.12.

[7] II Reis 19.24.

[8] Num. 13.22.

[9] I Cor. 1.20.

[10] Jer. 2.16.

[11] I Reis 22.22. cap. 29.10.

[12] cap. 9.14.

[13] Jer. 51.30. Nah. 3.13.

[14] Jos. 22.10, 26, 27.

[15] Jos. 4.20 e 22.27.

[16] Mal. 1.11.

[17] cap. 11.16.

[18] cap. 29.23. Eph. 2.10.

_Prophecia symbolica do captiveiro dos egypcios e dos ethiopes._

20 No anno em que [1] veiu Tartan a Asdod, enviando-o Sargon, rei da Assyria, e guerreou contra Asdod, e a tomou;

2 No mesmo tempo fallou o Senhor pelo ministerio d’Isaias, filho d’Amós, dizendo: [2] Vae, solta o sacco de teus lombos, e descalça os teus sapatos dos teus pés. E assim o fez, indo nú e descalço.

3 Então disse o Senhor: Assim como anda o meu servo Isaias, nú e descalço, [3] _por_ signal e prodigio _de_ tres annos sobre o Egypto e sobre a Ethiopia,

4 Assim o rei da Assyria levará _em captiveiro_ os presos do Egypto, e os captivados da Ethiopia, assim moços como velhos, nús e descalços, [4] e descobertas as nadegas _para_ vergonha dos egypcios.

5 E assombrar-se-hão, [5] e envergonhar-se-hão, por causa dos ethiopes, para quem attentavam, como tambem dos egypcios, sua gloria.

6 Então dirão os moradores d’esta ilha n’aquelle dia: Olhae que tal _foi_ aquelle, para quem attentavamos, a quem nos acolhemos por soccorro, para nos livrarmos da face do rei da Assyria! como pois escaparemos nós?

[1] II Reis 18.17.

[2] I Sam. 19.24. Miq. 1.8.

[3] cap. 3.18.

[4] II Sam. 10.4. Jer. 13.22, 26.

[5] II Reis 18.21. cap. 30.3, 5, 7 e 36.6.

_Predicção da queda de Babylonia._

21 Pezo do deserto _da banda_ do mar. [1] Como os tufões de vento passam por meio _da terra_ do sul, _assim_ do deserto virá, da terra horrivel.

2 Visão dura se notificou: o perfido trata perfidamente, [2] e o destruidor anda destruindo: sobe, [3] ó Elam, sitía, ó médo, _que já_ fiz cessar todo o seu gemido.

3 Pelo que [4] os meus lombos estão cheios de grande enfermidade, angustias se apoderaram de mim como as angustias da que pare: _já_ me encurvo de ouvir, e estou espantado de ver.

4 O meu coração anda errado, espavorece-me o horror: _e_ o crepusculo, que desejava, [5] me tornou em tremores.

5 Põe a mesa, vigia na atalaia, come, bebe: levantae-vos, principes, _e_ untae o escudo.

6 Porque assim me disse o Senhor: Vae, põe _uma_ sentinella, _e_ que diga o que vir.

7 E viu [6] um carro com um par de cavalleiros, um carro de jumentos, _e_ um carro de camelos, e attentou attentamente com grande attenção.

8 E clamou: Um leão _vejo_, Senhor, [7] sobre a atalaia de vigia estou em pé continuamente de dia, e sobre a minha guarda me ponho noites inteiras.

9 E eis agora vem um carro de homens, _e_ cavalleiros aos pares. Então respondeu e disse: [8] Caída é Babylonia, caída é! e todas as imagens de esculptura dos seus deuses quebrantou contra a terra.

10 Ah malhada [9] minha, e trigo da minha eira! o que ouvi do Senhor dos Exercitos, Deus de Israel, isso vos notifiquei.

_Prophecia contra Duma._

11 Pezo [10] de Duma. Dão-me gritos de Seir: Guarda, que houve de noite? guarda, que houve de noite?

12 _E_ disse o guarda: Vem a manhã, e tambem a noite; se quereis perguntar, perguntae; tornae-vos, _e_ vinde.

_Prophecia contra Arabia._

13 Pezo contra Arabia. Nos bosques de Arabia passareis a noite, ó viandantes de Dedanim.

14 Sahi ao encontro dos sequiosos com agua: os moradores da terra de Tema com o seu pão encontraram os que fugiam.

15 Porque fogem de diante das espadas, de diante da espada nua, e de diante do arco armado, e de diante do pezo da guerra.

16 Porque assim me disse o Senhor: [11] Ainda dentro d’um anno, como os annos de jornaleiro, será arruinada toda a gloria de Kedar.

17 E os residuos do numero dos frecheiros, os valentes dos filhos de Kedar, serão diminuidos, porque _assim_ o disse o Senhor, Deus de Israel.

[1] Zac. 9.14.

[2] cap. 33.1.

[3] Jer. 49.34.

[4] cap. 13.8.

[5] Deu. 28.67.

[6] ver. 9.

[7] Hab. 2.1.

[8] Jer. 51.8. Apo. 14.8 e 18.2. cap. 46.1. Jer. 50.2 e 51.44.

[9] Jer. 51.33.

[10] I Chr. 1.30. Eze. 35.2.

[11] cap. 16.4.

_Quadro prophetico do cerco de Jerusalem._

[Antes de Christo 712]

22 Pezo do valle da visão. Que tens agora, que toda tu subiste aos telhados?

2 Tu, cheia de arroidos, cidade turbulenta, [1] cidade que salta de alegria, os teus mortos não _foram_ mortos á espada, nem morreram na guerra.

3 Todos os teus principes juntamente fugiram, os frecheiros os amarraram: todos os que em ti se acharam, foram amarrados juntamente, e fugiram de longe.

4 Portanto digo: Virae de mim a vista, _e_ chorarei amargamente: [2] não _vos_ canceis mais em consolar-me pela destruição da filha do meu povo.

5 Porque [3] _é um_ dia d’alvoroço, e de atropellamento, e de confusão da parte do Senhor Jehovah dos Exercitos, no valle da visão: _dia_ de derribar o muro e de gritar até ao monte.

6 Porque _já_ Elam [4] tomou a aljava, _já_ o homem está no carro, _tambem_ ha cavalleiros: e Kir descobre os escudos.

7 E será que os teus mais formosos valles se encherão de carros, e os cavalleiros se porão em ordem ás portas.

8 E descobrirá a coberta de Judah, [5] e n’aquelle dia olharás para as armas da casa do bosque.

9 E vereis [6] as roturas da cidade de David, porquanto _já_ são muitas, e ajuntareis as aguas do viveiro de baixo.

10 Tambem contareis as casas de Jerusalem, e derribareis as casas, para fortalecer os muros.

11 Fareis tambem [7] _uma_ cova entre ambos os muros para as aguas do viveiro velho, porém não olhastes acima para o que fez isto, nem considerastes o que o formou desde a antiguidade.

12 E o Senhor, o Senhor dos Exercitos chamará n’aquelle [8] dia ao choro, e ao pranto, e á rapadura da cabeça, e ao cingidouro do sacco.

13 Porém eis aqui gozo e alegria, matando-se vaccas e degolando-se ovelhas, comendo-se carne, e bebendo-se vinho, _e dizendo-se_: [9] Comamos e bebamos, porque ámanhã morreremos.

14 Mas [10] o Senhor dos Exercitos se manifestou nos meus ouvidos, _dizendo_: _Vivo eu_, que esta maldade não vos será [VQ] perdoada até que morraes, diz o Senhor Jehovah dos Exercitos.

_Sebna é degradado; Eliakim é exaltado._

15 Assim diz o Senhor Jehovah dos Exercitos: Anda _e_ vae-te com este thesoureiro, com Sebna, o mordomo, _e dize-lhe_:

16 Que é o que tens aqui? ou a quem tens tu aqui, que te lavrasses aqui sepultura? [11] _como_ o que lavra em logar alto a sua sepultura _e_ debuxa na penha _uma_ morada para si.

17 Eis que o Senhor _d’aqui_ te transportará do transporte de varão, e de todo te cobrirá.

18 Certamente te fará rodar, como se faz rodar a bola em terra larga _e_ espaçosa: ali morrerás, e ali _acabarão_ os carros da tua gloria, ó opprobrio da casa do teu Senhor.

19 E rejeitar-te-hei do teu estado, e te repuxará do teu assento.

20 E será n’aquelle dia que chamarei a meu servo Eliakim [12] filho d’Hilkias.

21 E vestil-o-hei da tua tunica, e esforçal-o-hei com o teu talabarte, e entregarei nas suas mãos o teu dominio, e será como pae para os moradores de Jerusalem, e para a casa de Judah.

22 E porei a chave da casa de David sobre o seu hombro, [13] e abrirá, e ninguem fechará, e fechará, e ninguem abrirá.

23 E pregal-o-hei _como_ a um [14] prego n’um logar firme, e será como _um_ throno de honra para a casa de seu pae.

24 E n’elle pendurarão toda a honra da casa de seu pae, dos renovos e dos descendentes, _como tambem_ todos os vasos menores, desde os vasos das taças até todos os vasos dos odres.

25 N’aquelle dia, diz o Senhor dos Exercitos, o prego pregado em logar firme será tirado: e será cortado, e cairá, e a carga que n’elle está se cortará, porque o Senhor o disse.

[1] cap. 32.13.

[2] Jer. 9.1.

[3] cap. 37.3.

[4] Jer. 49.35. cap. 15.1.

[5] I Reis 7.2 e 10.17.

[6] II Reis 20.20. II Chr. 32.4, 5, 30.

[7] Neh. 3.16.

[8] Joel 1.13. Esd. 9.3. cap. 15.2. Miq. 1.10.

[9] cap. 56.12. I Cor. 15.32.

[10] cap. 5.9. I Sam. 3.14.

[11] Mat. 27.60.

[12] II Reis 18.18.

[13] Job 12.14. Apo. 3.7.

[14] Esd. 9.8.

_A ruina e restauração de Tyro._

[Antes de Christo 715]

23 Pezo [1] de Tyro. Uivai, navios de Tharsis, porque _já_ assolada está até _n’ella_ casa nenhuma mais ficar _e n’ella_ ninguem mais entrar: desde a terra de Chittim lhes foi _isto_ revelado.

2 Calae-vos, moradores da ilha, vós a quem encheram os mercadores de Sidon, navegando pelo mar.

3 E a sua provisão _era_ a semente de Sichor, _que vinha_ com as muitas aguas da sega do rio, e era a feira das nações.

4 Envergonha-te, ó Sidon, porque _já_ o mar, a fortaleza do mar, falla, dizendo: Eu não tive dôres de parto, nem pari, nem ainda creei mancebos, _nem_ eduquei donzellas.

5 Como com as novas do Egypto, assim haverá dôres quando se ouvirem _as_ de Tyro.

6 Passae a Tharsis: uivae, moradores da ilha.

7 _É_ esta _porventura_ [2] a vossa _cidade_ que andava pulando de alegria? cuja antiguidade _é_ dos dias antigos? _pois_ leval-a-hão os seus proprios pés para longe andarem a peregrinar.

8 Quem formou este designio contra Tyro, a coroadora? cujos mercadores _são_ principes _e_ cujos negociantes os mais nobres da terra?

9 O Senhor dos Exercitos formou este designio para profanar a soberba de todo o ornamento, _e_ envilecer os mais nobres da terra.

10 Passa-te como rio pela tua terra, ó filha de Tharsis, _pois_ já não ha precinta.

11 A sua mão estendeu sobre o mar, e turbou os reinos: o Senhor deu mandado contra Canaan, que se destruissem as suas fortalezas.

12 E disse: [3] Nunca mais pularás de alegria, ó opprimida donzella, filha de Sidon: levanta-te, passa a Chittim, e ainda ali não terás descanço.

13 Vêde a terra dos chaldeos, ainda este povo não era povo; a Assyria o fundou para os que moravam no deserto: levantaram as suas fortalezas, e edificaram os seus paços; _porém_ a arruinou de todo.

14 Uivae, [4] navios de Tharsis, porque _já_ é destruida a vossa força.

15 E será n’aquelle dia que Tyro será posta em esquecimento por setenta annos, como os dias d’um rei: _porém_ no fim de setenta annos haverá em Tyro _cantigas_, como a cantiga d’_uma_ prostituta.

16 Toma a harpa, rodeia a cidade, ó prostituta entregue ao esquecimento; toca bem, canta e repete a aria, para que haja memoria de ti.

17 Porque será no fim de setenta annos que o Senhor visitará a Tyro, e se tornará á sua ganancia de prostituta, e fornicará com todos os reinos da terra que ha sobre a face da terra.

18 E o seu commercio e a sua ganancia de prostituta será [5] consagrado ao Senhor; não se enthesourará, nem se fechará; mas o seu commercio será para os que habitam perante o Senhor, para que comam até se saciarem, e tenham vestimenta duravel.

[1] Jer. 25.22 e 47.4. Eze. 26 e 27 e 28. Amós 1.9. Zac. 9.2, 4. ver. 12.

[2] cap. 22.2.

[3] Apo. 18.22. ver. 1.

[4] ver. 1. Eze. 27.25, 30.

[5] Zac. 14.20, 21.

_Predicção do castigo dos israelitas, e o seu bom effeito. A promessa de livramento e da ruina dos seus inimigos. Cantico de louvor pela misericordia de Deus._

[Antes de Christo 712]

24 Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face, e espalha os seus moradores.

2 E assim como fôr o povo, [1] assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; [2] como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura.

3 De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor pronunciou esta palavra.

4 A terra pranteia _e_ se murcha: o mundo enfraquece e se murcha: enfraquecem os mais altos do povo da terra.

5 Porque a terra [3] está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e aniquilam a alliança eterna.

6 Por isso [4] a maldição consome a terra; e os que habitam n’ella serão desolados; por isso serão queimados os moradores da terra, e poucos homens ficarão de resto.

7 Pranteia o mosto, [5] enfraquece a vida; _e_ suspirarão todos os alegres de coração.

8 _Já_ cessou o folguedo [6] dos tamboris, acabou o arruido dos que pulam de prazer, _e_ descançou a alegria da harpa.

9 Com cantares não beberão vinho; a bebida forte será amarga para os que a beberem.

10 _Já_ demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguem já pode entrar.

11 Um lastimoso clamor por causa do vinho _se ouve_ nas ruas: toda a alegria se escureceu, _já_ se desterrou o gozo da terra.

12 Desolação ainda ficou de resto na cidade, e com estalidos se quebra a porta.

13 Porque assim será no interior da terra, _e_ no meio d’estes povos, [7] como a sacudidura da oliveira, _e_ como os rabiscos, quando está acabada a vindima.

14 Estes alçarão a sua voz, _e_ cantarão com alegria; _e_ por causa da gloria do Senhor exultarão desde o mar.

15 Por isso glorificae ao Senhor nos valles, [8] _e_ nas ilhas do mar ao nome do Senhor Deus d’Israel.

16 Dos ultimos fins da terra ouvimos psalmos _para_ gloria do Justo; porém _agora_ digo eu: Emmagreço, emmagreço, ai de mim! [9] os perfidos tratam perfidamente, e com perfidia tratam os perfidos perfidamente.

17 O temor, e a cova, e o laço _veem_ sobre ti, [10] ó morador da terra.

18 E será que aquelle que fugir da voz do temor cairá na cova, e o que subir da cova o laço o prenderá; [11] porque _já_ as janellas do alto se abrem, e os fundamentos da terra tremerão.

19 De todo será quebrantada a terra, [12] de todo se romperá a terra, _e_ de todo se moverá a terra.

20 De todo balanceará [13] a terra como o bebado, e será movida e removida como a choça de noite; e a sua transgressão se aggravará sobre ella, e cairá, e nunca mais se levantará.

21 E será que n’aquelle dia o Senhor visitará os exercitos do alto na altura, e os reis da terra sobre a terra.