A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 111

Chapter 1114,412 wordsPublic domain

8 Porém se o homem viver muitos annos, _e_ em todos elles se alegrar, tambem se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos, _e_ tudo quanto succedeu é vaidade.

9 Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e [4] anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos: sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juizo.

10 Afasta pois a ira do teu coração, [5] e remove da tua carne o mal, porque a adolescencia e a juventude _são_ vaidade.

[1] Isa. 32.20. Pro. 19.17. Mat. 10.42. II Cor. 9.8. Gal. 6.9, 10.

[2] Luc. 6.30. I Tim. 6.18, 19. Miq. 5.5. Eph. 5.16.

[3] João 3.8.

[4] cap. 12.14. Rom. 2.6-11.

[5] II Cor. 7.1. II Tim. 2.22.

_A mocidade deve preparar-se para a velhice e morte._

12 Lembra-te [1] do teu Creador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os annos dos quaes venhas a dizer: [2] Não tenho n’elles contentamento:

2 Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrellas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;

3 No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os fortes varões, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janellas;

4 E as duas portas da rua se fecharem por causa do baixo ruido da moedura, e se levantar á voz das aves, [3] e todas as vozes do canto se encurvarem:

5 Como tambem _quando_ temerem os _logares_ altos, e _houver_ espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto o carregar, e perecer o appetite, porque o homem se vae á sua [TG] eterna casa, [4] e os pranteadores andarão rodeando pela praça.

6 Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo d’oiro, e se despedace o cantaro junto á fonte, e se despedace a roda junto ao poço,

7 E o pó voltar [5] á terra, como o era, e o espirito voltar a Deus, que o deu.

8 Vaidade de vaidade, diz o prégador, tudo _é_ vaidade.

9 E, quanto mais o prégador foi sabio, tanto mais sabedoria ao povo ensinou, e attentou, e esquadrinhou, [6] e compoz muitos proverbios.

_Todo o dever do homem consiste em temer a Deus e em guardar os seus mandamentos._

10 Procurou o prégador achar palavras agradaveis; e o escripto _é_ a rectidão, palavras de verdade.

11 As palavras dos sabios _são_ como aguilhões, e como pregos, bem affixados _pelos_ mestres das congregações, _que_ nos foram dados pelo unico Pastor.

12 E, de mais d’isto, filho meu, attenta: não _ha_ limite para [TH] fazer livros, e o muito estudar [7] enfado _é_ da carne.

13 De tudo o que se tem ouvido, o fim da coisa _é_: [8] Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto _é o dever de_ todo o homem.

14 Porque [9] Deus ha de trazer a juizo toda a obra, e _até_ tudo o que está encoberto, quer _seja_ bom quer _seja_ mau.

[1] Pro. 22.6. Lam. 3.27.

[2] II Sam. 19.35.

[3] II Sam. 19.35.

[4] Job 17.13. Jer. 9.17.

[5] Gen. 3.19. Job 34.15. cap. 3.21. Job 34.14. Isa. 57.16. Zac. 12.1.

[6] I Reis 4.32.

[7] cap. 1.18.

[8] Deu. 6.2 e 10.12.

[9] cap. 11.9. Mat. 12.36. Act. 17.30, 31. Rom. 2.16 e 14.10, 12. I Cor. 4.5. II Cor. 5.10.

CANTARES DE SALOMÃO.

_A esposa anhela pelo seu esposo._

[Antes de Christo 1014]

1 Cantico de canticos, que _é_ de Salomão.

2 Beije-me elle com os beijos da sua bocca; porque melhor _é_ o teu amor do que o vinho.

3 Para [1] cheirar _são_ bons os teus unguentos, _como o_ unguento derramado o teu nome _é_; por isso as virgens te amam.

4 Leva-me tu, correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recamaras: em ti nos regozijaremos e nos alegraremos: do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho: os rectos te amam.

5 Morena _sou_, porém aprazivel, ó filhas de Jerusalem, como as tendas de Kedar, como as cortinas de Salomão.

6 Não olheis para o eu ser morena; porque o sol resplandeceu sobre mim: os filhos de minha mãe se indignaram contra mim, pozeram-me por guarda de vinhas; a minha vinha que me _pertence_ não guardei.

7 Dize-me, ó _tu_, a quem a minha alma ama: Onde apascentas o teu _rebanho_, onde _o_ recolhes pelo meio-dia: pois por que razão seria eu como a que se cobre ao pé dos rebanhos de teus companheiros?

8 Se tu _o_ não sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sae-te pelas pizadas das ovelhas, e apascenta [TI] as tuas cabras junto ás moradas dos pastores.

9 Ás eguas dos carros de Pharaó te comparo, [2] ó amiga minha.

10 Agradaveis são as tuas [3] faces entre _os teus_ enfeites, o teu pescoço com os collares.

11 Enfeites d’oiro te faremos, com bicos de prata.

12 Emquanto o rei _está assentado_ á sua mesa, dá o meu nardo o seu cheiro.

13 O meu amado é para mim um ramalhete de myrrha, morará entre os meus peitos.

14 _Um_ [TJ] cacho de Chypre nas vinhas d’Engedi é para mim o meu amado.

15 Eis que _és_ formosa, [4] ó amiga minha, eis que _és_ formosa: os teus olhos _são_ como os das pombas.

16 Eis que _és_ gentil e agradavel, ó amado meu; o nosso leito _é_ viçoso.

17 As traves da nossa casa _são_ de cedro, as nossas varandas de cypreste.

[1] Phi. 3.12, 13, 14. João 14.2. Eph. 2.6.

[2] cap. 2.2, 10, 13 e 4.1, 7 e 5.2 e 6.4. João 15.14, 15. II Chr. 1.16, 17.

[3] Eze. 16.11, 12, 13.

[4] cap. 4.1 e 5.12.

2 Eu _sou_ a rosa de Saron, o lyrio dos valles.

2 Qual o lyrio entre os espinhos, tal _é_ a minha amiga entre as filhas.

3 Qual a macieira entre as arvores do bosque, tal _é_ o meu amado entre os filhos: desejo muito a sua sombra, e _debaixo d’ella_ me assento; [1] e o seu fructo _é_ doce ao meu paladar.

4 Levou-me á [TK] sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.

5 Sustentae-me com passas, esforçae-me com maçãs, porque desfalleço d’amor.

6 A [2] sua _mão_ esquerda _esteja_ debaixo da minha cabeça, e a sua _mão_ direita me abrace.

7 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, pelas [TL] corças e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o _meu_ amor, até que queira.

8 _Esta é_ a voz do meu amado: eil-o ahi, _que já_ vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.

9 O meu amado [4] _é_ similhante ao corço, ou ao filho do veado: eis que está detraz da nossa parede, olhando pelas janellas, reluzindo pelas grades.

10 O meu amado responde e me diz: Levanta-te, [5] amiga minha, formosa minha, e vem.

11 Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou, _e_ se foi:

12 As flores se mostram na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola se ouve em nossa terra:

13 A figueira brotou os seus figuinhos, e as vides em flor dão o _seu_ cheiro: [6] levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem.

14 Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no occulto das ladeiras, mostra-me a tua face, [7] faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz _é_ doce, e a tua face aprazivel.

15 Tomae-nos [8] as raposas, as raposinhas, que fazem mal ás vinhas, porque as nossas vinhas _estão_ em flor.

16 O meu amado [9] _é_ meu, e eu _sou_ d’elle: elle apascenta o seu rebanho entre os lyrios.

17 Até [10] que sopre o dia, e fujam as sombras, [11] volta, amado meu: faze-te similhante á corça ou ao filho dos veados sobre os montes de Bether.

[1] Apo. 22.1, 2.

[2] cap. 8.3.

[3] cap. 3.5 e 8.4.

[4] ver. 17.

[5] ver. 13.

[6] ver. 10.

[7] cap. 8.13.

[8] Eze. 13.4. Luc. 13.32.

[9] cap. 6.3 e 7.10.

[10] cap. 4.6.

[11] ver. 9. cap. 8.14.

3 De noite [1] busquei em minha cama a quem a minha alma ama: busquei-o, e não o achei.

2 Levantar-me-hei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei a quem ama a minha alma: busquei-o; e não o achei.

3 Acharam-me [2] os guardas, que rondavam pela cidade: _eu lhes perguntei_: Vistes a quem ama a minha alma?

4 Apartando-me eu um pouco d’elles, logo achei a quem ama a minha alma: agarrei-me a elle, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na camara d’aquella que me gerou.

5 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, pelas corças e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o _meu_ amor, até que queira.

_O cortejo nupcial. O esposo exprime o seu amor pela esposa._

6 Quem _é_ esta [4] que sobe do deserto, como _umas_ columnas de fumo, perfumada de myrrha, de incenso, e de toda a _sorte_ de pós do especieiro?

7 Eis que é a cama de Salomão; sessenta valentes _estão_ ao redor d’ella, dos valentes d’Israel:

8 Todos armados d’espadas, dextros na guerra: cada um com a sua espada á coxa por causa dos temores nocturnos.

9 O rei Salomão fez para si um [TM] thalamo de madeira do Libano.

10 Fez-lhe as columnas _de_ prata, o estrado d’oiro, o assento _de_ purpura, o interior [TN] coberto com o amor das filhas de Jerusalem.

11 Sahi, ó filhas de Sião, e contemplae ao rei Salomão com a corôa com que o coroou sua mãe no dia do seu desposorio e no dia do jubilo do seu coração.

[1] Isa. 26.9.

[2] cap. 5.7.

[3] cap. 2.7 e 8.4.

[4] cap. 8.5.

4 Eis que [1] _és_ formosa, amiga minha, eis que _és_ formosa: os teus olhos _são como os_ das pombas entre as tuas tranças: o teu cabello _é_ como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gilead.

2 Os [2] teus dentes _são_ como o rebanho das _ovelhas_ tosquiadas, que sobem do lavadouro, e todas ellas produzem gemeos, e nenhuma _ha_ esteril entre ellas.

3 Os teus labios _são_ como _um_ fio d’escarlate, e o teu fallar _é_ doce: [3] a fonte da tua cabeça como _um_ pedaço de romã [TO] entre as tuas tranças.

4 O teu pescoço [4] _é_ como a torre de David, edificada para pendurar armas: mil escudos pendem d’ella, todos rodellas de valorosos.

5 Os teus dois peitos [5] _são_ como dois filhos gemeos da corça, que se apascentam entre os lyrios.

6 Até [6] que sopre o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da myrrha e ao outeiro do incenso.

7 Tu _és_ toda formosa, [7] amiga minha, e em ti não _ha_ mancha.

8 _Vem_ comigo do Libano, ó esposa, comigo do Libano vem: olha desde o cume de Amana, [8] desde o cume de Senir e de Hermon, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos.

9 Tiraste-me o coração, irmã minha, ó esposa: tiraste-me o coração com um dos teus olhos, com um collar do teu pescoço.

10 Que bellos _são_ os teus amores, irmã minha! oh esposa minha! quanto melhores _são_ os teus amores [9] do que o vinho! e o cheiro dos teus unguentos do que _o de_ todas as especiarias!

11 Favos de mel _estão_ manando dos teus labios, [10] ó esposa! mel e leite estão debaixo da tua lingua, e o cheiro dos teus vestidos _é_ como o cheiro do Libano.

12 Jardim fechado _és_ tu, irmã minha, esposa minha, manancial fechado, fonte sellada.

13 Os teus renovos _são um_ pomar de romãs, com fructos excellentes, o cypreste com o nardo,

14 O nardo, e o açafrão, o calamo, e a canella, com toda a sorte d’arvores d’incenso, a myrrha e aloes, com todas as principaes especiarias.

15 És a fonte [11] dos jardins, poço das aguas vivas, que correm do Libano!

16 Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul: assopra no meu jardim, _para que_ distillem os seus aromas: ah! se viesse o meu amado para o seu jardim, e comesse os seus fructos excellentes!

[1] cap. 1.15 e 5.12.

[2] cap. 6.6.

[3] cap. 6.7.

[4] cap. 7.4.

[5] Pro. 5.19. cap. 7.3.

[6] cap. 2.17.

[7] Eph. 5.27.

[8] Deu. 3.9.

[9] cap. 1.2.

[10] Pro. 24.13, 14. cap. 5.1. Gen. 27.27. Ose. 14.6, 7.

[11] João 4.10 e 7.38.

_A esposa finge indifferença pelo esposo, mas segue-o immediamente, busca-o e reconcilia-se com elle._

5 Já vim para o meu jardim, irmã minha, ó esposa: colhi a minha myrrha com a minha especiaria, [1] comi o meu favo com o meu mel, bebi o meu vinho com o meu leite: [2] comei, amigos, [TP] bebei, ó amados, e embriagae-vos.

2 Eu estava dormindo, mas o meu coração vigiava: [3] _eis_ a voz do meu amado que estava batendo: abre-me, irmã minha, amiga minha, pomba minha, perfeita minha, porque a minha cabeça _está_ cheia d’orvalho, as minhas guedelhas das gottas da noite;

3 _Já_ despi os meus vestidos; como os tornarei a vestir? _já_ lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?

4 O meu amado metteu a sua mão pelo buraco _da porta_, e as minhas entranhas estremeceram por amor d’elle.

5 Eu me levantei para abrir ao meu amado, e as minhas mãos distillavam myrrha, e os meus dedos _gottejavam_ myrrha sobre as aldrabas da fechadura.

6 Eu abri ao meu amado, mas já o meu amado se tinha retirado, _e_ tinha ido: a minha alma se derreteu quando elle fallou; [4] busquei-o e não o achei, chamei-o, e não me respondeu.

7 Acharam-me os guardas [5] que rondavam pela cidade: espancaram-me, feriram-me, tiraram-me o meu véu os guardas dos muros.

8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalem, que, se achardes o meu amado, lhe digaes que _estou_ enferma de amor.

9 Que _é_ o teu amado mais do que _outro_ amado, ó tu, [6] a mais formosa entre as mulheres? que é o teu amado mais do que _outro_ amado, que tanto nos conjuraste?

10 O meu amado _é_ candido e rubicundo; elle traz a bandeira entre dez mil.

11 A sua cabeça _é como_ o oiro mais apurado, as suas guedelhas crespas, pretas como o corvo.

12 Os seus olhos [7] _são_ como _os_ das pombas junto ás correntes das aguas, lavados em leite, postos em engaste.

13 As suas faces _são_ como _um_ canteiro de [TQ] especiaria, _como_ [TR] caixas aromaticas; os seus labios são como lyrios que gottejam myrrha distillante.

14 As suas mãos _como_ anneis d’oiro que teem engastadas as turquezas: o seu [TS] ventre _como_ alvo marfim, coberto de saphiras.

15 As suas pernas _como_ columnas de marmore, fundadas sobre bases de oiro puro; o seu parecer como o Libano, excellente como os cedros.

16 O seu [TT] fallar é muitissimo suave, e todo elle totalmente desejavel. Tal _é_ o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalem.

[1] cap. 4.16. cap. 4.11.

[2] João 15.14.

[3] Apo. 3.20.

[4] cap. 3.1.

[5] cap. 3.3.

[6] cap. 1.8.

[7] cap. 1.15 e 4.1.

6 Para onde foi o teu amado, [1] ó mais formosa entre as mulheres? para onde virou a vista o teu amado, e o buscaremos comtigo?

2 O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros da especiaria, para se apascentar nos jardins e para colher os lyrios.

3 Eu _sou_ [2] do meu amado, [3] e o meu amado _é_ meu: elle se apascenta entre os lyrios.

4 Formosa _és_, amiga minha, como Tirza, aprazivel como Jerusalem, formidavel como um exercito com bandeiras.

5 Desvia de mim os teus olhos, porque elles me perturbam. [4] O teu cabello é como o rebanho das cabras que pastam em Gilead.

6 Os teus dentes [5] são como o rebanho d’ovelhas que sobem do lavadouro, e todas produzem gemeos, e não _ha_ esteril entre ellas.

7 Como [6] _um_ pedaço de romã, _assim são_ as tuas faces [TU] entre as tuas tranças.

8 Sessenta são as rainhas, e oitenta as concubinas, e as virgens sem numero.

9 _Porém_ uma é a minha pomba, a minha perfeita, a unica de sua mãe, e a mais querida de aquella que a pariu: vendo-a, as filhas a chamarão bemaventurada, as rainhas e as concubinas a louvarão.

10 Quem _é_ esta que apparece como a alva do dia, formosa como a lua, [7] lustrosa como o sol, formidavel como um exercito com bandeiras?

11 Desci ao jardim das nogueiras, para ver os novos fructos do valle, a ver se floresciam as vides _e_ brotavam as romeiras.

12 Antes de eu _o_ sentir, me poz a minha alma nos carros do meu povo voluntario.

13 Volta, volta, ó Sulamitha, volta, volta, para que nós te vejamos. Porque olhas para a Sulamitha [TV] como para as fileiras de dois exercitos?

[1] cap. 1.8.

[2] cap. 2.16 e 7.10.

[3] cap. 4.1.

[4] cap. 4.2.

[5] cap. 4.3.

[6] ver. 4.

[7] cap. 7.12.

7 Que formosos são os teus pés nos sapatos, ó filha do principe! As voltas de tuas coxas são como joias, segundo a obra de mãos d’artifice.

2 O teu umbigo _como uma_ taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre _como_ montão de trigo, sitiado de lyrios.

3 Os teus dois peitos [1] como dois filhos gemeos da corça.

4 O teu pescoço [2] como a torre de marfim: os teus olhos _como_ os viveiros de Hesbon, junto á porta de Bath-arabbim: o teu nariz como torre do Libano, que olha para Damasco.

5 A tua cabeça sobre ti _é_ como _o monte_ Carmelo, e os cabellos da tua cabeça como a purpura: o rei está atado [TW] ás varandas.

6 Quão formosa, e quão aprazivel és, ó amor em delicias!

7 Esta tua estatura é similhante á palmeira; e os teus peitos _são similhantes_ aos cachos _d’uvas_.

8 Dizia eu: Subirei á palmeira, pegarei de seus ramos; e então os teus peitos serão como os cachos na vide, e o cheiro dos teus narizes como os das maçãs.

9 E o teu paladar como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, _e_ faz com que fallem os labios dos que dormem.

10 Eu _sou_ [3] do meu amado, e elle me tem affeição.

11 Vem, ó amado meu, saiamos nós ao campo, passemos as noites nas aldeias.

12 Levantemo-nos de manhã para _ir_ ás vinhas, [4] vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; ali te darei o meu grande amor.

13 As mandragoras [5] dão cheiro, e ás nossas portas _ha_ toda a sorte d’excellentes fructos, novos e velhos: ó amado meu, eu _os_ guardei para ti.

[1] cap. 4.5.

[2] cap. 4.4.

[3] cap. 2.16 e 6.2.

[4] cap. 6.11.

[5] Gen. 30.14. Mat. 13.52.

8 Ah! quem _me_ dera que me _fôras_ como irmão, _e_ mamáras os peitos de minha mãe! que te achara na rua, e te beijára, e nem me desprezariam!

2 Te levaria e introduziria na casa de minha mãe, _e_ tu me ensinarias; [1] _e_ te daria a beber vinho aromatico _e_ do mosto das minhas romãs.

3 A sua _mão_ esquerda [2] esteja debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abrace.

4 Conjuro-vos, [3] ó filhas de Jerusalem, que não acordeis nem desperteis o _meu_ amor, até que queira.

_O amor inalteravel do esposo para com a esposa._

5 Quem [4] _é_ esta que sobe do deserto, _e vem_ encostada tão aprazivelmente ao seu amado? Debaixo _d’uma_ macieira te despertei, ali te produziu tua mãe com dores; ali _te_ produziu com dores _aquella_ que te pariu.

6 Põe-me [5] como sello sobre o teu coração, como sello sobre o teu braço, porque o amor _é_ forte como a morte, _e_ duro como a sepultura o ciume: as suas brazas _são_ brazas de fogo, labaredas do Senhor.

7 As muitas aguas não poderiam apagar _este_ amor, nem os rios afogal-o: ainda que desse alguem toda a fazenda de sua casa por _este_ amor, certamente a desprezariam.

8 Temos uma irmã pequena, que ainda não tem peitos: que faremos a _esta_ nossa irmã, no dia em que d’ella se fallar?

9 Se ella _fôr um_ muro, edificaremos sobre ella _um_ palacio de prata; e, se ella _fôr uma_ porta, a cercaremos com taboas de cedro.

10 Eu _sou um_ muro, e os meus peitos _são_ como _umas_ torres: então eu era aos seus olhos como aquella que acha paz.

11 Teve [6] Salomão _uma_ vinha em Baal-hamon; entregou _esta_ vinha a _uns_ guardas; _e_ cada um _lhe_ trazia pelo _seu_ fructo mil peças de prata.

12 A minha vinha que tenho _está_ diante de mim: as mil _peças de prata são_ para ti, ó Salomão, e duzentas para os guardas do _seu_ fructo.

13 Ó tu, a que habitas nos jardins, para a tua voz os companheiros attentam; [7] faze-m’a _pois tambem_ ouvir.

14 Vem depressa, [8] amado meu, e faze-te similhante ao corço ou ao filho dos veados sobre os montes dos aromas.

[1] Pro. 9.2.

[2] cap. 2.6.

[3] cap. 2.7 e 3.5.

[4] cap. 3.6.

[5] Agg. 2.23.

[6] Mat. 21.33.

[7] cap. 2.14.

[8] cap. 2.17.

ISAIAS.

_Descripção dos peccados e dos soffrimentos do povo, com exhortações e ameaças._

[Antes de Christo 760]

1 Visão [1] d’Isaias, filho d’Amós, a qual viu sobre Judah e Jerusalem, nos dias d’Uzias, Jothão, Achaz, _e_ Ezequias, reis de Judah.

2 Ouvi, [2] ó céus, e presta ouvido, tu ó terra; porque falla o Senhor: Criei filhos, e exalcei-os; mas elles prevaricaram contra mim.

3 O boi conhece [3] o seu possuidor, e o jumento a mangedoura do seu dono; _mas_ Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

4 Ai da nação peccadora, do povo carregado d’iniquidade, da semente de malignos, [4] dos filhos corruptores: deixaram ao Senhor, blasphemaram o Sancto d’Israel, tornaram-se para traz.

5 Porque [5] ainda mais serieis castigados? ainda tanto mais vos rebellarieis: toda a cabeça _está_ enferma e todo o coração fraco.

6 Desde a planta do pé até á cabeça não ha n’elle coisa inteira, _senão_ feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, [6] nem vendadas, nem nenhuma d’ellas amollecida com oleo.

7 A vossa terra _é uma_ assolação, [7] as vossas cidades _estão_ abrazadas do fogo: a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e _é uma_ assolação, como a subversão por estranhos.

8 E a filha de Sião se ficou como a cabana na vinha, [8] como a choupana no pepinal, como a cidade cercada.

9 Se o [9] Senhor dos Exercitos nos não deixara algum pouco de resto, [10] _já_ como Sodoma seriamos, e similhantes a Gomorrha.

10 Ouvi a palavra do Senhor, vós [TX] [11] principes de Sodoma: prestae ouvidos á lei do nosso Deus, vós, ó povo de Gomorrha.

11 De que me _serve_ a mim a multidão de vossos [12] sacrificios, diz o Senhor? _Já_ estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura _d’animaes_ cevados: nem folgo com o sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.

12 Quando [13] vindes a apparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que _viesseis_ a pisar os meus atrios?

13 Não _me_ tragaes [14] mais offertas debalde: o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sabbados, e a convocação das congregações; não posso supportar iniquidade, nem mesmo o ajuntamento solemne.

14 As vossas luas novas, [15] e as vossas solemnidades as aborrece a minha alma; _já_ me são pesadas: _já_ estou cançado de _as_ soffrer.

15 Pelo que, quando estendeis [16] as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; [17] e até quando multiplicaes a oração não ouço, _porque_ as vossas mãos estão cheias de sangue.

16 Lavae-vos, [18] purificae-vos, tirae a maldade de vossos actos de diante dos meus olhos: cessae de fazer mal:

17 Aprendei a fazer bem; [19] procurae o juizo; ajudae o oppresso; fazei justiça ao orphão; tratae da causa das viuvas.

18 Vinde agora, e argui-me, [20] diz o Senhor: ainda que os vossos peccados sejam como a escarlata, elles se tornarão brancos como a neve: ainda que sejam vermelhos como o carmezim, se tornarão como a _branca_ lã.

19 Se quizerdes, e ouvirdes, comereis o bem d’esta terra.

20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados á espada; [21] porque a bocca do Senhor _o_ disse.

21 Como [22] se fez prostituta a cidade fiel! ella que estava cheia de juizo, justiça habitava n’ella, mas agora homicidas.

22 A tua prata [23] se tornou em escorias, o teu vinho se misturou com agua.

23 Os teus principes [24] _são_ rebeldes, e companheiros dos ladrões: cada um d’elles ama as peitas, e correm após salarios: não fazem justiça ao orphão, e não chega perante elles a causa das viuvas.

24 Porquanto diz o Senhor Deus dos Exercitos, o Forte de Israel: [25] Ah, consolar-me-hei ácerca dos meus adversarios, e vingar-me-hei dos meus inimigos:

25 E tornarei contra a minha mão, [26] e purificarei [TY] inteiramente as tuas escorias; e tirar-te-hei todo o teu estanho.

26 E te restituirei os teus juizes, [27] como _foram_ d’antes; _e_ os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel.

27 Sião será remida com juizo, e os que voltam para ella com justiça.

28 Mas para os transgressores [28] e os peccadores haverá juntamente [TZ] destruição; e os que deixarem o Senhor serão consumidos.

29 Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cubiçastes, e sereis confundidos [29] pelos jardins que escolhestes.

30 Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como a floresta que não tem agua.

31 E o forte se [30] tornará em estopa, e a sua obra em faisca; e ambos arderão juntamente, e não _haverá_ quem os apague.

[1] Num. 12.6.

[2] Deu. 32.1. Jer. 2.12 e 6.19 e 22.29. Eze. 36.4. Miq. 1.2 e 6.1, 2.

[3] Jer. 8.7. Jer. 9.3, 6.

[4] cap. 57.3, 4. Mat. 3.7.

[5] cap. 9.13. Jer. 2.30 e 5.3.

[6] Jer. 8.22.

[7] Deu. 28.51, 52.

[8] Job 27.18. Lam. 2.6. Jer. 4.17.

[9] Lam. 3.22. Rom. 9.29.

[10] Gen. 19.24.

[11] Deu. 32.32.

[12] I Sam. 15.22. Pro. 21.27. cap. 66.3. Jer. 6.20 e 7.21. Amós 5.21, 22. Miq. 6.7.

[13] Exo. 23.17 e 34.23.