A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 110
2 _Ha_ tempo de nascer, [2] e tempo de morrer: tempo de plantar, e tempo d’arrancar o que se plantou:
3 Tempo de matar, e tempo de curar: tempo de derribar, e tempo de edificar:
4 Tempo de chorar, e tempo de rir: tempo de prantear, e tempo de saltar:
5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras: tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar:
6 Tempo de buscar, e tempo de perder: tempo de guardar, e tempo de deitar fóra:
7 Tempo de rasgar, e tempo de coser: tempo de calar, [3] e tempo de fallar:
8 Tempo de amar, [4] e tempo de aborrecer: tempo de guerra, e tempo de paz.
9 Que [5] vantagem tem o trabalhador d’aquillo em que trabalha?
10 Tenho [6] visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com elle os affligir.
11 Tudo fez formoso em seu tempo: tambem poz o seculo no coração d’elles, [7] sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o principio até ao fim.
12 _Já_ tenho advertido [8] que não _ha coisa_ melhor para elles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida;
13 Como tambem que todo o homem [9] coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho: _isto é um_ dom de Deus.
14 Sei eu que tudo quanto Deus faz isso durará eternamente: nada se lhe deve accrescentar, [10] _e_ nada d’elle se deve diminuir; e _isto_ faz Deus para que haja temor diante d’elle.
15 O que houve [11] _d’antes ainda_ o ha agora: e o que ha de ser, já foi; e Deus pede conta do que passou.
16 Vi mais debaixo [12] do sol, no logar do juizo, _que havia_ ali impiedade, e no logar da justiça _que_ ali _havia_ impiedade.
17 Eu disse no meu coração: [13] Deus julgará o justo e o impio; porque ali _será_ o tempo _para julgar_ de todo o intento e sobre toda a obra.
18 Disse eu no meu coração ácerca do estado dos filhos dos homens, que Deus lhes declararia; e elles _o_ veriam, [14] que elles são _como_ as bestas em si mesmos.
19 Porque o que succede aos filhos dos homens, isso mesmo tambem succede ás bestas, e o mesmo succede a elles _ambos_: como morre um, assim morre o outro; e todos teem o mesmo folego, e a vantagem dos homens sobre as bestas não é nenhuma, porque todos _são_ vaidade.
20 Todos vão para um logar: [15] todos foram _feitos_ do pó, e todos voltarão ao pó.
21 Quem [16] adverte que o folego dos filhos dos homens sobe para cima, e que o folego das bestas desce para baixo da terra?
22 Assim que tenho visto [17] que não _ha_ coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa _é_ a sua porção; [18] porque quem o levará a vêr o que será depois d’elle?
[1] ver. 17. cap. 8.6.
[2] Heb. 9.27.
[3] Amós 5.13.
[4] Luc. 14.26.
[5] cap. 1.3.
[6] cap. 1.13.
[7] cap. 8.17. Rom. 11.33.
[8] ver. 22.
[9] cap. 2.24.
[10] Thi. 1.17.
[11] cap. 1.9.
[12] cap. 5.8.
[13] Rom. 2.6, 7, 8. II Cor. 5.10. II The. 1.6, 7. ver. 1.
[14] cap. 2.16.
[15] Gen. 3.19.
[16] cap. 12.7.
[17] ver. 12. cap. 2.24 e 5.18 e 11.9.
[18] cap. 2.10 e 8.7 e 10.14.
_Os males e as tribulações da vida._
4 Depois me virei, [1] e attentei em todas as oppressões que se fazem debaixo do sol; e eis que _vi_ as lagrimas dos _que foram_ opprimidos e dos que não teem consolador; e a força _estava_ da banda dos seus oppressores; porém elles não tinham consolador.
2 Pelo que eu louvei [2] os mortos que já morreram, mais do que os vivos que vivem ainda,
3 E melhor [3] que uns e outros _é_ aquelle que ainda não é; que não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.
4 Tambem vi eu que todo o trabalho, e toda a destreza em obras, _attrahe_ ao homem a inveja do seu proximo. Tambem isto _é_ vaidade e afflicção d’espirito.
5 O tolo [4] cruza as suas mãos, e come a sua _propria_ carne.
6 Melhor [5] é uma mão cheia _com_ descanço do que ambos os punhos cheios _com_ trabalho, e afflicção d’espirito.
7 Outra vez me tornei a virar, e vi _uma_ vaidade debaixo do sol.
8 Ha um _tal que é só_, e não tem segundo, nem tão pouco filho nem irmã; e de todo o seu trabalho não _ha_ fim, [6] nem o seu olho se farta de riquezas; nem _diz_: Para quem trabalho eu, e privo a minha alma do bem? Tambem isto _é_ vaidade e enfadonha occupação.
9 Melhores _são_ dois do que um, porque teem melhor paga do seu trabalho.
10 Porque se vierem a cair, um levanta ao seu companheiro: mas ai do _que estiver_ só; pois, caindo, não _haverá_ outro que o levante.
11 Tambem, se dois dormirem juntos, elles se aquentarão; mas um _só_ como se aquentará?
12 E, se alguem prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de tres dobras não se quebra tão depressa.
13 Melhor _é_ o mancebo pobre e sabio do que o rei velho e insensato, que se não deixa mais admoestar.
14 Porque _um_ sae do carcere para reinar; sim, um que nasceu pobre no seu reino.
15 Vi a todos os viventes andarem debaixo do sol com o mancebo, o successor que estará no seu logar.
16 Não tem fim todo o povo, todo o que houve antes d’elle; tão pouco os descendentes se alegrarão d’elle. Na verdade que tambem isto _é_ vaidade e afflicção d’espirito.
[1] cap. 3.16 e 5.8.
[2] Job 3.17, etc.
[3] Job 3.11, 16, 21. cap. 6.3.
[4] Pro. 6.10 e 24.33.
[5] Pro. 15.16, 17 e 16.8.
[6] Pro. 27.20. I João 2.16.
_Varios conselhos praticos._
5 Guarda [1] o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e inclina-te mais a ouvir do que a offerecer sacrificios de tolos, pois não sabem que fazem mal.
2 Não te precipites com a tua bocca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus _está_ nos céus, e tu _estás_ sobre a terra; [2] pelo que sejam poucas as tuas palavras.
3 Porque, da muita occupação vem os sonhos, [3] e a voz do tolo da multidão das palavras.
4 Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpril-o; [4] porque não se agrada de tolos: o que votares, paga-o.
5 Melhor [5] _é_ que não votes do que votes e não pagues.
6 Não consintas que a tua bocca faça peccar a tua carne, nem [6] digas diante do anjo que _foi_ erro: por que causa se iraria Deus contra a tua voz, que destruisse a obra das tuas mãos?
7 Porque, como na multidão dos sonhos _ha_ vaidades, assim o _ha_ nas muitas palavras: [7] mas tu teme a Deus.
8 Se vires em _alguma_ provincia oppressão de pobres, e violencia do juizo e da justiça, não te maravilhes de similhante caso; porque o que mais alto _é_ do que os altos _n’isso_ attenta; e _ha_ mais altos do que elles.
9 O proveito da terra é para todos: até o rei se serve do campo.
10 O que amar o dinheiro nunca se fartará do dinheiro; e quem amar a abundancia nunca _se fartará_ da renda: tambem isto é vaidade.
11 Onde a fazenda se multiplica, ali se multiplicam tambem os que a comem: que mais proveito pois _teem_ os seus donos do que verem-n’a com os seus olhos?
12 Doce _é_ o somno do trabalhador, quer coma pouco quer muito; porém a fartura do rico não o deixa dormir.
13 Ha mal _que_ vi debaixo do sol, [8] e attrahe enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam para o seu proprio mal;
14 Porque as mesmas riquezas se perdem com enfadonhas occupações, e gerando algum filho nada _lhe fica_ na sua mão.
15 Como [9] saiu do ventre de sua mãe, _assim_ nú se tornará, indo-se como veiu; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.
16 Assim _que_ tambem isto _é_ um mal que attrahe enfermidades, que, infallivelmente, como veiu, assim se vae: e que proveito lhe _vem_ de trabalhar para o vento,
17 E de haver comido todos os seus dias nas trevas, e de padecer muito enfado, e enfermidade, e cruel furor?
18 Eis aqui o que eu vi, uma boa e bella coisa: [10] comer e beber, e gozar-se do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, _durante_ o numero dos dias da sua vida que Deus lhe deu, [11] porque esta _é_ a sua porção.
19 E todo [12] o homem, a quem Deus deu riquezas e fazenda, e lhe deu poder para comer d’ellas, e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho: isto é dom de Deus.
20 Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe responde com alegria do seu coração.
[1] Exo. 3.5.
[2] Pro. 10.19. Mat. 6.7.
[3] Pro. 10.19.
[4] Num. 30.2. Deu. 23.21, 22, 23.
[5] Pro. 20.25. Act. 5.4.
[6] I Cor. 11.10.
[7] cap. 12.13.
[8] cap. 6.1.
[9] Job 1.21. I Tim. 6.7.
[10] cap. 2.24 e 3.12, 13, 22 e 9.7 e 11.9.
[11] cap. 2.10 e 3.22.
[12] cap. 2.24 e 3.13 e 6.2.
_É licito gozar os bens que Deus deu, mas estes não podem satisfazer a alma._
6 Ha [1] um mal que tenho visto debaixo do sol, e mui frequente _é_ entre os homens:
2 _Um_ homem a quem Deus deu riquezas, fazenda e honra, [2] e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, [3] e Deus não lhe dá poder para d’ahi comer, antes o estranho lh’o come: _tambem_ isto _é_ vaidade e uma má enfermidade.
3 Se o homem gerar cem _filhos_, e viver muitos annos, e os dias dos seus annos forem muitos, porém a sua alma se não fartar do bem, [4] e tambem não tiver sepultura, digo que um aborto _é_ melhor do que elle.
4 Porquanto debalde veiu, e ás trevas se vae, e de trevas se encobre o seu nome.
5 E ainda _que_ nunca viu o sol, nem o conheceu, mais descanço tem do que o tal.
6 E, ainda que vivesse duas vezes mil annos e não visse o bem, _porventura_ todos não vão para um mesmo logar?
7 Todo [5] o trabalho do homem é para a sua bocca, e comtudo nunca se enche a sua cubiça.
8 Porque, que mais tem o sabio do que o tolo? e que _mais_ tem o pobre que sabe andar perante os vivos?
9 Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cubiça: tambem isto _é_ vaidade, e afflicção de espirito.
10 Seja qualquer o que fôr, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que _é_ homem, [6] e que não póde contender com o que é mais forte do que elle.
11 Na verdade que ha muitas coisas que multiplicam a vaidade: que mais tem o homem _com ellas_!
12 Porque quem sabe o que _é_ bom n’esta vida para o homem, _durante_ o numero dos dias da vida da sua vaidade, os quaes gasta como sombra? porque quem declarará ao homem que é o que passará depois d’elle debaixo do sol?
[1] cap. 5.13.
[2] Job 21.10, etc.
[3] Luc. 12.20.
[4] Isa. 14.19, 20. Jer. 22.19. Job 3.16. cap. 4.3.
[5] Pro. 16.26.
[6] Job 9.32. Isa. 45.9. Jer. 49.19.
_As vantagens do soffrimento, da paciencia, e da moderação._
7 Melhor _é_ a _boa_ fama do que o melhor unguento, e o dia da morte do que o dia do nascimento d’alguem.
2 Melhor [1] _é_ ir á casa do luto do que ir á casa do banquete, _porque_ n’ella _é_ o fim de todos os homens; e os vivos _o_ applicam ao seu coração.
3 Melhor _é_ o nojo do que o riso, [2] porque com a tristeza do rosto se encommenda o coração.
4 O coração dos sabios _está_ na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.
5 Melhor [3] _é_ ouvir a reprehensão do sabio, do que ouvir alguem a canção do tolo.
6 Porque qual o ruido dos espinhos debaixo _d’uma_ panella, tal _é_ o riso do tolo: tambem isto _é_ vaidade.
7 Verdadeiramente que a oppressão faria endoidecer _até_ ao sabio, [4] e a peita corrompe o coração.
8 Melhor _é_ o fim das coisas do que o principio d’ellas: [5] melhor _é_ o longanimo do que o altivo de coração.
9 Não te [6] apresses no teu espirito a irar-te, porque a ira repousa no seio dos tolos.
10 Nunca digas: Porque foram os dias passados melhores do que estes? porque nunca com sabedoria isto perguntarias.
11 Tão boa _é_ a sabedoria como a herança, [7] e d’ella os que vêem o sol tiram proveito.
12 Porque a sabedoria serve de sombra, como de sombra serve o dinheiro; mas a excellencia do conhecimento _é_ que a sabedoria dá vida ao seu possuidor.
13 Attenta para a obra de Deus; [8] porque quem poderá endireitar o que elle fez torto?
14 No dia da prosperidade goza do bem, [9] mas no dia da adversidade considera; _porque_ tambem Deus fez a este em opposição áquelle, para que o homem nada ache _do que haverá_ depois d’elle.
15 Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: [10] ha _um_ justo que perece na sua justiça, e ha _um_ impio que prolonga os _seus dias_ na sua maldade.
16 Não sejas [11] demasiadamente justo, nem demasiadamente sabio: para que te destruirias _a ti mesmo_?
17 Não sejas demasiadamente impio, nem sejas _demasiadamente_ louco: para [12] que morrerias fóra de teu tempo?
18 Bom _é_ que retenhas isto, e tambem d’isto não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isto.
19 A sabedoria [13] fortalece ao sabio, mais do que dez governadores que haja na cidade.
20 Na verdade _que_ [14] não _ha_ homem justo sobre a terra, que faça bem, e nunca peque.
21 Tão pouco appliques o teu coração a todas as palavras que se disserem, para que não venhas a ouvir que o teu servo te amaldiçoa.
22 Porque o teu coração tambem _já_ confessou muitas vezes que tambem tu amaldiçoaste a outros.
23 Tudo isto inquiri com sabedoria; e disse: [15] Sabedoria adquirirei; mas ella _ainda_ estava longe de mim.
24 Longe [16] está o que foi; e o profundissimo quem o achará?
25 Eu virei o meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e a razão, e para saber a impiedade da estulticia e a doidice dos desvarios.
26 E eu achei [17] uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, _e_ as suas mãos ataduras: quem fôr bom diante de Deus escapará d’ella, mas o peccador virá a ser preso por ella.
27 Vedes aqui, isto achei, [18] diz o prégador, conferindo uma coisa com a outra para _assim_ achar a razão d’ellas;
28 A qual ainda busca a minha alma, porém _ainda_ não a achei; um homem entre mil achei _eu_, mas uma mulher entre todas estas não achei.
29 Vedes aqui, _que_ isto tão sómente achei: que Deus fez ao homem recto, porém elles buscaram muitas invenções.
[1] Pro. 15.30 e 22.1.
[2] II Cor. 7.10.
[3] Pro. 13.18 e 15.31, 32.
[4] Exo. 23.8. Deu. 16.19.
[5] Pro. 14.29.
[6] Pro. 14.17 e 16.32. Thi. 1.19.
[7] cap. 11.7.
[8] Job 12.14. cap. 1.15. Isa. 14.27.
[9] cap. 3.4.
[10] cap. 8.14.
[11] Pro. 25.16. Rom. 12.3.
[12] Job 15.32. Pro. 10.27.
[13] Pro. 21.22 e 24.5. cap. 9.16, 18.
[14] I Reis 8.46. II Chr. 6.36. Pro. 20.9. Rom. 3.23. I João 1.8.
[15] Rom. 1.22.
[16] Rom. 11.33.
[17] Pro. 5.3, 4 e 22.14.
[18] cap. 1.1, 2.
_A obediencia devida ao rei._
8 Quem _é_ tal como o sabio? e quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem allumia o seu rosto, e a aspereza do seu rosto se muda.
2 Eu _digo_: [1] Observa o mandamento do rei, porém segundo a palavra do juramento _que fizeste_ a Deus.
3 Não te apresses [2] a sair da presença d’elle, nem persistas em alguma coisa má, porque elle faz tudo o que quer.
4 Onde _ha_ a palavra do rei, _ahi está_ o poder; [3] e quem lhe dirá: Que fazes?
5 Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o coração do sabio saberá o tempo e o modo.
6 Porque para [4] todo o proposito ha _seu_ tempo e _seu_ modo; porquanto o mal do homem _é_ muito sobre elle.
7 Porque não sabe [5] o que ha de succeder: e, quando haja de succeder, quem lh’o dará a entender?
8 Nenhum homem _ha_ que tenha dominio sobre o espirito, para reter o espirito; nem tão pouco _tem elle_ poder [6] sobre o dia da morte: como tambem nem armas _n’esta_ peleja: nem tão pouco a impiedade livrará aos impios.
9 Tudo isto vi quando appliquei o meu coração a toda a obra que se faz debaixo do sol: tempo ha em que _um_ homem tem dominio sobre _outro_ homem, para desgraça sua.
10 Assim tambem vi os impios sepultados, [TB] e _os que_ vinham, e sahiam do logar sancto, que foram esquecidos na cidade em que fizeram bem: tambem isto _é_ vaidade.
_O peccador não é logo castigado; o justo vê-se muitas vezes em adversidade._
11 Porquanto [7] logo se não executa o juizo _sobre_ a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para obrar o mal.
12 Ainda [8] que o peccador faça mal cem _vezes_, e _os dias_ se lhe prolonguem, comtudo bem sei eu, [9] que bem succede aos que temem a Deus, aos que temerem diante d’elle.
13 Porém ao impio não irá bem, e elle não prolongará os dias; _será_ como a sombra; visto que elle não teme diante de Deus.
14 _Ainda_ ha _outra_ vaidade que se faz sobre a terra: que ha justos a quem succede segundo as obras dos impios, e ha impios a quem succede segundo as obras dos justos. Digo que tambem isto _é_ vaidade.
15 Assim que louvei eu a alegria, porquanto o homem coisa nenhuma melhor tem debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da sua vida que Deus lhe dá debaixo do sol.
16 Applicando eu o meu coração a entender a sabedoria, e a ver a occupação que ha sobre a terra; que nem de dia nem de noite vê _o homem_ somno nos seus olhos.
17 Então vi toda a obra de Deus, [10] que o homem não pode alcançar, a obra que se faz debaixo do sol, pela qual trabalha o homem para _a_ buscar, porém não _a_ achará; e, ainda que diga o sabio que a virá a saber, nem _por isso a_ poderá alcançar.
[1] Pro. 4.8, 9. Act. 6.15.
[2] Rom. 13.5. cap. 10.4.
[3] Job 34.18.
[4] cap. 3.1.
[5] Pro. 24.22. cap. 6.12 e 9.12 e 10.14.
[6] Job 14.5.
[7] Isa. 26.10.
[8] Isa. 65.20. Rom. 2.5.
[9] Isa. 3.10, 11. Mat. 25.34, 41.
[10] Job 5.9. cap. 3.11. Rom. 11.33.
_As mesmas coisas succedem aos justos e injustos. Gozemos os bens que Deus nos dá._
9 Devéras revolvi todas estas coisas no meu coração, para claramente entender tudo isto: [1] que os justos, e os sabios, e as suas obras, _estão_ nas mãos de Deus, como _tambem_ que não conhece o homem nem o amor nem o odio, _por_ tudo _o que passa_ perante a sua face.
2 Tudo [2] _succede a uns_, como a todos _os outros_; o mesmo succede ao justo e ao impio; ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao peccador; ao que jura como ao que teme o juramento.
3 Este mal _ha_ entre tudo quanto se faz debaixo do sol, que a todos succede o mesmo; e que tambem o coração dos filhos dos homens esteja cheio de maldade, e _que haja_ desvarios no seu coração, na sua vida, e depois _se vão_ aos mortos.
4 Porque para o que acompanha com todos os vivos ha esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto).
5 Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco teem elles jámais paga, [3] mas a sua memoria ficou entregue ao esquecimento.
6 Até o seu amor, até o seu odio, e até a sua inveja já pereceu, e já não teem parte alguma _n’este_ seculo, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
7 Vae, _pois_, come com alegria o teu pão [4] e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.
8 Em todo o tempo sejam alvos os teus vestidos, e nunca falte o oleo sobre a tua cabeça.
9 Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da vida da tua vaidade, os quaes _Deus_ te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade: porque esta _é_ a tua porção _n’esta_ vida, e no teu trabalho, em que tu trabalhaste debaixo do sol.
10 Tudo quanto te vier á mão para fazer, faze-_o_ conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vaes, não _ha_ obra, nem industria, nem sciencia, nem sabedoria alguma.
_A sabedoria é muitas vezes mais util aos outros do que áquelle que a possue._
11 Volvi-me, [5] e vi debaixo do sol que não _é_ dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja, nem tão pouco dos sabios o pão, nem tão pouco dos prudentes as riquezas, nem tão pouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e o acaso lhes succedem a todos.
12 Que tambem [6] o homem não sabe o seu tempo; _assim_ como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, [7] assim se enlaçam _tambem_ os filhos dos homens no mau tempo, quando cae de repente sobre elles.
13 Tambem vi esta sabedoria debaixo do sol, que _foi_ para comigo grande;
14 _Houve_ [8] uma pequena cidade em que _havia_ poucos homens, e veiu contra ella um grande rei, e a cercou e levantou contra ella grandes tranqueiras:
15 E se achou n’ella _um_ sabio pobre, que livrou aquella cidade pela sua sabedoria, e ninguem se lembrava d’aquelle pobre homem.
16 Então disse eu: [9] Melhor _é_ a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre _foi_ desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas.
17 As palavras dos sabios em silencio se devem ouvir, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos.
18 Melhor [10] _é_ a sabedoria do que as armas de guerra, porém um _só_ peccador destroe muitos bens.
[1] cap. 8.14.
[2] Job 21.7, etc. Mal. 3.15.
[3] Job 7.8, 9, 10. Isa. 26.14.
[4] cap. 8.15.
[5] Amós 2.14, 15. Jer. 9.23.
[6] cap. 8.7.
[7] Pro. 29.6. Luc. 12.20, 39 e 17.26, etc. I The. 5.3.
[8] II Sam. 20.16-22.
[9] Pro. 21.22 e 24.5. cap. 7.19. ver. 18. Mar. 6.2, 3.
[10] ver. 16. Jos. 7.1, 11, 12.
_A loucura é a causa de muitas desgraças._
10 Assim como a mosca morta faz [TC] exhalar mau cheiro e evaporar o unguento do perfumador, _assim o faz_ ao famoso em sabedoria e em honra _uma_ pouca de estulticia.
2 O coração do sabio _está_ á sua dextra, mas o coração do tolo _está_ á sua esquerda.
3 E, até quando o tolo vae pelo caminho, falta-_lhe_ o seu entendimento [1] e diz a todos _que é_ tolo.
4 Levantando-se contra ti o espirito do governador, [2] não deixes o teu logar, porque [TD] _é um_ remedio _que_ aquieta grandes peccados.
5 _Ainda_ ha _um_ mal _que_ vi debaixo do sol, como o erro _que_ procede de diante do governador.
6 Ao tolo [3] assentam em grandes alturas, mas os ricos estão assentados na baixeza.
7 Vi os servos [4] a cavallo, e os principes que andavam _a pé_ como servos sobre a terra.
8 Quem [5] cavar _uma_ cova, cairá n’ella, e, quem romper _um_ muro, _uma_ cobra o morderá.
9 Quem acarretar pedras, será maltratado por ellas, e o que rachar lenha perigará com ella.
10 Se estiver embotado o ferro, e não se amollar o córte, então se devem pôr mais forças: mas a sabedoria _é_ excellente para dirigir.
11 [TE] Se a cobra [6] morder, não estando encantada, então remedio nenhum _se espera do encantador_, por mais habil _que seja_.
12 Nas palavras [7] da bocca do sabio _ha_ favor, porém os labios do tolo o devoram.
13 O principio das palavras da sua bocca _é_ a estulticia, e o fim da sua bocca _um_ desvario pessimo.
14 Bem _que_ [8] o tolo multiplique as palavras, não sabe o homem o que ha de ser; e quem lhe fará saber o que será depois d’elle?
15 O trabalho dos tolos a cada um d’elles fatiga, porque não sabem ir á cidade.
16 Ai de ti, [9] ó terra, cujo rei _é_ criança, e cujos principes comem de manhã.
17 Bemaventurada tu, ó terra, cujo rei _é_ filho dos nobres, [10] e cujos principes comem a tempo, para _refazerem as_ forças, e não para bebedice.
18 Pela muita preguiça se [TF] enfraquece o tecto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa.
19 Para rir se fazem convites, e o vinho alegra a vida, e por tudo o dinheiro responde.
20 Nem [11] ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem tão pouco no mais interior da tua recamara amaldiçoes ao rico: porque as aves dos céus levariam a voz, e os que teem azas dariam noticia da palavra.
[1] Pro. 13.16 e 18.2.
[2] cap. 8.3.
[3] Est. 3.1.
[4] Pro. 19.10 e 30.22.
[5] Pro. 26.27.
[6] Jer. 8.17.
[7] Pro. 10.32 e 12.13. Pro. 10.14 e 18.7.
[8] Pro. 15.2. cap. 3.22 e 8.7.
[9] Isa. 3.4, 5, 12 e 5.11.
[10] Pro. 31.4.
[11] Exo. 22.28. Act. 23.5.
_Façamos o que é bom no tempo opportuno._
11 Lança o [1] teu pão sobre as aguas, porque depois de muitos dias o acharás.
2 Reparte [2] com sete, e ainda _até_ com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra.
3 Estando as nuvens cheias, vazam a chuva sobre a terra, e caindo a arvore para o sul, ou para o norte, no logar em que a arvore cair ali ficará.
4 Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
5 Assim como tu não sabes [3] qual o caminho do vento, nem como _se formam_ os ossos no ventre da _mulher_ gravida, assim tu não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
6 Pela manhã semeia a tua semente, e á tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual será recto, se isto, se aquillo, ou se ambas _estas coisas_ egualmente _serão_ boas.
7 Devéras suave _é_ a luz, e agradavel _é_ aos olhos ver o sol.