A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 109
25 Quando [11] _te_ supplicar com a sua voz, não _te_ fies n’elle, porque sete abominações _ha_ no seu coração,
26 _Cujo_ odio se encobre com engano; a sua malicia se descobrirá na congregação.
27 O que cava _uma_ cova n’ella cairá; e o que revolve a pedra _esta_ sobre elle tornará.
28 A lingua falsa aborrece aos que _ella_ afflige, e a bocca lubrica obra a ruina.
[1] I Sam. 12.17.
[2] Num. 23.8. Deu. 23.5.
[3] Mat. 21.24, 27.
[4] II Ped. 2.22.
[5] cap. 29.20. Luc. 18.11. Rom. 12.16. Apo. 3.17.
[6] cap. 22.13.
[7] cap. 19.24.
[8] cap. 22.10.
[9] cap. 15.18 e 29.22.
[10] cap. 18.8.
[11] Jer. 9.8.
27 Não presumas do [1] dia d’ámanhã, porque não sabes o que parirá o dia.
2 Louve-te [2] o estranho, e não a tua bocca, o estrangeiro e não os teus labios.
3 Pesada _é_ a pedra, e a areia _é_ carregada; porém a ira do insensato _é_ mais pesada do que ellas ambas.
4 Cruel _é_ o furor e a impetuosa ira, [3] mas quem parará perante a inveja?
5 Melhor [4] _é_ a reprehensão aberta do que o amor encoberto.
6 Fieis _são_ as feridas _feitas_ pelo que ama, mas os beijos do que aborrece são [SU] enganosos.
7 A alma farta piza o favo de mel, [5] mas á alma faminta todo o amargo _é_ doce.
8 Qual _é_ a ave que vagueia do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando do seu logar.
9 O oleo e o perfume alegram o coração: assim a doença do amigo d’alguem com o conselho cordial.
10 Não deixes a teu amigo, nem ao amigo de teu pae, nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade: [6] melhor _é_ o visinho de perto do que o irmão ao longe.
11 Sê sabio, [7] filho meu, e alegra o meu coração; para que tenha alguma coisa que responder áquelle que me desprezar.
12 O avisado vê o mal, _e_ esconde-se; _mas_ os simples passam _e_ pagam a pena.
13 Quando alguem fica por fiador do estranho, [8] toma-lhe tu a sua roupa; e o penhora pela estranha.
14 O que bemdiz ao seu amigo em alta voz, madrugando pela manhã, por maldição se lhe contará.
15 O gotejar [9] continuo no dia de grande chuva, e a mulher contenciosa, uma e outra são similhantes.
16 Todos os que a esconderem esconderão o vento: e o oleo da sua dextra clama.
17 _Como_ o ferro com o ferro se aguça, assim o homem aguça o rosto do seu amigo.
18 O [10] que guarda a figueira comerá do seu fructo; e o que attenta para seu senhor, será honrado.
19 Como _na_ agua o rosto _corresponde_ ao rosto, assim o coração do homem ao homem.
20 _Como_ o [11] [SV] inferno e a perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se fartam.
21 _Como_ [12] o crisol é para a prata, e o forno para o oiro, assim _se prova_ o homem pelos louvores.
22 Ainda quando pizares [13] o tolo com _uma_ mão de gral entre grãos de cevada pilada, não se irá d’elle a sua estulticia.
23 Procura conhecer o estado das tuas ovelhas: põe o teu coração sobre o gado.
24 Porque o thesouro não _dura_ para sempre: ou _durará_ a corôa de geração em geração?
25 _Quando_ se mostrar a herva, e apparecerem os renovos, então ajunta as hervas dos montes.
26 Os cordeiros _serão_ para te vestires, e os bodes _para_ o preço do campo.
27 E a abastança do leite das cabras para o teu sustento, para sustento da tua casa, e para sustento das tuas creadas.
[1] Luc. 12.19, 20. Thi. 4.13, etc.
[2] cap. 25.27.
[3] I João 3.12.
[4] cap. 28.23. Gal. 2.14.
[5] Job 6.7.
[6] cap. 17.17 e 18.24.
[7] cap. 10.1 e 23.15, 24. Psa. 127.5.
[8] Exo. 22.26. cap. 20.16.
[9] cap. 19.13.
[10] I Cor. 9.7, 13.
[11] cap. 30.16. Hab. 2.5. Ecc. 1.8 e 6.7.
[12] cap. 17.3.
[13] cap. 23.35. Isa. 1.5. Jer. 5.3.
28 Fogem os [1] impios, sem que ninguem _os_ persiga; mas qualquer justo está confiado como o filho do leão.
2 Pela transgressão da [SW] terra _são_ muitos os seus principes, mas por homens prudentes _e_ entendidos a sua continuação será prolongada.
3 O homem pobre que opprime aos pobres _é_ como chuva impetuosa, com que ha falta de pão.
4 Os que deixam a lei louvam o impio; [2] porém os que guardam a lei pelejam contra elles.
5 Os homens maus não entendem o juizo, [3] mas os que buscam ao Senhor entendem tudo.
6 Melhor [4] _é_ o pobre que anda na sua sinceridade do que o perverso de caminhos, ainda que _seja_ rico.
7 O [5] que guarda a lei _é_ filho entendido, mas o companheiro dos comilões envergonha a seu pae.
8 O [6] que augmenta a sua fazenda com usura e onzena, o ajunta para o que se compadece do pobre.
9 O [7] que desvia os seus ouvidos d’ouvir a lei até a sua oração _será_ abominavel.
10 O [8] que faz com que os rectos errem _n’um_ mau caminho elle _mesmo_ cairá na sua cova: mas os bons herdarão o bem.
11 O homem rico _é_ sabio aos seus proprios olhos, mas o pobre _que é_ entendido o esquadrinha.
12 Quando os justos [9] exultam, grande _é_ a gloria; mas quando os impios sobem, os homens se andam escondendo.
13 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que _as_ confessa e deixa alcançará misericordia.
14 Bemaventurado [10] o homem que continuamente teme: mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal.
15 Como leão bramante, [11] e urso faminto, assim _é_ o impio que domina sobre _um_ povo pobre.
16 O principe falto d’intelligencia tambem multiplica as oppressões, _mas_ o que aborrece a avareza prolongará _os seus_ dias.
17 O [12] homem carregado do sangue de qualquer pessoa fugirá até á cova: ninguem o retenha.
18 O [13] que anda sinceramente salvar-se-ha, mas o perverso em seus caminhos cairá logo.
19 O [14] que lavrar a sua terra virá a fartar-se de pão, mas o que segue a ociosos se fartará de pobreza.
20 O homem fiel abundará em bençãos, [15] mas o que se apressa a enriquecer não será innocente.
21 Ter respeito [16] á _apparencia de_ pessoas não _é_ bom, porque até por um bocado de pão prevaricará o homem.
22 O que se apressa [17] a enriquecer é homem de mau olho, porém não sabe que ha de vir sobre elle a pobreza.
23 O [18] que reprehende ao homem depois achará mais favor do que aquelle que lisongeia com a lingua.
24 O que rouba a seu pae, ou a sua mãe, e diz: Não _ha_ transgressão; companheiro _é_ do homem dissipador.
25 O altivo d’animo [19] levanta contendas, mas o que confia no Senhor engordará.
26 O que confia no seu coração _é_ insensato, mas o que anda em sabedoria elle escapará.
27 O [20] que dá ao pobre não terá necessidade, mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições.
28 Quando [21] os impios se elevam, os homens se andam escondendo, mas quando perecem, os justos se multiplicam.
[1] Lev. 26.17, 36.
[2] Rom. 1.32. II Reis 18.18, 21. Mat. 3.7. Eph. 5.11.
[3] João 7.17. I Cor. 2.15. I João 2.20, 27.
[4] ver. 18. cap. 19.1.
[5] cap. 29.3.
[6] Job 27.6, 17. cap. 13.22. Ecc. 2.26.
[7] Zac. 7.11. cap. 15.8.
[8] cap. 26, 27. Mat. 6.33.
[9] ver. 28. cap. 11.10 e 29.2. Ecc. 10.6.
[10] cap. 23.17. Rom. 2.5 e 11.20.
[11] I Ped. 5.8. Mat. 2.16.
[12] Gen. 9.6. Exo. 21.14.
[13] cap. 10.9, 25. ver. 6.
[14] cap. 12.11.
[15] cap. 13.11 e 20.21 e 23.4. I Tim. 6.9.
[16] cap. 18.5 e 24.23. Eze. 13.19.
[17] ver. 20.
[18] cap. 27.5, 6.
[19] cap. 13.10.
[20] Deu. 15.7, etc. cap. 19.17 e 22.9.
[21] ver. 12. cap. 29.2. Job 24.4.
29 O [1] homem que muitas vezes reprehendido endurece a cerviz de repente será quebrantado sem que haja cura.
2 Quando os justos se [2] engrandecem, o povo se alegra, mas quando o impio domina o povo suspira.
3 O homem [3] que ama a sabedoria alegra a seu pae, mas o companheiro de prostitutas desperdiça a fazenda.
4 O rei com juizo sustem a terra, mas o amigo de peitas a transtorna.
5 O homem que lisongeia a seu proximo, arma _uma_ rede aos seus passos.
6 Na transgressão do homem mau ha laço, mas o justo jubila e se alegra.
7 Informa-se o [4] justo da causa dos pobres, _mas_ o impio não comprehende o conhecimento.
8 Os homens escarnecedores [5] abrazam a cidade, mas os sabios desviam a ira.
9 O homem sabio que pleiteia com o tolo, [6] quer se turbe quer se ria, não terá descanço.
10 Os homens sanguinolentos [7] aborrecem ao sincero, mas os rectos procuram o seu bem.
11 Todo o seu espirito profere o tolo, [8] mas o sabio o encobre _e_ reprime.
12 O governador que dá attenção ás palavras mentirosas, _achará que_ todos os seus servos são impios.
13 O pobre e o usurario [9] se encontram, _e_ o Senhor allumia os olhos d’ambos.
14 O [10] rei, que julga os pobres conforme a verdade, firmará o seu throno para sempre.
15 A vara e a reprehensão dão sabedoria, [11] mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe.
16 Quando os impios se multiplicam, multiplicam-se as transgressões, mas os justos verão a sua quéda.
17 Castiga [12] a teu filho, e te fará descançar; e dará delicias á tua alma.
18 Não havendo prophecia, [13] o povo fica dissoluto; porém o que guarda a lei [14] esse _é_ bemaventurado:
19 O servo se não emendará com palavras, porque, _ainda que te_ entenda, todavia não responderá.
20 Tens visto _um_ homem arremessado nas suas palavras? [15] maior esperança _ha_ d’_um_ tolo do que d’elle.
21 Quando alguem cria delicadamente o _seu_ servo desde a mocidade, por derradeiro quererá ser seu filho.
22 O homem iracundo [16] levanta contendas; e o furioso multiplica as transgressões.
23 A soberba [17] do homem o abaterá, mas o humilde d’espirito reterá a gloria.
24 O que tem parte com o ladrão aborrece a sua _propria_ alma: ouve maldições, [18] e não _o_ denuncia.
25 O temor do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto em alto retiro.
26 Muitos buscam a face do principe, mas o juizo de cada um vem do Senhor.
27 Abominação _é_ para os justos o homem iniquo, mas abominação _é_ para o impio o de rectos caminhos.
[1] I Sam. 2.25. II Chr. 36.16. cap. 1.24, 27.
[2] Est. 8.15. cap. 11.10 e 28.12, 28.
[3] cap. 10.1 e 15.20 e 27.11. cap. 28.7. Luc. 15.13, 30.
[4] Job 29.16.
[5] cap. 11.11. Eze. 22.30.
[6] Mat. 11.17.
[7] Gen. 4.5, 8. I João 3.12.
[8] cap. 12.16 e 14.33.
[9] cap. 22.2.
[10] cap. 20.28 e 25.5.
[11] cap. 10.1 e 17.21, 25.
[12] ver. 15. cap. 13.24 e 19.18 e 22.15 e 23.13, 14.
[13] I Sam. 3.1. Amós 8.11, 12.
[14] João 13.17. Thi. 1.25.
[15] cap. 26.12.
[16] cap. 15.18 e 26.21.
[17] Job 22.29. cap. 15.33. Mat. 23.12. Luc. 14.11 e 18.14. Thi. 4.6, 10. I Ped. 5.5.
[18] Lev. 5.1.
_As palavras de Agur._
30 Palavras d’Agur, filho de Jake, [SX] a prophecia: [1] disse este varão a Ithiel; a Ithiel e a Ucal:
2 Na verdade que eu _sou_ mais brutal do que ninguem, não tenho o entendimento do homem.
3 Nem aprendi a sabedoria, nem conheci o conhecimento dos sanctos.
4 Quem [2] subiu ao céu e desceu? quem encerrou os ventos nos seus punhos? quem amarrou as aguas n’um panno? quem estabeleceu todas as extremidades da terra? qual _é_ o seu nome? e qual _é_ o nome de seu filho? se _é que_ o sabes?
5 Toda a palavra de Deus _é_ pura; escudo _é_ para os que confiam n’elle.
6 Nada accrescentes [3] ás suas palavras, para que não te reprehenda e sejas achado mentiroso.
7 Duas coisas te pedi; não m’as negues, antes que morra:
8 Alonga de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza: [4] mantem-me do pão da minha porção acostumada.
9 Para [5] que _porventura_ de farto _te_ não negue, e diga: Quem _é_ o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e lance mão do nome de Deus.
10 Não calumnies o servo diante de seu senhor, para que te não amaldiçoe e fiques culpado.
11 _Ha uma_ geração que amaldiçoa a seu pae, e que não bemdiz a sua mãe.
12 _Ha uma_ geração _que é_ pura [6] aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua immundicia.
13 _Ha uma_ geração cujos olhos são altivos, e as suas palpebras levantadas para cima.
14 _Ha uma_ geração [7] cujos dentes _são_ espadas, e cujos queixaes _são_ facas, para consumirem da terra os afflictos, e os necessitados d’entre os homens.
15 A sanguesuga tem duas filhas, _a saber_: Dá, Dá. Estas tres coisas nunca se fartam; _e_ quatro nunca dizem: Basta.
16 A sepultura; [8] a madre esteril; a terra _que se_ não farta d’agua; e o fogo nunca diz: Basta.
17 Os olhos [9] _que_ zombam do pae, ou desprezam a obediencia da mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os pintãos da aguia os comerão.
18 Estas tres _coisas_ me maravilham; e quatro ha que não conheço:
19 O caminho da aguia no céu; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com _uma_ virgem.
20 Tal _é_ o caminho da mulher adultera: ella come, e limpa a sua bocca, e diz: Não commetti maldade.
21 Por tres coisas se alvoroça a terra: e por quatro, _que_ não pode supportar:
22 Pelo servo, [10] quando reina; e _pelo_ tolo, quando anda farto de pão;
23 Pela _mulher_ aborrecida, quando se casa; e _pela_ serva, quando ficar herdeira da sua senhora.
24 Estas quatro coisas _são_ das mais pequenas da terra, porém sabias, bem providas de sabedoria:
25 As formigas [11] _são um_ povo impotente; _todavia_ no verão preparam a sua comida:
26 Os coelhos _são um_ povo debil; e _comtudo_ põem a sua casa na penha:
27 Os gafanhotos não teem rei; e _comtudo_ todos saem, _e em bandos_ se repartem:
28 A [SY] aranha apanha com as mãos, e está nos paços dos reis.
29 Estas tres teem um bom andar, e quatro que passeiam mui bem:
30 O leão, o mais forte entre os animaes, que por ninguem torna atraz:
31 O [SZ] cavallo de guerra, bem cingido pelos lombos; e o bode; e o rei a quem se não pode resistir.
32 Se obraste loucamente, elevando-te, e se imaginaste o mal, [12] _põe_ a mão na bocca.
33 Porque o espremer do leite produz manteiga, e o espremer do nariz produz sangue, e o espremer da ira produz contenda.
[1] cap. 31.1.
[2] João 3.13. Job 38.4, etc. Isa. 40.12, etc.
[3] Deu. 4.2 e 12.32. Apo. 22.18, 19.
[4] Mat. 6.11.
[5] Deu. 8.12, 14, 17 e 31.20 e 32.15. Ose. 13.6.
[6] Luc. 18.11.
[7] cap. 12.18. Amós 8.4.
[8] cap. 27.20. Hab. 2.5.
[9] Gen. 9.22. Lev. 20.9. cap. 20.20 e 23.32.
[10] Ecc. 10.7.
[11] cap. 6.6, etc.
[12] Job 21.5. Miq. 7.16.
_Os conselhos que a mãe do rei Lemuel deu a seu filho._
[Antes de Christo 1015]
31 Palavras do rei Lemuel: [1] a prophecia com que lhe ensinou a sua mãe.
2 Como, [2] filho meu? e como, ó filho do meu ventre? e como, ó filho das minhas promessas?
3 Não dês [3] ás mulheres a tua força, nem os teus caminhos ás que destroem os reis.
4 Não _é_ dos reis, [4] ó Lemuel, não _é_ dos reis beber vinho, nem dos principes _desejar_ bebida forte.
5 Para que não bebam, [5] e se esqueçam do estatuto, e pervertam o juizo de todos os afflictos.
6 Dae bebida forte aos que perecem, e o vinho aos amargosos d’espirito:
7 Para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e do seu trabalho não se lembrem mais.
8 Abre [6] a tua bocca a favor do mudo, pelo direito de todos que vão perecendo.
9 Abre a tua bocca; [7] julga rectamente; e faze justiça aos pobres e aos necessitados.
10 _Aleph._ [8] Mulher virtuosa quem a achará? porque a sua valia muito excede a de rubins.
11 _Beth._ O coração do seu marido está n’ella _tão_ confiado que fazenda lhe não faltará.
12 _Gimel._ Ella lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.
13 _Daleth._ Busca lã e linho, e trabalha com a industria de suas mãos.
14 _He._ É como o navio de mercador; de longe traz o seu pão.
15 _Vau._ Ainda até de noite [9] se levanta, e dá mantimento á sua casa, e ordinaria porção ás suas servas.
16 _Zain._ Considera _uma_ herdade, e adquire-a; planta _uma_ vinha do fructo de suas mãos.
17 _Heth._ Cinge os seus lombos de força, e corrobora os seus braços.
18 _Teth._ Prova _e vê_ que _é_ boa a sua mercancia; _e_ a sua lampada não se apaga de noite.
19 _Jod._ Estende as suas mãos ao fuso, e as palmas das suas mãos pegam na roca.
20 _Caph._ [10] Abre a sua mão ao afflicto; e ao necessitado estende as suas mãos.
21 _Lamed._ Não temerá, por causa da neve, por sua casa, porque toda a sua casa anda forrada de roupa dobrada.
22 _Mem._ Faz para si tapeçaria; de linho fino e purpura é o seu vestido.
23 _Nun._ [11] Conhece-se o seu marido nas portas, quando se assenta com os anciãos da terra.
24 _Samech._ Faz pannos de linho fino, e vende-os, e dá cintas aos mercadores.
25 _Ain._ A força e a gloria são os seus vestidos, e ri-se do dia futuro.
26 _Pé._ Abre a sua bocca com sabedoria, e a lei da beneficencia _está_ na sua lingua.
27 _Tsade._ Attenta pelos passos de sua casa, e não come o pão da preguiça.
28 _Koph._ Levantam-se seus filhos, prezam-n’a por bemaventurada; _como tambem_ seu marido, que a louva, _dizendo_:
29 _Res._ Muitas filhas obraram virtuosamente; porém tu a todas as sobrepujas.
30 _Sin._ Enganosa _é_ a graça e vaidade a formosura, _mas_ a mulher que teme ao Senhor essa será louvada.
31 _Thau._ Dae-lhe do fructo das suas mãos, e louvem-n’a nas portas as suas obras.
[1] cap. 30.1.
[2] Isa. 49.15.
[3] cap. 5.9. Neh. 13.26. cap. 7.36.
[4] Ecc. 10.17.
[5] Ose. 4.11.
[6] Job 29.15, 16. I Sam. 19.4. Est. 4.16.
[7] Lev. 19.15. Deu. 1.16. Job 29.12. Isa. 1.17. Jer. 22.16.
[8] cap. 12.4 e 18.22 e 19.14.
[9] Rom. 12.11. Luc. 12.42.
[10] Eph. 4.28. Heb. 13.16.
[11] cap. 12.4.
LIVRO DO ECCLESIASTES, OU PRÉGADOR.
_A vaidade de todas as coisas terrestres._
[Antes de Christo 977]
1 Palavras [1] do prégador, filho de David, rei em Jerusalem:
2 Vaidade [2] de vaidades! diz o prégador, vaidade de vaidades! _é_ tudo vaidade.
3 Que vantagem [3] tem o homem, de todo o seu trabalho, que elle trabalha debaixo do sol?
4 _Uma_ geração vae, e _outra_ geração vem; porém a terra para sempre permanece.
5 E nasce o sol, e põe-se o sol, e aspira ao seu logar d’onde nasceu.
6 Vae para o sul, e faz o _seu_ giro para o norte; continuamente vae girando o vento, [4] e volta o vento sobre os seus giros.
7 Todos os ribeiros vão para o mar, e _comtudo_ o mar não se enche: para o logar para onde os ribeiros vão, para ali tornam elles a ir.
8 Todas estas coisas se cançam _tanto_, que ninguem o póde declarar: [5] os olhos se não fartam de vêr, nem se enchem os ouvidos de ouvir.
9 O [6] que foi isso _é o que_ ha de ser; e o que se fez isso se fará; de modo que nada _ha_ de novo debaixo do sol.
10 Ha alguma coisa de que se possa dizer: Vês isto, _é_ novo? já foi nos seculos passados, que foram antes de nós.
11 _Já_ não _ha_ lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser tambem d’ellas não haverá lembrança, nos que hão de ser depois.
12 Eu, [7] o prégador, fui rei sobre Israel em Jerusalem.
13 E appliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto succede debaixo do céu: [8] esta enfadonha occupação deu Deus aos filhos dos homens, para n’ella os exercitar.
14 Attentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo _era_ vaidade e afflicção d’espirito.
15 _Aquillo que é_ torto não se póde endireitar; _aquillo_ que falta não se póde contar.
16 Fallei eu com o meu coração, dizendo: [9] Eis que eu me engrandeci, e augmentei em sabedoria, sobre todos os que houve antes de mim em Jerusalem: e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e a sciencia.
17 E appliquei [10] o meu coração a entender a sabedoria e a sciencia, os desvarios e as doidices, e vim a saber que tambem isto era afflicção d’espirito.
18 Porque [11] na muita sabedoria _ha_ muito enfado; e o que _se_ augmenta _em_ sciencia, accrescenta o trabalho.
[1] ver. 12. cap. 7.27 e 12.8, 9.
[2] cap. 12.8.
[3] cap. 2.22 e 3.9.
[4] João 3.8.
[5] Pro. 27.20.
[6] cap. 3.15.
[7] ver. 1.
[8] Gen. 3.19. cap. 3.10.
[9] I Reis 3.12, 13 e 4.30 e 10.7, 23. cap. 2.9.
[10] cap. 2.3, 12 e 7.23, 25. I The. 5.21.
[11] cap. 12.12.
_Os prazeres e as riquezas não produzem a felicidade._
2 Disse eu no meu coração: [1] Ora vem, eu te provarei com alegria, attenta pois para o bem; porém eis que tambem isto _era_ vaidade.
2 Ao riso disse: [2] _Estás_ doido; e á alegria: De que serve esta?
3 Busquei [3] no meu coração como me daria ao vinho (regendo porém o meu coração com sabedoria), e como reteria a loucura, até vêr o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, _durante_ o numero dos dias de sua vida.
4 Fiz para mim obras magnificas: edifiquei para mim casas: plantei para mim vinhas.
5 Fiz para mim hortas e jardins, e plantei n’elles arvores de toda _a especie_ de fructa.
6 Fiz para mim tanques d’aguas, para regar com elles o bosque em que reverdeciam as arvores.
7 Adquiri servos e servas, e tive filhos de casa; tambem tive grande possessão de vaccas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalem.
8 Amontoei tambem para mim prata e oiro, e as joias de reis e das provincias; provi-me de cantores e cantoras, e das delicias dos filhos dos homens: d’instrumentos de musica, e de toda a sorte d’instrumentos.
9 E engrandeci, e [4] augmentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalem: perseverou tambem comigo a minha sabedoria.
10 E tudo quanto desejaram os meus olhos não lh’o neguei, nem retive o meu coração d’alegria alguma; mas o meu coração se alegrou de todo o meu trabalho, [5] e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
11 E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como tambem para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, _e_ eis que tudo _era_ vaidade [6] e afflicção d’espirito, e _que_ proveito nenhum _havia_ debaixo do sol.
12 Então passei á contemplação da sabedoria, e dos desvarios, [7] e da doidice; porque que fará o homem que seguir ao rei? o que outros já fizeram;
13 Então vi eu que a sabedoria é mais excellente do que a estulticia, quanto a luz é mais excellente do que as trevas.
14 Os olhos [8] do sabio _estão_ na sua cabeça, mas o louco anda em trevas: tambem então entendi eu que o mesmo successo lhes succede a todos.
15 Pelo que eu disse no meu coração: Como succeder ao tolo, assim me succederá a mim; porque pois então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que tambem isto _era_ vaidade.
16 Porque nunca _haverá_ mais lembrança do sabio do que do tolo; porquanto de tudo quanto agora _ha_ nos dias futuros total esquecimento haverá. E como morre o sabio? assim como o tolo.
17 Pelo que aborreci esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me _parece_ má; porque tudo _é_ vaidade e afflicção d’espirito.
18 Tambem eu aborreci todo o meu trabalho, em que eu trabalhei debaixo do sol, visto que eu havia de deixal-o ao homem que viesse depois de mim.
19 Porque quem sabe se será sabio ou tolo? todavia se assenhoreará sobre todo o meu trabalho em que trabalhei, e em que me houve sabiamente debaixo do sol; tambem isto _é_ vaidade.
20 Pelo que eu me appliquei a fazer que o meu coração perdesse a esperança de todo o trabalho, em que trabalhei debaixo do sol.
21 Porque ha homem que trabalha com sabedoria, e sciencia, e destreza; todavia deixará _o seu trabalho_, como porção sua, a _um_ homem que não trabalhou n’elle: tambem isto _é_ vaidade e grande enfado.
22 Porque, [9] que _mais_ tem o homem de todo o seu trabalho, e fadiga do seu coração, em que elle anda trabalhando debaixo do sol?
23 Porque todos os seus dias [10] _são_ dôres, e a sua occupação _é_ vexação; até de noite não descança o seu coração: tambem isto é vaidade.
24 Não _é pois_ bom para o homem que [11] coma e beba, e _que_ faça gozar a sua alma do bem do seu trabalho? tambem eu vi que isto _vem_ da mão de Deus.
25 (Porque quem pode comer, ou quem [TA] o pode gozar _melhor_ do que eu?).
26 Porque ao homem que _é_ bom diante d’elle dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria, porém ao peccador dá trabalho, para que elle ajunte, e amontoe, [12] para o dar ao bom perante a sua face. Tambem isto _é_ vaidade e afflicção d’espirito.
[1] Luc. 12.19.
[2] Pro. 14.13.
[3] cap. 1.17.
[4] cap. 1.16.
[5] cap. 3.22 e 5.18 e 9.9.
[6] cap. 1.3, 14.
[7] cap. 1.17.
[8] Pro. 17.24. cap. 8.
[9] cap. 1.3 e 3.9.
[10] Job 5.7 e 14.1.
[11] cap. 3.12, 13, 22 e 5.18 e 8.15.
[12] Job 27.16, 17. Pro. 28.8.
_Ha, para todas as coisas, um tempo determinado por Deus._
3 Tudo _tem_ o _seu_ [1] tempo determinado, e todo o proposito debaixo do céu _tem o seu tempo_: