A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 106

Chapter 1064,508 wordsPublic domain

18 Porém a vereda [11] dos justos _é_ como a luz resplandecente _que_ vae adiante e alumia até ao dia perfeito.

19 O caminho [12] dos impios _é_ como a escuridão: nem sabem em que tropeçarão.

20 Filho meu, attenta para as minhas palavras: ás minhas razões inclina o teu ouvido.

21 Não [13] as deixes apartar-se dos teus olhos: guarda-as no meio do teu coração.

22 Porque são vida para os que as acham, e saude [14] para todo o seu corpo.

23 Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque d’elle _procedem_ as saidas da vida.

24 Desvia de ti a tortuosidade da bocca, e alonga de ti a perversidade dos beiços.

25 Os teus olhos olhem direitos, e as tuas palpebras olhem directamente diante de ti.

26 Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados!

27 Não declines [15] nem para a direita nem para a esquerda: retira o teu pé do mal.

[1] I Chr. 29.1.

[2] I Chr. 28.9. Eph. 6.4.

[3] cap. 7.2.

[4] cap. 2.2, 3.

[5] II The. 2.10.

[6] I Sam. 2.30.

[7] cap. 1.9 e 3.22.

[8] cap. 3.2.

[9] cap. 1.10, 15.

[10] Isa. 57.20.

[11] Mat. 5.14, 45. II Sam. 23.4.

[12] I Sam. 2.9. Job 18.5, 6. Isa. 59.9, 10. Jer. 23.12. João 12.35.

[13] cap. 3.3, 21. cap. 2.1.

[14] cap. 3.8 e 12.18.

[15] Deu. 5.32 e 28.14. Jos. 1.7. Isa. 1.16. Rom. 12.9.

5 Filho meu, attende á minha sabedoria: á minha intelligencia inclina o teu ouvido;

2 Para que conserves [RZ] os meus avisos e os teus beiços guardem o [1] conhecimento.

3 Porque [2] os labios da estranha distillam favos de mel, e o seu palladar _é_ mais macio do que o azeite.

4 Porém o seu fim é amargoso como o absinthio, agudo [3] como a espada de dois fios.

5 Os seus pés [4] descem á morte: os seus passos pegam no [SA] inferno.

6 Para que não ponderes a vereda da vida, são as suas carreiras variaveis, e não saberás _d’ellas_.

7 Agora, pois, filhos, dae-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da minha bocca.

8 Alonga d’ella o teu caminho, e não chegues á porta da sua casa;

9 Para que não dês a outros a tua honra, nem os teus annos a crueis.

10 Para que não se fartem os estranhos [SB] do teu poder, e _todos os_ teus afadigados trabalhos _não entrem_ na casa do estrangeiro,

11 E gemas no teu fim, consumindo-se a tua carne e o teu corpo.

12 E digas: Como aborreci [5] a correcção! e desprezou o meu coração a reprehensão!

13 E não escutei a voz dos meus ensinadores, nem a meus mestres inclinei o meu ouvido!

14 Quasi que em todo o mal me achei no meio da congregação e do ajuntamento.

15 Bebe agua da tua cisterna, e das correntes do teu poço.

16 Derramem-se por de fóra as tuas fontes, _e_ pelas ruas os ribeiros d’aguas.

17 Sejam para ti só, e não para os estranhos comtigo.

18 Seja bemdito o teu manancial, e alegra-te [6] da mulher da tua mocidade.

19 Como serva amorosa, e gazella graciosa, os seus peitos te saciarão em todo o tempo: e pelo seu amor sejas attrahido perpetuamente.

20 E porque, filho meu, andarias attrahido pela estranha, e abraçarias [7] o seio da estrangeira?

21 Porque os caminhos [8] do homem _estão_ perante os olhos do Senhor, e _elle_ pesa todas as suas carreiras.

22 Quanto ao impio, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu peccado será detido.

23 Elle morrerá, [9] porque sem correcção andou, e pelo excesso da sua loucura andará errado.

[1] Mal. 2.7.

[2] cap. 2.16 e 6.24.

[3] Heb. 4.12.

[4] cap. 7.27.

[5] cap. 1.29. cap. 1.25 e 12.1.

[6] Mal. 2.14.

[7] cap. 2.16 e 7.5.

[8] II Chr. 16.9. Jer. 16.17 e 32.19. Heb. 4.13.

[9] Job 4.21 e 36.12.

_Advertencia contra o servir de fiador, contra a preguiça e contra a maldade._

6 Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, _se_ déste a tua mão ao estranho,

2 Enredaste-te com as palavras da tua bocca: prendeste-te com as palavras da tua bocca.

3 Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, pois já caiste nas mãos do teu companheiro; vae, humilha-te, e aperta com o teu companheiro.

4 Não dês somno aos teus olhos, nem adormecimento ás tuas palpebras.

5 Livra-te como [SC] o corço da mão do passarinheiro.

6 Vae-te á formiga, [1] ó preguiçoso: olha para os seus caminhos, e sê sabio.

7 A qual, não tendo [SD] superior, _nem_ official, nem dominador.

8 Prepara no verão o seu pão: na sega ajunta o seu mantimento.

9 Oh! preguiçoso, até quando [2] ficarás deitado? quando te levantarás do teu somno?

10 Um pouco de somno, um pouco tosquenejando; um pouco encruzando as mãos, para estar deitado.

11 Assim _te_ sobrevirá a tua [3] pobreza como o caminhante, e a tua necessidade como um homem armado.

12 O homem de [SE] Belial, o homem vicioso, anda em perversidade de bocca.

13 Acena com os olhos, falla com os pés, ensina com os dedos.

14 Perversidade _ha_ no seu coração, todo o tempo maquina mal: anda semeando contendas.

15 Pelo que a sua destruição virá repentinamente: subitamente será quebrantado, [4] sem que _haja_ cura.

16 Estas seis coisas aborrece o Senhor, e sete a sua alma abomina:

17 Olhos altivos, lingua mentirosa, e mãos [5] que derramam sangue innocente:

18 O coração [6] que maquina pensamentos viciosos; pés que se apressam a correr para o mal;

19 A testemunha falsa que respira mentiras: e o que semeia [7] contendas entre irmãos.

_O mancebo é advertido contra a mulher adultera._

20 Filho meu, guarda [8] o mandamento de teu pae, e não deixes a lei de tua mãe;

21 Ata-os [9] perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço.

22 Quando caminhares, [10] te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, ella fallará comtigo.

23 Porque o mandamento _é uma_ lampada, e a lei _uma_ luz: e as reprehensões da correcção são o caminho da vida.

24 Para te guardarem [11] da má mulher, _e_ das lisonjas da lingua estranha.

25 Não cubices [12] no teu coração a sua formosura, nem te prendas com os seus olhos.

26 Porque por causa _d’uma_ mulher prostituta _se chega_ a _pedir_ um bocado de pão; e a mulher dada a homens [13] anda á caça da preciosa alma.

27 _Porventura_ tomará alguem fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem?

28 _Ou_ andará alguem sobre as brazas, sem que se queimem os seus pés?

29 Assim _será_ o que entrar á mulher do seu proximo: não ficará innocente todo aquelle que a tocar.

30 Não injuriam ao ladrão, quando furta, para saciar a sua alma, tendo fome;

31 Mas, achado, pagará [14] sete vezes tanto: dará toda a fazenda de sua casa.

32 _Porém_ o que adultéra com uma mulher _é_ falto de entendimento; destroe a sua alma, [15] o _que_ tal faz.

33 Achará castigo e vilipendio, e o seu opprobrio nunca se apagará.

34 Porque ciumes _são_ furores do marido, e de maneira nenhuma perdoará no dia da vingança.

35 Nenhum resgate acceitará, nem consentirá, ainda que augmentes os presentes.

[1] Job 12.7.

[2] cap. 24.33, 34.

[3] cap. 10.4 e 13.4 e 20.4.

[4] Jer. 19.11. II Chr. 36.16.

[5] Isa. 1.15.

[6] Gen. 6.5. Isa. 59.7. Rom. 3.15.

[7] ver. 14.

[8] cap. 1.8. Eph. 6.1.

[9] cap. 3.3 e 7.3.

[10] cap. 3.23, 24. cap. 2.11.

[11] cap. 2.16 e 5.3 e 7.5.

[12] Mat. 5.28. cap. 29.3.

[13] Gen. 39.14. Eze. 13.18.

[14] Exo. 22.1, 4.

[15] cap. 7.7.

7 Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde [1] dentro de ti os meus mandamentos.

2 Guarda [2] os meus mandamentos, e vive; e a minha lei, como as meninas dos teus olhos.

3 Ata-os [3] aos teus dedos, escreve-os na taboa do teu coração.

4 Dize á sabedoria, Tu _és_ minha irmã; e á prudencia chama parenta.

5 Para te guardarem [4] da mulher alheia, da estrangeira, _que_ lisongeia com as suas palavras.

6 Porque da janella da minha casa, por minhas grades olhando _eu_,

7 Vi entre os simplices, descobri entre os moços, _um_ mancebo falto de juizo,

8 Que passava pela rua junto á sua esquina, e seguia o caminho da sua casa;

9 No crepusculo, [5] á tarde do dia, na tenebrosa noite e na escuridão;

10 E eis que _uma_ mulher lhe _saiu_ ao encontro, com enfeites de prostituta, e astuta de coração:

11 Esta _era_ alvoroçadora, [6] e contenciosa; não paravam em sua casa os seus pés;

12 Agora por fóra, depois pelas ruas, e espreitando por todos os cantos:

13 E pegou d’elle, e o beijou; esforçou o seu rosto, e disse-lhe:

14 Sacrificios pacificos _tenho_ comigo; hoje paguei os meus votos.

15 Por isto sahi ao encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei.

16 Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas com linho fino do [7] Egypto.

17 Já perfumei o meu leito com myrrha, aloes, e canella.

18 Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã: alegremo-nos com amores.

19 Porque _já_ o marido não _está_ em sua casa: foi fazer _uma_ jornada ao longe:

20 _Um_ saquitel de dinheiro levou na sua mão: ao dia apontado virá a sua casa.

21 Seduziu-o com a multidão [8] das suas palavras, com as lisonjas dos seus labios o persuadiu.

22 Segue-a logo, como boi que vae ao matadouro, e como _o_ louco ao castigo das prisões;

23 Até que a frecha lhe atravesse o figado, como a ave [9] que se apressa para o laço, e não sabe que está _armado_ contra a sua vida.

24 Agora pois, filhos, dae-me ouvidos, e estae attentos ás palavras da minha bocca.

25 Não se desvie para os seus caminhos o teu coração, e não andes perdido nas suas veredas.

26 Porque a muitos feridos derribou; e são muitissimos [10] os que por ella foram mortos.

27 Caminhos da sepultura _são_ [11] a sua casa, que descem ás camaras da morte.

[1] cap. 2.1.

[2] Lev. 18.5. cap. 4.4. Isa. 55.3. Deu. 32.10.

[3] Deu. 6.8 e 11.18. cap. 3.3 e 6.21.

[4] cap. 2.16 e 5.3 e 6.24. cap. 6.32.

[5] Job 24.51.

[6] cap. 9.13. I Tim. 5.18. Tito 2.5.

[7] Isa. 19.9.

[8] cap. 5.3.

[9] Ecc. 9.12.

[10] Neh. 13.26.

[11] cap. 2.18 e 5.5 e 9.18.

_A excellencia e justiça dos preceitos da Sabedoria._

8 Não clama _porventura_ a [1] sabedoria, e a intelligencia não dá a sua voz?

2 No cume das alturas, junto ao caminho, nas encruzilhadas das veredas se põe.

3 Da banda das portas _da_ cidade, á entrada da cidade, _e_ á entrada das portas está gritando.

4 A vós, ó homens, clamo; e a minha voz _se dirige_ aos filhos dos homens.

5 Entendei, ó simplices, a prudencia: e _vós_, loucos, entendei _do_ coração.

6 Ouvi, porque [2] fallarei coisas excellentes: os meus labios se abrirão para a equidade.

7 Porque a minha bocca proferirá a verdade, e os meus labios abominam a impiedade.

8 Em justiça _estão_ todas as palavras da minha bocca: não _ha_ n’ellas nenhuma coisa tortuosa nem perversa.

9 Todas ellas _são_ rectas para o que _bem as_ entende, e justas para os que acham o conhecimento.

10 Acceitae a minha correcção, e não a prata: e o conhecimento, mais do que o oiro fino escolhido.

11 Porque [3] melhor _é_ a sabedoria do que os rubins; e tudo o que _mais_ se deseja não se pode comparar com ella.

12 Eu, a sabedoria, habito _com_ a prudencia, e acho a sciencia dos conselhos.

13 O [4] temor do Senhor _é_ aborrecer o mal: a soberba, e a arrogancia, e o mau caminho, e a bocca perversa, aborreço.

14 Meu é o conselho e _verdadeira_ sabedoria: eu _sou_ o entendimento, minha _é_ [5] a fortaleza.

15 Por mim reinam [6] os reis e os principes ordenam justiça.

16 Por mim dominam os dominadores, e principes, todos os juizes da terra.

17 Eu amo [7] aos que me amam, e os que de madrugada me buscam me acharão.

18 Riquezas e honra _estão_ comigo; [8] _como tambem_ opulencia duravel e justiça.

19 Melhor _é_ o meu fructo do [9] que o fino oiro e do que o oiro refinado, e as minhas novidades do que a prata escolhida.

20 Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juizo.

21 Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e _eu_ encha os seus thesouros.

_A Sabedoria existiu desde a eternidade._

22 O Senhor me possuiu [10] no principio de seus caminhos, desde então, _e_ antes de suas obras.

23 Desde a eternidade fui ungida, desde o principio, antes do começo da terra.

24 Quando _ainda_ não havia abysmos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas d’aguas.

25 Antes [11] que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu era gerada.

26 Ainda não tinha feito a terra, nem os campos, nem o principio dos mais miudos do mundo.

27 Quando preparava os céus, ahi _estava_ eu, quando compassava ao redor a face do abysmo,

28 Quando affirmava as nuvens de cima, quando fortificava as fontes do abysmo,

29 Quando [12] punha ao mar o seu termo, para que as aguas não trespassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra.

30 Então _eu_ estava [13] com elle por alumno: e _eu_ era cada dia as _suas_ delicias, folgando perante elle em todo o tempo;

31 Folgando no seu mundo habitavel, e _achando_ as minhas delicias com os filhos dos homens.

32 Agora, pois, filhos, [14] ouvi-me, porque bemaventurados _serão os que_ guardarem os meus caminhos.

33 Ouvi a correcção, e sêde sabios, e não a rejeiteis.

34 Bemaventurado [15] o homem que me dá ouvidos, velando ás minhas portas cada dia, esperando ás hombreiras das minhas entradas.

35 Porque o que me achar achará a vida, [16] e alcançará favor do Senhor.

36 Mas o que peccar _contra_ mim violentará a sua [17] _propria_ alma: todos os que me aborrecem amam a morte.

[1] cap. 1.20 e 9.3.

[2] cap. 22.20.

[3] Job 28.15, etc.

[4] cap. 16.6. cap. 6.17. cap. 4.24.

[5] Ecc. 7.19.

[6] Dan. 2.21. Rom. 13.1.

[7] I Sam. 2.30. João 14.21.

[8] cap. 3.16. Mat. 6.33.

[9] cap. 3.14. ver. 10.

[10] cap. 3.19. João 1.1.

[11] Job 15.7, 8.

[12] Gen. 1.9, 10. Job 38.10, 11. Jer. 5.22.

[13] João 1.1, 2, 18.

[14] Luc. 11.28.

[15] cap. 3.13, 18.

[16] cap. 12.2.

[17] cap. 20.2.

_O banquete da Sabedoria._

9 A Sabedoria já edificou [1] a sua casa, já lavrou as suas sete columnas.

2 Já sacrificou as [2] suas victimas, misturou o seu vinho: e já preparou a sua mesa.

3 Já mandou [3] as suas creadas, já anda convidando desde as alturas da cidade, _dizendo_:

4 Quem é simples, [4] volte-se para aqui. Aos faltos d’entendimento diz:

5 Vinde, [5] comei do meu pão, e bebei do vinho _que_ tenho misturado.

6 Deixae a parvoice, e vivei; e andae pelo caminho do entendimento.

7 O que reprehende ao escarnecedor, affronta toma para si; e o que redargue ao impio, _pega-se-lhe_ a sua mancha.

8 Não reprehendas ao escarnecedor, para que te não aborreça: reprehende ao sabio, e amar-te-ha.

9 Dá ao sabio, e elle se fará mais sabio: ensina ao justo, e se augmentará em doutrina.

10 O temor do Senhor _é_ o principio da sabedoria, e a sciencia do Sancto a prudencia.

11 Porque [6] por mim se multiplicam os teus dias, e annos de vida se te augmentarão.

12 Se fores sabio, para ti sabio serás; e, se fores escarnecedor, tu só _o_ supportarás.

13 A mulher louca é alvoroçadora, _é_ simples, e não sabe coisa nenhuma.

14 E assenta-se á porta da sua casa sobre uma cadeira, nas alturas da cidade,

15 Para chamar aos que passam pelo caminho, e endireitam as suas veredas, _dizendo_:

16 Quem _é_ simples, volte-se para aqui. E aos faltos de entendimento diz:

17 As aguas roubadas são doces, e o pão _tomado_ ás escondidas é suave.

18 Porém não sabes que ali _estão_ os mortos: os seus convidados _estão_ nas profundezas do inferno.

[1] Mat. 16.18. Eph. 2.20, 21, 22. I Ped. 2.5.

[2] Mat. 22.3, etc. ver. 5. cap. 23.30.

[3] Rom. 10.15. cap. 8.1, 2. ver. 14.

[4] ver. 16. cap. 6.32. Mat. 11.25.

[5] ver. 2. Can. 5.1. Isa. 55.1.

[6] cap. 3.2, 16 e 10.27.

_Proverbios ácerca de varios assumptos._

10 Proverbios de Salomão. O filho sabio alegra a seu pae, mas o filho louco _é_ a tristeza de sua mãe.

2 Os thesouros [1] da impiedade de nada aproveitam; porém a justiça livra da morte.

3 O Senhor não deixa ter fome a alma do justo, mas a fazenda dos impios rechaça.

4 O que trabalha com mão enganosa [2] empobrece, mas [3] a mão dos diligentes enriquece.

5 O que ajunta no verão _é_ filho entendido, _mas_ o que dorme na sega _é_ filho que faz envergonhar.

6 Bençãos _ha_ sobre a cabeça do justo, mas a violencia [4] cobre a bocca dos impios.

7 A memoria do justo é abençoada, mas o nome dos impios apodrecerá.

8 O sabio de coração acceita os mandamentos, mas o louco de labios será transtornado.

9 Quem anda [5] em sinceridade, anda seguro; mas o que perverte os seus caminhos será conhecido.

10 O que acena com os olhos dá dôres, e o tolo de labios será transtornado.

11 A bocca do justo é fonte de vida, mas a bocca dos impios cobre a violencia.

12 O odio excita [6] contendas, mas o amor cobre todas as transgressões.

13 Nos labios do entendido se acha a sabedoria, mas a vara é para as costas do falto de entendimento.

14 Os sabios escondem a sabedoria; mas a bocca [7] do tolo _está_ perto da ruina.

15 A fazenda [8] do rico _é_ a cidade da sua fortaleza: a pobreza dos pobres _é_ a sua ruina.

16 A obra do justo _conduz_ á vida, as novidades do impio ao peccado.

17 O caminho para a vida _é_ d’aquelle que guarda a correcção, mas o que deixa a reprehensão faz errar.

18 O que encobre o odio _tem_ labios falsos, e o que produz má fama é _um_ insensato.

19 Na [9] multidão de palavras não ha falta de transgressão, mas o que modera os seus labios _é_ prudente.

20 Prata escolhida _é_ a lingua do justo: o coração dos impios _é_ de nenhum preço.

21 Os labios do justo apascentam a muitos, mas os tolos, por falta de entendimento, morrem.

22 A benção [10] do Senhor é a que enriquece; e não lhe accrescenta dôres.

23 Como brincadeira [11] _é_ para o tolo fazer abominação, mas sabedoria [12] para o homem entendido.

24 O temor do impio virá sobre elle, mas o desejo dos justos [13] _Deus lhe_ cumprirá.

25 Como passa a tempestade, assim o impio _mais_ não _é_; mas o justo [14] _tem_ perpetuo fundamento.

26 Como vinagre para os dentes, como o fumo para os olhos, assim _é_ o preguiçoso para aquelles que o mandam.

27 O temor do Senhor augmenta os dias, mas os annos dos impios serão abreviados.

28 A esperança dos justos _é_ alegria, mas a expectação dos impios perecerá.

29 O caminho do Senhor _é_ fortaleza para os rectos, mas ruina será para os que obram iniquidade.

30 O justo nunca jámais será abalado, mas os impios não habitarão a terra.

31 A bocca do justo em abundancia produz sabedoria, mas a lingua da perversidade será desarreigada.

32 Os beiços do justo sabem o que agrada, mas a bocca dos impios _anda cheia de_ perversidades.

[1] Luc. 12.19, 20.

[2] cap. 12.24 e 19.15.

[3] cap. 13.4 e 21.5.

[4] ver. 11. Est. 7.8.

[5] Isa. 33.15, 16. ver. 8.

[6] cap. 17.9. I Cor. 13.4. I Ped. 4.8.

[7] cap. 18.7 e 21.23.

[8] Job 31.24. cap. 18.11. I Tim. 6.17.

[9] Ecc. 5.3, 5. Thi. 3.2.

[10] Gen. 24.35 e 26.12.

[11] cap. 14.9 e 15.21.

[12] Job 15.21.

[13] Mat. 5.6. I João 5.14, 15.

[14] Mat. 7.24, 25 e 16.18.

11 Balança [1] enganosa _é_ abominação ao Senhor, mas o peso justo o seu prazer.

2 Vinda a soberba, [2] virá tambem a affronta; mas com os humildes está a sabedoria.

3 A sinceridade [3] dos sinceros os encaminhará, mas a perversidade dos aleives os destruirá.

4 Não aproveitam as [4] riquezas no dia da indignação, mas a justiça livra da morte.

5 A justiça do sincero endireitará o seu caminho, mas o impio pela sua impiedade cairá.

6 A justiça dos virtuosos os livrará, mas na sua perversidade serão apanhados os iniquos.

7 Morrendo o homem [5] impio perece a _sua_ expectação, e a esperança dos injustos se perde.

8 O justo [6] é livre da angustia, e o impio vem em seu logar.

9 O hypocrita [7] com a bocca destroe ao seu companheiro, mas os justos são livres pelo conhecimento.

10 No bem dos justos [8] exulta a cidade; e, perecendo os impios, ha jubilo.

11 Pela benção dos sinceros se exalta [9] a cidade, mas pela bocca dos impios se derriba.

12 O que carece de entendimento despreza a seu companheiro, mas o homem bem entendido cala-se.

13 O que anda [10] praguejando descobre o segredo, mas o fiel de espirito encobre o negocio.

14 Não havendo sabios conselhos, o povo cae, [11] mas na multidão de conselheiros ha segurança.

15 Decerto [SF] soffrerá severamente aquelle que fica por fiador do estranho, mas o que aborrece aos que dão as mãos _estará_ seguro.

16 A mulher aprazivel [12] guarda a honra, como os violentos guardam as riquezas.

17 O homem benigno [13] faz bem á sua propria alma, mas o cruel perturba a sua _propria_ carne.

18 O impio [SG] faz obra falsa, mas _para_ [14] o que semeia justiça _haverá_ galardão fiel.

19 Como a justiça _encaminha_ para a vida, assim o que segue o mal _vae_ para a sua morte.

20 Abominação _são_ ao Senhor os perversos de coração, mas os sinceros de caminho são o seu deleite.

21 _Ainda que_ o mau _junte_ mão [15] á mão, não será inculpavel, mas a semente dos justos escapará.

22 Como joia de oiro na tromba da porca, _assim é_ a mulher formosa, que se aparta da [SH] razão.

23 O desejo dos justos tão sómente _é_ o bem, mas a esperança [16] dos impios _é_ a indignação.

24 _Alguns_ ha que espalham, e _ainda_ se _lhes_ accrescenta mais, e _outros_ que reteem mais do _que é_ justo, mas _é_ para _a sua_ perda.

25 A alma [17] abençoante engordará, e o que regar, elle tambem será regado.

26 Ao que retem [18] o trigo o povo amaldiçoa, mas benção _haverá_ sobre a cabeça do vendedor.

27 O que busca cedo o bem busca favor, [19] porém o que procura o mal _a esse_ lhe sobrevirá.

28 Aquelle [20] que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos [21] reverdecerão como a rama.

29 O que perturba a sua casa herdará o vento, e o tolo _será_ servo do entendido de coração.

30 O fructo do justo _é_ arvore de vida, e o que ganha almas [22] sabio _é_.

31 Eis que [23] o justo é recompensado na terra; quanto mais _o será_ o impio e o peccador.

[1] Lev. 19.35, 36. Deu. 25.13, 16. cap. 16.11 e 20.10, 23.

[2] cap. 15.33 e 16.18 e 18.12.

[3] cap. 13.6.

[4] Eze. 7.19. Sof. 1.18. Gen. 7.1.

[5] cap. 10.28.

[6] cap. 21.18.

[7] Job 8.13.

[8] Est. 8.15. cap. 28.12, 28.

[9] cap. 29.8.

[10] Lev. 19.16. cap. 10.19.

[11] I Reis 12.1, etc. cap. 15.22 e 24.6.

[12] cap. 31.30.

[13] Mat. 5.7 e 25.34, etc.

[14] Ose. 10.12. Gal. 6.8, 9. Thi. 3.18.

[15] cap. 16.5.

[16] Rom. 2.8, 9.

[17] II Cor. 9.6, 7, 8, 9, 10.

[18] Amós 8.5, 6. Job 29.13.

[19] Est. 7.10.

[20] Mar. 10.24. Luc. 12.21. I Tim. 6.17.

[21] Jer. 17.8.

[22] Dan. 12.3. I Cor. 9.19, etc. Thi. 5.20.

[23] Jer. 25.29. I Ped. 4.17, 18.

12 O que ama a correcção ama o conhecimento, mas o que aborrece a reprehensão _é_ brutal.

2 O homem de bem alcançará o favor do Senhor, mas ao homem de perversas imaginações elle condemnará.

3 O homem não se estabelecerá pela impiedade, mas a raiz dos justos não será removida.

4 A mulher virtuosa [1] _é_ a corôa do seu senhor, mas a que faz vergonha _é_ como apodrecimento nos seus ossos.

5 Os pensamentos dos justos _são_ juizo, _mas_ os conselhos dos impios engano.

6 As palavras dos impios _são_ de armarem ciladas ao sangue, mas a bocca dos rectos os fará escapar.

7 Transtornados [2] serão os impios, e não serão _mais_, mas a casa dos justos permanecerá.

8 Segundo o seu entendimento, será louvado cada qual, mas o perverso de coração estará em desprezo.

9 Melhor _é_ o que se estima em pouco, e tem servos, do que o que se honra _a si mesmo_ e tem falta de pão.

10 O justo attende [3] pela vida dos seus animaes, mas as misericordias dos impios _são_ crueis.

11 O que [4] lavra a sua terra se fartará de pão mas o que segue os ociosos _está_ falto de juizo.

12 Deseja o impio a rede dos males, mas a raiz dos justos produz o _seu_ fructo.

13 O laço do impio está na transgressão dos labios, mas o [5] justo sairá da angustia.

14 Do fructo da bocca cada um se farta de bem, e a recompensa [6] das mãos dos homens se lhe tornará.

15 O caminho [7] do tolo _é_ recto aos seus olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho _é_ sabio.

16 A ira do louco se conhece no mesmo dia, mas o avisado encobre a affronta.

17 O que produz a verdade manifesta a justiça, mas a testemunha da falsidade o engano.

18 Ha _alguns_ que fallam _palavras_ como estocadas de espada, mas a lingua dos sabios _é_ saude.

19 O labio de verdade ficará para sempre, mas a lingua de falsidade _dura_ por um _só_ momento.