A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento

Part 105

Chapter 1054,350 wordsPublic domain

11 Não terá firmeza na terra o homem de _má_ lingua: o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado.

12 Sei que o Senhor [RO] sustentará a causa do opprimido, _e_ o direito do necessitado.

13 Assim os justos louvarão o teu nome: os rectos habitarão na tua presença.

[1] Rom. 3.13.

[2] Jer. 18.22.

_O psalmista ora para que seja preservado no meio da tentação._

Psalmo de David.

141 Senhor, a ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos á minha voz, quando a ti clamar.

2 Suba a minha [1] oração perante a tua face _como_ incenso, _e_ as minhas mãos levantadas _sejam como_ o sacrificio da tarde.

3 Põe, ó Senhor, uma guarda á minha bocca: guarda a porta dos meus labios.

4 Não inclines o meu coração a coisas más, a praticar obras más, com aquelles que obram a iniquidade; e não coma das suas delicias.

5 Fira-me o justo, _será uma_ benignidade; e reprehenda-me, _será um_ excellente oleo, _que_ me não quebrará a cabeça; porque orarei nas suas proprias calamidades.

6 Quando os seus juizes forem derribados pelos lados da rocha, ouvirão as minhas palavras, pois são agradaveis.

7 Os nossos ossos são espalhados á bocca da sepultura como se alguem [RP] fendera e partira _lenha_ em terra.

8 Mas os meus olhos te _contemplam_, o Deus, Senhor: em ti confio; não desnudes a minha alma.

9 Guarda-me dos laços _que_ me armaram; e dos laços corrediços dos que obram a iniquidade.

10 Caiam os impios nas suas proprias redes, até que eu tenha escapado inteiramente.

[1] Apo. 5.8 e 3.4.

_Oração no meio de grande perigo._

Maschil de David: oração que fez quando estava na caverna.

142 Com a minha voz clamei ao Senhor, com a minha voz suppliquei ao Senhor.

2 Derramei a minha queixa perante a sua face; expuz-lhe a minha angustia.

3 Quando o meu espirito estava angustiado em mim, então conheceste a minha vereda: no caminho em que eu andava, esconderam-me _um_ laço.

4 Olhei para a _minha_ direita, e vi; mas não _havia_ quem me conhecesse: refugio me faltou, ninguem cuidou da minha alma.

5 A ti, ó Senhor, clamei; disse: Tu _és_ o meu refugio, _e_ a minha porção na terra dos viventes.

6 Attende ao meu clamor; porque estou muito abatido: livra-me dos meus perseguidores; porque são mais fortes do que eu.

7 Tira a minha alma da prisão, para que louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me fizeste bem.

_O psalmista ora para que seja livre de inimigos._

Psalmo de David.

143 Ó Senhor, ouve a minha oração, inclina os ouvidos ás minhas supplicas: escuta-me segundo a tua verdade, _e_ segundo a tua justiça,

2 E não entres em juizo com o teu servo, [1] porque á tua vista não se achará justo nenhum vivente.

3 Pois o inimigo perseguiu a minha alma; atropellou-me até ao chão; fez-me habitar na escuridão, como aquelles que morreram ha muito.

4 Pelo que o meu espirito se angustia em mim; _e_ o meu coração em mim está desolado.

5 Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos.

6 Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem _sêde_ de ti, como terra sedenta (Selah).

7 Ouve-me depressa, ó Senhor; o meu espirito desmaia; não escondas de mim a tua face, para que não seja similhante aos que descem á cova.

8 Faze-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti levanto a minha alma.

9 Livra-me, ó Senhor, dos meus inimigos; fujo para ti, para me esconder.

10 Ensina-me a fazer a tua vontade, pois _és_ o meu Deus: [2] o teu Espirito _é_ bom; guia-me por terra plana.

11 Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira a minha alma da angustia.

12 E por tua misericordia desarreiga os meus inimigos, e destroe a todos os que angustiam a minha alma: pois _sou_ teu servo.

[1] Rom. 3.20. Gal. 2.16.

[2] Neh. 9.20. Isa. 26.10.

_Acção de graças pela protecção de Deus e oração por outros livramentos._

Psalmo de David.

144 Bemdito _seja_ o Senhor, minha rocha, [1] que ensina as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra;

2 Benignidade minha e fortaleza minha; alto retiro meu e meu libertador _és tu_: escudo meu, em quem eu confio, e que me sujeita o meu povo.

3 Senhor, que _é_ o homem, para que o conheças, _e_ o filho do homem, para que o estimes?

4 O homem é similhante á vaidade; os seus dias _são_ como a sombra que passa.

5 Abaixa, ó Senhor, os teus céus, e desce; toca os montes, e fumegarão.

6 Vibra os teus raios, e dissipa-os; envia as tuas frechas, e desbarata-os.

7 Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e, arrebata-me das muitas aguas _e_ das mãos dos filhos estranhos,

8 Cuja bocca falla vaidade, e a sua direita é direita de falsidade.

9 A _ti_, ó Deus, cantarei _um_ cantico novo, com o psalterio _e_ instrumento de dez cordas te cantarei louvores.

10 A _ti_, que dás a salvação aos reis, e que livras a David, teu servo, da espada maligna.

11 Livra-me, e tira-me das mãos dos filhos estranhos, cuja bocca falla vaidade, e a sua direita é direita de iniquidade;

12 Para que nossos filhos _sejam_ como plantas crescidas na sua mocidade; _para que_ as nossas filhas _sejam_ como pedras d’esquina lavradas á moda de palacio.

13 _Para que_ as nossas dispensas se encham de todo o provimento; _para que_ os nossos gados produzam a milhares e a dezenas de milhares nas nossas ruas.

14 _Para que_ os nossos bois _sejam_ fortes para o trabalho; _para que_ não _haja nem_ assaltos, nem saidas, nem gritos nas nossas ruas.

15 Bemaventurado o povo, ao qual assim _acontece_: bemaventurado _é_ o povo cujo Deus _é_ o Senhor.

[1] II Sam. 22.2, 3, 40, 48.

_A bondade, grandeza e providencia de Deus._

Cantico de David.

145 Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu, e bemdirei o teu nome pelo seculo do seculo e para sempre.

2 Cada dia te bemdirei, e louvarei o teu nome pelo seculo do seculo e para sempre.

3 Grande _é_ o Senhor, e muito digno de louvor, [1] e a sua grandeza inexcrutavel.

4 Uma geração louvará as tuas obras á outra geração, e annunciarão as tuas proezas.

5 Fallarei da magnificencia gloriosa da tua magestade e das tuas obras maravilhosas.

6 E se fallará da força dos teus feitos terriveis; e contarei a tua grandeza.

7 Proferirão abundantemente a memoria da tua grande bondade, e cantarão a tua justiça.

8 Piedoso e benigno _é_ o Senhor, soffredor e de grande misericordia.

9 O Senhor _é_ bom para todos, e as suas misericordias _são_ sobre todas as suas obras.

10 Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus sanctos te bemdirão.

11 Fallarão da gloria do teu reino, e relatarão o teu poder,

12 Para fazer saber aos filhos dos homens as tuas proezas e a gloria da magnificencia do teu reino.

13 O teu reino [2] _é um_ reino eterno; o teu dominio _dura_ em todas as gerações.

14 O Senhor sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos.

15 Os olhos de todos esperam em ti, e lhes dás o seu mantimento a seu tempo.

16 Abres a tua mão, e fartas os desejos de todos os viventes.

17 Justo _é_ o Senhor em todos os seus caminhos, e sancto em todas as suas obras.

18 Perto _está_ o Senhor de todos os que o invocam, [3] de todos os que o invocam em verdade.

19 Elle cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará.

20 O Senhor guarda a todos os que o amam; porém todos os impios serão destruidos.

21 A minha bocca fallará o louvor do Senhor, e toda a carne louvará o seu sancto nome pelo seculo do seculo e para sempre.

[1] Rom. 11.33.

[2] I Tim. 1.17.

[3] João 4.24.

_A fraqueza do homem e a fidelidade de Deus._

146 Louvae ao Senhor. Ó alma minha, louva ao Senhor.

2 Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus emquanto eu fôr vivo.

3 Não confieis em principes, _nem_ no filho do homem, em quem não _ha_ salvação.

4 Sae-lhe o espirito, volta para a terra: [1] n’aquelle mesmo dia perecem os seus pensamentos.

5 Bemaventurado [2] aquelle que _tem_ o Deus de Jacob por seu auxilio, _e_ cuja esperança _está posta_ no Senhor seu Deus.

6 O que fez os céus e a terra, [3] o mar e tudo quanto _ha_ n’elles, _e_ o que guarda a verdade para sempre;

7 O que faz justiça aos opprimidos, o que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados.

8 O Senhor abre [4] _os olhos_ aos cegos: O Senhor levanta os abatidos: o Senhor ama os justos.

9 O Senhor guarda os estrangeiros: [5] sustem o orphão e a viuva, mas transtorna o caminho dos impios.

10 O Senhor reinará [6] eternamente; o teu Deus, ó Sião, _é_ de geração em geração. Louvae ao Senhor.

[1] I Cor. 2.6.

[2] Jer. 17.7.

[3] Gen. 1.1. Apo. 14.7.

[4] Mat. 9.30. João 9.7, 32.

[5] Deu. 10.18.

[6] Exo. 15.18. Apo. 11.15.

_Exhortação a louvar ao Senhor pela sua beneficencia._

147 Louvae ao Senhor, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque _é_ agradavel; decoroso _é_ o louvor.

2 O Senhor edifica a Jerusalem, congrega os dispersos de Israel.

3 Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas.

4 Conta o numero das estrellas, chama-as a todas pelos _seus_ nomes.

5 Grande _é_ o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento _é_ infinito.

6 O Senhor eleva os humildes, e abate os impios até á terra.

7 Cantae ao Senhor em acção de graça; cantae louvores ao nosso Deus sobre a harpa.

8 _Elle é_ o que cobre o céu de nuvens, o que prepara a chuva para a terra, _e_ o que faz produzir herva sobre os montes.

9 O que dá aos animaes o seu sustento, _e_ aos filhos dos corvos, quando clamam.

10 Não se deleita na força do cavallo, nem se compraz nas pernas do varão.

11 O Senhor se agrada dos que o temem _e_ dos que esperam na sua misericordia.

12 Louva, ó Jerusalem, ao Senhor; louva, ó Sião, ao teu Deus.

13 Porque fortaleceu os ferrolhos das tuas portas; abençôa aos teus filhos dentro de ti.

14 _Elle é_ o que põe _em_ paz os teus termos, _e_ da flor da farinha te farta.

15 O que envia o seu mandamento á terra, a sua palavra corre velozmente.

16 O que dá a neve como lã, esparge a geada como cinza.

17 O que lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio?

18 Manda a sua palavra, e os faz derreter; faz soprar o vento, e correm as aguas.

19 Mostra a sua palavra a Jacob, os seus estatutos e os seus juizos a Israel.

20 Não fez assim a nenhuma outra nação; e, emquanto aos seus juizos, não os conhecem. Louvae ao Senhor.

_Toda a creação deve louvar ao Senhor._

148 Louvae ao Senhor. Louvae ao Senhor desde os céus, louvae-o nas alturas.

2 Louvae-o, todos os seus anjos; louvae-o todos os seus exercitos.

3 Louvae-o, sol e lua; louvae-o, todas as estrellas luzentes.

4 Louvae-o, [1] céus dos céus, e as aguas que estão sobre os céus.

5 Louvem o nome do Senhor, pois mandou, e _logo_ foram creados.

6 E os confirmou para sempre, e lhes deu uma lei que não ultra-passarão.

7 Louvae ao Senhor desde a terra: vós, baleias, [2] e todos os abysmos,

8 Fogo e saraiva, neve e vapores, e vento tempestuoso que executa a sua palavra:

9 Montes e todos os outeiros, [3] arvores fructiferas e todos os cedros:

10 As feras e todos os gados, reptis e aves voadoras:

11 Reis da terra e todos os povos, principes e todos os juizes da terra:

12 Mancebos e donzellas, velhos e creanças,

13 Louvem o nome do Senhor, pois só o seu nome é exaltado: a sua gloria está sobre a terra e o céu.

14 Elle tambem exalta o [RQ] poder do seu povo, o louvor de todos os seus sanctos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvae ao Senhor.

[1] I Reis 8.27. II Cor. 12.2. Gen. 1.7.

[2] Isa. 43.20.

[3] Isa. 44.23 e 49.13 e 55.12.

_Os fieis louvam a seu Deus com canticos e instrumentos de musica._

149 Louvae ao Senhor. [1] Cantae ao Senhor um cantico novo, e o seu louvor na congregação dos sanctos.

2 Alegre-se Israel n’aquelle que o fez, gozem-se os filhos de Sião no seu rei.

3 Louvem o seu nome com [RR] flauta; cantem-lhe o seu louvor com adufe e harpa.

4 Porque o Senhor se agrada do seu povo; ornará os mansos com a [RS] salvação.

5 Exultem os sanctos na gloria, alegrem-se nas suas camas.

6 Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, [2] e espada de dois fios nas suas mãos,

7 Para tomarem vingança das nações, e darem reprehensões aos povos;

8 Para aprisionarem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com grilhões de ferro;

9 Para fazerem n’elles o juizo escripto; [RT] esta será a gloria de todos os sanctos. Louvae ao Senhor.

[1] Isa. 42.10.

[2] Heb. 4.12. Apo. 1.16.

_O psalmista exhorta toda a creatura a louvar o Senhor._

150 Louvae ao Senhor. Louvae a Deus no seu sanctuario, louvae-o no firmamento do seu poder.

2 Louvae-o pelos seus actos poderosos, [1] louvae-o conforme a excellencia da sua grandeza.

3 Louvae-o com o som de trombeta, louvae-o com o psalterio e a harpa.

4 Louvae-o com o adufe e a [RU] flauta, louvae-o com instrumento de cordas e com orgãos.

5 Louvae-o [2] com os cymbalos sonoros, louvae-o com cymbalos altisonantes.

6 Tudo quanto tem folego louve [RV] ao Senhor. Louvae ao Senhor.

[1] Deu. 3.24.

[2] I Chr. 15.16, 19, 28.

PROVERBIOS DE SALOMÃO.

_Introducção geral._

[Antes de Christo 1000]

1 Proverbios [1] de Salomão, filho de David, rei d’Israel;

2 Para se conhecer a sabedoria e a instrucção; para se entenderem as palavras da prudencia;

3 Para se receber a instrucção do entendimento, [2] a justiça, o juizo, e a equidade;

4 Para dar aos simplices prudencia, [3] e aos moços conhecimento e bom siso;

5 Para o sabio [4] ouvir e crescer em doutrina, e o entendido adquirir sabios conselhos;

6 Para entender proverbios e a _sua_ declaração: _como tambem_ as palavras dos sabios, e as suas adivinhações.

_Não te deixes seduzir por peccadores._

7 O temor do Senhor _é_ o principio da sciencia: os loucos desprezam a sabedoria e a instrucção.

8 Filho meu, ouve [5] a instrucção de teu pae, e não deixes a doutrina de tua mãe.

9 Porque diadema [6] de graça _serão_ para a tua cabeça, e colares para o teu pescoço.

10 Filho meu, se os peccadores te attrahirem com afagos, [7] não consintas.

11 Se disserem: Vem comnosco; espiemos [8] o sangue; espreitemos o innocente sem razão;

12 Traguemol-os vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem á cova;

13 Acharemos toda a sorte de [RW] fazenda preciosa; encheremos as nossas casas de despojos;

14 Lança a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa.

15 Filho meu, não te ponhas a caminho com elles: desvia o pé das suas veredas;

16 Porque os seus pés [9] correm para o mal, e se apressam a derramar sangue.

17 Na verdade debalde se estende a rede perante os olhos de toda a sorte d’aves.

18 E estes armam ciladas contra o seu _proprio_ sangue; e as suas proprias [RX] vidas espreitam.

19 Assim _são_ [10] as veredas de todo aquelle que usa d’avareza: _ella_ prenderá a [RY] alma de seus amos.

_O convite e exhortação da Sabedoria._

20 A suprema sabedoria [11] altamente clama de fóra: pelas ruas levanta a sua voz.

21 Nas encruzilhadas, _em que ha_ tumultos, clama: ás entradas das portas, na cidade profere as suas palavras.

22 Até quando, ó simplices, amareis a simplicidade? e vós, escarnecedores, desejareis o escarneo? e _vós_, loucos, aborrecereis o conhecimento?

23 Tornae-vos á minha reprehensão: eis que abundantemente vos derramarei [12] _de_ meu espirito _e_ vos farei saber as minhas palavras.

24 Porquanto [13] clamei, e _vós_ recusastes; estendi a minha mão, _e_ não houve quem désse attenção;

25 Mas rejeitastes [14] todo o meu conselho, e não quizestes a minha reprehensão.

26 Tambem eu me rirei na vossa perdição, _e_ zombarei, vindo o vosso temor;

27 Vindo como a [15] assolação o vosso temor, e vindo a vossa perdição como _uma_ tormenta, sobrevindo-vos aperto e angustia.

28 Então a mim clamarão, [16] porém _eu_ não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão.

29 Porquanto aborreceram o conhecimento; e não elegeram o temor do Senhor;

30 Não consentiram ao meu conselho _e_ desprezaram toda a minha reprehensão.

31 Assim que comerão do fructo do seu caminho, e fartar-se-hão [17] dos seus _proprios_ conselhos.

32 Porque o desvio dos simplices os matará, e a prosperidade dos loucos os destruirá.

33 Porém o que me der ouvidos habitará seguramente, e estará descançado do temor do mal.

[1] II Reis 4.32. cap. 10.1 e 25.1.

[2] cap. 2.1, 9.

[3] cap. 9.4.

[4] cap. 9.9.

[5] cap. 4.1 e 6.20.

[6] cap. 3.22.

[7] Gen. 39.7, etc. Eph. 5.11.

[8] Jer. 5.26.

[9] Isa. 59.7. Rom. 3.15.

[10] cap. 15.27. I Tim. 6.10.

[11] cap. 8.1, etc. e 9.3. João 7.37.

[12] Joel 2.28.

[13] Isa. 65.12 e 66.4. Jer. 7.13. Zac. 7.11.

[14] ver. 3. Luc. 7.30.

[15] cap. 10.24.

[16] Isa. 1.15. Miq. 3.4. Zac. 7.13. Thi. 4.3.

[17] Isa. 3.11. Jer. 6.19.

_A excellencia e vantagem da Sabedoria._

2 Filho meu, se acceitares as minhas palavras, e esconderes [1] comtigo os meus mandamentos,

2 Para fazeres attento á sabedoria o teu ouvido, _e_ inclinares o teu coração ao entendimento,

3 E se clamares por entendimento, _e_ por intelligencia alçares a tua voz,

4 Se como a prata a [2] buscares e como a thesouros escondidos a esquadrinhares,

5 Então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.

6 Porque [3] o Senhor _é o que_ dá a sabedoria: da sua bocca _é que sae_ o conhecimento e o entendimento.

7 Elle reserva a verdadeira sabedoria para os rectos: escudo _é_ para os que caminham na sinceridade.

8 Para que guardem as veredas do juizo: e _elle_ o [4] caminho dos seus sanctos conservará.

9 Então entenderás justiça, e juizo, e equidades, e todas as boas veredas,

10 Quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento fôr suave á tua alma.

11 O bom siso te guardará e a [5] intelligencia te conservará;

12 Para te fazer escapar do mau caminho, e do homem que falla coisas perversas.

13 _Dos_ que deixam as veredas da rectidão, para andarem [6] pelos caminhos das trevas.

14 _Que_ se alegram [7] de mal fazer, e folgam com as perversidades dos maus.

15 Cujas veredas _são_ tortuosas e que se desviam nas suas carreiras,

16 Para te fazer escapar da mulher estranha, [8] e da estrangeira _que_ lisongeia com suas palavras.

17 Que deixa [9] o guia da sua mocidade e se esquece do concerto do seu Deus.

18 Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os defuntos.

19 Todos os que entrarem a ella não tornarão _a sair_, e não atinarão com as veredas da vida.

20 Para andares pelo caminho dos bons, e guardares as veredas dos justos.

21 Porque os rectos habitarão a terra, e os sinceros permanecerão n’ella.

22 Mas os impios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão d’ella exterminados.

[1] cap. 4.21 e 7.1.

[2] cap. 3.14. Mat. 13.14.

[3] I Reis 3.9, 12. Thi. 1.5.

[4] I Sam. 2.9.

[5] cap. 6.22.

[6] João 3.19, 20.

[7] cap. 10.23. Jer. 11.15. Rom. 1.32.

[8] cap. 5.20. cap. 5.3 e 6.24 e 7.5.

[9] Mal. 2.14, 15.

3 Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração [1] guarde os meus mandamentos.

2 Porque elles te accrescentarão longura de dias, e annos de vida e paz.

3 Não te desamparem a benignidade e a fidelidade: ata-as [2] ao teu pescoço; escreve-as na taboa do teu coração.

4 E acharás [3] graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens.

5 Confia no Senhor com todo o teu coração, e não te [4] estribes no teu _proprio_ entendimento.

6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e elle endireitará [5] as tuas veredas.

7 Não sejas [6] sabio a teus _proprios_ olhos: teme ao Senhor e aparta-te do mal.

8 _Isto_ será saude para o teu umbigo, e regadura para os teus ossos.

9 Honra [7] ao Senhor com a tua fazenda, e com as primicias de toda a tua renda.

10 E se encherão [8] os teus celleiros de fartura, e trasbordarão de mosto os teus lagares.

11 Filho meu, não [9] rejeites a correcção do Senhor, nem te enojes da sua reprehensão.

12 Porque o Senhor reprehende aquelle a quem ama, assim como [10] o pae ao filho _a quem_ quer bem.

13 Bemaventurado [11] o homem _que_ acha sabedoria, e o homem _que_ produz intelligencia.

14 Porque melhor _é_ a sua mercadoria do que a mercadoria de prata, e a sua renda do que o oiro mais fino.

15 Mais preciosa _é_ do que os rubins, e tudo o que [12] mais podes desejar não se póde comparar a ella.

16 Longura [13] de dias _ha_ na sua _mão_ direita: na sua esquerda riquezas e honra.

17 Os caminhos d’ella [14] _são_ caminhos de delicias, e todas as suas veredas paz.

18 _É_ arvore [15] da vida para os que d’ella pegam, e bemaventurados _são_ todos os que a reteem.

19 O Senhor com sabedoria [16] fundou a terra: preparou os céus com entendimento.

20 Pelo seu conhecimento [17] se fenderam os abysmos, e as nuvens distillam o orvalho.

21 Filho meu, não se apartem _estes_ dos teus olhos: guarda a _verdadeira_ sabedoria e o bom siso;

22 Porque serão vida para a tua alma, e graça para o teu pescoço.

23 Então andarás com confiança pelo teu caminho, e não tropeçará o teu pé.

24 Quando te deitares, [18] não temerás: mas te deitarás e o teu somno será suave.

25 Não temas o pavor repentino, nem a assolação dos impios quando vier.

26 Porque o Senhor será a tua esperança, e guardará os teus pés de os prenderem.

27 Não detenhas [19] dos seus donos o bem, tendo na tua mão poder fazel-o.

28 Não digas [20] ao teu proximo: Vae, e torna, e ámanhã _t’o_ darei: tendo-o _tu_ comtigo.

29 Não maquines mal contra o teu proximo, pois habita comtigo confiadamente.

30 Não contendas [21] contra alguem sem razão, se te não tem feito mal.

31 Não tenhas inveja do homem violento, nem elejas algum de seus caminhos.

32 Porque o perverso é abominação ao Senhor, mas com os sinceros está o seu segredo.

33 A maldição do Senhor _habita_ [22] na casa do impio, mas á habitação dos justos abençoará.

34 Certamente elle escarnecerá [23] dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos.

35 Os sabios herdarão honra, porém os loucos tomam sobre si confusão.

[1] Deu. 8.1 e 30.16, 20.

[2] Exo. 13.9. Deu. 6.8. cap. 6.21 e 7.3. Jer. 17.1. II Cor. 3.3.

[3] I Sam. 2.26. Luc. 2.52. Act. 2.47. Rom. 14.18.

[4] Jer. 9.23.

[5] Jer. 10.23.

[6] Rom. 12.16.

[7] Exo. 22.29 e 23.19 e 34.26. Deu. 26.2, etc. Mal. 3.10, etc.

[8] Deu. 28.8.

[9] Heb. 12.5, 6. Apo. 3.19.

[10] Deu. 8.5.

[11] cap. 8.34, 35. cap. 2.4 e 8.11, 19 e 16.16.

[12] Mat. 13.44.

[13] cap. 8.18.

[14] Mat. 11.29, 30.

[15] Gen. 2.9 e 3.22.

[16] Jer. 10.12 e 51.15.

[17] Gen. 1.9. Deu. 33.28. Job 36.28.

[18] Lev. 26.6.

[19] Rom. 13.7. Gal. 6.10.

[20] Lev. 19.13. Deu. 24.15.

[21] Rom. 12.18.

[22] Zac. 5.4. Mal. 2.2.

[23] Thi. 4.6. I Ped. 5.5.

_Exhortação a adquirir a Sabedoria e apartar-se do caminho dos impios._

4 Ouvi, filhos, a correcção do pae, e estae attentos para conhecerdes a prudencia.

2 Pois dou-vos boa doutrina: não deixeis a minha lei.

3 Porque eu era filho de meu pae: tenro, [1] e unico diante de minha mãe.

4 E elle ensinava-me, [2] e dizia-me: Retenha as minhas palavras o teu coração: guarda [3] os meus mandamentos, e vive.

5 Adquire [4] a sabedoria, adquire a intelligencia, _e_ não te esqueças nem te apartes das palavras da minha bocca.

6 Não a desampares, e ella te guardará: ama-a, [5] e ella se te conservará.

7 O principio da sabedoria _é_ adquirir a sabedoria: adquire _pois_ a sabedoria, e com toda a tua possessão adquire o entendimento.

8 Exalta-a, [6] e ella te exaltará; _e_, abraçando-a tu, ella te honrará.

9 Dará á tua cabeça [7] um diadema de graça _e_ uma corôa de gloria te entregará.

10 Ouve, filho meu, e acceita as minhas palavras, e se te multiplicarão os annos [8] de vida.

11 No caminho da sabedoria te ensinei, _e_ pelas carreiras direitas te fiz andar.

12 Por ellas andando, não se estreitarão os teus passos; e, se correres, não tropeçarás.

13 Pega-te á correcção _e_ não _a_ largues: guarda-a, porque ella _é_ a tua vida.

14 Não entres [9] na vereda dos impios, nem andes pelo caminho dos maus.

15 Rejeita-o; não passes por elle: desvia-te d’elle e passa de largo.

16 Pois [10] não dormem, se não fizerem mal, e foge d’elles o somno se não fizerem tropeçar _alguem_.

17 Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho das violencias.