A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 104
143 Aperto e angustia se apoderam de mim; _comtudo_ os teus mandamentos _são_ o meu prazer.
144 A justiça dos teus testemunhos _é_ eterna; dá-me intelligencia, e viverei.
_Koph._
145 Clamei de todo o meu coração; escuta-me, Senhor, _e_ guardarei os teus estatutos.
146 _A ti_ te invoquei; salva-me, e guardarei os teus testemunhos.
147 Preveni a alva da manhã, e clamei: esperei na tua palavra.
148 Os meus olhos preveniram as vigilias _da noite_, para meditar na tua palavra.
149 Ouve a minha voz, segundo a tua benignidade; vivifica-me, ó Senhor, segundo o teu juizo.
150 Approximam-se os que se dão a maus tratos; affastam-se da tua lei.
151 Tu _estás_ perto _ó_ Senhor, e todos os teus mandamentos _são_ a verdade.
152 Ácerca dos teus testemunhos soube, desde a antiguidade, [31] que tu os fundaste para sempre.
_Res._
153 Olha para a minha afflicção, e livra-me, pois não me esqueci da tua lei.
154 Pleiteia a minha causa, e livra-me: vivifica-me segundo a tua palavra.
155 A salvação _está_ longe dos impios, pois não buscam os teus estatutos.
156 Muitas _são_, ó Senhor, as tuas misericordias: vivifica-me segundo os teus juizos.
157 Muitos _são_ os meus perseguidores e os meus inimigos; _porém_ não me desvio dos teus testemunhos.
158 Vi os transgressores, e me affligi, porque não observam a tua palavra.
159 Considera como amo os teus preceitos: vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua benignidade.
160 A tua palavra _é_ a verdade desde o principio, e cada um dos teus juizos _dura_ para sempre.
_Sin._
161 Principes me perseguiram sem causa, mas o meu coração temeu a tua palavra.
162 Folgo com a tua palavra, como aquelle que acha _um_ grande despojo.
163 Abomino e aborreço a falsidade, _porém_ amo a tua lei.
164 Sete vezes no dia te louvo pelos juizos da tua justiça.
165 Muita paz teem os que amam a tua lei, e para elles não _ha_ tropeço.
166 Senhor, tenho esperado na tua salvação, [32] e tenho cumprido os teus mandamentos.
167 A minha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os excessivamente.
168 Tenho observado os teus preceitos e os teus testemunhos, porque todos os meus caminhos _estão_ diante de ti.
_Tau._
169 Chegue a ti o meu clamor, ó Senhor: dá-me entendimento conforme a tua palavra.
170 Chegue a minha supplica perante a tua face: livra-me segundo a tua palavra.
171 Os meus labios proferiram o louvor, quando me ensinaste os teus estatutos.
172 A minha lingua fallará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos _são_ justiça.
173 Venha a tua mão soccorrer-me, [33] pois elegi os teus preceitos.
174 Tenho desejado a tua salvação, ó Senhor, a tua lei _é_ todo o meu prazer.
175 Viva a minha alma, e louvar-te-ha: ajudem-me os teus juizos.
176 Desgarrei-me [34] como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos.
[1] II Chr. 15.15.
[2] Luc. 2.18, 51.
[3] Gen. 47.9. I Chr. 29.15. II Cor. 5.6. Heb. 11.13.
[4] I Sam. 4.29. Isa. 60.5. II Cor. 6.11.
[5] ver. 12. Mat. 10.22. Apo. 2.26.
[6] ver. 73.
[7] Mat. 10.18, 19. Act. 26.1, 2.
[8] Rom. 15.4.
[9] Jer. 20.7.
[10] Luc. 15.17, 18.
[11] Act. 16.25.
[12] Mat. 19.17.
[13] Apo. 6.10.
[14] Mat. 24.34, 35.
[15] Mat. 5.18 e 24.35.
[16] Deu. 4.6, 8.
[17] II Tim. 3.15.
[18] Pro. 8.11.
[19] Neh. 10.29.
[20] Ose. 14.2. Heb. 13.5.
[21] Deu. 33.4.
[22] Mat. 7.23.
[23] Rom. 5.5 e 9.33 e 10.11.
[24] Hab. 3.16.
[25] Pro. 1.4.
[26] Rom. 6.12.
[27] Luc. 1.74.
[28] Jer. 9.1 e 14.17. Eze. 9.4.
[29] Esd. 9.15. Neh. 9.33. Jer. 12.1. Dan. 9.7.
[30] João 17.17.
[31] Luc. 21.33.
[32] Gen. 49.18.
[33] Jos. 24.22. Luc. 10.42.
[34] Isa. 53.6. Luc. 15.4. I Ped. 2.25.
_O psalmista ora para que seja livre do mentiroso e calumniador._
[RH] Cantico dos degraus.
120 Na minha angustia [1] clamei ao Senhor, e me ouviu.
2 Senhor, livra a minha alma dos labios mentirosos e da lingua enganadora.
3 Que te será dado, ou que te será accrescentado, lingua enganadora?
4 Frechas agudas do valente, com brazas vivas de zimbro.
5 Ai de mim, que peregrino em Mesech, [2] e habito nas tendas de Kedar.
6 A minha alma bastante tempo habitou com os que detestam a paz.
7 Pacifico _sou_, porém quando eu fallo _já_ elles procuram guerra.
[1] Jon. 2.2.
[2] Gen. 25.13. Jer. 49.28, 29.
_Deus é o guarda fiel do seu povo._
Cantico dos degraus.
121 Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem a minha salvação.
2 O meu soccorro _vem_ do Senhor, que fez o céu e a terra.
3 Não deixará vacillar o teu pé: aquelle que te guarda não tosquenejará.
4 Eis-que não tosquenejará nem dormirá o guarda d’Israel.
5 O Senhor _é_ quem te guarda: o Senhor _é_ a tua sombra á tua direita.
6 O sol não te molestará de dia nem a lua de noite.
7 O Senhor te guardará de todo o mal: guardará a tua alma.
8 O Senhor guardará a tua entrada e a tua saida, desde agora e para sempre.
_Oração para que a paz de Jerusalem continue._
Cantico dos degraus, de David.
122 Alegrei-me quando me disseram: [1] Vamos á casa do Senhor.
2 Os nossos pés estão dentro das tuas portas, ó Jerusalem.
3 Jerusalem está edificada como uma cidade que é [2] compacta,
4 Onde sobem as tribus, as tribus do Senhor, até o testemunho d’Israel, para darem [RI] graças ao nome do Senhor.
5 Pois ali estão os thronos do juizo, os thronos da casa de David.
6 Orae pela paz de Jerusalem: prosperarão aquelles que te amam.
7 Haja paz dentro de teus muros, e _prosperidade_ dentro dos teus palacios.
8 Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Paz _esteja_ em ti.
9 Por causa da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem.
[1] Isa. 2.3. Zac. 8.21.
[2] II Sam. 5.9.
_A oração do crente desprezado._
Cantico dos degraus.
123 A ti levanto os meus olhos, ó tu que habitas nos céus.
2 Assim como os olhos dos servos _attentam_ para as mãos dos seus senhores, _e_ os olhos da serva para as mãos de sua senhora, assim os nossos olhos _attentam_ para o Senhor nosso Deus, até que tenha piedade de nós.
3 Tem piedade de nós, ó Senhor, tem piedade de nós, pois estamos assaz fartos de desprezo.
4 A nossa alma está extremamente cheia da zombaria d’aquelles que estão á sua vontade _e_ com o desprezo dos soberbos.
_Só Deus pode livrar o seu povo._
Cantico dos degraus, de David.
124 Se não _fôra_ o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel;
2 Se não _fôra_ o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós,
3 Elles então nos teriam engulido vivos, quando a sua ira se accendesse contra nós.
4 Então as aguas teriam trasbordado sobre nós, _e_ a corrente teria passado sobre a nossa alma;
5 Então as aguas altivas teriam passado sobre a nossa alma.
6 Bemdito _seja_ o Senhor, que não nos deu por preza aos seus dentes.
7 A nossa alma escapou, como um passaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapámos.
8 O nosso soccorro _está_ no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.
_A segurança d’aquelle que confia em Deus._
Cantico dos degraus.
125 Os que confiam no Senhor _serão_ como o monte de Sião, _que_ não se abala, _mas_ permanece para sempre.
2 _Assim como estão_ os montes á roda de Jerusalem, assim o Senhor _está_ em volta do seu povo desde agora e para sempre.
3 Porque o sceptro da impiedade não permanecerá [1] sobre a sorte dos justos, a não ser que o justo estenda as suas mãos para a iniquidade.
4 Faze bem, ó Senhor, aos bons e aos _que são_ rectos de coração.
5 Emquanto áquelles que se inquietam para os seus caminhos tortuosos, leval-os-ha o Senhor com os que obram [2] a maldade: paz _haverá_ sobre Israel.
[1] Isa. 14.5.
[2] Gal. 6.16.
_Deus é louvado porque fez retirar do captiveiro o seu povo._
Cantico dos degraus.
126 Quando o Senhor [RJ] trouxe do captiveiro os que voltaram a Sião estavamos com os que sonham.
2 Então a nossa bocca se encheu do riso e a nossa lingua de cantico: então se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor a estes.
3 Grandes coisas fez o Senhor por nós, _pelas quaes_ estamos alegres.
4 Traze-nos outra vez, ó Senhor, do captiveiro, como as correntes _das aguas_ no sul.
5 Os que semeiam em lagrimas segarão com alegria.
6 Aquelle que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem duvida com alegria, trazendo _comsigo_ os seus molhos.
_Segurança, prosperidade e fecundidade veem de Deus só._
Cantico dos degraus, de Salomão.
127 Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam: se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinella.
2 Inutil vos _será_ levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dôres, _pois_ assim dá elle aos seus amados o somno.
3 Eis que [1] os filhos _são_ herança do Senhor, _e_ o fructo do ventre o _seu_ galardão.
4 Como frechas na mão _d’um homem_ valente, assim _são_ os filhos da mocidade.
5 Bemaventurado o homem que enche d’elles a sua aljava: não serão confundidos, mas fallarão com os seus inimigos á porta.
[1] Gen. 33.5 e 48.4. Jos. 24.3, 4. Deu. 28.4.
_Aquelle que teme a Deus será abençoado na sua familia._
Cantico dos degraus.
128 Bemaventurado aquelle que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.
2 Pois comerás [1] do trabalho das tuas mãos: feliz _serás_, e te _irá_ bem.
3 A tua mulher _será_ [2] como a videira fructifera aos lados da tua casa, os teus filhos como plantas de oliveira á roda da tua mesa.
4 Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.
5 O Senhor te abençoará desde Sião, e tu verás os bens de Jerusalem em todos os dias da tua vida.
6 E verás [3] os filhos de teus filhos, _e_ a paz sobre Israel.
[1] Isa. 3.10.
[2] Eze. 19.10.
[3] Gen. 50.23.
_A egreja é perseguida, mas não destruida._
Cantico dos degraus.
129 Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, diga agora Israel:
2 Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, todavia não prevaleceram contra mim.
3 Os lavradores araram sobre as minhas costas: compridos fizeram os seus sulcos.
4 O Senhor _é_ justo: cortou as cordas dos impios.
5 Sejam confundidos, e voltem para traz, todos os que aborrecem a Sião.
6 Sejam como a herva dos telhados, que se secca antes que [RK] a arranquem.
7 Com a qual o segador não enche a sua mão, nem o que ata os feixes _enche_ o seu braço.
8 Nem tão pouco os que passam digam: A benção do Senhor _seja_ sobre vós: nós vos abençoamos em nome do Senhor.
_A confissão do peccado e a esperança do perdão._
Cantico dos degraus.
130 Das profundezas a ti clamo, ó Senhor.
2 Senhor, escuta a minha voz: sejam os teus ouvidos attentos á voz das minhas supplicas.
3 Se tu, Senhor, [1] observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá?
4 Porém comtigo _está_ [2] o perdão, para que sejas temido.
5 Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.
6 A minha alma _aguarda_ ao Senhor, mais do que os guardas pela manhã, _mais do que_ aquelles que vigiam pela manhã.
7 Espere Israel no Senhor, porque no Senhor _ha_ misericordia, e n’elle _ha_ abundante redempção.
8 E elle remirá [3] a Israel de todas as suas iniquidades.
[1] Rom. 3.20, 23, 24.
[2] Exo. 34.7.
[3] Mat. 1.20.
_A humildade do psalmista._
Cantico dos degraus, de David.
131 Senhor, o meu coração não se elevou [1] nem os meus olhos se levantaram: não me exercito em grandes materias, nem em coisas muito elevadas para mim.
2 Certamente que me tenho portado [RL] e socegado como _uma_ creança [2] desmamada de sua mãe: a minha alma _está_ como _uma creança_ desmamada.
3 Espere Israel no Senhor, desde agora e para sempre.
[1] Rom. 12.16.
[2] Mat. 18.3. I Cor. 14.20.
_O zelo de David pelo templo e pela arca. As promessas feitas por Deus._
Cantico dos degraus.
132 Lembra-te, Senhor, de David, _e_ de todas as suas afflicções.
2 Como jurou ao Senhor, [1] _e_ fez votos ao poderoso de Jacob, _dizendo_:
3 Certamente que não entrarei na tenda de minha casa, nem subirei ao leito da minha cama.
4 Não darei somno aos meus olhos, _nem_ adormecimento ás minhas pestanas,
5 Emquanto [2] não achar logar para o Senhor, uma morada para o Poderoso de Jacob.
6 Eis que ouvimos fallar d’ella em Ephrata, e a achámos no campo do bosque.
7 Entraremos nos seus tabernaculos: prostrar-nos-hemos ante o escabello de seus pés.
8 Levanta-te, [3] Senhor, no teu repouso, tu e a arca da tua força.
9 Vistam-se os teus sacerdotes de justiça, e alegrem-se os teus sanctos.
10 Por amor de David, teu servo, não faças virar o rosto do teu ungido.
11 O Senhor jurou na verdade a David: não se apartará [4] d’ella: Do fructo do teu ventre porei sobre o teu throno.
12 Se os teus filhos guardarem o meu concerto, e os meus testemunhos, que eu lhes hei de ensinar, tambem os seus filhos se assentarão perpetuamente no teu throno.
13 Porque o Senhor elegeu a Sião; desejou-a para a sua habitação, _dizendo_:
14 Este _é_ o meu repouso para sempre: aqui habitarei, pois o desejei.
15 Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus necessitados.
16 Vestirei os seus sacerdotes de salvação, e os seus sanctos saltarão de prazer.
17 Ali farei brotar [5] [RM] a força de David; preparei uma lampada para o meu ungido.
18 Vestirei os seus inimigos de confusão; mas sobre elle florescerá a sua corôa.
[1] Gen. 49.24.
[2] Act. 7.46.
[3] Num. 10.35. II Chr. 6.41, 42.
[4] II Sam. 7.12. I Reis 8.25.
[5] Eze. 29.21. Ose. 11.12.
_A excellencia do amor fraternal._
Cantico dos degraus, de David.
133 Oh! quão bom e quão suave _é_ que os irmãos habitem [1] em união.
2 _É_ como [2] o oleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba, d’Aarão, e que desce á orla dos seus vestidos.
3 Como o orvalho [3] de Hermon _e como_ o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o [4] Senhor ordena a benção _e_ vida para sempre.
[1] Gen. 13.8. Heb. 13.1.
[2] Exo. 30.25, 30.
[3] Deu. 4.48.
[4] Lev. 25.21. Deu. 28.8.
_Exhortação a bemdizer o Senhor._
Cantico dos degraus.
134 Eis-aqui, bemdizei ao Senhor todos vós, servos do Senhor, que assistis na casa do Senhor todas as noites.
2 Levantae as vossas mãos no sanctuario, e bemdizei ao Senhor.
3 O Senhor, que fez o céu e a terra, te abençõe desde Sião.
_Deus é louvado pela sua bondade, poder e justiça. A vaidade dos idolos._
135 Louvae ao Senhor. Louvae _o_ nome do Senhor; louvae-o, servos do Senhor.
2 Vós que assistis na casa do Senhor, nos atrios da casa do nosso Deus.
3 Louvae ao Senhor, porque o Senhor _é_ bom: cantae louvores ao seu nome, porque _é_ agradavel.
4 Porque [1] o Senhor escolheu para si a Jacob, _e_ a Israel para seu proprio thesouro.
5 Porque eu conheço que o Senhor _é_ grande e _que_ o nosso Deus _está_ acima de todos os deuses.
6 Tudo o que o Senhor quiz fez, nos céus e na terra, nos mares e _em_ todos os abysmos.
7 Faz [2] subir os vapores das extremidades da terra; faz os relampagos para a chuva; produz os ventos dos seus thesouros.
8 O que feriu os primogenitos do Egypto, desde os homens até ás bestas.
9 _O que_ enviou signaes e prodigios no meio de ti, ó Egypto, contra Pharaó e contra os seus servos.
10 O que feriu [3] muitas nações, e matou poderosos reis;
11 A Sehon, rei dos amorrheos, e a Og, rei de Basan, e a todos os reinos de Canaan.
12 E deu a sua terra em herança, em herança a Israel, seu povo.
13 O teu nome, ó Senhor, _dura_ perpetuamente; _e_ a tua memoria, ó Senhor, de geração em geração.
14 Pois o Senhor julgará o seu povo, e se arrependerá com respeito aos seus servos.
15 Os idolos das nações _são_ prata e oiro, obra das mãos dos homens.
16 Teem bocca, mas não fallam; teem olhos, e não vêem.
17 Teem ouvidos, mas não ouvem, nem ha respiro _algum_ nas suas boccas.
18 Similhantes a elles se tornem os que os fazem, e todos os que confiam n’elles.
19 Casa d’Israel, bemdizei ao Senhor; casa d’Aarão bemdizei ao Senhor.
20 Casa de Levi, bemdizei ao Senhor: vós, os que temeis ao Senhor, louvae ao Senhor.
21 Bemdito _seja_ o Senhor desde Sião, que habita em Jerusalem. Louvae ao Senhor.
[1] Exo. 19.5. Deu. 7.6, 7 e 10.15.
[2] Jer. 10.13 e 51.16.
[3] Num. 21.24, 25, 26, 34, 35.
_Deus é louvado pelas suas obras e porque sua benignidade dura para sempre._
136 Louvae ao Senhor, porque elle _é_ bom; porque [1] a sua benignidade _dura_ para sempre.
2 Louvae ao Deus dos deuses; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
3 Louvae ao Senhor dos senhores; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
4 Aquelle que só faz maravilhas; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
5 Aquelle que por entendimento fez os céus, [2] porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
6 Aquelle que estendeu a terra sobre as aguas; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
7 Aquelle que fez os grandes luminares; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
8 O sol [3] para governar de dia; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
9 A lua e as estrellas para presidirem á noite; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
10 O que feriu [4] o Egypto nos seus primogenitos; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
11 E tirou a [5] Israel do meio d’elles; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
12 Com mão [6] forte, e com braço estendido; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
13 Aquelle que dividiu o Mar Vermelho [7] em duas partes; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
14 E fez passar Israel por meio d’elles; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
15 Mas derribou [8] a Pharaó com o seu exercito no Mar Vermelho, porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
16 Aquelle que guiou [9] o seu povo pelo deserto; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
17 Aquelle que feriu [10] os grandes reis; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
18 E matou reis famosos; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
19 Sehon, rei dos amorrheos; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
20 E Og, rei de Basan; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
21 E deu a terra d’elles em herança; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
22 _E mesmo_ em herança a Israel, seu servo; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
23 Que se lembrou da [11] nossa baixeza; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
24 E nos remiu dos nossos inimigos; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
25 O que dá mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
26 Louvae ao Deus dos céus; porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
[1] I Chr. 16.34, 41. II Chr. 20.21.
[2] Gen. 1.1. Pro. 3.19.
[3] Gen. 1.16.
[4] Exo. 12.29.
[5] Exo. 12.15 e 13.3, 17.
[6] Exo. 6.6.
[7] Exo. 14.21, 22.
[8] Exo. 14.27.
[9] Deu. 8.15.
[10] Deu. 29.7.
[11] Gen. 8.1. Deu. 32.36.
137 Junto dos rios de Babylonia, ali nos assentámos e chorámos, quando nos lembrámos de Sião:
2 Sobre os salgueiros _que ha_ no meio d’ella, pendurámos as nossas harpas.
3 Pois lá aquelles que nos levaram captivos, nos pediam _uma_ canção; e os que nos destruiram, _que_ os alegrassemos, _dizendo_; Cantae-nos uma das canções de Sião.
4 Como cantaremos a canção do Senhor em terra estranha?
5 Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalem, esqueça-se a minha direita _da sua destreza_.
6 Se me não lembrar de ti, apegue-se-me a lingua ao meu paladar; se não prefiro Jerusalem á minha maior alegria.
7 Lembra-te, Senhor, dos filhos de Edom [1] no dia de Jerusalem, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces.
8 Ah! filha de Babylonia, que _vaes ser_ assolada; feliz aquelle que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.
9 Feliz aquelle que pegar em teus filhos e der [2] _com elles_ pelas pedras.
[1] Jer. 49.7, etc.
[2] Jer. 50.15, 29.
_Acção de graças a Deus por amor da sua fidelidade. Todos os reis o louvarão._
Psalmo de David.
138 Eu te louvarei, _Senhor_, de todo o meu coração: na presença dos deuses a ti cantarei louvores.
2 Inclinar-me-hei para o teu sancto templo, e louvarei o teu nome pela sua benignidade, e pela tua verdade: pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome.
3 No dia em que eu clamei, me escutaste; _e_ alentaste com força a minha alma.
4 Todos os reis da terra te louvarão, ó Senhor, quando ouvirem as palavras da tua bocca;
5 E cantarão os caminhos do Senhor; pois grande _é_ a gloria do Senhor.
6 Ainda que o Senhor é excelso, attende _todavia_ para o humilde; mas ao soberbo conhece-_o_ de longe.
7 Andando eu no meio da angustia, tu me reviverás: estenderás a tua mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua dextra me salvará.
8 O Senhor aperfeiçoará o que me toca; a tua benignidade, ó Senhor, _dura_ para sempre; não desampares as obras das tuas mãos.
_A omnipresença e a omnipotencia de Deus._
Psalmo de David para o cantor-mór.
139 Senhor, [1] tu me sondaste, e _me_ conheces.
2 Tu sabes [2] o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
3 Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
4 Não _havendo_ ainda palavra _alguma_ na minha lingua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.
5 Tu me cercaste por detraz e por diante; e pozeste sobre mim a tua mão.
6 _Tal_ sciencia _é_ para mim maravilhosissima; _tão_ alta _que_ não a posso _attingir_.
7 Para onde me irei do teu Espirito, ou para onde fugirei da tua face?
8 Se subir [3] ao céu, lá tu _estás_: se fizer no inferno a minha cama, eis que tu _ali estás tambem_.
9 Se tomar as azas da alva, _se_ habitar nas extremidades do mar,
10 Até ali a tua mão me guiará e a tua dextra me susterá.
11 Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite _será_ luz á roda de mim.
12 Nem ainda [4] as trevas me encobrem de ti: mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz _são para ti_ a mesma coisa.
13 Pois possuiste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
14 Eu te louvarei, porque de um modo terrivel, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas _são_ as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
15 Os meus ossos não te foram encobertos, quando no occulto fui feito, _e_ entretecido nas profundezas da terra.
16 Os teus olhos viram o meu _corpo_ ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escriptas; as quaes em continuação foram formadas, quando nem ainda uma d’ellas _havia_.
17 E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as sommas d’elles!
18 _Se_ as contasse, seriam em maior numero do que a areia: _quando_ acordo ainda estou comtigo.
19 Ó Deus, tu matarás decerto o impio: apartae-vos portanto de mim, homens de sangue.
20 Pois fallam malvadamente contra ti; _e_ os teus inimigos tomam o _teu nome_ em vão.
21 Não aborreço eu, ó Senhor, aquelles que te aborrecem, e não me afflijo por causa dos que se levantam contra ti?
22 Aborreço-os com odio perfeito: tenho-os por inimigos.
23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhece os meus pensamentos.
24 E vê se _ha_ em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.
[1] Jer. 12.3.
[2] II Reis 19.27. Mat. 9.4. João 2.25.
[3] Amós 9.2, 3, 4.
[4] Dan. 2.22. Heb. 4.13.
_O psalmista ora para que seja livre de inimigos potentes e injustos._
Psalmo de David para o cantor-mór.
140 Livra-me, ó Senhor, do homem mau: guarda-me do homem violento;
2 Que pensa o mal no coração: continuamente se ajuntam para a guerra.
3 Aguçaram as linguas como a serpente; o veneno das viboras _está_ debaixo dos seus labios (Selah).
4 Guarda-me, ó Senhor, das mãos do impio; guarda-me do homem [1] violento, os quaes se propozeram empuxar os meus passos.
5 Os soberbos [2] armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do caminho: armaram-me laços corrediços (Selah).
6 Eu disse ao Senhor: Tu _és_ o meu Deus: ouve a voz das minhas supplicas, ó Senhor.
7 Senhor Deus, [RN] fortaleza da minha salvação, tu cobriste a minha cabeça no dia da batalha.
8 Não concedas, ó Senhor, ao impio os seus desejos: não promovas o seu mau proposito, para que não se exalte (Selah).
9 _Quanto_ á cabeça dos que me cercam, cubra-os a maldade dos seus labios.
10 Caiam sobre elles brazas vivas: sejam lançados no fogo: em covas profundas _para que_ se não tornem a levantar.