A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 102
2 Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angustia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia _em_ que eu clamar, ouve-me depressa.
3 Porque os meus dias se consomem como o fumo, e os meus ossos ardem como um lar.
4 O meu coração está ferido e secco como a herva, pelo que me esqueço de comer o meu pão.
5 Por causa da voz do meu gemido os meus ossos se apegam á minha pelle.
6 Sou similhante ao pelicano [1] no deserto: sou como um mocho nas solidões.
7 Vigio, sou como o pardal solitario no telhado.
8 Os meus inimigos me affrontam todo o dia: os que se enfurecem contra mim teem jurado.
9 Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lagrimas a minha bebida.
10 Por causa da tua ira e da tua indignação, pois tu me levantaste e me arremeçaste.
11 Os meus dias _são_ como a sombra que declina, e como a herva me vou seccando.
12 Mas tu, Senhor, permanecerás para sempre, e a tua memoria de geração em geração.
13 Tu te levantarás [2] _e_ terás piedade de Sião; pois o tempo de te compadeceres d’ella, o tempo determinado, já chegou.
14 Porque os teus servos teem prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó.
15 Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a tua gloria.
16 Quando o Senhor edificar a Sião, apparecerá na sua gloria.
17 Elle attenderá á oração do desamparado, e não desprezará a sua oração.
18 Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se crear louvará ao Senhor.
19 Pois [3] olhou desde o alto do seu sanctuario, desde os céus o Senhor contemplou a terra.
20 Para ouvir o gemido dos presos, para soltar os sentenciados á morte;
21 Para annunciarem o nome do Senhor em Sião, e o seu louvor em Jerusalem;
22 Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Senhor.
23 Abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.
24 Dizia eu: Meu Deus, não me leves no meio dos meus dias, os teus annos _são_ por todas as gerações.
25 Desde a antiguidade [4] fundaste a terra: e os céus _são_ obra das tuas mãos.
26 Elles perecerão, [5] mas tu permanecerás: todos elles se envelhecerão como _um_ vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.
27 Porém tu _és_ [6] o mesmo, e os teus annos nunca terão fim.
28 Os filhos dos teus servos continuarão, e a sua semente ficará firmada perante ti.
[1] Isa. 34.11. Sof. 2.14.
[2] Isa. 60.10. Zac. 1.12.
[3] Deu. 26.15.
[4] Gen. 1.1 e 2.1. Heb. 1.12.
[5] Isa. 34.4. II Ped. 3.7.
[6] Mal. 3.6. Heb. 13.8.
_Convite a louvar a Deus por amor de sua graça._
Psalmo de David.
103 Bemdize, ó alma minha ao Senhor, e tudo o que ha em mim, _bemdiga_ o seu sancto nome.
2 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus beneficios.
3 O que perdôa [1] todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades,
4 Que redime [2] a tua vida da [QW] perdição; que te corôa de benignidade e de misericordia,
5 Que farta a tua bocca de bens, _de sorte que_ a tua mocidade se renove como a _da_ aguia.
6 O Senhor faz justiça e juizo a todos os opprimidos.
7 Fez conhecidos os seus caminhos a Moysés, e os seus feitos aos filhos d’Israel.
8 Misericordioso e [3] piedoso _é_ o Senhor; longanimo e grande em benignidade.
9 Não reprovará perpetuamente, nem para sempre reterá a _sua ira_.
10 Não nos tratou segundo os nossos peccados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades.
11 Pois _assim_ como o céu está elevado acima da terra, _assim_ é grande a sua misericordia para com os que o temem.
12 _Assim_ como está longe o oriente do occidente, _assim_ affasta de nós as nossas transgressões.
13 _Assim_ como [4] um pae se compadece de _seus_ filhos, _assim_ o Senhor se compadece d’aquelles que o temem.
14 Pois elle conhece a nossa estructura, [5] lembra-se de que _somos_ pó.
15 _Emquanto_ ao homem, os seus dias _são_ como a herva, como a flor do campo assim floresce.
16 Passando por ella o vento, _logo_ se vae, e o seu logar não será mais conhecido.
17 Mas a misericordia do Senhor _é_ desde a eternidade e até á eternidade sobre aquelles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;
18 Sobre aquelles que guardam o seu concerto, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprirem.
19 O Senhor tem estabelecido o seu throno nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.
20 Bemdizei ao Senhor, _todos_ os seus anjos, _vós_ que excedeis em força, que guardaes os seus mandamentos, obedecendo á voz da sua palavra.
21 Bemdizei ao Senhor, todos os seus exercitos, vós, [6] ministros seus, que executaes o seu beneplacito.
22 Bemdizei ao Senhor, todas as suas obras, em todos os logares do seu dominio; bemdize, ó alma minha, ao Senhor.
[1] Mat. 9.2, 6. Mar. 2.5, 10, 11.
[2] Exo. 15.26. Jer. 17.14.
[3] Exo. 34.6, 7. Num. 14.18. Deu. 5.10.
[4] Mal. 3.1.
[5] Gen. 3.19.
[6] Dan. 7.9, 10. Heb. 1.14.
_A gloria de Deus é manifestada na creação e conservação de todas as coisas._
104 Bemdize, ó alma minha, ao Senhor: Senhor Deus meu, tu és magnificentissimo, estás vestido de gloria e de magestade.
2 Elle se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina.
3 Põe nas aguas as vigas das suas camaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as azas do vento.
4 Faz [1] dos seus anjos espiritos, dos seus ministros um fogo abrazador.
5 Lançou os fundamentos da terra, _para que_ não vacille em tempo algum.
6 Tu a cobres com o abysmo, como com um vestido: as aguas estavam sobre os montes.
7 Á tua reprehensão [2] fugiram: á voz do teu trovão se apressaram.
8 Sobem aos montes, descem aos valles, até ao logar que para ellas fundaste.
9 Termo _lhes_ pozeste, que não ultra-passarão, para que não tornem mais a cobrir a terra.
10 Tu, que fazes sair as fontes nos valles, _as quaes_ correm entre os montes.
11 Dão de beber a todo o animal do campo; os jumentos montezes matam a sua sêde.
12 Junto d’ellas as aves do céu terão a sua habitação, cantando entre os ramos.
13 Elle rega os montes desde as suas camaras: a terra se farta do fructo das suas obras.
14 Faz crescer a herva para as bestas, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão,
15 E o vinho _que_ alegra o coração do homem, e o azeite _que_ faz reluzir o _seu_ rosto, e o pão _que_ fortalece o coração do homem.
16 As arvores do Senhor fartam-se de _seiva_, [3] os cedros do Libano que elle plantou,
17 Onde as aves se aninham: _emquanto_ á cegonha, a sua casa é nas faias.
18 Os altos montes _são um refugio_ para as cabras montezes, _e_ as rochas para os coelhos.
19 Designou [4] a lua para as estações: o sol conhece o seu occaso.
20 Ordenas [5] a escuridão, e faz-se noite, na qual saem todos os animaes da selva.
21 Os leõesinhos bramam pela preza, e de Deus buscam o seu sustento.
22 Nasce o sol e _logo_ se acolhem, e se deitam nos seus covis.
23 _Então_ sae [6] o homem á sua obra e ao seu trabalho, até á tarde.
24 Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.
25 _Assim é_ este mar grande e muito espaçoso, onde _ha_ reptis sem numero, animaes pequenos e grandes.
26 Ali andam os navios; _e_ o leviathan que formaste para n’elle folgar.
27 Todos esperam de ti, que lhes dês o seu sustento em tempo opportuno.
28 Dando-lh’o tu, _elles o_ recolhem; abres a tua mão, _e_ se enchem de bens.
29 Escondes o teu rosto, e ficam perturbados: se lhes tiras o folego, morrem, e voltam para o seu pó.
30 Envias o teu Espirito, e são creados, e _assim_ renovas a face da terra.
31 A gloria do Senhor durará para sempre: o Senhor se alegrará nas suas obras.
32 Olhando [7] elle para a terra, ella treme; tocando nos montes, _logo_ fumegam.
33 Cantarei ao Senhor emquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus, emquanto eu tiver existencia.
34 A minha meditação ácerca d’elle será suave: eu me alegrarei no Senhor.
35 Desçam da terra os peccadores, e os impios não sejam mais. Bemdize, ó alma minha, ao Senhor. [QX] Louvae ao Senhor.
[1] Heb. 1.7.
[2] Gen. 7.19. Gen. 8.1.
[3] Num. 24.6.
[4] Gen. 1.14.
[5] Isa. 45.7.
[6] Gen. 3.19.
[7] Hab. 3.10.
_O psalmista louva a Deus por haver guardado o seu pacto com os patriarchas, por haver livrado Israel d’Egypto, e pelo haver conduzido pelo deserto até Canaan._
105 Louvae [1] ao Senhor, _e_ invocae o seu nome; fazei conhecidas as suas obras entre os povos.
2 Cantae-lhe, cantae-lhe psalmos: fallae de todas as suas maravilhas.
3 Gloriae-vos no seu sancto nome: alegre-se o coração d’aquelles que buscam ao Senhor.
4 Buscae ao Senhor e a sua força: buscae a sua face continuamente.
5 Lembrae-vos das maravilhas que fez, dos seus prodigios e dos juizos da sua bocca;
6 Vós, semente d’Abrahão, seu servo, vós, filhos de Jacob, seus escolhidos.
7 Elle _é_ o Senhor, nosso Deus; [2] os seus juizos _estão_ em toda a terra.
8 Lembrou-se [3] do seu concerto para sempre, da palavra _que_ mandou a milhares de gerações.
9 O qual [4] _concerto_ fez com Abrahão, e o seu juramento a Isaac.
10 E confirmou o mesmo a Jacob _por_ estatuto, _e_ a Israel _por_ concerto eterno,
11 Dizendo: [5] A ti darei a terra de Canaan, a sorte da vossa herança.
12 Quando eram poucos homens em numero, sim, mui poucos e estrangeiros n’ella.
13 Quando andavam de nação em nação e d’um reino para outro povo.
14 Não permittiu [6] a ninguem que os opprimisse, e por amor d’elles reprehendeu a reis, _dizendo_:
15 Não toqueis os meus ungidos, e não maltrateis os meus prophetas.
16 Chamou [7] a fome sobre a terra, quebrantou todo o sustento do pão.
17 Mandou [8] perante elles um varão, José, _que_ foi vendido por escravo:
18 Cujos pés apertaram com grilhões: foi mettido em ferros:
19 Até ao tempo em que chegou a sua palavra; a palavra do Senhor o provou.
20 Mandou [9] o rei, e o fez soltar; o governador dos povos, e o soltou.
21 Fel-o [10] senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda;
22 Para sujeitar os seus principes a seu gosto, e instruir os seus anciãos.
23 Então Israel entrou no Egypto, e Jacob peregrinou na terra de Cão.
24 E augmentou [11] o seu povo em grande maneira, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos.
25 Virou [12] o coração d’elles para que aborrecessem o seu povo, para que tratassem astutamente aos seus servos.
26 Enviou [13] Moysés, seu servo, _e_ Aarão, a quem escolhera.
27 Mostraram entre elles os seus signaes e prodigios, na terra de Cão.
28 Mandou trevas, e a fez escurecer; e não foram rebeldes á sua palavra.
29 Converteu [14] as suas aguas em sangue, e matou os seus peixes.
30 A sua terra produziu [15] rãs em abundancia, até nas camaras dos seus reis.
31 Fallou elle, e vieram enxames de moscas _e_ piolhos em todo o seu termo.
32 Converteu [16] as suas chuvas em saraiva, _e_ fogo abrazador na sua terra.
33 Feriu as suas vinhas e os seus figueiraes, e quebrou as arvores dos seus termos.
34 Fallou elle, e vieram gafanhotos e pulgão sem numero.
35 E comeram toda a herva da sua terra, e devoraram o fructo dos seus campos.
36 Feriu [17] tambem a todos os primogenitos da sua terra, as primicias de todas as suas forças.
37 E tirou-os _para fóra_ com prata e oiro, e entre as suas tribus não houve um só fraco.
38 O Egypto [18] se alegrou quando elles sairam, porque o seu temor caira sobre elles.
39 Estendeu [19] uma nuvem por coberta, e um fogo para alumiar de noite.
40 Oraram, [20] e elle fez vir codornizes, e os fartou de pão do céu.
41 Abriu a penha, e d’ella correram aguas; correram pelos logares seccos _como_ um rio.
42 Porque [21] se lembrou da sua sancta palavra, e de Abrahão, seu servo.
43 E tirou _d’ali_ o seu povo com alegria, _e_ os seus escolhidos com regozijo.
44 E deu-lhes [22] as terras das nações; e herdaram o trabalho dos povos;
45 Para que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis. Louvae ao Senhor.
[1] I Chr. 16.8, 22.
[2] Isa. 26.9.
[3] Luc. 1.72.
[4] Gen. 17.2 e 22.16, etc. e 26.3. Luc. 1.73. Heb. 6.17.
[5] Gen. 13.15 e 15.18.
[6] Gen. 35.5.
[7] Gen. 41.45.
[8] Gen. 37.28 e 45.5, 36.
[9] Gen. 41.14.
[10] Gen. 41.40.
[11] Exo. 1.7.
[12] Exo. 1.8.
[13] Exo. 3.10 e 4.12, 14.
[14] Exo. 7.20.
[15] Exo. 8.6.
[16] Exo. 9.23, 25.
[17] Exo. 12.29. Gen. 49.3.
[18] Exo. 12.33.
[19] Exo. 16.21.
[20] Exo. 16.12.
[21] Gen. 15.14.
[22] Deu. 6.10.
_Deus é louvado por haver supportado o seu povo, apezar das suas muitas rebelliões._
106 Louvae ao Senhor. Louvae ao Senhor, porque elle é bom, porque a sua misericordia _dura_ para sempre.
2 Quem pode referir as obras poderosas do Senhor? _Quem_ annunciará os seus louvores?
3 Bemaventurados os que guardam o juizo, [1] o que obra justiça em todos os tempos.
4 Lembra-te de mim, Senhor, segundo a _tua_ boa vontade para com o teu povo: visita-me com a tua salvação;
5 Para que eu veja os bens de teus escolhidos, para que eu me alegre com a alegria do teu povo, para que me glorie com a tua herança.
6 Nós peccámos [2] com os nossos paes, commettemos a iniquidade, obrámos perversamente.
7 Nossos paes não entenderam as tuas maravilhas no Egypto; [3] não se lembraram da multidão das tuas misericordias; antes _o_ provocaram no mar, _sim_ no Mar Vermelho.
8 Não obstante, [4] elle os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder.
9 Reprehendeu o Mar Vermelho e se seccou, e os fez caminhar pelos abysmos como pelo deserto.
10 E os livrou [5] da mão d’aquelle que os aborrecia, e os remiu da mão do inimigo.
11 E as aguas [6] cobriram os seus adversarios: nem um _só_ d’elles ficou.
12 Então creram [7] as suas palavras, e cantaram os seus louvores.
13 _Porém_ cedo se esqueceram das suas obras; não esperaram o seu conselho,
14 Mas deixaram-se levar da cubiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão.
15 E elle lhes cumpriu o seu desejo, mas enviou magreza ás suas almas.
16 E invejaram a [8] Moysés no campo, _e_ a Aarão, o sancto do Senhor.
17 Abriu-se [9] a terra, e enguliu a Dathan, e cobriu a gente de Abiram.
18 E um fogo se accendeu [10] na sua gente: a chamma abrazou os impios.
19 Fizeram um bezerro [11] em Horeb, e adoraram a imagem fundida.
20 E converteram [12] a sua gloria na figura de um boi que come herva.
21 Esqueceram-se de Deus, seu salvador, que fizera grandezas no Egypto,
22 Maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas no Mar Vermelho.
23 Pelo que disse que os [13] destruiria, se Moysés, seu escolhido, se não pozesse perante elle na abertura, para desviar a sua indignação, afim de _os_ não destruir.
24 Tambem desprezaram [14] a terra aprazivel: não creram na sua palavra.
25 Antes murmuraram [15] nas suas tendas, _e_ não deram ouvidos á voz do Senhor.
26 Pelo que levantou [16] a sua mão contra elles, para os derribar no deserto;
27 Para derribar tambem a sua semente entre as nações, e espalhal-os pelas terras.
28 Tambem se juntaram [17] com Baal-peor, e começaram os sacrificios dos mortos.
29 Assim _o_ provocaram á ira com as suas invenções; e a peste rebentou entre elles.
30 Então se levantou [18] Phineas, e fez juizo, e cessou aquella peste.
31 E isto lhe foi contado [19] como justiça, de geração em geração, para sempre.
32 Indignaram-n’_o_ [20] tambem junto ás aguas da contenda, de sorte que succedeu mal a Moysés, por causa d’elles;
33 Porque irritaram o seu espirito, [21] de modo que fallou imprudentemente com seus labios.
34 Não [22] destruiram os povos, como o Senhor lhes dissera.
35 Antes se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras.
36 E serviram aos seus idolos, que vieram a ser-lhes um laço.
37 Demais _d’isto_, [23] sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demonios,
38 E derramaram sangue innocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que sacrificaram aos idolos de Canaan; [24] e a terra foi manchada com sangue.
39 Assim se contaminaram [25] com as suas obras, e se prostituiram com os seus feitos.
40 Pelo que se accendeu a ira do Senhor contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança.
41 E os entregou [26] nas mãos das nações; e aquelles que os aborreciam se assenhorearam d’elles.
42 E os seus inimigos os opprimiram, e foram humilhados debaixo das suas mãos.
43 Muitas vezes os livrou, mas _o_ provocaram com o seu conselho, e foram abatidos pela sua iniquidade.
44 Comtudo, attendeu á sua afflicção, ouvindo o seu clamor.
45 E se lembrou [27] do seu concerto, e se arrependeu segundo a multidão das suas misericordias.
46 Pelo que fez [28] com que d’elle tivessem misericordia os que os levaram captivos.
47 Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos d’entre as nações, para que louvemos o teu nome sancto, e nos gloriemos no teu louvor.
48 Bemdito _seja_ o Senhor, Deus d’Israel, de eternidade em eternidade, e todo o povo diga: Amen. Louvae ao Senhor.
[1] Act. 24.16. Gal. 6.9.
[2] Lev. 26.40. Dan. 9.5.
[3] Exo. 14.11, 12.
[4] Eze. 20.14. Exo. 9.16.
[5] Exo. 14.30.
[6] Exo. 14.27, 28 e 15.5.
[7] Exo. 14.31 e 15.1.
[8] Num. 16.1, etc.
[9] Num. 16.31, 32. Deu. 11.6.
[10] Num. 16.35, 46.
[11] Exo. 32.4.
[12] Jer. 2.11. Rom. 1.23.
[13] Exo. 32.10, 11, 32. Deu. 9.19, 25 e 10.10.
[14] Deu. 8.7.
[15] Num. 14.2, 27.
[16] Num. 14.28. Heb. 3.11, 18.
[17] Num. 25.2, 3.
[18] Num. 25.7, 8.
[19] Num. 25.11, 12, 13.
[20] Num. 20.3, 13. Deu. 1.37 e 3.26.
[21] Num. 20.10.
[22] Jui. 1.21, 27, 28, 29, etc.
[23] II Reis 16.3. Isa. 57.5. I Cor. 10.20.
[24] Num. 35.33.
[25] Eze. 20.30, 31. Lev. 17.7.
[26] Jui. 2.14. Neh. 9.27.
[27] Lev. 26.41, 42.
[28] Esd. 9.9. I Chr. 16.35, 36. Jer. 42.12.
_A bondade de Deus em proteger os viajantes, os encarcerados, os doentes, os que navegam, e em geral todos os homens._
107 Louvae ao Senhor, porque elle _é_ bom, porque a sua benignidade _dura_ para sempre.
2 Digam-n’_o_ os remidos do Senhor, os que remiu da mão do inimigo,
3 E os _que_ congregou das terras do oriente [1] e do occidente, do norte e do sul.
4 Andaram desgarrados pelo deserto, por caminhos solitarios; não acharam cidade para habitarem.
5 Famintos e sedentos, a sua alma n’elles desfallecia.
6 E clamaram [2] ao Senhor na sua angustia, _e_ os livrou das suas necessidades.
7 E os levou por caminho direito, para irem a _uma_ cidade de habitação.
8 Louvem ao Senhor _pela_ sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para com os filhos dos homens.
9 Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bondade a alma faminta.
10 Tal como a que se assenta nas trevas e sombra da morte, presa em afflicção e em ferro;
11 Porquanto se rebellaram contra as palavras de Deus, e desprezaram o conselho do Altissimo,
12 Portanto lhes abateu o coração com trabalho; tropeçaram, e não _houve_ quem _os_ ajudasse.
13 Então clamaram ao Senhor na sua angustia, _e_ os livrou das suas necessidades.
14 Tirou-os das trevas e sombra da morte; e quebrou as suas prisões.
15 Louvem ao Senhor pela sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para com os filhos dos homens.
16 Pois quebrou [3] as portas de bronze; e despedaçou os ferrolhos de ferro.
17 Os loucos, por causa da sua transgressão, e por causa das suas iniquidades, são afflictos.
18 A sua alma aborreceu toda a comida, e chegaram até ás portas da morte.
19 Então clamaram ao Senhor na sua angustia: _e_ elle os livrou das suas necessidades.
20 Enviou a sua palavra, e os sarou; e os livrou da sua destruição.
21 Louvem ao Senhor _pela_ sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para com os filhos dos homens.
22 E offereçam os sacrificios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo.
23 Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes aguas,
24 Esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no profundo.
25 Pois elle manda, e se levanta o vento tempestuoso, que eleva as suas ondas.
26 Sobem aos céus; descem aos abysmos, _e_ a sua alma se derrete em angustias.
27 Andam e cambaleam como ebrios, e perderam todo o tino.
28 Então clamam ao Senhor na sua angustia; e elle os livra das suas necessidades.
29 Faz cessar a tormenta, e calam-se as suas ondas.
30 Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto desejado.
31 Louvem ao Senhor _pela_ sua bondade, e _pelas_ suas maravilhas para com os filhos dos homens.
32 Exaltem-n’o na congregação do povo, e glorifiquem-n’o na assembléa dos anciãos.
33 Elle converte [4] os rios em um deserto, e as fontes em _terra_ sedenta:
34 A terra fructifera [5] em esteril, pela maldade dos que n’ella habitam.
35 Converte o deserto em lagoa, e a terra secca em fontes.
36 E faz habitar ali os famintos, para que edifiquem cidade para habitação;
37 E semeiam os campos e plantam vinhas, que produzem fructo abundante.
38 Tambem os abençoa, [6] de modo que se multiplicam muito; e o seu gado não diminue.
39 Depois se diminuem e se abatem, pela oppressão, afflicção e tristeza.
40 Derrama o desprezo sobre os principes, e os faz andar desgarrados pelo deserto, _onde_ não ha caminho.
41 Porém livra ao necessitado da oppressão em um logar alto, e multiplica as familias como rebanhos.
42 Os rectos _o_ verão, e se alegrarão, e toda a iniquidade tapará a bocca.
43 Quem [7] _é_ sabio observará estas _coisas_, e elles comprehenderão as benignidades do Senhor.
[1] Isa. 43.5, 6. Jer. 39.14 e 31.3, 10.
[2] Ose. 5.15.
[3] Isa. 45.2.
[4] I Reis 17.1, 7.
[5] Gen. 13.10 e 14.3.
[6] Gen. 12.2 e 17.16, 20. Exo. 1.7.
[7] Jer. 9.12. Ose. 14.
_David louva a Deus pela victoria que lhe concedeu._
Cantico e psalmo de David.
108 Preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e direi psalmos até com a minha gloria.
2 Desperta-te, psalterio e harpa; eu _mesmo_ despertarei ao romper da alva.
3 Louvar-te-hei entre os povos, Senhor, e a ti cantarei psalmos entre as nações.
4 Porque a tua benignidade se estende até aos céus, e a tua verdade _chega_ até ás mais altas nuvens.
5 Exalta-te sobre os céus, ó Deus, e a tua gloria sobre toda a terra,
6 Para que sejam livres os teus amados: salva-_nos_ com a tua dextra, e ouve-nos.
7 Deus fallou na sua sanctidade: eu me regozijarei; repartirei a Sichem, e medirei o valle de Succoth.
8 Meu _é_ [QY] Galaad, meu é Manassés; e Ephraim a força da minha cabeça, Judah [1] o meu legislador,
9 Moab o _meu vaso de lavar_: sobre Edom lançarei o meu sapato, sobre a Palestina jubilarei.
10 Quem me levará á cidade forte? Quem me guiará até Edom?
11 _Porventura_ não _serás tu_, ó Deus, _que_ nos rejeitaste? E não sairás, ó Deus, com os nossos exercitos?
12 Dá-nos auxilio [QZ] para sair da angustia, porque vão _é_ o soccorro _da parte_ do homem.
13 Em Deus faremos proezas, pois elle calcará aos pés os nossos inimigos.
[1] Gen. 49.10.
_David roga a Deus o castigo dos impios, e que o livre das suas afflicções._
Psalmo de David para o cantor-mór.
109 Ó Deus do meu louvor, não te cales,
2 Pois a bocca do impio e a bocca do enganador estão abertas contra mim: teem fallado contra mim com uma lingua mentirosa.
3 Elles me cercaram com palavras odiosas, e pelejaram contra mim sem causa.
4 _Em recompensa_ do meu amor são meus adversarios: mas eu _faço_ oração.
5 E me deram mal pelo bem, e odio pelo meu amor.
6 Põe [1] sobre elle um impio, e Satanaz esteja á sua direita.
7 Quando fôr julgado, saia condemnado; e a sua oração se lhe torne em peccado.
8 Sejam poucos [2] os seus dias, _e_ outro tome o seu officio.
9 Sejam orphãos [3] os seus filhos, e viuva sua mulher.
10 Sejam vagabundos e pedintes os seus filhos, e busquem _o pão_ dos seus logares desolados.
11 Lance o credor a mão a tudo quanto tenha, e despojem os estranhos o seu trabalho.
12 Não haja ninguem que se compadeça d’elle, nem haja quem favoreça os seus orphãos.
13 Desappareça a sua posteridade, o seu nome seja apagado na seguinte geração.
14 Esteja na memoria do Senhor a iniquidade [4] de seus paes, e não se apague o peccado de sua mãe.
15 Antes estejam sempre perante o Senhor, para que faça desapparecer a sua memoria da terra.
16 Porquanto não se lembrou de fazer misericordia; antes perseguiu ao varão afflicto e ao necessitado, para que podesse até matar o quebrantado de coração.