A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 101
86 Inclina, Senhor, os teus ouvidos, _e_ ouve-me, porque _estou_ necessitado e afflicto.
2 Guarda a minha alma, pois sou sancto; oh Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia.
3 Tem misericordia de mim, ó Senhor, pois a ti clamo todo o dia.
4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, levanto a minha alma.
5 Pois tu, Senhor, _és_ bom, e prompto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.
6 Dá ouvidos, Senhor, á minha oração, e attende á voz das minhas supplicas.
7 No dia da minha angustia clamo a ti, porquanto me respondes.
8 Entre os deuses não _ha_ similhante a ti, Senhor, nem _ha_ obras como as tuas.
9 Todas [1] as nações que fizeste virão e se prostrarão perante a tua face, Senhor, e glorificarão o teu nome.
10 Porque tu _és_ grande e fazes maravilhas; só tu _és_ Deus.
11 Ensina-me, Senhor, o teu caminho, _e_ andarei na tua verdade: une o meu coração ao temor do teu nome.
12 Louvar-te-hei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre.
13 Pois grande _é_ a tua misericordia para comigo; e livraste a minha alma da sepultura mais profunda.
14 Ó Deus, os soberbos se levantaram contra mim, e as assembléas dos tyrannos procuraram a minha alma; e não te pozeram perante os seus olhos.
15 Porém tu, [2] Senhor, _és_ um Deus cheio de compaixão, e piedoso, soffredor, e grande em benignidade e em verdade.
16 Volta-te para mim, e tem misericordia de mim; dá a tua fortaleza ao teu servo, e salva ao filho da tua serva.
17 Mostra-me um signal para bem, para que _o_ vejam aquelles que me aborrecem, e se confundam; porque tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.
[1] Isa. 43.7. Apo. 15.4.
[2] Exo. 34.6. Num. 14.18. Neh. 9.17.
_Deus tem o maior prazer em Sião._
Psalmo e canto para os filhos de Korah.
87 O seu fundamento _está_ nos montes sanctos.
2 O Senhor ama as portas de Sião, mais do que todas as habitações de Jacob.
3 Coisas [1] gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus. (Selah)
4 Farei menção de Rahab e de Babylonia áquelles que me conhecem: eis-que da Philisteia, e de Tyro, e [QL] da Ethiopia, se dirá: Este _homem_ nasceu ali.
5 E de Sião se dirá: Este e aquelle nasceu ali; e o mesmo Altissimo a estabelecerá.
6 O Senhor contará na descripção dos povos _que_ este _homem_ nasceu ali. (Selah)
7 Assim como os cantores e tocadores de instrumentos _estarão lá_, todas as minhas fontes _estão_ dentro de ti.
[1] Isa. 60.14, 15.
_O psalmista queixa-se das suas grandes desgraças, e supplica a Deus que o livre._
Cantico e psalmo para os filhos de Korah e para o cantor-mór sobre Mahalat Leannoth, instrucção de Heman Ezrahita.
88 Senhor Deus da minha salvação, [1] diante de ti tenho clamado de dia e de noite.
2 Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;
3 Porque a minha alma está cheia de angustias, e a minha vida se approxima da sepultura.
4 Estou contado com aquelles que descem ao abysmo: estou como homem sem forças,
5 Apartado entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura, dos quaes te não lembras mais, e estão cortados da tua mão.
6 Pozeste-me no abysmo mais profundo, em trevas e nas profundezas.
7 Sobre mim peza o teu furor: tu _me_ affligiste com todas as tuas ondas (Selah).
8 Alongaste de mim os meus conhecidos, pozeste-me em extrema abominação para com elles: estou fechado, e não posso sair.
9 A minha vista desmaia por causa da afflicção: Senhor, tenho clamado a ti todo o dia, tenho estendido para ti as minhas mãos.
10 Mostrarás tu maravilhas aos mortos, ou os mortos se levantarão e te louvarão? (Selah)
11 Será annunciada a tua benignidade na sepultura, ou a tua fidelidade na perdição?
12 Saber-se-hão as tuas maravilhas nas trevas, e a tua justiça na terra do esquecimento?
13 Eu, porém, Senhor, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a minha oração.
14 Senhor, porque rejeitas a minha alma? porque escondes de mim a tua face?
15 _Estou_ afflicto, e prestes _tenho estado_ a morrer desde a _minha_ mocidade: _emquanto_ soffro os teus terrores, estou distrahido.
16 A tua ardente indignação sobre mim vae passando: os teus terrores me teem retalhado.
17 Elles me rodeiam todo o dia como agua; elles juntos me sitiam.
18 Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, _e_ os meus conhecidos _estão_ em trevas.
[1] Luc. 18.7.
_Traz-se á memoria o pacto de Deus com David, a fim de que Deus livre o seu povo dos males presentes._
Maschil de Ethan, o ezrahita.
89 As benignidades do Senhor cantarei perpetuamente: com a minha bocca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração.
2 Pois disse eu: A _tua_ benignidade será edificada para sempre: tu confirmarás a tua fidelidade até nos céus, _dizendo_:
3 Fiz [1] um concerto com o meu escolhido: jurei ao meu servo David, _dizendo_:
4 A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu throno de geração em geração (Selah).
5 E os céus louvarão as tuas maravilhas, ó Senhor, a tua fidelidade tambem na congregação dos sanctos.
6 Pois quem no céu se pode egualar ao Senhor? _Quem_ entre os filhos dos poderosos pode ser similhante ao Senhor?
7 Deus é muito formidavel na assembléa dos sanctos, e para ser reverenciado por todos os que o cercam.
8 Ó Senhor, Deus dos Exercitos, quem _é_ forte como tu, Senhor? pois a tua fidelidade _está_ á roda de ti?
9 Tu dominas o impeto do mar: quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar.
10 Tu quebrantaste a Rahab como se fôra ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte.
11 Teus _são_ os céus, e tua _é_ a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste.
12 O norte e o sul tu os creaste; Tabor e Hermon jubilam em teu nome.
13 Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, _e_ alta está a tua dextra.
14 Justiça e juizo _são_ o assento do teu throno, misericordia e verdade irão adiante do teu rosto.
15 Bemaventurado o povo que conhece o som alegre: andará, ó Senhor, na luz da tua face.
16 Em teu nome se alegrará todo o dia, e na tua justiça se exaltará.
17 Pois tu _és_ a gloria da sua força; e no teu favor será exaltado o nosso [QM] poder.
18 Porque o Senhor _é_ a nossa defeza, e o Sancto d’Israel o nosso Rei.
19 Então fallaste em visão ao teu sancto, e disseste: Puz o soccorro sobre _um que é_ poderoso: exaltei a _um_ eleito do povo.
20 Achei a David, meu servo; com sancto oleo o ungi:
21 Com o qual a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá.
22 O inimigo não [QN] apertará com elle, nem o filho da perversidade o affligirá.
23 E eu derribarei os seus inimigos perante a sua face, e ferirei aos que o aborrecem.
24 E a minha fidelidade e a minha benignidade _estarão_ com elle; e em meu nome será exaltado o seu poder.
25 Porei tambem a sua mão no mar, e a sua direita nos rios.
26 Elle me chamará, _dizendo_: Tu _és_ meu pae, meu Deus, e a rocha da minha salvação.
27 Tambem o farei _meu_ primogenito, mais elevado do que os reis da terra.
28 A minha benignidade lhe conservarei eu para sempre, e o meu concerto lhe _será_ firme.
29 E conservarei para sempre a sua semente, e o seu throno como os dias do céu.
30 Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juizos,
31 Se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos,
32 Então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniquidade com açoites.
33 Porém não retirarei totalmente d’elle a minha benignidade, nem faltarei á minha fidelidade.
34 Não quebrarei o meu concerto, não alterarei o que saiu dos meus labios.
35 Uma vez jurei pela minha sanctidade _que_ não mentirei a David.
36 A sua semente durará para sempre, e o seu throno, como o sol diante de mim,
37 Será estabelecido para sempre como a lua, e _como_ uma testemunha fiel no céu (Selah).
38 Porém tu rejeitaste e aborreceste; tu te indignaste contra o teu ungido.
39 Abominaste o concerto do teu servo: profanaste a sua corôa, _lançando-a_ por terra.
40 Derribaste todos os seus vallados; arruinaste as suas fortificações.
41 Todos os que passam pelo caminho o despojam; é um opprobrio para os seus visinhos.
42 Exaltaste a dextra dos seus adversarios; fizeste com que todos os seus inimigos se regozijassem.
43 Tambem embotaste os fios da sua espada, e não o sustentaste na peleja.
44 Fizeste cessar [QO] a sua gloria, e deitaste por terra o seu throno.
45 Abreviaste os dias da sua mocidade; cobriste-o de vergonha (Selah).
46 Até quando, Senhor? _Acaso_ te esconderás para sempre? arderá a tua ira como fogo?
47 Lembra-te de quão breves são os meus dias; pelo que debalde creaste todos os filhos dos homens.
48 Que homem ha, que viva, e não veja a morte? Livrará elle a sua alma do poder [QP] da sepultura? (Selah)
49 Senhor, onde _estão_ as tuas antigas benignidades, _que_ juraste a David pela tua verdade?
50 Lembra-te, Senhor, do opprobrio dos teus servos; _como_ eu trago no meu peito o _opprobrio de_ todos os povos poderosos:
51 Com o qual, Senhor, os teus inimigos teem diffamado, com o qual teem diffamado as pisadas do teu ungido.
52 Bemdito _seja_ o Senhor para sempre. Amen, e Amen.
[1] I Reis 8.16.
_A fraqueza do homem e a providencia de Deus._
Oração de Moysés, varão de Deus.
90 Senhor, tu tens sido [QQ] o nosso refugio, de geração em geração.
2 Antes [1] que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade em eternidade, tu _és_ Deus.
3 Tu reduzes o homem á destruição; e dizes: [2] Tornae-vos, filhos dos homens.
4 Porque mil annos _são_ aos teus olhos como o dia de hontem quando passou, e _como_ a vigilia da noite.
5 Tu os levas como com _uma_ corrente d’agua: são _como um_ somno: de manhã _são_ como a herva _que_ cresce.
6 De madrugada floresce e se muda: á tarde se corta e se secca.
7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos angustiados.
8 Diante de ti pozeste as [3] nossas iniquidades: os nossos _peccados_ occultos á luz do teu rosto.
9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos annos como um conto que se conta.
10 Os dias da nossa vida chegam a setenta annos, e se alguns pela sua robustez chegam a oitenta annos, o orgulho d’elles _é_ canceira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando.
11 Quem conhece o poder da tua ira? segundo és tremendo, _assim é o_ teu furor.
12 Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sabios.
13 Volta-te para nós, Senhor: até quando? e aplaca-te para com os teus servos.
14 Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.
15 Alegra-nos pelos dias _em que_ nos affligiste, _e_ pelos annos _em que_ vimos o mal.
16 Appareça [4] a tua obra aos teus servos, e a tua gloria sobre seus filhos.
17 E seja sobre nós a formosura do Senhor, nosso Deus: e confirma sobre nós [5] a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.
[1] Pro. 8.25, 26.
[2] Gen. 3.19.
[3] Psa. 50.21.
[4] Hab. 3.2.
[5] Isa. 26.12.
_A segurança d’aquelle que se acolhe em Deus._
91 Aquelle que habita no esconderijo do Altissimo, á sombra do Omnipotente descançará.
2 Direi do Senhor: _Elle é_ o meu Deus, o meu refugio, a minha fortaleza, e n’elle confiarei.
3 Porque elle te livrará do laço do passarinheiro, _e_ da peste perniciosa.
4 Elle te cobrirá com as suas pennas, e debaixo das suas azas te confiarás: a sua verdade _será o teu_ escudo e rodella.
5 Não terás medo do terror de noite _nem_ da setta que vôa de dia,
6 _Nem_ da peste _que_ anda na escuridão, _nem_ da mortandade _que_ assola ao meio-dia.
7 Mil cairão ao teu lado, e dez mil á tua direita, _mas_ não chegará a ti.
8 Sómente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos impios.
9 Porque tu, ó Senhor, és o meu refugio: no Altissimo fizeste a tua habitação.
10 Nenhum mal te succederá, nem praga _alguma_ chegará á tua tenda.
11 Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito para te guardarem em todos os teus caminhos.
12 Elles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
13 Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e [QR] o dragão.
14 Porquanto tão encarecidamente me amou, tambem eu o livrarei; pôl-o-hei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
15 Elle me invocará, e eu lhe responderei; _estarei_ com elle na angustia; _d’ella_ o retirarei, e o glorificarei.
16 Fartal-o-hei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.
_O psalmista louva a Deus por amor da sua obra, justiça e graça._
Psalmo e cantico para o sabbado.
92 Bom _é_ louvar ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altissimo:
2 Para de manhã annunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade:
3 Sobre _um_ instrumento de dez cordas, e sobre o psalterio: sobre a harpa com som solemne.
4 Pois tu, Senhor, me alegraste pelos teus feitos: exultarei nas obras das tuas mãos.
5 Quão grandes são, Senhor, as tuas obras! mui profundos _são_ os teus pensamentos.
6 O homem brutal não conhece, nem o louco entende isto.
7 Quando o impio crescer como a herva, e quando florescerem todos os que obram a iniquidade, _é_ que serão destruidos perpetuamente.
8 Mas tu, Senhor, _és_ o Altissimo para sempre.
9 Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que obram a iniquidade,
10 Porém tu exaltarás o meu [QS] poder, como _o_ do unicornio: serei ungido com oleo fresco.
11 Os meus olhos verão _o meu desejo_ sobre os meus inimigos, _e_ os meus ouvidos ouvirão _o meu desejo_ ácerca dos malfeitores que se levantam contra mim.
12 O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Libano.
13 Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos atrios do nosso Deus.
14 Na velhice ainda darão fructos: serão viçosos e florescentes;
15 Para annunciar que o Senhor _é_ recto: _elle é_ a minha rocha, e n’elle não _ha_ injustiça.
_O poder e magestade do reino de Deus._
93 O Senhor reina; está vestido de magestade: o Senhor está vestido; cingiu-se de fortaleza: o mundo tambem está firmado, _e_ não poderá vacillar.
2 O teu throno _está_ firme desde então: tu _és_ desde a eternidade.
3 Os rios levantam, ó Deus, os rios levantam o seu ruido, os rios levantam as suas ondas.
4 _Mas_ o Senhor nas alturas _é_ mais poderoso do que o ruido das grandes aguas _e do que_ as grandes ondas do mar.
5 Mui fieis são os teus testemunhos: a sanctidade convem á tua casa, Senhor, para sempre.
_Appellação á justiça de Deus contra os malfeitores._
94 Ó Senhor Deus, a quem a vingança pertence, [1] ó Deus, a quem a vingança pertence, mostra-te resplandecente.
2 Exalta-te, tu, que és juiz da terra: dá a paga aos soberbos.
3 Até quando os impios, Senhor, até quando os impios [QT] saltarão de prazer?
4 _Até quando_ proferirão, _e_ fallarão coisas duras, _e_ se gloriarão todos os que obram a iniquidade?
5 Reduzem a pedaços o teu povo, e affligem a tua herança.
6 Matam a viuva e o estrangeiro, e ao orphão tiram a vida.
7 Comtudo dizem: O Senhor não _o_ verá; nem _para isso_ attenderá o Deus de Jacob.
8 Attendei, ó brutaes d’entre o povo; e _vós_, loucos, quando sereis sabios?
9 Aquelle que fez o ouvido não ouvirá? e o que formou o olho não verá?
10 Aquelle que argúe as gentes _não_ castigará? e o que ensina ao homem o conhecimento _não saberá_?
11 O Senhor conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.
12 Bemaventurado _é_ o homem a quem tu castigas, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei;
13 Para lhe dares descanço dos dias maus, até que se abra a cova para o impio.
14 Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.
15 Mas o juizo voltará á rectidão, e seguil-o-hão todos os rectos do coração.
16 Quem será por mim contra os malfeitores? quem se porá por mim contra os que obram a iniquidade?
17 Se o Senhor não tivera ido em meu auxilio, a minha alma quasi que teria ficado no silencio.
18 Quando eu disse: O meu pé vacilla; a tua benignidade, Senhor, me susteve.
19 Na multidão dos meus pensamentos dentro de mim, as tuas consolações recrearam a minha alma.
20 _Porventura_ [2] o throno d’iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei?
21 Elles se ajuntam contra a alma do justo, e condemnam o sangue innocente.
22 Mas o Senhor _é_ a minha defeza; e o meu Deus é a rocha do meu refugio.
23 E trará sobre elles a sua propria iniquidade; e os destruirá na sua propria malicia: o Senhor nosso Deus os destruirá.
[1] Deu. 32.35.
[2] Amós 6.3. Isa. 10.
_O psalmista convida a louvar o Senhor e celebral-o de viva voz._
95 Vinde, cantemos ao Senhor: jubilemos á rocha da nossa salvação.
2 Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremol-o com psalmos.
3 Porque o Senhor _é_ Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses.
4 Nas suas mãos _estão_ as profundezas da terra, e as alturas dos montes _são_ suas.
5 Seu é o mar, e elle o fez, e as suas mãos formaram a terra secca.
6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos: [1] ajoelhemos diante do Senhor que nos creou.
7 Porque elle _é_ o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz,
8 Não endureçaes [2] os vossos corações, _assim_ como [QU] na provocação _e_ como _no_ dia [QV] da tentação no deserto;
9 Quando vossos paes me tentaram, me provaram, e viram a minha obra.
10 Quarenta annos estive desgostado com _esta_ geração, e disse: É _um_ povo que erra do coração, e não tem conhecido os meus caminhos.
11 A quem jurei [3] na minha ira que não entrarão no meu repouso.
[1] I Cor. 6.20.
[2] Exo. 17.2. Num. 14.22.
[3] Num. 14.23, 28, 30.
_Convite a toda a terra para louvar e temer o Senhor._
96 Cantae ao Senhor _um_ cantico novo, cantae ao Senhor toda a terra.
2 Cantae ao Senhor, bemdizei o seu nome; annunciae a sua salvação de dia em dia.
3 Annunciae entre as nações a sua gloria; entre todos os povos as suas maravilhas.
4 Porque grande _é_ o Senhor, e digno de louvor, mais tremendo do que todos os deuses.
5 Porque [1] todos os deuses dos povos _são_ idolos, mas o Senhor fez os céus.
6 Gloria e magestade _estão_ ante a sua face, força e formosura no seu sanctuario.
7 Dae ao Senhor, ó familias dos povos, dae ao Senhor gloria e força.
8 Dae ao Senhor a gloria _devida ao_ seu nome: trazei offerenda, e entrae nos seus atrios.
9 Adorae ao Senhor na belleza da sanctidade: tremei diante d’elle toda a terra.
10 Dizei entre as nações _que_ o Senhor reina: o mundo tambem se firmará para que se não abale: julgará os povos com rectidão.
11 Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra: brama o mar e a sua plenitude.
12 Alegre-se o campo com tudo o que _ha_ n’elle: então se regozijarão todas as arvores do bosque,
13 Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra: [2] julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade.
[1] Jer. 10.11, 12.
[2] Apo. 19.11.
_A magestade do reino de Deus: o castigo dos impios: exhortação á piedade e ao regozijo._
97 O Senhor reina; regozije-se a terra: [1] alegrem-se as muitas ilhas.
2 Nuvens [2] e obscuridade _estão_ ao redor d’elle: justiça e juizo _são_ a base do seu throno.
3 Um fogo vae adiante d’elle, [3] e abraza os seus inimigos em redor.
4 Os seus relampagos alumiam o mundo; a terra viu e tremeu.
5 Os montes [4] se derretem como cera na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra.
6 Os céus annunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua gloria.
7 Confundidos sejam todos os que servem imagens de esculptura, que se gloriam de idolos: prostrae-vos diante d’elle, todos os deuses.
8 Sião ouviu e se alegrou; e os filhos de Judah se alegraram por causa da tua justiça, ó Senhor.
9 Pois tu, Senhor, _és_ o mais alto sobre toda a terra; tu _és_ muito mais exaltado [5] do que todos os deuses.
10 Vós, que amaes ao Senhor, aborrecei o mal: elle guarda as almas dos seus sanctos, elle os livra das mãos dos impios.
11 A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os rectos de coração.
12 Alegrae-vos, ó justos, no Senhor, e dae louvores á memoria da sua sanctidade.
[1] Isa. 60.9.
[2] I Reis 8.12.
[3] Dan. 7.10. Hab. 3.5.
[4] Jui. 5.5. Miq. 1.4.
[5] Exo. 18.11.
_Convite a louvar o Senhor por amor de sua salvação._
Psalmo.
98 Cantae ao Senhor _um_ cantico novo, porque fez maravilhas; a sua dextra e o seu braço sancto lhe alcançaram a salvação.
2 O Senhor fez [1] notoria a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.
3 Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa d’Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.
4 Exultae no Senhor, toda a terra; exclamae e alegrae-vos de prazer, e cantae louvores.
5 Cantae louvores ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz do canto.
6 Com trombetas e som de cornetas, exultae perante a face do Senhor, o Rei.
7 Brama o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que n’elle habitam.
8 Os rios [2] batam as palmas: regozijem-se tambem as montanhas,
9 Perante a face do Senhor, porque vem a julgar a terra: com justiça julgará _o_ mundo, e o povo com equidade.
[1] Isa. 52.10. Luc. 2.30, 31.
[2] Isa. 55.12.
_A grandeza do reino de Deus._
99 O Senhor reina; tremam as nações: [1] está assentado _entre_ os cherubins; commova-se a terra.
2 O Senhor _é_ grande em Sião, e mais alto do que todas as nações.
3 Louvem o teu nome, grande e tremendo, _pois é_ sancto.
4 Tambem o poder do Rei ama o juizo: tu firmas a equidade, fazes juizo e justiça em Jacob.
5 Exaltae ao Senhor nosso Deus, e prostrae-vos diante do escabello de seus pés, _pois é_ sancto.
6 Moysés [2] e Aarão, entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocam o seu nome, clamavam [3] ao Senhor, e Elle os ouvia.
7 Na columna de nuvem lhes fallava: elles guardavam os seus testemunhos, e os estatutos _que_ lhes dera.
8 Tu os escutaste, Senhor nosso Deus: tu foste um Deus que lhes perdoaste, ainda que tomaste vingança dos seus feitos.
9 Exaltae ao Senhor nosso Deus e adorae-o no seu monte sancto, pois o Senhor nosso Deus _é_ sancto.
[1] Exo. 25.22.
[2] Jer. 15.1.
[3] Exo. 14.15 e 15.25.
_Exhortação a toda a creatura a celebrar ao Senhor._
Psalmo de louvor.
100 Celebrae com jubilo ao Senhor, todas as terras.
2 Servi ao Senhor com alegria; e entrae diante d’elle com canto.
3 Sabei que o Senhor _é_ Deus: foi elle que nos fez, e não nós outros a nós; _somos_ povo seu e ovelhas do seu pasto.
4 Entrae pelas portas d’elle com louvor, _e_ em seus atrios com hymno: louvae-o, e bemdizei o seu nome.
5 Porque o Senhor _é_ bom, e eterna a sua misericordia; e a sua verdade _dura_ de geração em geração.
_David promette a Deus andar perante elle com sinceridade e oppor-se aos impios._
Psalmo de David.
101 Cantarei a misericordia e o juizo: a ti, Senhor, cantarei.
2 Portar-me-hei [1] com intelligencia no caminho recto. Quando virás a mim? Andarei em minha casa com um coração sincero.
3 Não porei coisa má diante dos meus olhos: aborreço a obra d’aquelles que se desviam; não se _me_ pegará a mim.
4 Um coração perverso se apartará de [2] mim: não conhecerei o _homem_ mau.
5 Aquelle que murmura do seu proximo ás escondidas, eu o destruirei: aquelle que tem olhar altivo, e coração soberbo, não soffrerei.
6 Os meus olhos _estarão_ sobre os fieis da terra, para que se assentem comigo: o que anda n’_um_ caminho recto esse me servirá.
7 O que usa de engano não ficará dentro da minha casa: o que falla mentiras não está firme perante os meus olhos.
8 Pela manhã destruirei todos os impios da terra, para desarreigar da cidade do Senhor todos os que obram a iniquidade.
[1] I Sam. 18.14.
[2] Mat. 7.23. II Tim. 2.19.
_Na sua grande afflicção, o psalmista recorre a Deus para que restabeleça o seu povo e o reconduza á sua terra._
Oração do afflicto, vendo-se desfallecido, e derramando a sua queixa perante a face do Senhor.
102 Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.