A Biblia Sagrada, Contendo o Velho e o Novo Testamento
Part 100
2 Lembra-te da tua congregação _que_ compraste [1] desde a antiguidade, [PX] da vara da tua herança _que_ remiste, este monte de Sião, em que habitaste.
3 Levanta os teus pés para as perpetuas assolações, para tudo _o_ que o inimigo tem feito _de_ mal no sanctuario.
4 Os teus inimigos bramam [2] no meio das tuas synagogas; põem _n’ellas_ as suas insignias _por_ signaes.
5 _Cada qual_ se fez afamado, conforme levantara o machado contra a espessura do arvoredo.
6 Mas agora toda a obra entalhada por uma vez quebram com machados e martellos.
7 Lançaram fogo no teu sanctuario; profanaram, derribando-a até ao chão, a morada do teu nome.
8 Disseram nos seus corações: Despojemol-os d’uma vez. Queimaram todas as synagogas de Deus na terra.
9 Já não vemos os nossos signaes, já não _ha_ propheta: nem _ha_ entre nós alguem que saiba até quando _isto durará_.
10 Até quando, ó Deus, _nos_ affrontará o adversario? Blasphemará o inimigo o teu nome para sempre?
11 Porque retiras a tua mão, a saber, a tua dextra? tira-_a_ de dentro do teu seio, e consome-os.
12 Todavia Deus _é_ o meu Rei desde a antiguidade, obrando a salvação no meio da terra.
13 Tu dividiste o [3] mar pela tua força; quebrantaste as cabeças dos [PY] dragões nas aguas.
14 Fizeste em pedaços as cabeças do leviathan, _e_ o déste por mantimento aos habitantes do deserto.
15 Fendeste a fonte e o ribeiro: seccaste os rios impetuosos.
16 Teu _é_ o dia e tua _é_ a noite: [4] preparaste a luz e o sol.
17 Estabeleceste todos os limites da terra; [5] verão e inverno tu os formaste.
18 Lembra-te d’isto: [6] _que_ o inimigo affrontou ao Senhor, e _que_ um povo louco blasphemou o teu nome.
19 Não entregues ás feras a alma da tua rola: não te esqueças para sempre da vida dos teus afflictos.
20 Attende ao _teu_ concerto; pois os logares tenebrosos da terra estão cheios de moradas de [PZ] crueldade.
21 Oh, não volte envergonhado o opprimido: louvem o teu nome o afflicto e o necessitado.
22 Levanta-te, ó Deus, pleiteia a sua propria causa; lembra-te da affronta que o louco te faz cada dia.
23 Não te esqueças [QA] dos gritos dos teus inimigos: o tumulto d’aquelles que se levantam contra ti augmenta continuamente.
[1] Exo. 15.16. Deu. 9.29.
[2] Lam. 2.7.
[3] Exo. 14.21.
[4] Gen. 1.14.
[5] Gen. 8.22.
[6] Apo. 16.19.
_O propheta louva a Deus e promette fazer observar a justiça._
Para o cantor-mór Al-tascheth. Psalmo e cantico de Asaph.
75 A ti, ó Deus, glorificamos, _a ti_ damos louvor, pois o teu nome _está_ perto, as tuas maravilhas o declaram.
2 Quando eu occupar o logar determinado, julgarei rectamente.
3 A terra e todos os seus moradores estão dissolvidos, mas eu fortaleci as suas columnas (Selah).
4 Disse eu aos loucos: Não enlouqueçaes; e aos impios: Não levanteis a fronte:
5 Não levanteis a vossa fronte altiva, _nem_ falleis com cerviz dura;
6 Porque nem do oriente, nem do occidente, nem do deserto _vem_ a exaltação.
7 Mas Deus _é_ o Juiz; a um abate, e a outro exalta.
8 Porque na mão do Senhor _ha um_ calix, cujo vinho é roxo; está cheio de mistura; e dá a beber d’elle; mas as fezes d’elle todos os impios da terra _as_ sorverão _e_ beberão.
9 E eu _o_ declararei para sempre; cantarei louvores ao Deus de Jacob.
10 E [QB] quebrarei todas as forças dos impios, _mas_ as forças dos justos serão exaltadas.
_A magestade e o poder de Deus._
Psalmo e cantico de Asaph, para o cantor-mór, sobre Neginoth.
76 Conhecido _é_ Deus em Judah: grande _é_ o seu nome em Israel.
2 E em Salem está o seu tabernaculo, e a sua morada em Sião.
3 Ali quebrou as frechas do arco; o escudo, e a espada e a guerra (Selah).
4 Tu _és_ mais illustre, _ó_ glorioso, do que os montes de preza.
5 Os que são ousados de coração são despojados; dormiram o seu somno, e nenhum dos homens de força achou as suas mãos.
6 Á tua reprehensão, [1] ó Deus de Jacob, carros e cavallos são lançados n’um somno profundo.
7 Tu, tu _és_ terrivel; e quem subsistirá á tua vista, uma vez que te irares?
8 Desde os céus fizeste ouvir o teu juizo; a terra tremeu e se aquietou,
9 Quando Deus se levantou para _fazer_ juizo, para livrar a todos os mansos da terra (Selah).
10 Porque a colera do homem redundará em teu louvor; o restante da colera tu o restringirás.
11 Fazei votos, e pagae ao Senhor, vosso Deus: tragam presentes, os que estão em redor d’elle, áquelle que é tremendo.
12 Elle ceifará o espirito dos principes: _é_ tremendo para com os reis da terra.
[1] Exo. 15.1, 21. Eze. 39.20.
_O estado interno do psalmista; elle anima a sua alma pela consideração das grandes obras e da misericordia de Deus._
Psalmo de Asaph, para o cantor-mór, por Jeduthun.
77 Clamei ao Senhor _com_ a minha voz: a Deus _levantei_ a minha voz, e elle inclinou para mim os ouvidos.
2 No dia da minha angustia busquei ao Senhor: a minha mão se estendeu de noite, e não cessava; a minha alma recusava ser consolada.
3 Lembrava-me de Deus, e me perturbei: queixava-me, e o meu espirito desfallecia (Selah).
4 Sustentaste os meus olhos acordados: estou tão perturbado que não posso fallar.
5 Considerava [1] os dias da antiguidade, os annos dos tempos antigos.
6 De noite chamei á lembrança o meu cantico: meditei em meu coração, e o meu espirito esquadrinhou.
7 Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favoravel?
8 Cessou para sempre a sua benignidade? acabou-se _já_ a promessa de geração em geração?
9 Esqueceu-se Deus de ter misericordia? ou encerrou elle as suas misericordias na sua ira? (Selah).
10 E eu disse: A minha enfermidade é esta: _mas eu me lembrei_ dos annos da dextra do Altissimo.
11 Eu me lembrarei das obras do Senhor: certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade.
12 Meditarei tambem em todas as tuas obras, e fallarei dos teus feitos.
13 O teu caminho, ó Deus, _está_ no sanctuario. [2] Quem _é_ Deus _tão_ grande como o _nosso_ Deus?
14 Tu _és_ o Deus que fazes maravilhas: tu fizeste notoria a tua força entre os povos.
15 Com o _teu_ braço remiste o teu povo, os filhos de Jacob e de José (Selah).
16 As aguas te viram, ó Deus, as aguas te viram, _e_ tremeram; os abysmos tambem se abalaram.
17 As nuvens lançaram agua, os céus deram um som; as tuas frechas correram d’uma para outra parte.
18 A voz do teu trovão estava no céu; os relampagos alumiaram o mundo; a terra se abalou e tremeu.
19 O teu caminho _é_ no mar, e as tuas veredas nas grandes aguas, e os teus passos não são conhecidos.
20 Guiaste o [3] teu povo, como a um rebanho, pela mão de Moysés e d’Aarão.
[1] Deu. 32.7.
[2] Exo. 15.11.
[3] Exo. 13.21 e 14.19.
_A salvação que Deus concedeu a Israel; a rebellião contra Elle; Deus escolheu Judah e David para pastorear Israel._
Maschil de Asaph.
78 Escutae a minha lei, [1] povo meu: inclinae os vossos ouvidos ás palavras da minha bocca.
2 Abrirei a minha bocca n’_uma_ parabola; fallarei enigmas da antiguidade.
3 As quaes temos ouvido e sabido, e nossos paes nol-as teem contado.
4 Não _as_ encobriremos [2] aos seus filhos, mostrando á geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez.
5 Porque elle estabeleceu _um_ testemunho em Jacob, e poz _uma_ lei em Israel, [3] a qual deu aos nossos paes para que a fizessem conhecer a seus filhos.
6 Para que a geração vindoura _a_ soubesse, os filhos _que_ nascessem, _os quaes_ se levantassem e _a_ contassem a seus filhos.
7 Para que pozessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.
8 E não fossem como seus paes, geração contumaz e rebelde, geração _que_ não regeu o seu coração, e cujo espirito não foi fiel com Deus.
9 Os filhos de Ephraim, armados e trazendo arcos, viraram _costas_ no dia da peleja.
10 Não guardaram o concerto de Deus, e recusaram andar na sua lei.
11 E esqueceram-se das suas obras e das maravilhas que lhes fizera ver.
12 Maravilhas [4] que elle fez á vista de seus paes na terra do Egypto, _no_ campo de Zoan.
13 Dividiu o mar, e os fez passar por elle; fez com que as aguas parassem como n’um montão.
14 De dia os guiou por uma nuvem, e toda a noite por uma luz de fogo.
15 Fendeu as penhas no deserto; e deu-_lhes de_ beber como de grandes abysmos.
16 Fez sair fontes da rocha, e fez correr as aguas como rios.
17 E _ainda_ proseguiram em peccar contra elle, [5] provocando ao Altissimo na solidão.
18 E tentaram a Deus nos seus corações, pedindo carne para o seu appetite.
19 E fallaram [6] contra Deus, e disseram: _Acaso_ pode Deus preparar-_nos_ uma mesa no deserto?
20 Eis que [7] feriu a penha, e aguas correram _d’ella_; rebentaram ribeiros em abundancia: poderá tambem dar-_nos_ pão, ou preparar carne para o seu povo?
21 Pelo que o Senhor [8] _os_ ouviu, e se indignou: e accendeu _um_ fogo contra Jacob, e furor tambem subiu contra Israel;
22 Porquanto não creram [9] em Deus, nem confiaram na sua salvação:
23 Ainda que mandara ás altas nuvens, [10] e abriu as portas dos céus,
24 E chovera [11] sobre elles o manná para comerem, e lhes dera do trigo do céu.
25 O homem comeu o pão dos [QC] anjos; elle lhes mandou comida a fartar.
26 Fez ventar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força.
27 E choveu sobre elles carne como pó, e aves d’azas como a areia do mar.
28 E _as_ fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações.
29 Então comeram [12] e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo.
30 Não refreiaram o seu appetite. Ainda [13] lhes _estava_ a comida na bocca,
31 Quando a ira de Deus desceu sobre elles, e matou os mais gordos d’elles, e feriu os escolhidos d’Israel.
32 Com tudo isto ainda peccaram, e não deram credito ás suas maravilhas.
33 Pelo que consumiu os seus dias na vaidade e os seus annos na angustia.
34 Quando os [14] matava, então o procuravam; e voltavam, e de madrugada buscavam a Deus.
35 E se lembravam de que Deus era a sua rocha, [15] e o Deus Altissimo o seu Redemptor.
36 Todavia lisongeavam-n’o com a bocca, e com a lingua lhe mentiam.
37 Porque o seu coração não _era_ recto para com elle, nem foram fieis no seu concerto.
38 Porém elle, que é misericordioso, perdoou a _sua_ iniquidade: e não _os_ destruiu, antes muitas vezes desviou _d’elles_ o seu furor, e não despertou toda a sua ira.
39 Porque se lembrou de que _eram de_ carne, vento que vae e não torna.
40 Quantas vezes o provocaram no deserto, e o molestaram na solidão!
41 Voltaram atraz, [16] e tentaram a Deus; e limitaram o Sancto d’Israel.
42 Não se lembraram da sua mão, _nem_ do dia em que os livrou do adversario;
43 Como obrou os seus signaes no Egypto, e as suas maravilhas no campo de Zoan;
44 E converteu [17] os seus rios em sangue, e as suas correntes, para que não podessem beber.
45 Enviou [18] entre elles enxames de moscas que os consumiram, e rãs que os destruiram.
46 Deu tambem ao pulgão a sua novidade, e o seu trabalho aos gafanhotos.
47 Destruiu [19] as suas vinhas com saraiva, e os seus sycomoros com pedrisco.
48 Tambem entregou o seu gado á saraiva, e os seus rebanhos ás brazas ardentes.
49 Lançou sobre elles o ardor da sua ira, furor, indignação, e angustia, mandando maus anjos _contra elles_.
50 Preparou caminho á sua ira; não retirou as suas almas da morte, mas entregou á pestilencia as suas vidas.
51 E feriu a todo o primogenito no Egypto, primicias da _sua_ força nas tendas de Cão.
52 Mas fez _com_ que o seu povo saisse como ovelhas, e os guiou pelo deserto como _um_ rebanho.
53 E os guiou com segurança, que não temeram; mas o mar cobriu os seus inimigos.
54 E o trouxe até ao termo [20] do seu sanctuario, até este monte que a sua dextra adquiriu.
55 E expulsou as nações de diante d’elles, e as partiu em herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribus d’Israel.
56 Comtudo tentaram [21] e provocaram o Deus altissimo, e não guardaram os seus testemunhos.
57 Mas retiraram-se para traz, e portaram-se infielmente como seus paes: viraram-se como _um_ arco enganoso.
58 Pois o provocaram á ira com os seus altos, e moveram o seu zelo com as suas imagens de esculptura.
59 Deus ouviu _isto_ e se indignou; e aborreceu a Israel em grande maneira.
60 Pelo que desamparou [22] o tabernaculo em Silo, a tenda _que_ estabeleceu entre os homens.
61 E deu [23] a sua força ao captiveiro; e a sua gloria á mão do inimigo.
62 E entregou [24] o seu povo á espada; e se enfureceu contra a sua herança.
63 O fogo consumiu os seus mancebos, e as suas donzellas não foram dadas em casamento.
64 Os seus sacerdotes cairam á espada, e as suas viuvas não fizeram lamentação.
65 Então o Senhor despertou, [25] como quem acaba de dormir, como um valente que se alegra com o vinho.
66 E feriu os seus adversarios por detraz, e pôl-os em perpetuo desprezo.
67 Além d’isto, recusou o tabernaculo de José, e não elegeu a tribu d’Ephraim.
68 Antes elegeu a tribu de Judah; o monte de Sião, que elle amava.
69 E edificou o seu sanctuario como altos _palacios_, como a terra que fundou para sempre.
70 Tambem elegeu a David seu servo, [26] e o tirou dos apriscos das ovelhas:
71 E o tirou do cuidado das _que se achavam_ prenhes; para apascentar a Jacob, seu povo, e a Israel, sua herança.
72 Assim os apascentou, segundo a integridade do seu coração, e os guiou pela [QD] industria de suas mãos.
[1] Isa. 51.4.
[2] Deu. 4.9 e 6.7.
[3] Deu. 4.9.
[4] Exo. 7 e 8 e 9 e 10 e 11 e 12. Gen. 32.3. Num. 13.22.
[5] Deu. 9.22. Heb. 3.16.
[6] Num. 11.4.
[7] Exo. 17.6. Num. 20.11.
[8] Num. 11.1, 10.
[9] Heb. 3.18.
[10] Gen. 7.11. Mal. 3.10.
[11] Exo. 16.4, 14. João 6.31. I Cor. 10.3.
[12] Num. 11.30.
[13] Num. 11.35.
[14] Ose. 5.15.
[15] Exo. 15.13. Deu. 7.8.
[16] Num. 14.22.
[17] Exo. 7.20.
[18] Exo. 8.24.
[19] Exo. 9.23, 25.
[20] Exo. 15.17.
[21] Jui. 2.11, 12.
[22] I Reis 4.11.
[23] Jui. 18.30.
[24] I Reis 4.10.
[25] Isa. 42.13.
[26] Gen. 33.13. Isa. 40.11.
_A assolação de Jerusalem e a supplica de soccorro._
Psalmo de Asaph.
79 Ó Deus, [QE] os gentios vieram á tua [1] herança; contaminaram o teu sancto templo; reduziram Jerusalem a montões de pedras.
2 Deram os corpos mortos dos teus servos por comida ás aves dos céus, e a carne dos teus sanctos ás bestas da terra.
3 Derramaram o sangue d’elles como agua ao redor de Jerusalem, e não houve _quem_ os enterrasse.
4 Somos feitos opprobrio para nossos visinhos, escarneo e zombaria para os que _estão_ á roda de nós.
5 Até quando, Senhor? _Acaso_ te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?
6 Derrama o teu furor sobre os gentios que te não conhecem, e sobre os reinos que não invocam o teu nome.
7 Porque devoraram a Jacob, e assolaram as suas moradas.
8 Não te lembres [2] das nossas iniquidades passadas: previnam-nos depressa as tuas misericordias, pois _já_ estamos muito abatidos.
9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela gloria do teu nome: e livra-nos, e espia os nossos peccados por amor do teu nome.
10 Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja elle conhecido entre os gentios, a nossa vista, _pela_ vingança do sangue dos teus servos, _que foi_ derramado.
11 Venha perante a tua face o gemido dos presos; segundo a grandeza do teu braço preserva aquelles que estão sentenciados á morte.
12 E torna aos nossos visinhos, no seu regaço, sete vezes tanto da sua injuria com a qual te injuriaram, Senhor.
13 Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente: de geração em geração cantaremos os teus louvores.
[1] Exo. 15.17.
[2] Isa. 64.9.
_O propheta supplica a Deus que livre a sua vinha dos que a destroem._
Para o cantor-mór. Sobre Sosanim Eduth. Psalmo de Asaph.
80 Tu, _que és_ pastor d’Israel, dá ouvidos: tu, que guias a José como a _um_ rebanho: tu, que te assentas _entre_ os [1] cherubins, resplandece.
2 Perante Ephraim, Benjamin e Manasseh, desperta o teu poder, e vem salvar-nos.
3 Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.
4 Ó Senhor Deus dos Exercitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo?
5 Tu os sustentas com pão de lagrimas, [2] e lhes dás a beber lagrimas, [QF] com abundancia.
6 Tu nos pões em contendas com os nossos visinhos: e os nossos inimigos zombam _de nós_ entre si.
7 Faze-nos voltar, [3] ó Deus dos Exercitos, e faze resplandecer o teu rosto; e seremos salvos.
8 Trouxeste uma vinha do Egypto: lançaste fóra as nações, e a plantaste.
9 Preparaste-lhe _logar_, e fizeste com que ella deitasse raizes; e encheu a terra.
10 Os montes foram cobertos da sua sombra, e os seus ramos se fizeram _como os_ formosos cedros.
11 Ella estendeu a sua ramagem até ao mar, e os seus ramos até ao rio.
12 Porque quebraste então os seus vallados, de modo que todos os que passam por ella a vindimam?
13 O javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram.
14 Oh Deus dos Exercitos, volta-te, nós te rogamos, attende dos céus, e vê, e visita esta vide;
15 E a videira que a tua dextra plantou, e o sarmento que fortificaste para ti.
16 _Está_ queimada pelo fogo, _está_ cortada: pereceu pela reprehensão da tua face.
17 Seja a tua mão sobre o varão da tua dextra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti.
18 Assim nós não te viraremos as costas; guarda-nos em vida, e invocaremos o teu nome.
19 Faze-nos voltar, Senhor Deus dos Exercitos: faze resplandecer o teu rosto; e seremos salvos.
[1] Exo. 25.20, 22.
[2] Isa. 30.20.
[3] Isa. 5.17.
_Deus reprehende a Israel pela sua ingratidão e rebellião._
Psalmo de Asaph para o cantor-mór, sobre Gittith.
81 Exultae a Deus, nossa fortaleza: jubilae ao Deus de Jacob.
2 Tomae o psalterio, e trazei o adufe, a harpa suave e o alaude.
3 Tocae a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solemnidade.
4 Porque _isto era_ um estatuto para Israel, _e_ uma ordenança do Deus de Jacob.
5 Ordenou-o em José por testemunho, quando saira pela terra do Egypto, _onde_ ouvi uma lingua _que_ não entendia.
6 Tirei de seus hombros a carga; as suas mãos foram livres [QG] das marmitas.
7 Clamaste na angustia, e te livrei; respondi-te no logar occulto dos trovões; [1] provei-te nas aguas de Meribah (Selah).
8 Ouve-me, povo meu, e eu te attestarei: ah, Israel, se me ouvisses!
9 Não haverá entre ti Deus alheio nem te prostrarás ante um Deus estranho.
10 Eu [2] _sou_ o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egypto: abre bem a tua bocca, e t’a encherei.
11 Mas o meu povo não quiz ouvir a minha voz, e Israel não me quiz.
12 Pelo que eu os entreguei aos desejos dos seus proprios corações, _e_ andaram nos seus mesmos conselhos.
13 Oh! se o meu povo me tivesse ouvido! se Israel andasse nos meus caminhos!
14 Em breve abateria os seus inimigos, e viraria a minha mão contra os seus adversarios.
15 Os que aborrecem ao Senhor ter-se-lhe-hiam sujeitado, e o seu tempo seria eterno.
16 E o sustentaria com o trigo mais fino, e te fartaria com o mel saido da [QH] pedra.
[1] Exo. 17.6.
[2] Exo. 20.2.
_O propheta reprehende os juizes por causa da sua injustiça._
Psalmo de Asaph.
82 Deus está [1] na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.
2 Até quando julgareis injustamente, e acceitareis as pessoas dos impios? (Selah).
3 Fazei justiça ao pobre e ao orphão: justificae o afflicto e necessitado.
4 Livrae o pobre e o necessitado; tirae-os das mãos dos impios.
5 Elles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacillam.
6 Eu disse: Vós _sois_ deuses, e todos vós filhos do Altissimo.
7 Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos principes.
8 Levanta-te, [2] ó Deus, julga a terra, pois tu possues todas as nações.
[1] II Chr. 19.6.
[2] Miq. 7.2, 7.
_As nações congregam-se contra Israel, e o propheta supplica a Deus que o livre._
Cantico e psalmo de Asaph.
83 Ó Deus, não estejas em silencio; não te cales, nem te aquietes, ó Deus.
2 Porque eis que teus inimigos fazem tumulto, e os que te aborrecem levantaram a cabeça.
3 Tomaram astuto conselho contra o teu povo, e consultavam contra os teus escondidos.
4 Disseram: Vinde, e desarreiguemol-os para que não _sejam_ nação, nem haja mais memoria do nome de Israel.
5 Porque consultaram juntos e unanimes; elles se alliam contra ti:
6 As tendas de Edom, e dos ismaelitas, de Moab, e dos agarenos,
7 De Gebal, e de Ammon, e de Amalek, de Palestina, com os moradores de Tyro.
8 Tambem Assyria se ajuntou com elles: foram ajudar aos filhos de Lot (Selah).
9 Faze-lhes como aos madianitas; como _a_ Sisera, como _a_ Jabin na ribeira de Kison.
10 _Os quaes_ pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra.
11 Faze aos seus nobres como [1] _a_ Oreb, e como _a_ Zeeb e a todos os seus principes, como _a_ Zebah e como _a_ Zalmuna;
12 Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus em possessão.
13 Deus meu, [2] faze-os como um tufão, como a aresta diante do vento.
14 Como o fogo que queima um bosque, e como a chamma que incendeia as [QI] brenhas,
15 Assim os persegue com a tua tempestade, e os assombra com o teu torvelinho.
16 Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, Senhor.
17 Confundam-se e assombrem-se perpetuamente; envergonhem-se, e pereçam.
18 Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de [QJ] JEHOVAH, _és_ o Altissimo sobre toda a terra.
[1] Jui. 7.25.
[2] Isa. 17.13.
_A felicidade d’aquelle que habita no sanctuario de Deus._
Para o cantor-mór sobre Gittith. Psalmo para os filhos de Korah.
84 Quão amaveis _são_ os teus tabernaculos, Senhor dos Exercitos.
2 A minha alma está desejosa, e desfallece pelos atrios do Senhor: o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo.
3 Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, _até mesmo_ nos teus altares, Senhor dos exercitos, Rei meu e Deus meu.
4 Bemaventurados os que habitam em tua casa: louvar-te-hão continuamente. (Selah)
5 Bemaventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração _estão_ os caminhos _aplanados_.
6 _Que_, passando pelo valle das [QK] amoreiras, faz d’elle uma fonte; a chuva tambem enche os tanques.
7 Vão indo de força em força; _cada um d’elles_ em Sião apparece perante Deus.
8 Senhor Deus dos Exercitos, escuta a minha oração: inclina os ouvidos, ó Deus de Jacob! (Selah)
9 Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido.
10 Porque vale mais um dia nos teus atrios do que mil. Preferiria estar á porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos impios.
11 Porque o Senhor Deus _é um_ sol e escudo: o Senhor dará graça e gloria; não retirará bem _algum_ aos que andam na rectidão.
12 Senhor dos Exercitos, bemaventurado o homem que em ti põe a sua confiança.
_Fundando-se nos livramentos passados, o povo de Deus pede o livramento das afflicções presentes._
Psalmo para o cantor-mór, entre os filhos de Korah.
85 Abençoaste, Senhor, a tua terra: fizeste voltar o captiveiro de Jacob.
2 Perdoaste a iniquidade do teu povo: cobriste todos os seus peccados. (Selah)
3 Fizeste cessar toda a tua indignação: desviaste-te do ardor da tua ira.
4 Torna-nos a trazer, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua ira de sobre nós.
5 _Acaso_ estarás sempre irado contra nós? _ou_ estenderás a tua ira a todas as gerações?
6 Não tornarás a reviver-nos, para que o teu povo se alegre em ti?
7 Mostra-nos, Senhor, a tua misericordia, e concede-nos a tua salvação.
8 Escutarei [1] o que Deus, o Senhor, fallar; porque fallará de paz ao seu povo, e aos sanctos para que não voltem á loucura.
9 Certamente que a salvação _está_ perto d’aquelles que o temem, para que a gloria habite na nossa terra.
10 A misericordia [2] e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram.
11 A verdade [3] brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.
12 Tambem o Senhor dará o _que é_ bom, e a nossa terra dará o seu fructo.
13 A justiça irá adiante d’elle, e a porá no caminho das suas pisadas.
[1] Hab. 2.1. Zac. 9.10.
[2] Isa. 46.13. João 1.14.
[3] Isa. 45.8.
_David implora ardentemente o soccorro de Deus._
Oração de David.