A Biblia da Humanidade

Part 2

Chapter 2243 wordsPublic domain

No coração d'essas raças como parte que é da alma, estava esse sentimento, por certo. Mas não vinha fóra em fórma de luz, não inundava d'ali o mundo, não doirava a fronte dos deuses nem a cabeça dos homens. Viram-na, a essa luz, passar como relampago nos olhos d'alguns inspirados; mas o povo não a soube comprehender, deixou-a morrer, quando a não matou elle mesmo. No meio da diversidade, que o absorvia, o politheismo não pôde conceber a unidade existente com ella e n'ella mesma porventura. Ao sol da Grecia e do Oriente, a rosa viva, a flor intima da humanidade, a alma, abrira todas as suas petalas extranhas mas formosissimas! uma só ficou fechada; mas essa era a mais larga e a mais forte, que devia conter todas as outras--o sentimento da unidade.

Unidade de Deus! Unidade do Homem! n'esta onda mystica mergulhou o Christianismo a cabeça--com este Jordão baptisou o mundo! Esta contemplação do absoluto fez a sua força: foi ella tambem quem o matou. Em vista d'este principio resolveu corajosamente o destino humano; mas vinculando-a a essa resolução, desconheceu a sua lei essencial--o movimento.--Não. A contemplação inerte não pode ser o ar que o espirito do homem pede para respirar! O ar da vida é outro... A vida! no seu vôo para o ceu, na sua sublime ambição ideal, foi isso que esqueceu ao Christianismo--a terra, a vida.--

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FIM

End of Project Gutenberg's A Biblia da Humanidade, by Anthero de Quental