Chapter 7
ANJO. Oo alma despiadosa, perfiosa, quem vos deuesse fugir mais que guardar! 48 Pondes terra sobre terra, que esses ouros terra sam: oo senhor, porque permites tal guerra que desterra ao reyno da confusam o teu lauor? ¶ Nam hieis mais despejada & mais liure da primeyra pera andar? Agora estais carregada & embaraçada com cousas que ha derradeyra ham de ficar. 50 Tudo isso se descarrega ao porto da sepultura: alma sancta, quem vos cega, vos carrega dessa vaã desauentura?
51 ALMA. Isto nam me pesa nada mas a fraca natureza me embaraça. Ja nam posso dar passada de cansada: tanta é minha fraqueza & tam sem graça. 52 Senhor hidevos embora, que remedio em mi nam sento, ja estou tal.
ANJO. Sequer day dous passos ora atee onde mora a que tem o mantimento celestial. ¶ Ireis ali repousar, comereis algũs bocados confortosos, porque a hospeda he sem par em agasalhar os que vem atribulados & chorosos.
54 ALMA. He lõge?
ANJO. Aqui muy perto. Esforçay, nam desmayeis & andemos, que ali ha todo concerto muy certo: quantas cousas querereis tudo temos*.
¶ A hospeda tem graça tanta, faruosha tantos fauores.
ALMA. Quem he ella?
ANJO. He a madre ygreja sancta, e os seus sanctos doutores i com ella. 56 Ireis di muy despejada chea do Spirito Sancto & muy fermosa: ho alma sede esforçada, outra passada, que nam tendes de andar tãto a ser esposa.
57 DIABO. ¶ Esperay, onde vos his? Essa pressa tam sobeja He ja pequice. Como, vos que presumis consentis continuardes a ygreja sem velhice? 58 Dayuos, dayuos a prazer, ̃q muytas horas ha nos annos que laa vem. Na hora que a morte vier Como xiquer se perdoão quantos dannos a alma tem. 59 Olhay por vossa fazenda: tendes hũas scripturas de hũs casais de que perdeis grande renda. He contenda que leyxarão aas escuras vossos pays; 60 he demanda muy ligeyra, litigios que sam vencidos em um riso: citay as partes terça feyra de maneyra como nam fiquem perdidos & auey siso.
61 ALMA. Calte por amor de deos leyxame, nam me persigas, bem abasta estoruares os ereos dos altos ceos, que a vida em tuas brigas se me gasta. 62 Leyxame remediar o que tu cruel danaste sem vergonha, que nam me posso abalar nem chegar ao logar onde gaste esta peçonha.
63 ANJO. ¶ Vedes aqui a pousada verdadeyra & muy segura a quem quer vida.
YGREJA. Oo como vindes cansada & carregada!
ALMA. Venho por minha ventura amortecida.
64 YGREJA. Quem sois? pera onde andais?
ALMA. Nam sey pera onde vou, sou saluagem, sou hũa alma que peccou culpas mortaes contra o Deos que me criou aa sua imagem. ¶ Sou a triste, sem ventura, criada resplandecente & preciosa, angelica em fermosura & per natura come rayo reluzente lumiosa. 66 E por minha triste sorte & diabolicas maldades violentas estou mais morta que a morte, sem deporte, carregada de vaydades peçonhentas. ¶ Sou a triste, sem meezinha, peccadora abstinada perfiosa, pella triste culpa minha mui mesquinha a todo mal inclinada & deleytosa. 68 Desterrey da minha mente os meus perfeytos arreos naturaes, nam me prezey de prudente mas contente me gozey com os trajos feos mundanaes. ¶ Cada passo me perdi em lugar de merecer, eu sou culpada: auey piedade de mi que nam me vi, perdi meu inocente ser & sou danada. 70 E por mais graueza sento nam poderme arrepender quanto queria, que meu triste pensamento sendo isento nam me quer obedecer como soya. ¶ Socorrey, hospeda senhora, que a mão de Satanas me tocou, e sou ja de mi tam fora que agora nam sey se auante se a traz nem como vou. 72 Consolay minha fraqueza com sagrada yguaria, que pereço, por vossa sancta nobreza, que he franqueza, porque o que eu merecia bem conheço. ¶ Conheçome por culpada & digo diante vos minha culpa. Senhora, quero pousada, day passada, pois que padeceo por nos quem nos desculpa. 74 Mandayme ora agasalhar, capa dos desamparados, ygreja madre.
YGREJA. Vindevos aqui assentar muy de vagar, que os manjares são guisados por Deos Padre. ¶ Sancto Agostinho doutor, Geronimo, Ambrosio, Sã Thomas, meus pilares, serui aqui por meu amor a qual milhor, & tu, alma, gostaraas meus manjares. 76 Ide aa sancta cosinha, tornemos esta alma em si, porque mereça de chegar onde caminha & se detinha: pois que Deos a trouxe aqui nam pereça.
¶ Em quanto estas cousas passam Satanas passea fazendo muytas vascas & vem outro & diz.
¶ Como andas desasossegado.
DIABO. Arço em fogo de pesar.
OUTRO. Que ouueste?
DIABO. Ando tam desatinado de enganado que nam posso repousar que me preste. 78 Tinha hũa alma enganada ja quasi pera infernal mui acesa.
OUTRO. E quem ta levou forçada?
DIABO. O da espada.
OUTRO. Ja melle fez outra tal bulra como essa. ¶ Tinha outra alma ja vencida em ponto de se enforcar de desesperada, a nos toda offerecida & eu prestes pera a levar arrastada; 80 e elle fella chorar tanto que as lagrimas corriã polla terra. Blasfemey entonces tanto que meus gritos retiniam polla serra. ¶ Mas faço conta que perdi, outro dia ganharey, e ganharemos.
DIABO. Nam digo eu, yrmão, assi, mas a esta tornarey & veremos. 82 Tornala ey a affogar depois que ella sayr fora da ygreja & começar de caminhar: hei de apalpar se venceram ainda agora esta peleja.
Alma com o Anjo.
¶ ALMA. Vos nam me desampareis, senhor meu anjo custodio. Oo increos imigos, que me quereis que ja sou fora do odio de meu Deos? 84 Leyxaime ja, tentadores, neste conuite prezado do Senhor, guisado aos peccadores com as dores de Christo crucificado, Redemptor.
¶ Estas cousas estando a alma assentada à mesa & o anjo junto com ella em pee, vem os doutores com quatro bacios de cosinha cubertos cantando Vexila regis prodeunt*. E postos na mesa, Sancto Agostinho diz.
85 AGOST. Vos, senhora conuidada, nesta cea soberana celestial aueis mister ser apartada & transportada de toda a cousa mundana terreal. 86 Cerray os olhos corporaes, deytay ferros aos danados apetitos, caminheyros infernaes, pois buscaes os caminhos bem guiados dos contritos.
87 YGREJA. Benzey a mesa, senhor, & pera consolaçam da conuidada, seja a oraçam de dor sobre o tenor da gloriosa payxam consagrada. 88 E vos, alma, rezareis, contemplando as viuas dores da senhora, vos outros respondereis pois que fostes rogadores atee agora.
Oraçã pa Santo Agostinho.
¶ Alto Deos marauilhoso que o mundo visitaste em carne humana, neste valle temeroso & lacrimoso tua gloria nos mostraste soberana; 90 e teu filho delicado, mimoso da diuindade & natureza, per todas partes chagado & muy sangrado polla nossa infirmidade & vil fraqueza. ¶ Oo emperador celeste, Deos alto muy poderoso essencial, que pollo homem que fizeste offereceste o teu estado glorioso a ser mortal. ¶ E tua filha, madre, esposa, horta nobre, frol dos ceos, Virgem Maria, mansa pomba gloriosa o quam chorosa quando o seu Filho e Deos* padecia. 93 Oo lagrymas preciosas, de virginal coraçam estilladas, correntes das dores vossas com os olhos da perfeyçam derramadas! ¶ Quem hũa soo podera ver vira claramente nella aquella dor, aquella pena & padecer com que choraueis, donzella, vosso amor. ¶ E quando vos amortecida se lagrymas vos faltauam nam faltaua a vosso filho & vossa vida chorar as que lhe ficauam de quando orava. 96 Porque muyto mais sentia pollos seus padecimentos vervos tal, mais que quanto padecia lhe doya, & dobrava seus tormentos vosso mal. ¶ Se se podesse dizer, se se podesse rezar tanta dor; se se podesse fazer podermos ver qual estaueis ao clauar do Redemptor. 98 Oo fermosa face bella, oo resplandor divinal, que sentistes quando a cruz se pos aa vella & posto nella o filho celestial que paristes! 99 Vendo por cima da gente assomar vosso conforto tam chagado, crauado tam cruelmente, & vos presente, vendo vos ser mãy do morto & justiçado. 100 O rainha delicada, sanctidade escurecida quem nam chora em ver morta & debruçada a auogada, a força de nossa vida *[pecadora]!
101 AMBROSIO. Isto chorou Hyeremias sobre o monte de Sion ha ja dias, porque sentio que o Messias era nossa redempçam. 102 E choraua a sem ventura triste de Jerusalem homecida, matando contra natura seu Deos nascido em Belem nesta vida.
103 GERONYMO. Quem vira o sancto cordeyro antre os lobos humildoso escarnecido, julgado pera o marteyro do madeyro, seu rosto aluo & fermoso muy cuspido!
AGOST. B̃eze a mesa.
104 A bençam do padre eternal & do filho que por nos sofreo tal dor & do spirito sancto, igual Deos immortal, conuidada, benza a vos por seu amor.
105 YGREJA. ¶ Ora sus, venha agoa as mãos.
AGOST. Vos aveysuos de lavar em lagrymas da culpa vossa & bem lauada & aueisuos de chegar alimpar a hũa toalha fermosa bem laurada 106 co sirgo das veas puras da Virgem sem magoa nacido & apurado, torcido com amarguras aas escuras, com grande dor guarnecido & acabado. ¶ Nam que os olhos alimpeis, que a nam consentirão os tristes laços que taes pontos achareis da face & enues, que se rompe o coração em pedaços. 108 Vereis*, triste, laurado [com rosto de fermosura]* natural, com tormentos pespontado e figurado, Deos criador, em figura de mortal.
¶ Esta toalha que aqui se falla he a varonica, a qual Sancto Agostinho tira dantre os bacios & a mostra à Alma, & a madre ygreja con os doutores lhe fazem adoração de joelhos, cantando Salue sancta facies, & acabando diz a madre ygreja.
¶ Venha a primeyra yguaria.
GERO. Esta yguaria primeyra foy, senhora, guisada sem alegria em triste dia, a crueldade cozinheyra & matadora. 110 Gostala eis com salsa & sal de choros de muyta dor, porque os costados do Messias diuinal, sancto sem mal, forão pollo vosso amor açoutados.
¶ Esta yguaria em ̃q aqui se falla sam os açoutes, & em este passo os tirã dos bacios & os presentam a alma & todos de joelhos adoram cantãdo Aue flagellum, & despois diz Geronymo.
¶ Estoutro manjar segundo he yguaria que aueis de mastigar em contemplar a dor que o senhor do mundo padecia pera vos remediar. 112 foi hum tromento improuiso que aos miolos lhe chegou & consentio, por remediar o siso que a vosso siso faltou, e pera ganhardes parayso a sofrio.
¶ Esta yguaria segunda de que aqui se fala he a coroa de espinhos, e em este passo a tiram dos bacios & de joelhos os sanctos doutores cantam Aue corona espinearum, & acabando diz a madre ygreja.
113 Venha outra do teor.
GERO. Estoutro manjar terceyro foy guisado em tres lugares de dor, a qual maior, com a lenha do madeyro mais prezado. 114 Comese com gram tristeza* porque a virgem gloriosa o vio guisar: vio crauar com gram crueza a sua riqueza & sua perla preciosa vio furar.
¶ E a este passo tira sancto Agostinho os crauos, & todos de joelhos os adorão, cantando Dulce lignum, dulcis clauus, & acabada a adoraçam diz o anjo à alma.
¶ Leixay ora esses arreos, que estoutra nam se come assi como cuydais: pera as almas sam mui feos e sam meos con que nam andam em si os mortais.
¶ Despe a alma o vestido & joyas que lho imigo deu & diz Agostinho.
¶ Oo alma bem aconselhada, que dais o seu a cujo he, o da terra ha terra: agora yreis despejada polla estrada, porque vencestes com fee forte guerra.
117 YGREJA. ¶ Venha estoutra yguaria.
GERO. A quarta yguaria he tal, tam esmerada, de tam infinda valia & contia que na mente diuinal foy guisada, 118 por mysterio preparada no sacrario virginal muy cuberta, da diuindade cercada & consagrada, despois ao padre eternal dada em oferta.
¶ Apresenta sam Geronymo à alma hum crucificio que tira dantre os pratos, & os doutores o adoram cantando Domine Jesu Christe, & acabando diz a alma.
¶ Cõ que forças, com ̃q spirito te darey, triste, louuores que sou nada, vendote, Deos infinito, tam afflito, padecendo tu as dores & eu culpada? 120 Como estaas tam quebrantado, filho de Deos immortal! quem te matou? Senhor per cujo mandado es justiçado sendo Deos vniuersal que nos criou?
121 AGOST. ¶ A fruyta deste jantar, que neste altar vos foy dado com amor, yremos todos buscar ao pomar adonde estaa sepultado o redemptor.
¶ E todos com a alma, cantando Te Deum laudamus, foram adorar ho muymento.
LAVS DEO.
NOTES:
1. _pera mui p'rigosos p'rigos_ C. _imigos_ C.
2. _pensada_ A, B; _pousada_ C. _passada_? cf. infra 73 and J. Ruiz _Cantar de Ciegos_. De los bienes deste siglo No tiuemos nos _pasada_.
3. _Pousada com alimentos_?
4. _apressada_ C.
6. _em chegando_?
13. _a resistir_ A, B, C; _e resistir_ D.
18. _atras_ B. _imigo_ B.
20. _trestura_ B. _vem o Diabo e diz_ C.
22. _E havei prazer_ C.
23. _& auereis_? B. _cue da vida vos desterra_ B.
26. _nam som em balde os deleytes_ B. _fortunas_ A, B, C, D, E. _criaturas_ C.
27. _possagem_ A, B; _passagem_ C.
35. _Huns chapins aueis mister De Valença, eylos aqui_ A, B, C, D, E.
36. _de la pera ca_ C.
38. _marcante_ A, B; _mercante_ C, D. _querês_ C, D.
41. _poder_ A; _puder_ B, C. _Todas cousas com razão Tem sazão_ C.
42. _poder_ A, B; _puder_ C.
43. _naceo_ A, B; _nasceo_ C (cf. infra 102 _nascido_ A; 106 _nacido_ A).
44. _dadas_ A, B; _dados_ C.
45. _esmaltados_ B. _neste espelho & sabereis_ B. _Neste espelho bem lavrado Vos vereis_? (omitting _& sabereis--enganar_).
46. _em cada orelha o seu_ B.
47. _despiedosa_ C.
49. _á derradeira_ C.
50. _van_ C.
52. _mim_ C.
54. _muito certo? tudo tendes_ A, B, C, D, E.
56. _Siprito_ B.
58. _como se quer_ C.
59. _escripturas_ C.
61. _estrouares_ B. _hereos_ C.
62. _damnaste_ C.
65. _como o raio_ C.
66. _violentas_ A. _& tromentas_ B.
67. _mezinha_ B. _obstinada_ C. _a todo o mal_ C; _e todo o mal_ D.
68. _arreos_, _feos_ C; _c'os trajos_ C.
69. _logar_ C. _damnada_ C.
71. _soccorey_ C.
74. _devagar_ C.
75. _Jeronimo, Ambrosio e Thomaz_ C, D. _e qual_ D. _melhor_ C, D.
76. _troxe_ B. _passeia_ C. _vem outro Diabo_ C.
77. _dessocegado_ C, D.
79. _Tinha outra alma vencida_ B.
80. _fê-la_ C, D.
81. _asi_ B.
82. _affogar_ A; _affagar_ C. _Entra a Alma, con o Anjo_ C, D.
84. _Vexilla_ C. _pro Deum_ A, B; _prodeunt_ C.
88. _até 'gora_ C, D.
90. _pela nossa_ C, D.
91. _polo homem_ C, E. B omits 90 and 91.
92. _O quão chorosa Quando o seu Deos padecia_ A, B, C, D, E.
93. _com os_ A, B; _c'os olhos_ C, D.
94. _podera ver_ A, B; _podera haver_ C, D.
96. _vermos_ B.
97. _cravar_ C.
100. _morta debruçada_ C. _de nossa vida_ A, B; _da nossa vida_ C, D. _pecadora_? or _e senhora_? or _nesta hora_?
101. _Mesias_ B.
102. _choraua sem_ B.
103. _cospido_ B.
105. _Vso aveysuos_ B.
105. _a limpar_ A [but cf. 107. _alimpeis_ (A)]; _alimpar_ B; _A alimpar_ C.
107. _de face_ C.
108. _Vereis seu triste laurado Natural_ A, B, C, D, E. _Esta toalha de que C. Veronica C. a mostra_ A; _amostra_ B, C. _santa facias_ B.
110. _em ̃q se falla_ B. _açotes_ B.
112. _tormento_ C. _fala_ A; _falla_ B. _espiniarum_ C. _acabado_ B.
113. _theor_ C.
114. _gran_ C. _tristura_ A, B, C, D, E.
114. _clausos_ B. _acabada a oração_ C.
115. _inimigo_ C.
116. _o seu a cujo he_ A, B; _o seu cujo he_ C, D.
118. _oferta_ A; _offerta_ B _crucifixo_ B, C.
119. _spirito_ A, B; _sprito_ C. _tristes louvores_ C, D, E. _dios_ B.
121. _fruta_ B. _a onde_ C. _redemtor_ B. _moymento_ B; _moimento_ C.
FOOTNOTES:
[151] _MDXVIII_. A. Braamcamp Freire.
[152] _pera eterna morada_ B.
[153] _prefiguraçã_ B.
ENGLISH TRANSLATION:
_The Soul's Journey._
_This play was written for the very devout Queen Lianor and played before the very powerful and noble King Manuel, her brother, by his command, in the city of Lisbon at the Ribeira palace on the night of Good Friday in the year 1508._
_Argument._
_As it was very necessary that there should be inns upon the roads for the repose and refreshment of weary wayfarers, so it was fitting that in this transitory life there should be an innkeeper for the refreshment and rest of the souls that go journeying to the everlasting abode of God. This innkeeper of souls is the Holy Mother Church, the table is the altar, the fare the emblems of the Passion. And this allegory is the theme of the following play._
(_A table laid, with a chair. The Holy Mother Church comes with her four doctors, St Thomas, St Jerome, St Ambrose and St Augustine, who says:_)
1 _St Aug._ Friends, 'twas of necessity That upon the gloomy way Of this our life Some sure refuge there should be From the enemy And dread dangers that alway Therein are rife. 2 Since man's spirit migratory In the journey to its goal Is oft oppressed, Weary in this transitory Path to glory, An inn was needed for the soul To stay and rest. 3 An inn provided with its fare, In clear light a table spread Expectantly, And laden with a double share Of torments rare That the Son of God, His life-blood shed, Bought on the Tree. 4 Since by the covenant of His death He gave, to give us Paradise, Even His life, Unwavering He rendereth For us His breath, Paying the full required price Free from all strife. 5 His work as man was to enable Our Mother Church thus to console, Innkeeper lowly, And minister at this very table, Most serviceable, Unto every wayfaring soul, With the Father Holy 6 And its Guardian Angel's care. The soul to her protection given If, weak with sin And yielding almost to despair, It onward fare And to reach this inn have striven, Finds health within.
(_The Guardian Angel comes with the Soul and says:_)
7 _Angel._ Human soul, by God created Out of nothingness yet wrought As of great price, From corruption separated, Sublimated, To glorious perfection brought By skilled device; 8 Plant that in this valley growest Flowers celestial for to give Of fairest scent, Hence to that high hill thou goest Where thou knowest Even than roses graces thrive More excellent. 9 Plant wayfaring, since thy spirit, Scarce staying, to its first origin Must still begone, Thy true country is to inherit By thy merit That glory that thou mayest win: O hasten on. 10 Soul that art thus trebly blest By such angels' love attended, Sink not asleep, Nor one instant pause nor rest, Thou journeyest On a way that soon is ended If watch thou keep.
11 _Soul._ Guardian angel, o'er me still Keep thy ward that am so frail And of the earth, On all sides thy watch fulfil That nothing kill My true wealth nor e'er prevail O'er its high worth. 12 Ever encompass me and shield, For this conflict with great fear Fills all my sense, Noble protector in this field, Lest I should yield, Let thy gleaming sword be near For my defence. 13 Still uphold me and sustain For I fear lest I may stumble, Fail and fall.